Segunda-feira, 23 de Março de 2015

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - 4ª etapa - Betanzos-Hospital de Bruma

01.- CIS  -Genérico de Betanzos e Céus.jpg

 

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

4ª Etapa:- Betanzos - Hospital de Bruma

08.abril. 2014

 

 

1.- Mapa do percurso e desníveis da etapa

02.- CIS - Mapas e Desníveis - 4ª etapa.jpg

 

Esta foi a etapa mais longa deste nosso Caminho Inglês. E, por sua vez, aquela que apresentou o maior grau de dificuldade. Gronze.com refere que, no seu traçado, depois de San Paio de Vilacoba (Casa Julia), em apenas dois quilómetros, passamos de 122 metros para 354 de altitude e, mais adiante, 2, 8 Km antes de acabar a etapa, em Hospital de Bruma, alcançamos os 458 metros de altitude, a cota máxima do Caminho Inglês. Por esta razão, esta etapa é a etapa rainha do Caminho Inglês que começa em Ferrol.

 

Quanto ao resto, a etapa de hoje foi um caminhar quase solitário, embora feito num agradável ambiente rural, agrícola e pastorício, recheado de lameiros para pastagens do gado bovino. Não fora a extrema repartição das propriedades agrícolas, que nos obriga a ter de ziguezaguear constantemente, a etapa, em vez de 28, 3 Km, bem poderia ter quase menos 10 quilómetros.

 

O único sítio que há onde comer é em San Paio de Vilacoba, decorridos, aproximadamente, 18 quilómetros.

 

 

2.- Descrição sucinta da etapa

Sigamos os nossos sumários apontamentos, vertidos no nosso diário da etapa, referentes aos troços da mesma. Que diz que nos levantámos à mesma hora dos outros dois dias, ou seja, 7 horas e 30 minutos, locais. E que, feitas as nossas abluções matinais, do albergue nos dirigimos à Casa Núnez, na confluência da praça da Constituição com a rua do Castro, para tomarmos o pequeno-almoço.

03.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (1).j

Depois de tomado o pequeno-almoço, partimos, de imediato, pela rua Castro, seguindo a sinalização do Caminho.

 

O dia começou com muito nevoeiro e, até às nove e pico, o tempo esteve sempre húmido e nublado.

 

Com esta etapa, como dissemos, a mais longa do nosso Caminho, saímos das rias altas para penetrarmos na Galiza rural profunda.

 

Até San Paio de Vilacoba (Casa Julia), fizemos um longo e bonito passeio.

 

Antes de San Paio de Vilacoba - 1 quilómetro ou 1 quilómetro e meio - comprámos a um padeiro, que andava a distribuir e vender pão porta-a-porta, um pão de milho com centeio, que nos foi entretendo o estomago até ao almoço.

 

Quanto ao património cultural, não há muito de relevo a destacar. Entre bosques, essencialmente de pinheiros e eucaliptos, e pastos, assim foi o nosso percurso.

 

2.1.- De Betanzos a San Estevo de Cos

Deixámos Betanzos saindo pela ponte (velha) medieval (As Cascas)

04.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (7).j

sobre o rio Mendo. Depois de uma ligeira subida, atravessámos a ponte sobre o caminho-de-ferro e passámos sobre o viaduto que atravessa a A-6,

05.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (16).

dirigindo-nos para Xan Rozo

06.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (19).

e Limiñón.

07.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (28).

Esta última localidade pertence ao concello de Abegondo.

 

Atravessámos o rio Mero

08.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (38).

e, em pouco tempo, estávamos a passar pela Igreja de San Estevo de Cos.

09.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (48).

Veja-se pormenor do topo de um «hórreo» (espigueiro):

10.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (53).

 

2.2.- De San Estevo de Cos a Santa Eulalia de Leiro

Neste troço, quer em terreno asfaltado, quer em terra batida, com constantes mudanças de direção, que obriga a uma certa atenção por causa da precária sinalização, há a destacar as aldeias dispersas de Cimo de Vila e O Vilar.

Por entre bosques e prados,

11.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (80).

atravessando o rio Fontao, entrámos na paróquia de Presedo (concello de Abegondo). Aqui parámos um bocadinho

12.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (98).para tratar e descansar os pés, no meio da aldeia, nitidamente rural, tal como as nossas transmontanas,

13.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (115)

com o gado de bico espalhando-se pelas suas ruelas.

Mais uma vez, por entre bosques e lameiros (prados) e o asfalto,

14.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (117)

com sucessivas e constantes mudanças de direção, estávamos em Santa Eulália de Leiro e na sua Igreja.

15.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (125)

 

2.3.- De Santa Eulalia de Leiro a San Paio de Vilacoba

Agora, andando e cruzando as estradas CP-0104 e CP-0105, ao longo de pequenos bosques e abundantes pastagens,

 

16.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (142)

(Panorama 1) 

17.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (153)

(Panorama 2)

 

depois de atravessarmos o rio Mero,

18.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (166)

uma vez mais, cruzámos com uma carrinha de transporte e venda de pão, antes de uma pequena subida que nos levou a San Paio de Vilacoba.

