Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2015

Por terras e aldeias de Portugal - A capela-basílica de S. Pedro de Balsemão (Lamego)

  

A CAPELA (BASÍLICA) DE S. PEDRO DE BALSEMÃO - LAMEGO

 

01 - Capela de S. Pedro de Balsemão 058.jpg

A 21 de maio deste ano, a propósito da capela de S. Frutuoso de Montélios (freguesia de Real, Braga), prometíamos que iríamos falar da capela-basílica de S. Pedro de Balsemão, Lamego, depois de falarmos de duas na nossa vizinha Galiza - a capela de S. Miguel, em Celanova, e a igreja de Santa Comba, em Bande, ambas na província de Ourense.

 

Como ainda não tivemos oportunidade de ir visitar a igreja de Santa Comba, em Bande, avançamos hoje em falar da de S. Pedro de Balsemão, no Douro Vinhateiro, em Lamego.

 

1.- Brevíssima história acerca dos monumentos proto medievos ou proto cristãos

 

D. Fernando de Almeida (1903-1979), na sua obra «Arte Visigótica em Portugal» [http://bibliotecas.patrimoniocultural.gov.pt/oarqueologo/OAP_S2_v4_1962/OAP_S2_v4_1962_150dpi_pdf/p6-278/p6-278.pdf], que, segundo Paulo Almeida Fernandes, foi o investigador maior em Portugal nesta complexa área de estudo, elenca os seguintes monumentos, ditos visigóticos, com influências no atual território português, quer pelos povos que o ocuparam, quer pelas tendências artísticas (romana, Escandinávia, Irão, Síria, Egito-copta, norte de África, Bizâncio, Ravena, Sicília, etc..), quer pelas diferentes épocas de ocupação:

 

- O «batistério» da Tróia, de Setúbal;

- A basílica do Arnal, Leiria;

- A basílica de Ordinhas, na estrada de Sintra para a Ericeira;

- A basílica de S. Miguel da Mota, Terena (Alandroal);

- A basílica de Torre de Palma, entre Monforte do Alentejo e Vaiamonte;

- A capela de S. Frutuoso de Montélios, Real, Braga;

- A igreja de S. Torcato, a 7 Km de Guimarães;

- A basílica-catedral de Idanha-a-Velha, Castelo Branco;

- A igreja de Santo Amaro, extramuros da antiga Beja;

- A torre visigótica de Évora e

- a nossa capela-basílica de S. Pedro de Balsemão.

 

Já no post sobre a capela de S. Frutuoso de Montélios, pelo punho de D. Fernando de Almeida, definíamos arte visigótica. Contudo, nem todos os historiadores de arte «afinam» por esta designação, optando por outra mais genérica, aliás como D. Fernando de Almeida também refere na sua citada obra.

Vejamos o que nos diz João L. Inês Vaz no seu artigo «Arquitetura paleocristã da Lusitânia Norte», entendendo por arquitetura paleocristã somente o período da chegada dos árabes à Península Ibérica, e que pode ser consultado no seguinte sítio da internet: https://digitalis-dsp.uc.pt/bitstream/10316.2/23486/1/Mathesis20_99.pdf?ln=pt-pt.

O autor solicita-nos o abandono da expressão visigótica e a adoção da designação arte paleocristã, como uma expressão essencialmente cultural, “pois é à cultura que nos estamos a referir quando falamos de ideias artísticas ou religiosas”. Em Portugal, fala-se “mais de suevos e visigóticos e «arte suévica» e «arte visigótica» do que paleocristianismo, a «arte paleocristã» e menos ainda de «arquitetura paleocristã», esquecendo-se, quase por completo, que houve reaproveitamento e adaptação de espaços romanos ao novo culto e esquecendo-se sobretudo que, desde muito cedo, deve ter havido também a construção de espaços religiosos ex novo [mercê de outras influências]”.

 

Contudo, um outro historiador da arte português, Carlos Alberto Ferreira de Almeida, citado por João L. Inês Vaz, aceitando muito embora a designação de arte tardo românica, diz que “em Portugal, a arte paleocristã coincide com a duração do reino suevo (411-585) e até se poderia designar «arte da época sueva», a qual é muito distinta da visigótica”. Infelizmente não tivemos oportunidade de investigar, segundo este autor, qual ou quais os elementos diferenciadores de cada uma delas...

