Domingo, 31 de Janeiro de 2016

Versejando com imagem - O perfume

 

VERSAJANDO COM IMAGEM

 

O PERFUME

 


O que sou eu? – O Perfume,
Dizem os homens. – Serei.
Mas o que sou nem eu sei...
Sou uma sombra de lume!
Rasgo a aragem como um gume
De espada: Subi. Voei.
Onde passava, deixei
A essência que me resume.
Liberdade, eu me cativo:
Numa renda, um nada, eu vivo
Vida de Sonho e Verdade!
Passam os dias, e em vão!
– Eu sou a Recordação;
Sou mais, ainda: a Saudade.

 

António Correia de Oliveira
In Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade
Org. de José Fanha e José Jorge Letria
Lisboa, Terramar, 2002

Liberdade.jpg


publicado por andanhos às 22:09
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 30 de Janeiro de 2016

Memórias de um andarilho :- Linha do Corgo - Curalha-Vidago

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS ABANDONADAS

Linha (de Caminho de Ferro) do Corgo
(Curalha - Vidago)

21.- AZS_0518.jpg

Como afirmávamos no último post «Memórias de um andarilho - Caminhadas nas vias férreas abandonadas», a 8 de dezembro de 2008, juntamente com os meus habituais amigos de caminhadas, quer no Alto Tâmega, quer nos Caminhos de Santiago, na Galiza, efetuámos este percurso desde a estação de caminho-de-ferro do Tâmega/Curalha até à estação da CP de Vidago.

 

Antes de darmos conta do percurso e de tecermos algumas considerações sobre o mesmo, e com ele conexo, queríamos abrir aqui um parêntesis para falar sobre os meus dois amigos habituais das caminhadas.

 

Quer com o Rui, quer com o Tó Quim, durante, aproximadamente, 7 anos, calcorreamos os principais trilhos e caminhos ancestrais do Alto Tâmega, da Veiga (de Chaves e de Verin) e percorremos todos os Caminhos de Santiago, na Galiza.

 

Foram muitos quilómetros que os nossos pés fizeram.

 

Foi muita contemplação de uma natureza-mãe que nos viu nascer e nos acolhe.

 

Foi o fascínio das suas diferentes paisagens.

 

Foi, ora com um maior esforço, neste ou naquele percurso; ora, com mais tranquilidade e descontração, noutros. Que nos levou a, cada vez mais, admirar a natureza, a compreendê-la, a imbuirmo-nos do seu espírito, a embrenharmo-nos na vida dos diferentes seres que a habitam e, essencialmente, a partilharmos experiências, sentimentos, gostos, num cimentar cada vez mais forte de uma amizade que nos marcou, indelevelmente, na vida, nas nossas vidas.

 

Por isso, daqui vai o meu muito obrigado, público, a estes dois grandes amigos, reiterando, como já em outras ocasiões o fiz, que não há nada que apague tudo o que foi a vida que, ao longo de horas, muitas vezes com esforço, percorrendo a natureza, partilhámos.

 

Tudo na vida se muda, se transforma. Há caminhos que, por imperativo próprio da vida de cada um, temos de seguir; outros, por opção. Temos consciência da precaridade e fragilidade das relações humanas. Assim como sabemos que a vida de cada um, no cômputo do tempo cósmico, é apenas um simples instante. Contudo, a experiência de vida que partilhámos, muitas vezes estando exaustos, cansados e com os pés em bolhas, foi, no âmbito geral da existência de cada um, uma verdadeira eternidade.

 

Há coisas que jamais se esquecem. Por isso, aqui fica aos amigos Rui e Tó Quim todo o meu obrigado pela sua amizade e companheirismo. Bem hajam!

 

Continuando com as nossas Memórias de andarilho.

 

Dia 8 de dezembro de 2008, uma segunda-feira, feriado católico dedicado à Padroeira do Reino de Portugal, iniciámos o nosso percurso nas imediações da Estação do Tâmega/Curalha.

 

Esteve uma noite e madrugada chuvosa. E estava frio. Quando iniciámos a caminhada, o tempo aliviou, mas, a cada passo, a chuva ameaçava.

 

O percurso deste dia era de sensivelmente 13 Km., ou seja, de acordo com a indicação que fomos retirar à Wikipédia, desde a estação do Tâmega e até Vidago, a distância é de 12. 954 metros.

00.- Legenda da Linha de Caminho de Ferro do Corgo

Da linha de caminho-de-ferro já nada resta, a não ser o seu trilho (e com uma ou outra falha, infelizmente!). Ora nuns sítios mais estreito,

01.- Hpim1642.jpg

 (C.c. António J. Leonardo)

ora noutros mais largo,

02.- Hpim1590.jpg

  (C.c. António J. Leonardo)

conforme a própria orografia do terreno.

 

O percurso, quase na sua totalidade, foi calmo e agradável. Do nosso lado direito, o sempre rio Tâmega,

03.- Hpim1648.jpg

 (C.c. António J. Leonardo) 

tendo, perto da sua margem escarpada, ruínas de construções,

04.- AZS_8412.jpg

outrora porventura habitadas por gente que se dedicava à profissão de moleiro - e almocreve - dada a proximidade de alguns moinhos por estas margens. Do lado esquerdo, a mata de carvalho e arbustos autóctones que, cada vez mais, se vai tornando já residual no nosso território.