 

Já íamos com um pouco de «larica» e aquele pão de milho com centeio de comprámos foi-nos «afagando» o estomago até ao repasto na Casa Julia, onde, esperançados, tínhamos combinado almoçar.

19.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (171)

(Pormenor de uma casa)

 

Entretanto o sol ia aparecendo no seu jeito primaveril.

20.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (175)

(O meu companheiro-caminheiro)

 

Reza, assim, os nossos apontamentos do diário da etapa de hoje: “Almoçámos na Casa Julia,

21.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (177)

em Vilacoba. Quer mãe,

22.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (183)

quer filho

23.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (184)

foram muito atenciosos e simpáticos. Comemos massa com atum, de entrada, e frango assado com batatas fritas. No final, um café. Enquanto comíamos, o casal (inglês ou americano), que ia à nossa frente desde Betanzos e que, a determinada altura, o ultrapassámos, passaram pela Casa Julia sem parar. Fomos depois encontrá-lo na paragem de autocarros, a comer do seu farnel. Até 3 quilómetros, sensivelmente, antes de Bruma, vieram sempre à nossa frente, até que, já nas proximidades de A Malata, os ultrapassámos.

 

2.4.- De San Paio de Vilacoba a A Malata

Foi o troço mais duro da etapa e do Caminho.

Bem compostos com o almoço na Casa Julia, e, principalmente, pela afabilidade da patroa e de seu filho, iniciámos a subida. Primeiro, por asfalto, onde, logo no início, passámos pela abandonada capela de San Paio de Vilacoba,

24.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (194)

para logo irmos ao encontro da Igreja de Santo Tomé ou Santuário de San Paio de Vilacoba,

25.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (204)

com singela imagem, num nicho, do seu mártir.

26.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (210)

À nossa direita, campos de pastagens.

27.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (231)

Até que, acabado o asfalto, entrámos em terra batida,

28.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (225)

no meio de um bosque de eucaliptos e pinheiros,

29.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (240)

sempre a subir,

30.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (229)

 vendo aqui Florens no seu último troço da pior subida.

31.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (242)

Ultrapassados os lugares de O Vieiro, O Monte e Fontenla, no fim da subida, esperava-nos a aprazível área recreativa da aldeia de Vizoño.

 

Por entre pastagens e pequenos pinheirais ou eucaliptais, inopinadamente, aparece-nos, ainda em subida ligeira, o solitário cruzeiro de San Pedro de Vizoño,

32.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (278)

chamando-nos a atenção este pormenor do seu topo.

33.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (280)

À nossa esquerda, a Igreja e o cemitério.

34.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (282)

Até que, feita uma grande curva no asfalto,

35.-2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (291).

e ultrapassada a ponte sobre a AP-9,

36.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (294)

Castro Maior e o Pozo, bem assim o nosso casal (inglês ou americano),

37.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (312)

de poucas palavras,

38.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (320)

chegámos a A Malata.

 

2.5.- De A Malata a Hospital de Bruma

Ao chegarmos a A Malata, tínhamos superado o troço da etapa e do Caminho mais exigente, em termos de esforço físico, e ultrapassado o casal (inglês ou americano), que nos acompanhou, sempre a pouca distância, durante todo o caminho, já com o calor a apertar connosco.

 

Havia agora que ter um pouco mais de paciência pois, em cerca de meia hora, estaríamos no albergue.

 

A paisagem do Caminho continuava praticamente a mesma,

39.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (333)

agora já em plano

40.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (348)

 ou ligeira descida, até chegarmos a Bruma.

41.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (342)

E, neste troço, há apenas a salientar dois apontamentos: o cruzamento do Caminho Inglês de Ferrol com a variante que parte de A Coruña, ao Km 26,5, apenas singelamente assinalado por duas vieiras, em azulejo, e os «regos» ou regatos dos Santeiros e dos Outeiros.

42.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (343)

Atravessada a singela povoação de Bruma,

43.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (350)

já quase no final do seu termo, está situado o albergue de peregrinos.

44.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (356)

Diz Eroski que “a paróquia de Bruma pertence administrativamente ao concello de Mesía, mas está encravada, como se fosse uma ilha, no de Ordes. O albergue de peregrinos, da junta da Galiza, foi o primeiro que se construiu no Caminho Inglês e está erguido sobre o solar do antigo Hospital de Peregrinos, fundado em 1140 e anexado em maio de 1175 à Catedral de Santiago”.