 

Como se vê, entre os historiadores de arte não há consenso, pelo contrário, alguma polémica e muita discussão. Apenas consensual, ainda segundo João L. Inês Vaz, é que a arte deste período é marcadamente cristã e que o cristianismo chegou ao território português atual ainda sob o domínio romano, surgindo então os primeiros focos cristãos que lutou por se impor durante as invasões bárbaras, se consolidou após a conversão dos suevos e estruturou-se com a formação do Reino dos Visigóticos.

 

Outro conceito que não obtém consenso entre os historiadores da arte deste período é a designação destes espaços religiosos: basílica, igreja ou templo? Basílica, segundo João L. Inês Vaz, é uma designação arquitetónica latina baseada na basilica romana, edifício mais judicial que religioso; igreja deriva de ecclesia, reunião dos cidadãos e «templo» com uma conotação mais pagã e judaica. Mas, qualquer que seja a designação usada, ela servia para designar o espaço onde os cristãos se reuniam para a partilha do pão, para a oração e adoração a Deus e a veneração dos santos.

 

Ainda segundo João L. Inês Vaz, na Lusitânia, com muito maior predominância a norte, estabeleceram-se 3 grupos arquitetónicos:

 

  • No grupo urbano - integram-se as basílicas paleocristãs localizadas nas cidades romanas. Nalguns casos, estas cidades foram capitais de ciuitas que foram depois transformadas em sedes episcopais e alguns destes templos parecem ter sido construídos propositadamente para um fim religioso cristão e, por isso, os templos cristãos mais antigos do território português atual, tais como as basílicas de Conimbriga (antiga ciuitas e sede da diocese do mesmo nome); Idanha-a-Velha (ciuitas Igaeditanorum e sede da diocese de Aegitania ou Igaeditania); Mértola (antiga cidade romana de Mirtilis); Tongobriga (ciuitas de Tongobriga); Viseu (ciuitas de Internniensium e sede da diocese de Vesensis) e Santo Amaro de Beja (ciuitas de Pax Iulia e sede da diocese de Pacensis).

 

  • No grupo rural - integram-se as basílicas localizadas em espaços rurais, na sua maior parte villae romanas e resultam da adaptação de uma divisão da antiga domus. Este é o grupo mais numeroso, situando-se a maior parte destas basílicas em villae romanas, como sejam: a basílica da Torre de Palma (Monforte do Alentejo); Monte de Cegonha (Vidigueira); Martinho das Laranjeiras (Alcoutim); São Cucufate (Vidigueira); Milreu (Estói, Faro) e Prazo (Vila Nova de Foz Côa). 

 

  • No grupo suburbano - integram-se as basílicas localizadas próximo das cidades-diocese, que sofreram diretamente a influência da sede episcopal, porquanto se situam a não muito mais de três milhas romanas, ou seja, a uma hora de caminho. Aqui vamos encontrar três pequenas basílicas nesta situação: S. Martinho de Dume (completamente em ruínas); S. Pedro de Balsemão (Lamego) e Granjinha (Chaves, antiga Aquae Flauiae). A capela da Granjinha tem apenas alguns elementos decorativos que se atribuem a este período, sendo a sua atual construção positivamente do período romano, segundo João L. Inês Vaz.

 

2.- Opiniões quanto à origem da capela de S. Pedro de Balsemão

 

Sant’Anna Dionísio no «Guia de Portugal - Trás-os-Montes e Alto Douro, II - Lamego, Bragança e Miranda», 5º volume, 2º tomo, da Fundação Calouste Gulbenkian, com base nos escritos vários de Joaquim de Vasconcelos, Manuel Monteiro, Virgílio Correia e D. José Pessanha, diz que a capela-basílica de S. Pedro de Balsemão, a par da Igreja de Lourosa e da capela de S. Frutuoso, é considerada “uma das mais discretas relíquias da arquitetura religiosa peninsular protomedieva”.

 

Demos uma vista de olhos por alguns sítios da internet e blogs. Citemos o que dizem alguns textos para nos apercebermos das informações tão diferentes quanto à sua origem, reflexo da polémica entre os diferentes especialistas nesta matéria:

 

  • O «Douro Valley - Venha descobrir o Douro», no seu sítio da internet [http://www.dourovalley.eu/poi?id=6239], diz-nos que se trata de uma “capela provavelmente datada do século VII, pertencente ao restrito conjunto de monumentos em Portugal a apresentar uma arquitetura visigótica. Apresenta três naves e uma capela-mor onde se realçam os arcos e capitéis com decoração fitomórfica. Merecem também atenção o altar-mor de talha, os tetos de madeira policromada, de caixotões e o túmulo com estátua jacente. Esta capela é indicada como sendo, provavelmente, o mais antigo templo em honra de São Pedro, na Península Ibérica”.