 

Enquanto efetuávamos o percurso, de vez em quando, parávamos para dar uma olhadela pelo nosso entorno. Do outro lado do rio Tâmega, um pinheiro manso despertou-nos a curiosodade.

04a.- AZS_8426.jpg

Depressa nos apercebemos que, sob a sua proteção, aquele amontoado de pedras que se via ao longe, era o castro de Curalha.

 

Entre uma conversa sobre tudo e nada, considerações sobre o destino desta linha e a paisagem, quase sem nos darmos conta, chegávamos à estação de Vilela do Tâmega.

05.- AZS_8569.jpg

Convém esclarecer que esta estação, embora leve o nome de Vilela do Tâmega, não está situada na povoação de Vilela do Tâmega, outrossim na povoação de Moure, povoação anexa da freguesia de Vilela do Tâmega.

 

Meteu-nos pena o estado deplorável em que este edifício se encontra. Património pago por todos nós está «ao deus dará», em completa ruína e sem que alguém dele cuide e lhe dê um destino digno da sua história!

 

A sua arquitetura é de molde a que, para além da estação, fosse também casa de habitação do respetivo chefe da estação.

06.- AZS_8562.jpg

Ultrapassada esta estação, em Moure,

07.- Hpim1603.jpg

  (C.c. António J. Leonardo)

cruzámo-nos com um pastor que apascentava o seu rebanho de cabras.

08.- Hpim1616.jpg

  (C.c. António J. Leonardo)

E, logo, a seguir, a cerca de uma centena de metros da estação, aparece-nos a povoação de Moure.

 

De Moure até à estação de Vilarinho das Paranheiras, o mesmo agradável percurso, feito em amena cavaqueira.

 

Um ligeiro desvio levou-nos até à pequena central da Peneda, ainda em funcionamento, na área da freguesia de Vilela do Tâmega.

08a.- Hpim1591.jpg

  (C.c. António J. Leonardo)

Chegados à estação de Vilarinho das Paranheiras,

09.- AZS_0470.jpg

com uma tipologia idêntica à de Vilela do Tâmega,

10.- AZS_0474.jpg

o mesmo abandono e a mesma desolação. Uma espreitadela ao seu interior bem atesta este nosso sentimento!

11.- AZS_0479.jpg

Contudo, do seu interior, e de uma das suas janelas, cuja madeira vai apodrecendo e ficando sem vidros, vemos paisagens bonitas do termo de Paranheiras.

12.- AZS_0487.jpg

Pouco depois de ultrapassarmos Vilarinho das Paranheiras, começou a nossa lamentação e o nosso pequeno «calvário». A páginas tantas, o troço da linha desaparece. As estradas e autoestradas que «mataram» o comboio também, aqui, destruíram o seu traçado! Parece que ninguém cuidou de a preservar ou de encontrar, aqui, uma alternativa para o percurso destruído por via da dita «modernidade» das novas vias!

13.- Hpim1654.jpg

(C.c. António J. Leonardo)

Tivemos que encontrar um percurso alternativo, subindo e descendo um morro até encontrarmos o velho traçado.

 

Do alto do morro, a vista sobre a A24,

14.- Hpim1583.jpg

(C.c. António J. Leonardo)

sinal de progresso para um Portugal em pleno século XXI, mas que mais tem servido não para que enriquecêssemos, mas ficássemos mais pobres e sem gente, mercê de políticas que olham mais para o betão e o asfalto, esquecendo-se das pessoas e dos seus territórios de origem.

 

Nas proximidades de Vidago, «encarreiramos» com o traçado da nossa linha e fomos direitos até à sua estação.

 

Entretanto, começou a chover.

 

Demos uma olhadela à volta da estação.

 

Do local onde embarcaram, em 1915 e 1917, em sucessivos comboios em direção a Lisboa, com transbordo na Régua, os homens do Regimento de Infantaria 19 (RI 19), de Chaves, para o Sul de Angola e a Flandres francesa, respetivamente, apenas restava a sua velha estação

15.- 2010 - Caminhada Linha CP Vidago-Pedras [1º

e estes dois artefactos,

16.- 2010 - Caminhada Linha CP Vidago-Pedras [1º

 (Artefacto I) 

17.- 2010 - Caminhada Linha CP Vidago-Pedras [1º

  (Artefacto II)

a lembrar-nos que, por aqui, passava a linha do Corgo.

 

Chamada, à última hora, a Ana para nos vir buscar, fomos indo, sob chuva miudinha, pela EN nº 2, no sentido de Chaves, até ao cruzamento para Boticas, esperando depois por ela, abrigados na paragem de autocarros que ali ainda existe.

 

Contentes por termos cumprido com o nosso objetivo, embora incomodados com a chuva que nos ia caindo no pelo, fomos dando largas ao nosso descontentamento quanto à negligência, desleixo e incúria que nós portugueses temos quanto ao património, que é de todos nós!

 

Falando agora, em 2016, na antiga estação da CP de Vidago.

 

Com fundos perdidos a 80%, vindos da União Europeia, a 20 de dezembro de 2013, foi lançada a 1ª pedra, pelo então Presidente da Câmara Municipal de Chaves, para a construção de uma obra com o pomposo nome «Balneário Pedagógico de Investigação e Desenvolvimento de Práticas Termais de Vidago».

 

Fundos perdidos? Não estaremos há muito a pagar uma pesada fatura destes pressupostos «fundos perdidos», a que, por proverbial e histórico «seja o que Deus quiser», acreditando no desenrascanço e na «boa sorte», nunca cuidámos a fundo do futuro, pondo-nos totalmente nas mãos do(s) agiota(s), sempre apostado(s) na esquina, à espera da sua gorda cobrança?...