 

  • Sob o título «Capela de São Pedro de Balsemão - Uma beleza escondida», em http://balsemao-lamego.weebly.com/capela-de-satildeo-pedro-balsematildeo.html, e no folheto, patrocinado, entre outros, pelo IGESPAR, Câmara Municipal de Lamego e pelo Ministério da Cultura, do qual se pode fazer a respetiva transferência (download), pode ler-se: “Localizado num lugarejo remoto, encaixado na margem direita do profundo vale do rio Balsemão,

    02 - Capela de S. Pedro de Balsemão 067.jpg

     junto a Lamego, o pequeno templo de São Pedro de Balsemão justifica uma visita atenta, pela sua longa história e pelos seus traços notáveis da sua arquitetura moçárabe. A sua origem remota aos tempos da reconquista cristã da região, no século X, época em que a cidade, sob a tutela do seu castelo, se transformou num polo estratégico e administrativo importante. Na época românica chegou a ser sede paroquial, mas foi depois transformado, ainda no século XII, em curato dependente da Sé Catedral de Lamego”.

     
  • No blog «Olhar d’Ouro», de 24 de novembro de 2010, [http://lamegoimage.blogspot.pt/2010/11/capela-de-sao-pedro-de-balsemao-lamego.html], pode ler-se: “(...)Fica situada a cerca de 3 Kms do bairro da Ponte – Lamego, construída durante a época Visigótica do Rei Sisebuto que chegou a cunhar moeda em Lamego - Séc. VII (há também quem aponte a data de 572 contudo não consegui obter dados comprovativos), de acordo com alguns historiadores, é a capela mais antiga de Portugal e a segunda da península Ibérica. Ao longo dos séculos a capela sofreu várias alterações com obras de remodelação e que alteraram a sua feição primitiva. (...) A Capela de São Pedro de Balsemão, Monumento Nacional, constitui um dos raros exemplos de arquitetura religiosa altimedieval atualmente conservados em território Português. É um pequeno Templo mas com imenso valor arquitetónico e arqueológico para explorar e que fascina mesmo quem não seja grande apreciador destas áreas”.

 

  • No blog «A minha coleção de postais», de 8 de setembro de 2012 [http://postaisdamarta.blogspot.pt/2012/09/capela-de-s-pedro-de-balsemao-lamego.html], a sua autora diz: “O templo de S. Pedro de Balsemão é o mais antigo de todos os monumentos de Lamego e, de acordo com alguns historiadores, o segundo da Península Ibérica. A sua origem suévico-visigótica remonta ao séc. VII, ao tempo de Sisebuto (rei visigótico que chegou a cunhar moeda em Lamego)”.

 

Face ao que acima expõe D. Fernando de Almeida e João L. Inês Vaz, vejamos o que no seu sítio da internet [http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71135/], - No Património Cultural - Direção-Geral do Património Cultural - se diz:

 

“A capela de São Pedro de Balsemão é um monumento tão relevante cientificamente quanto problemática é a sua cronologia e forma original. Nos últimos cem anos, a historiografia divide-se em duas propostas cronológicas antagónicas: a época visigótica (séculos VI-VII) e a expansão do reino asturiano (séculos IX-X). Até ao momento, não foi possível confirmar qualquer destas sugestões e, por isso, Balsemão continua a integrar a polémica que tem separado investigadores desde que, há sensivelmente uma década e meia, os ciclos asturiano e moçárabe foram objeto de uma radical revalorização.

 

No local onde o templo se implanta, ou muito próximo, parece ter existido uma uilla romana, como o atestam algumas inscrições, um terminus augustalis do tempo de Cláudio e as aras reaproveitadas como altares (...). A confirmar-se, algum dia, a relação desta uilla com o templo, teremos mais um exemplo da continuidade de ocupação que caracteriza já um considerável número de sítios no país.

 

A edificação da capela aconteceu num momento ainda indeterminado da Alta Idade Média. Para os defensores de uma cronologia de época visigótica, assume especial importância uma lápide datada de 588 e aparecida na cidade (...). Outros argumentos, invocados por Lampérez y Romea, foram a forma ultrapassada do arco triunfal e o plano basilical adotado. A partir daqui, e de outros contributos muitas vezes indiretos acerca do que teria sido a arte de época visigótica, a ideia de uma igreja dos séculos VI-VII ganhou forma e foi sucessivamente repetida por nomes marcantes como Schlunk, Fernando de Almeida, Hauschild, etc.

 

Nos últimos anos, todavia, ganhou maior relevo a hipótese de o templo datar de finais do século IX ou, mesmo, já do século X. O primeiro autor a propor esta ideia foi Joaquim de Vasconcelos, há quase cem anos (VASCONCELOS, 1911, p.79), por analogia com a igreja de São Pedro de Lourosa, epigraficamente datada de 912. No entanto, o sucesso do modelo "visigotista", proposto pelos autores anteriormente citados, praticamente inviabilizou esta proposta, só muito recentemente retomada por Real, Ferreira de Almeida, Barroca e Teixeira, entre outros.

 

Com efeito, a identificação de um clípeo (medalhão), de um pé de altar decorado com a tradicional cruz asturiana, de um fragmento de ajimez moldurado e a utilização de impostas de rolo decoradas com motivos cordiformes, são indicadores de uma cronologia avançada, a que o classicismo das formas (tão demonstrado na reutilização de capitéis coríntios tardo-antigos) emprega verdadeiro valor estilístico, aproximando-o de construções como São Pedro de Lourosa (onde também aparece um medalhão circular), a controversa Mesquita-Catedral de Idanha-a-Velha ou a basílica do Prazo (...). A chegada a um consenso da cronologia de Balsemão está, ainda assim, longe de esgotar todos os problemas, como a sugestão de uma ábside única retangular, aparentemente mais característica da época visigótica, ou o aparecimento, num silhar, do símbolo dos condes de Portucale, na viragem para o século XII.

 

Ficam aqui expostas algumas das diferentes posições quanto à origem deste interessante monumento, encaixado no vale cavado pelo rio Balsemão,

que desagua no rio Varosa e com ele faz a albufeira da barragem que produz energia elétrica.

04 - Capela de S. Pedro de Balsemão 078.jpg

 

3.- Uma história sucinta

 

Abordada a problemática da sua origem, falemos agora um pouco da sua história.

 

Existem dois períodos que marcaram indelevelmente este monumento.

 

Diz a Direção-Geral do Património Cultural que a capela foi profundamente transformada. No século XIV, o bispo do Porto, D. Afonso Pires, nascido na singela e diminuta povoação de Balsemão,

03 - Capela de S. Pedro de Balsemão 075.jpg

escolheu-a para sua capela funerária e terá, para isso, "refeito toda a igreja". Para além do seu sarcófago, hoje localizado a meio da nave central, não restam vestígios claros dessa reforma, sendo certo, no entanto, que, em 1643, Luís Pinto de Sousa Coutinho (visconde de Balsemão) integrou-a no seu solar. Data, assim, do século XVII, a grande reforma responsável pelo aspeto atual do monumento.

05 - Capela de S. Pedro de Balsemão 049.jpg

A porta ocidental foi inutilizada e transformou-se radicalmente a meridional que, monumentalizada com algumas lápides

06 - Capela São Pedro de Balsemão_Lamego_Por

 (Cortesia do blog «Olhar d’Ouro”, de 24 de novembro de 2010)

e uma escadaria, passou a ser a principal.

07 - Capela de S. Pedro de Balsemão 068.jpg

Reconstruiu-se também a cabeceira e largos trechos do corpo, fazendo com que, o que hoje reconheçamos, seja um edifício seiscentista que aproveitou alguns elementos altimedievais.

 

Ou seja, e como muito bem diz D. Fernando de Almeida, do edifício em si, completamente remodelado no seu exterior, amputado na sua extremidade poente, conforme fotografia aéria que se mostra, (a primitiva entrada principal), agora com o edifício do solar adossado,

08 - balsemao_4_121599551654ddf6e90a171.jpg

  (Cortesia do blog «Olhar d’Ouro”, de 24 de novembro de 2010)

felizmente que, do edifício primevo, as alterações interiores não foram tão graves por forma a que hoje ainda possamos ver a sua vetustez.

 

4.- Apresentação de alguns dos seus elementos

 

Citemos o texto do blog «Olhar d’Ouro», de 24 de novembro de 2010, e algumas das suas fotos:

 

Na atual entrada principal e por cima desta, encontram-se três escudos, ladeada por mais um e abaixo deste, uma epígrafe romana, igualmente incrustada na parede onde consta:

“I. CLAUDIO CAESARE GERMA. PONTI. MAX. TRIBU. POTEST. TRI N. P. E. CONS. TER. MAX. AUG.”