 

O dito Balneário Pedagógico era, segundo constava, para ser feito num ano. O seu custo era de 2,8 milhões de euros. A UNICER, na altura «comandada» por António Pires de Lima, ministro da Economia do anterior governo neoliberal Frentista, de Passos Coelho e Paulo Portas, cederia a Água de Vidago para aquele Balneário.

 

A arquitetura é modernista.

18.- AZS_0540.jpg

A antiga estação,

19.- AZS_0552.jpg

que entretanto já fora local de uma biblioteca e extensão dos serviços camarários de Chaves, em Vidago, ficou razoavelmente inserida no conjunto, para alguns, discutível.

 

Mas vamos ao que importa.

 

Alguém nos sabe dizer quando esta obra vai estar concluída e o Balneário, dito Pedagógico, vai ser aberto? E, concretamente, para que vai servir?

 

Desculpem a ignorância!...

 

Quanta gente ou mão-de-obra esta obra trouxe ou vai trazer para Vidago?

 

Pretende-se - numa vila termal como Vidago - dinamizar o turismo e o termalismo. Mas o que vemos à volta desta obra? Edifícios, alguns de boa traça, como o do Hotel Avenida, que se mostra,

20.- AZS_0556.jpg

e que nos narram a história de uma Vidago, vila termal viva e dinâmica, em completo abandono, ficando em ruínas!...

 

É fácil gastar fundos, gastar dinheiro que não sai do nosso bolso, que não é nosso. Difícil é sabermos como nos dinamizar com vista a um desenvolvimento sustentável!

 

Perdoem-nos os leitores o desabafo. Mas quando falamos (escrevemos), as palavras são como as cerejas...


publicado por andanhos às 18:31
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

Por terrras de Portugal - Casa da Gandarela (de Basto)

 

POR TERRAS DE PORTUGAL

 

CASA DA GANDARELA

 


CELORICO DE BASTO - BASTO (S. Clemente) - Vila da Gandarela de Basto


Ao longo de anos, enquanto Chaves não esteve ligada por autoestrada ao Porto, foram dezenas, senão mesmo centenas, as vezes que percorremos a Estrada Nacional nº 206 que, de Vila Pouca de Aguiar, passando pela serra do Alvão, ultrapassava a vila de Gandarela (de Basto).

 

Nesta localidade, sempre nos fascinou uma casa solarenga, com o seu bonito jardim de camélias (japoneiras), buxo e ciprestes. Mas nunca nos deu para, numa daquelas viagens, aí fazer uma pausa para tomarmos um café e depois «metermos o nariz» naquele espaço composto por uma quinta, com campos agrícolas em socalcos, vedada por um muro de alvenaria de pedra, uma casa,

03a.- AZS_10001 (222).jpg

Com o brasão numa das suas esquinas,

04.- AZS_10001 (185).jpg

um jardim, uma capela com uma torre sineira, rematada por cúpula,

06.- AZS_10001 (188).jpg

bem assim anexos agrícolas.

 

Pelo que lemos na internet, e segundo a Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), a Casa da Gandarela, na vila de Gandarela de Basto, concelho de Celorico de Basto, está em vias de classificação. Trata-se de uma Casa, com Quinta incorporada, que foi organizada ao longo dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX.


Hoje, para fazermos esta sucinta reportagem, largámos a autoestrada A7, que lhe veio desfigurar todo o seu impacto no conjunto do casario da vila, através de uma solução, no mínimo, duvidosa e porventura pouco estética, e tomámos a antiga EN nº 206, conforme se pode ver pelo mapa da Google Earth, que abaixo se apresenta.

Quinta e Casa da Gandarela A - Google Earth.jpg

No passado fim-se-semana, parámos a viatura nas imediações e entrámos por este portão,

01.- AZS_10001 (254).jpg

que dá a um largo arborizado com plátanos, tílias e áceres de grande porte, tendo, sob a sua proteção uma construção que, supomos, ser a de apoio ao jardim.

01a.- AZS_10001 (218).jpg

Virando à direita, deparámos com o jardim.

07.- AZS_10001 (196).jpg

Segundo a literatura consultada, o jardim é do início do século XX, segundo uma tipologia típica dos jardins de Basto do século XIX.

 

Diz-se que este jardim, e os seus desenhos arbustivos, foram concebidos por um jardineiro da escola de Fermil, fundada pelas irmãs Pinto Basto.

 

Ainda segundo a nossa literatura consultada, é a senhora D. Sofia da Cunha Mourão que continua a primar pela manutenção deste jardim, que diz, a dado passo:

 

Um jardim único, criado no início do século passado por um antepassado cheio de imaginação. Cenário da infância da Sofia, foi fonte de tantos prazeres que o quis preservar para os seus netos e bisnetos. De fora é um pequeno jardim murado, situado junto a uma estrada nacional com grande movimento e de uma das tantas autoestradas deste país mas, passado o portão, entramos num mundo diferente, sem tempo, num jardim de Alice do país das maravilhas, e esquecemos o exterior.

 

Entramos num labirinto feito de esculturas em que os materiais não são a pedra, mas as plantas. Camélias, magnólias, buxos, azáleas e ciprestes esculpidos ao longo das décadas até tomarem formas extraordinárias. A qualquer momento pode aparecer o coelho apressado, o gato Cheshire ou a rainha de copas...