(constituiu uma memória ao Imperador Cláudio Germano, cônsul pela terceira vez).

09 - Capela São Pedro de Balsemão_Lamego_Por

  (Cortesia do blog «Olhar d’Ouro”, de 24 de novembro de 2010)

No seu interior, apresenta três naves com capela-mor, sendo a central mais alta e estando separada das outras através de três arcos cada uma, suportados por colunas com capitéis coríntios.

10 - Capela de S. Pedro de Balsemão 044

A capela-mor onde se encontra a imagem de São Pedro

11 - Capela de S. Pedro de Balsemão 018.jpg

é retangular, separada daquelas por um arco Triunfal em forma de ferradura.

 12 - Capela São Pedro de Balsemão_Lamego_Por

  (Cortesia do blog «Olhar d’Ouro”, de 24 de novembro de 2010)

Uma das peças notáveis que este Templo apresenta, encontra-se na nave central: O túmulo do bispo D. Afonso Pires (século XIV)

13- Capela de S. Pedro de Balsemão 010

 (Vista de um dos lados do túmulo)

13b - Capela de S. Pedro de Balsemão 014

 (Pormenor da estátua jacente do Bispo D. Afonso Pires)

que tem esculpido numa das laterais a ceia de Cristo e na outra a Crucificação também de Cristo.

14 - Capela de S. Pedro de Balsemão 031

Num dos topos encontra-se esculpido a coroação de Nossa Senhora. D. Afonso Pires nasceu em Lamego e foi Bispo do Porto entre 1358 e 1372. Faleceu na Régua.

 

Numa lateral do arco triunfal de acesso à capela-mor, encontra-se uma pedra que facilmente se diferencia das outras com a seguinte inscrição:

 

"Hic jacet domus Alfon

So Episcopus Portugalensis qui fecit

Et conservauit ecclesiam istam et

Visitavit sepulcrum Domini

Et basilicas Apostolorum

Petri et Pauli et de

Cezit in era MCCCC"

«Aqui jaz D. Afonso, Bispo do Porto, o qual fez e conservou esta igreja e visitou o sepulcro do Senhor, e as basílicas de S. Pedro e S. Paulo. Morreu na era de 1400»”.

 

Segundo D. Fernando de Almeida, na sua obra acima citada, esta inscrição não corresponde à verdade, “pois o Bispo em causa não faleceu em 1362 (que corresponde ao ano de 1400 da Era) mas em 1372; e, por outro lado, não construiu uma igreja que sabemos por muitos motivos existir (e conserva ainda vários elementos) no século VII. Talvez o pequeno templo estivesse bastante arruinado, pelo menos as paredes e o prelado tivesse mandado fazer uma grande reparação; um dos seus «descendentes», Morgado de Balsemão teria tido, segundo supomos, a piedosa ideia de mandar gravar por um bom artista de oficina de nome (porque as letras estão bem trabalhadas) e de fora da região (nesta há granito e não calcário), um letreiro para perpetuar os benefícios recebidos pela capela, segundo determinação do instituidor do Morgadio. Destas obras não se vêm vestígios; talvez tivessem desaparecido com a reparação seguinte, feita no século XVII”.

 

Continuando com o conteúdo do blog «Olhar d’Ouro”, de 24 de novembro de 2010:

 

“Outra peça notável encontra-se no altar de uma das naves laterais (entrada norte): Nossa Senhora do Ó (escultura encomendada por D. Afonso em pedra ançã que apresenta Nossa Senhora no seu estado de gravidez, do século XIV),

15 - Capela de S. Pedro de Balsemão 007.jpg

 [com um pormenor da cabeça da imagem].

 

15 b - Capela de S. Pedro de Balsemão 008.jpg

Na outra nave (entrada sul), encontra-se colocado no altar Cristo na cruz. (...)

16 - Capela de S. Pedro de Balsemão 040

O pavimento encontra-se em grande parte ocupado por sepulturas rasas. Nos espaços livres podem ser observadas faixas de cantaria que formam retângulos preenchidos por um empedrado de seixos do rio rolados em tons de branco e azul, que compõem desenhos geométricos.

17 - balsemao_10_35174293154e358eea58dc.jpg

 (Cortesia do blog «Olhar d’Ouro”, de 24 de novembro de 2010)

O teto da nave central e capela-mor é de madeira em forma de caixotões pintados”.