 

São colunas,

08.- AZS_10001 (162).jpg

pássaros, pirâmides, guarda-sóis,

11.- AZS_10001 (212).jpg

túneis

02.- AZS_10001 (164).jpg

que despertam os sentidos e a fantasia de crianças e de adultos. A profusão de formas,

10.- AZS_10001 (205).jpg

volumes, texturas,

09.- AZS_10001 (204).jpg

flores e verdes, sol, brilhos e sombras cria a ilusão de um grande jardim, um jardim onde nos podemos perder.

 

O seu desenho é rebuscado, o traçado dos caminhos não obedece a uma lógica cartesiana, é ao sabor do acaso, criando a sensação de clausura e de conforto. A cada passo uma nova perspetiva espanta-nos e diverte-nos, um novo elemento surge entre a folhagem. Uma fonte, uma escultura, uma flor a nascer ou uma camélia caída.

 

Apetece ser criança e aí passar as tardes de Verão, entre personagens fantásticas. Apenas o restolhar das folhas e o cantar dos muitos pássaros que ainda nidificam nesta região agrícola. É o cenário ideal para jogar às escondidas... ou para beijos roubados.

 

Jardim de influências setecentistas, com sebes altas e murta, ciprestes, buxos e cameleiras que se apresentam em contornos cilíndricos, em espiral e em insólitas composições. No centro do jardim existe um lago

12.- AZS_10001 (171).jpg

e a antiga casa nobre

03.- AZS_10001 (166).jpg

liga-se a esta zona verde de visita obrigatória” (http://lifestyle.sapo.pt/casa-e-lazer/viagens-e-turismo/artigos/jardim-da-casa-da-gandarela).

 

Demorámos neste local uma boa hora.

 

Apreciamos algumas das sua bonitas camélias, das várias espécies de que lhe não conhecemos o nome.

15.- AZS_10001 (178).jpg

 (Camélia I)

14.- AZS_10001 (174).jpg

 (Camélia II)

 

No largo da portada principal da Casa, em cima de um muro, rodeada de sebe, uma «Pietá».

13.- AZS_10001 (198).jpg

E, porque o sol já se ia metendo, saímos daquele espaço encantado.

 

Por fora dos seus muros, num pequeno relvado, sob a proteção de Nossa Senhora da Oliveira, ficámos com a última impressão ou perspetiva desta Casa.

17.- AZS_10001 (250).jpg

Finalmente, acabámos por ver a Casa da Gandarela e, como diz o velho ditado, “vale mais tarde do que nunca!”.

18.- AZS_10001 (181).jpg


publicado por andanhos às 03:15
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2016

Palavras soltas ... «Ser» ou «Ter» nas nossas cidades?

 

 

PALAVRAS SOLTAS...

 

«SER» OU «TER» NAS NOSSAS CIDADES?

 

 

No post de ontem, sob o título «Reino Maravilhoso - Barroso:- Contrastes», o seu autor, citando passagens do último Diário de Miguel Torga, em jeito de lamentação, queixava-se de um mundo (o rural) em completo desaparecimento no que concerne às suas especificidades. Já nem o genuíno Barroso escapa(ou) a esta fúria globalizante, homogeneizadora!

 

Duas expressões citadas por Torga nos chamavam particularmente a atenção: na entrada de 29 de agosto de 1991, em Travassos do Rio, Montalegre, quando, a dado passo, afirma que “o Barroso de hoje é uma caricatura”; contraditoriamente, a 1 de setembro de 1991, em Alturas do Barroso, afirma que, ali, aquela gente “vive, numa palavra, referenciada”.

 

A propósito destas considerações, lembrámo-nos de um artigo que, há poucos dias, acabámos de ler de Maribel Mendes Sobreira, sob a designação «Para uma compreensão da cidade».

 

A autora começa por nos dizer que “com este ensaio [pretende-se entender] o Ser e o Ter da cidade, do território, centrando-nos para isso na ideia de que a problemática da cidade é ontológica, está na esfera da existência”. E justifica que os seus intervenientes/habitantes esqueceram-se do Ser e passaram ao Ter, tornando-se num lugar ou sítio de autêntico anestesiamento. E prossegue, dizendo que as nossas cidades deixaram de “Ser-se cidade ao outro”, transformando-se num sistema que “se fecha sobre si e onde o ter-se como cidade prevalece” (Itálico nosso).

 

Mais adiante a autora afirma: “Hoje as pessoas já não existem nas cidades, são como um produto de consumo, fazem parte da encenação turística que temos da cidade, afastando tudo o que a não embeleza. A cidade foi perdendo o seu direito a ser vivida, usada e utilizada, como elemento orgânico da vivência do seu habitante para passar a ser, também ela, um produto”.

 

Nada melhor do que esta imagem de Tommie Hansen, a que o autor lhe dá o nome de «Empty Street»!

 

Bem asseada, limpa, mas sem vida, logo que a «horda» turística a deixou de frequentar.

Tommie Hansen_Empty Street_YkVjRGI.jpg

E a autora, que vimos citando, prossegue: “É necessário uma nova consciência, uma (re) educação, um voltar à origem, onde o lugar era sentido e apreciado como propriedade coletiva, onde cada indivíduo «trabalha» para a concretização da sacralização da cidade, do lugar que habita”.

 

E interroga-se: “Como recuperar a infância perdida da urbe, que no jogo das escondidas se desiludiu com a qualidade de vida da sua própria casa? Porque os cidadãos se destituíram dos seus deveres centrando-se mais nos seus direitos de usufruto do solo?”.

 

O recuperar hoje a cidade implica “a ideia de apropriação territorial, no sentido da ocupação física e afetiva do espaço” e que leva a que “um grupo procure o que o caracteriza, para que possa distinguir-se do vizinho”.

 

Afinal de contas não é apenas o mundo rural que vive de profundos contrastes e contradições. Há que transformar o território em que nos é dado habitar e viver num lugar ou sítio da construção da nossa própria identidade, preocupados em estabelecer relações humanas e sociais, autênticas, verdadeiramente genuínas, não nos deixando transformar num simples produto, em pura mercadoria, objeto de especulação num mundo em que parece já não existirem valores autenticamente humanos e em que só parece existir o deus Mercado.

 

 

Nona

 


publicado por andanhos às 17:34
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016

REINO MARAVILHOSO - BARROSO:- Contrastes

 

 

REINO MARAVILHOSO - BARROSO:- Contrastes


No último Diário de Miguel Torga, a 1 de setembro de 1990, o autor escrevia, em Montalegre, assim:


Eram jovens, abordaram-me, gostavam do que escrevi, e queriam saber coisas de mim. Qual era o meu segredo?
- Ser idêntico em todos os momentos e situações. Recusar-me a ver o mundo pelos olhos dos outros e nunca pactuar com o lugar-comum”.

 

Numa duas suas habituais vindas às Caldas de Chaves para se curar dos seus achaques, e numa das muitas deslocações que fazia à região, a 29 de agosto de 1991, em Travassos do Rio, Montalegre, desabafava:


Notabiliza este lugar um baixo-relevo na torre sineira a figurar a cabeça de um toiro, que foi campeão invencível nas turras do seu tempo e os habitantes, ufanos de tanta valentia, quiseram perpetuar.
Vou rememorando: Cornos das Alturas, Cornos da Fonte Fria, Tourém, Pitões.
Era assim antanho. Por todo o lado a mesma obsessão a tutelar as consciências. O mal é que o povo, em meia dúzia de anos, deixou apagar nos olhos a imagem viril, e perdeu a identidade. O Barroso de hoje é uma caricatura. Sem força testicular, fala francês, bebe Coca-Cola, deixou de comer o pão de centeio do forno comunitário, assiste a chegas comerciais, em campos de futebol, com bilhetes pagos e animais alugados. É um nédio boi capado”.


Por outro lado, no dia 1 de setembro de 1991, de Alturas do Barroso, escrevia:


“Incansavelmente atento às lições do povo, venho, sempre que posso, a este teto do mundo português, admirar no adro da igreja, calcetada de lousas tumulares, o harmonioso convívio da vida e da morte. Os cemitérios atuais são armazém de cadáveres desterrados da nossa familiaridade, lacrimosamente repelidos do seio do clā mal arrefecem, cada dia menos necessários, no progressivo esquecimento, à salutar perceção do que significam na dobadoira do tempo. Ora, aqui, cada paroquiano pisa, pelo menos dominicalmente, a sepultura dos ancestrais, e se liga a eles, quase organicamente. Vive, numa palavra, referenciado. Sabe que tem presente porque houve passado, e que, mais cedo ou mais tarde, enterrado ali também, será para os descendentes consciência e justificação do futuro”.

 

Volvidos 25 anos desta escrita tão contrastante, que Barroso ainda sobra?

 

Periodicamente - ou anualmente nas suas festas - percorremo-lo. Procuramos o quê num território hoje tão contraditório?... O espírito do lugar? a nossa traça celta?


Infelizmente, já nem o Barroso, encravado nas suas montanhas, e sob a proteção do deus Larouco, nos dá argumentos para irmos à procura da nossa identidade, justificando as nossas opções de futuro.

 

Hoje temos a sensação que o percorremos - tal qual via-sacra -, dobrados sobre uma cultura que já não é a nossa, carregando a cruz de uma existência emprestada, que há muito deixou de ser genuína.

 

Nestes contrastes barrosões, apenas resta uma natureza também ela contrastante: de uma terra agreste e dura,

AZS_9719.jpg

de penedias

AZS_9702.jpg

e invernos prolongados, surge, nos seus curtos vales,

AZS_9682.jpg

terras fartas,

AZS_9622.jpg

lembrando-nos a fartura que nunca falta

AZS_9662.jpg

a gentes habituados ao pouco.

AZS_9627.jpg

 


publicado por andanhos às 18:52
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2016

Chaves através da imagem (II)

 

 

CHAVES ATRAVÉS DA IMAGEM

 

PRIMAVERA ANTECIPADA?

 

 

Como neste fim-de-semana permanecemos pouco tempo em terras flavienses, apenas «deu» para, numa visita rápida à «chácara», detetarmos que, por este andar, a primavera vem muito mais cedo.

20160124_141053.jpg

As amendoeiras já se encontram todas floridas!...

20160124_140948.jpg


publicado por andanhos às 18:54
link do post | comentar | favorito
|

Ao Acaso... «Queimada» em terras de Basto

 

 

AO ACASO...

 

...«QUEIMADA» EM TERRAS DE BASTO

 

O nosso amigo Marcelino incluiu-nos no grupo restrito «Amigos do Repasto».