 18 - Capela São Pedro de Balsemão_Lamego_Por

(Cortesia do blog «Olhar d’Ouro”, de 24 de novembro de 2010)

Quando fizemos a visita ao local, a 9 de agosto de 2012, embora as portas da vetusta capela estivessem abertas, contudo, quer as imagens, quer os caixotões do teto estavam a ser restaurados, não podendo tirar, em condições normais, as respetivas fotos. Daí a qualidade de algumas fotos que se apresentam.

 

Mas o que nos meteu deveras pena foram as construções ao lado da capela: do lado nascente, um casario não dando o ar mais «decente» à capela;

19 - Capela de S. Pedro de Balsemão 048.jpg

do lado poente, o edifício do antigo solar, no seu piso inferior, transformado no interior em uma «quitanda», de venda de tudo, mais parecendo um tugúrio.

20 - Capela de S. Pedro de Balsemão 059.jpg

O que mais gostámos, para além de uma capela com a «cara lavada» no exterior, foi, manifestamente, o seu interior e toda a envolvente daquele cavado vale do rio Balsemão, convidando o caminhante a repouso e meditação, acompanhado daquelas remansosas águas da albufeira do Varosa.


publicado por andanhos às 09:51
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Sábado, 5 de Dezembro de 2015

REINO MARAVILHOSO - DOURO:- A Estação da CP do Pinhão

 

OS AZULEJOS DA ESTAÇÃO DE CAMINHO-DE-FERRO DO PINHÃO

 

Ao longo de três dias, mos últimos dias de Novembro passado, matando saudades, desci até ao Douro Vinhateiro, Património da Humanidade, para, uma vez mais, contemplar o outono pelos seus vinhedos.

 

Pausa obrigatória, de Sabrosa para o Peso da Régua é Pinhão.

 

Estacionada a viatura no Parque do Vintage House, fomos indo, a pé, ao lado dos carris do caminho-de-ferro,

(01)2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (223).jpg

em direção ao edifício da afamada estação, passando pelo seu armazém de mercadorias,

(02)2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (224).jpg

o antigo utensílio de abastecer água às antigas locomotivas a vapor,

(03)2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (182).jpg

uma quatro rodas usada para a manutenção da linha, suponho,

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por uma casa típica amarela, ao lado, convidando a fazer uma pequena «pousa»

(05)2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (185).jpg

para, finalmente, nos depararmos com a Estação.

(06)2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (234).jpg

Eram 4 horas e 28 minutos e 30 segundos certos, pelo relógio da Estação, quando parámos defronte a ela.

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E, sem parar, na máquina que levávamos, da direita para a esquerda, a toda a roda do edifício, foram parar os seguintes painéis da autoria de J. Oliveira, pintor-ceramista, ligado à Fábrica Aleluia, de Aveiro:

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (186).jpg

 (Vale do Pinhão)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (187).jpg

 (Carregação de Vinho - Pinhão)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (188).jpg

 (Cestos típicos do Douro)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (189).jpg

 (Vindimadeira)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (190).jpg

 (Vindimando)

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 (Condução para o lagar)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (192).jpg

 (Barco Rabelo)

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 (Uma pousa)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (194).jpg

 (Pinhão)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (195).jpg

 (Estação Vitivinícola do Douro - Rio Torto)

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 (Rio Douro visto de S. Salvador do Mundo)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (197).jpg

 (Rio Douro no Pinhão I)

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 (Uma vinha - Pinhão)

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 (Uma quinta no rio Torto)

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 (Ferradoza - Douro)

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 (Vindimadeira - Douro)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (210).jpg

 (Uma quinta no Ferrão)

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 (Panorama do Pinhão I)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (212).jpg

 (Costumes do Douro)

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 (Panorama do Pinhão II)

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 (Panorama do Pinhão III) 

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (215).jpg

  (Panorama do Pinhão IV)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (217).jpg

 (Rio Douro no Pinhão II)

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (219).jpg

 (Cachão da Valeira)

Fizemos uma pequena pausa no interior da Estação. Porque ainda dia, não foi preciso acender o candeeiro a petróleo, ali afixado,

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (219a).jpg

 testemunhar memórias de outros tempos.

 

Saímos da Estação da CP do Pinhão, atravessando a linha,

2015 - Outono no Douro Vinhateiro II (222).jpg

 dirigindo-nos para o Vintage House.

 

Chegados ao concelho do Peso da Régua, através de uma linda e panorâmica estrada ladeando o rio Douro, o bacalhau cozido com batatas, à noite, em casa de nossa irmã mais velha, soube-nos à vindima de outros tempos...


publicado por andanhos às 19:39
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