 

Não podendo praticar militantemente, tanto quanto desejaríamos, o repasto gastronómico, do qual, a maioria destes «amigos», são fãs, pela nossa parte, aproveitamos a ocasião destes encontros para nos «deliciarmos» com outras variedades de «repastos».

 

Nesta ocasião, o local escolhido para o repasto foi a Quinta da Fontinha, em Borba da Montanha, concelho de Celorico de Basto.

 

O prato forte foi o cozido à portuguesa.

 

Ficámos um pouco surpreendidos pela escolha, nesta terra, e desta ementa principal.

 

É certo que cozido à portuguesa se come em qualquer cantinho deste nosso Portugal, mas deslocarmo-nos umas boas dezenas de quilómetros quando aqui temos matéria-prima de primeiríssima qualidade, obviamente, sem desprimor para com Celorico de Basto (ou qualquer terra portuguesa), meteu-nos uma certa espécie.

 

E ainda por cima quando, à volta deste repasto, vamos encontrar o nosso amigo (Padre) Lourenço Fontes, num dia forte da Feira do Fumeiro, em Montalegre!

 

Naturalmente, como amigo que somos dele, não deixámos de comentar tal circunstância, para logo imediatamente ficarmos repesos de abordarmos tal assunto, porquanto, se Padre Fontes já vinha a este nosso repasto intimamente com um certo sabor de traição à sua terra pela falta de presença, pressentimos que a nossa conversa lhe acicatou mais o remorso.

 

Para quem é pouco frequentar das terras de Basto, como nós somos, este repasto serviu de ensejo para nos deliciarmos com outras «iguarias» destas terras.

 

Gostámos de ver algumas casas brasonadas, com uma ou outra recuperada para agroturismo e turismo de habitação, em que as terras de Basto têm sido pioneiras, apesar de termos presenciado alguns palacetes em ruínas, a necessitarem de urgente intervenção e outra valia, quer económica e/ou social, antes que, com o decorrer do tempo, sejam reduzidas a pó e cinza.

 

Gostámos também de ver a linha de caminho-de-ferro - a antiga linha do Tâmega - agora transformada em ecopista. E ficámos com o desejo de, um dia destes, a degustarmos, percorrendo-a desde Amarante até ao Arco de Baúlhe.

 

Entrámos em duas ou três casas apalaçadas, apreciando a arte dos seus jardins de camélias e admirando as suas flores. Não é por acaso que Celorico de Basto é a capital das camélias!

 

Não deixámos de ir ao encontro do Núcleo Museológico dos Moinhos de Argontim. Conhecer a sua história e ficar com um pouco do seu registo cénico foi para nós foi um ponto alto deste encontro degustativo.

 

Em suma, se por acaso não é em dia e meio, com um repasto gastronómico tão pesado, como um cozido à portuguesa, que se tem tempo de apreciar todas as «iguarias» destas terras, como, nomeadamente, o seu Castelo de Arnóia e o Mosteiro, que leva o mesmo nome, e que, com certeza, servirão de tema para futuras Memórias de um andarilho, para o «Ao acasso...» não era este o tema que nos interessava relevar nesta crónica.

 

Após um cozido à portuguesa «à Basto», regado com tinto verde, pois então!... não estamos na região do «verde»?... (para alguns; para outros, nem tanto assim...) e com o «bucho» cheio, ao estar presente o homem que se dá tão bem quer com Deus quer com o seu contrário, era de esperar que não faltasse a célebre «Queimada», feita por mãos de um homem de Deus, mas a quem os diabos, e outras figuras menores das «profundezas», respeitam, finalizada com o respetivo «Esconjuro».

 

Aqui ficam, pois, em três quadros (retirados da câmara do nosso telemóvel), tais quais três pinceladas, da dita, com o oficiante em vestes talares, faltando-lhe apenas o deslumbrante e protocolar chapéu.

20160123_145234.jpg

(Quadro I)

20160123_145548.jpg

(Quadro II)

20160123_145915.jpg

(Quadro III)

 

No final, a foto do oficiante e seus respetivos acólitos.

P1230111.jpg

Bem assim a serigrafia comemorativa do «encontro» - Memórias - da autoria de Júlio Cunha.

Serigrafia Júlio Cunha Memórias.jpg

E com esta crónica nos ficamos por aqui. Até ao próximo repasto de lampreia! Pelas terras do Lima...


publicado por andanhos às 11:30
link do post | comentar | favorito
|

Renovando

 

 

 

 

RENOVANDO

 

Quando, a 14 de outubro de 2010, abrimos este nosso blogue Andarilho de Andanhos dizíamos que o mesmo seria estruturado em sete capítulos ou blocos temáticos: Gallaecia; Por terras de Portugal; Encontros coma a História e o Património; Áreas Naturais; Eventos e Passeios e, finalmente, Férias.

 

 

Ao longo destes cinco anos houve, positivamente, duas rubricas ou blocos temáticos que privilegiaram o espaço da maioria dos nossos posts: Gallaecia e Por terras de Portugal. Os restantes, ou foram residuais, ou nem sequer apareceram à luz do dia.

 

 

Mais de cinco amos volvidos, decidimos renovar as rubricas deste nosso blogue.

 

Naturalmente a Gallaecia (com o Reino Maravilhoso [Douro, Alto Tâmega e Barroso, Trás-os-Montes e Galiza]) continua a ser o nosso «prato» de eleição.

 

Por terras de Portugal é também uma rubrica que continua.

 

Com o ano 2016, e com o autor entrando «oficialmente» naquela idade que muitos dizem acarinhar, mas que muito pouco cuidamos - a terceira idade - faz todo o sentido que se abra uma outra rubrica com o título Memórias de um andarilho. São tantas as que aguardam publicação que, sinceramente, não sabemos se, pelo menos uma parte significativa delas, virá a conhecer a «luz do dia».

 

Na nossa página do Facebook - Chaves: Um dia-Uma foto - teve o apreço de alguns «amigos». Para manter o registo, agora vem aqui num outro formato e com a designação Chaves através da imagem.

 

Versejando com imagem é uma nova rubrica que inauguramos neste blogue. Não temos veia poética. A educação demasiado racionalista e escolástica porventura a «ofuscaram». Mas vibram em nós sentimentos e emoções que, na poesia dos diferentes autores que lemos, faz eco e exalta a nossa sensibilidade versejadora. Obviamente, sempre, tanto quanto possível, acompanhada com obras de arte e, também fotografia que, de alguma forma, tenha a ver com o conteúdo poético citado.

 

Para finalizar, abrimos uma outra rubrica que dá pelo nome Ao acaso... São três, essencialmente, os significados desta expressão «ao acaso» - aleatoriamente; sem rumo e sem intenção prévia.

 

Assim, quando nos faltar assunto dito «sério», falaremos do que nos vier à telha», do que nos «der na real gana». Provavelmente mais «aleatoriamente» do que «sem rumo» ou «sem intenção prévia».

 


Continuaremos sempre sendo o andarilho, à procura de andanhos.

7333461_GQ1op.jpg

(Foto gentilmente cedida por Humberto Ferreira)


publicado por andanhos às 11:22
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016

Versejando com imagem - Pela Pátria

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

PELA PÁTRIA

 

 

Ouve, meu Filho: cheio de carinho,
Ama as Árvores, ama. E, se puderes,
(E poderás: tu podes quanto queres!)
Vai-as plantando à beira do caminho.

 

Hoje uma, outra amanhã, devagarinho.
Serão em fruto e em flor, quando cresceres.
Façam os outros como tu fizeres:
Aves de Abril que vão compondo o ninho.

 

Torne fecunda e bela cada qual,
A terra em que nascer: e Portugal
Será fecundo e belo, e o mundo inteiro.

 

Fortes e unidos, trabalhai assim...
- A Pátria não é mais do que um jardim
Onde nós todos temos um canteiro.

 

António Correia de Oliveira, in Antologia Poética

2015 - Serra da Nogueira (Bragança) (7).jpg


publicado por andanhos às 12:12
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016

Memórias de um andarilho - Caminhada na linha do Corgo (I)

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS ABANDONADAS

 

Linha (de Caminho de Ferro) do Corgo

(Chaves - Curalha)

 

00 - Linha de Caminho de Ferro do Corgo - Genéric

Em novembro de 2008, saiu a público um livro, da autoria de Rui Cardoso e Mafalda César Machado, que levava o título «Pelas Linhas da Nostalgia - Passeios a pé nas vias férreas abandonadas».

 

Lembremos aqui as palavras dos autores insertas na badana da capa:

Nos últimos 20 anos, Portugal perdeu 700 Km de vias férreas, desativadas em nome da boa gestão, do controlo do défice e dessa abstração, onde tudo cabe, chamado progresso”.

 

E os autores prosseguem, em tom lastimoso, mas verdadeiramente esperançoso:

Estes percursos, mutilados por derrocadas, silvados ou construções diversas, parecem querer reviver. Surgem ciclovias, geralmente por iniciativa camarária, enquanto nalguns casos se reequaciona o regresso do comboio, nem que seja para fins turísticos, de resto como já vinha sucedendo em Espanha, França e noutros países europeus”.

 

Só que infelizmente essas iniciativas por aqui não vingaram, mercê do pouco apreço que nós temos pelo património que é de todos nós em detrimento do que é de cada um, mesmo que seja à custa do de todos! Mas estas contas serão para desfiar noutro «rosário», que não aqui.

 

Continuemos com as palavras dos autores citados naquela mesma local:

Tal como as vias romanas, os trilhos dos contrabandistas, as estradas militares ou os itinerários da transumância pastoril, estes caminhos são parte integrante do nosso património e da nossa memória coletiva. Não os deixar desaparecer, popularizá-los e dar-lhes nova vida é o objetivo deste livro”.

 

Palavras que, infelizmente, têm caído e saco roto!

 

Um pouco mais à frente, deixamos a reflexão da autora Mafalda César Machado à consideração dos leitores e à sua apreciação crítica:

São caminhos que se perdem?

Não.

Perderam-se pelas vias de origem.

Com o encanto de passeios inesquecíveis para quem os fez, pois o tempo acelerado não perdoa, em comboios que já foram.

Deixaram as marcas de algumas estações de outras épocas, algumas agora recuperadas para outros fins, outras perdidas para sempre.

São, e espera-se que sejam, marcos de uma presença irrefutável.

Uma memória ferroviária em que Portugal é, ou era, exímio.

Exercício emocionante é percorrer o país de lés-a-lés e descobrir belezas, de difícil acesso, é verdade, mas inesquecíveis.

Como se diz agora, um país profundo que se revela.

Ou melhor, que se descobre.

Desde o transformado lugar-comum do encanto do Douro, ao deslumbre do Dão, surpreendendo os encantos camuflados de um Alentejo por descobrir, e do Algarve, quem diria?, ainda por desbravar.

Possível?

Sim.

E de uma forma diferente, com alguma coragem, seja dito, de descobrir numa aventura diferente, agora em passeio calmo (às vezes), a pé, o que foram as vias de cruzamento de todo um país.

Não é só nostalgia, nem saudade. É aproveitar, numa experiência única, as reminiscências de muitos anos. Anos de pioneirismo a usufruir, neste tempo de globalização e potenciais TGV’s (...)

 

A leitura deste livro provocou em nós o desejo de também partilhar as experiências destes dois autores.

 

Para o efeito, entusiasmamos os nossos companheiros habituais das caminhadas efetuadas quer no território do Alto Tâmega e Barroso, quer nos diferentes Caminhos de Santiago, na Galiza, para esta nova «empresa» de «palmilhar» e conhecer estas vias férreas portuguesas abandonadas.

 

E decidimos por começar pela que nos ficava mais próxima de nós - a Linha do Corgo, feita de cima para baixo, ou seja, de Chaves para a Régua.

 

Constatando que o troço entre Chaves e Curalha estava praticamente todo destruído e irreconhecível, a 8 de dezembro de 2008, efetuámos o troço entre Curalha e Vidago.

 

O nosso projeto para levar a cabo a caminhada, percorrendo toda a linha, assentava em efetuarmos, nos fins-de-semana (num sábado ou domingo) parte de um trajeto. Da seguinte forma - dois de nós levava a sua viatura: uma, íamos deixá-la no término do percurso previamente determinado; a outra, ficava no seu início. Efetuado o percurso, distribuíamo-nos por cada viatura, regressando a Chaves.

 

Só que a verdadeira travessia da linha apenas se efetuou de 10 de outubro a 21 de novembro de 2010. Ou seja, o primeiro troço que fizemos não teve continuidade. Não tínhamos cumprido todos os Caminhos de Santiago na Galiza, que era a nossa prioridade. Por isso, havia que efetuá-los. Só depois as linhas férreas abandonadas.

 

Depois de efetuado todo o percurso da linha, de Curalha à Régua, no final, sozinho, tentámos levar a efeito o pequeno percurso entre Chaves e Curalha (Tâmega).

 

Convém que se diga que, a quase totalidade deste pequeno percurso, foi efetuado ao longo do asfalto da estrada que vai para Boticas e Montalegre, presenciando, aqui e ali, pequenos troços de um troço de uma linha já praticamente irreconhecível.

 

Por isso, aqui deixámos aos nossos leitores apenas o que resta do património deste troço: a estação da CP de Chaves e a sua área confinante, término da linha e início do nosso percurso, bem assim a estação do Tâmega/Curalha, hoje pertença de um particular, que a conservou, e, nas áreas adjacentes, vai mantendo um pouco da memória deste troço.

04 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001(1

 (Hora da partida)

02a - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001(

 (Alçado Frontal da antiga Estação da CP de Chaves hoje sede dos serviços sociais e culturais da Câmara Municipal)

02 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001(7

 (Alçado posterior da antiga CP de Chaves)

05a - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001(

 (Estruturas da antiga estação integradas na envolvente do Centro Cultural de Chaves - Quadro I)

05b - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001(

  (Estruturas da antiga estação integradas na envolvente do Centro Cultural de Chaves - Quadro II)

05 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001(8

  (Estruturas da antiga estação integradas na envolvente do Centro Cultural de Chaves - Quadro III)

04a - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001(

 (Uma secção do Museu da CP)

06b - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001(

 (Uma perspetiva do Centro Cultural de Chaves na antiga área adjacente à estação da CP)

07 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001(6

 (Rotunda em frente à antiga estação da CP, onde se destaca a estátua do ilustre político da I República, o flaviense António Granjo)

08 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001(5

 (Novas construções adjacentes ao término da linha - Quadro I)

09 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001(5

 (Vista parcial da Av. da Estação com a antiga Escola da Estação e o Jardim João de Deus)

10 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001.j

 (Entrada na antiga estação do Tâmega/Curalha)

11 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 004.j

 (Edifício da Estação do Tâmega/Curalha)

12 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 005a.

 (Pormenor da parte superior do edifício da Estação do Tâmega/Curalha)

13 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 092.j

 (Exposição de uma locomotiva e uma carruagem na área da antiga Estação do Tâmega/Curalha)

14 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 090.j

 (Exposição de uma locomotiva na antiga área da Estação do Tâmega/Curalha)

15 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 060.j

 (Moinhos de Curalha nas proximidades da Estação do Tâmega/Curalha)

17 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 073.j

 (O rio Tâmega e a antiga ponte ferroviária de Curalha)

0100 - 2010 - Caminhada Linha CP Chaves-Vidago 001

 


publicado por andanhos às 16:36
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 7 seguidores

.rádio

ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15

17
18
21
22
23

25
26
27
29
30


.posts recentes

. Por terras da Ibéria - Tr...

. Por terras da Ibéria:- Ca...

. Por terras de Portugal - ...

. Por terras de Portugal - ...

. Por terras de Portugal - ...

. Versejando com imagem - A...

. Por terras da Ibéria:- Ca...

. Palavras soltas... Em dia...

. Ao Acaso... Com Torga, fa...

. Reino Maravilhoso - Barro...

.arquivos

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Julho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Agosto 2011

. Novembro 2010

. Outubro 2010

.tags

. todas as tags

.A espreitar

online

.links

.StatCounter


View My Stats
blog-logo