 

Regressemos aos nossos apontamentos do diário desta etapa. Que nos relembra quem se juntou no albergue. A aviva-nos a memória, quando diz: “o casal (inglês ou americano), sempre na mesma cadência, continuou seu caminho; no albergue, juntámo-nos: Laia Parra e o companheiro madrileno, Oscar Quirós Garcia; a norte-americana, que encontrámos em Pontedeume, de 23 anos, de Washington DC, Alyson Arklein; um casal jovem, de Ceuta, que iniciou a etapa desde o Miño, e nós os dois - eu e o Florens. Mandámos vir o «menu» de fora, a dois quilómetros do albergue, e comemos todos no albergue. Aqui, em Bruma, não há onde comer. Tem que se encomendar de fora, de um restaurante que fica dois quilómetros mais à frente. Aqui também não há rede para telefone ou sequer internet. Depois de comermos, ficámos todos a conversar um bocadinho, trocar correspondência e endereços e a tirar fotos (...). Um aparte: andei mais seis quilómetros, para além dos 28, 3 Km da etapa. A razão prendeu-se com o facto de ir ao encontro do marco que indica a bifurcação do Caminho que vem de A Coruña e que se encontra com o de Ferrol. Ou seja, depois de chegado ao albergue, tomado banho e descansado, voltei a fazer o Caminho em sentido contrário para encontrar aquelas duas vieiras e tirar uma foto. E... nada. Não as encontrei! E facto curioso que, quando fazia o Caminho, vi-as. Mas não lhes tirei uma foto! Verino, o nosso albergueiro, não me soube explicar muito bem o local. Ou então, eu não prestei a devida atenção às suas indicações. Enfim...”

45.- 2014 - CIS - 4ª etapa - Betanzos-Bruma (351)

Deixamos agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta 4ª etapa do Caminho, para visionamento dos (as) nossos (as) leitores (as).

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blog].

 

 


publicado por andanhos às 16:12
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Quinta-feira, 19 de Março de 2015

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - 3ª etapa - Destaque - Betanzos

 

01.- CIS - Genérico Betanzos.jpg

 

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

DESTAQUE

BETANZOS DOS «CABALEIROS»

 

 07.Abril.2014

 

02.- Céus de Betanzos.jpg

 

NOTA PRÉVIA

Está quase a cumprir-se um ano que, juntamente com o companheiro Florens, fizemos o Caminho Inglês de Santiago, a partir de Ferrol.

 

A 15 de maio do passado ano, interrompemos a reportagem deste Caminho, neste blog, quando íamos na 3ª etapa - Pontedeume-Betanzos.

 

No fim daquele post, daquela etapa, prometemos falar, em «Destaque», sobre Betanzos.

 

Afazeres maiores, e circunstâncias várias, fizeram com que tivéssemos de interromper esta nossa reportagem sobre este «pausado e tranquilo» Caminho.

 

Vamos agora procurar concluir a reportagem do último Caminho de Santiago que levámos a cabo em terras galegas.

 

PREÂMBULO

Quando, já nos finais do mês de Março passado, preparava o Caminho Inglês de Santiago, preocupando-me com a cidade de Betanzos e o que nela poderia encontrar de interessante, fui dar com um blog, com a designação «Cultura y Paisage - Un recorrido por nuestro patrimonio cultural y paisagístico: una relación dinámica entre el medio natural y el hombre», de Belén Franco Mouriz.

 

Dedica esta autora dois posts à cidade de Betanzos, que a apelida «dos Cabaleiros»: o primeiro post deste blog tem a data de 20 de Setembro de 2012 e o seguinte título «Betanzos de los Cabaleiros (I)», que se pode encontrar no seguinte sítio da internet - http://culturaypaisaje.blogspot.pt/2012/09/betanzos-de-los-caballeros.html; o segundo, com data de 3 de Outubro de 2012, também com a designação «Betanzos de los Cabaleiros (II)», que também se pode encontrar em - http://culturaypaisaje.blogspot.pt/2012/10/betanzos-de-los-caballeros-ii.html.

 

Pela originalidade e estrutura do texto, não resisto em aqui reproduzir a sua tradução, que aqui agora verto, para leitura das minhas (meus) queridas (os) leitoras (es), com mais um ou outro acrescento, resultante do «aporte» de outros autores, como sejam:

  • Fernán Pérez de Andrade III, O Boo. Sus relaciones com la iglesia y el monacato: Monferro y la Granja de Saa, de José Luís López Sangil: - https://www.google.pt/#q=%E2%80%A2%09Fern%C3%A1n+P%C3%A9rez+de+Andrade+III 2C+O+Bom.+Sus+relaciones+com+la+iglesia+y+el+monacato;
  • El nombre de «Flavium Brigantium», de José Raimundo Núñez-Varela e Lendoiro, cronista oficial de Betanzos:-  http://www.cronistadebetanzos.com/flavium-brigantium-corresponde-a-betanzos/;
  • Mundo rural y mundo urbano en la vila gallega: Betanzos, de José Antonio Fernández de Rota:- http://www.magrama.gob.es/ministerio/pags/Biblioteca/fondo/pdf/795_17.pdf;
  • Xogos frorais 1918 Betanzos, Irmandades da Fala:- http://www.poesiagalega.org/uploads/media/xogos_froraes_1918_betanzos.pdf;
  • Poetas brigantinos en la emigraçión - Enrique Sóñora Couceiro, de Andres Beade Dopico:- http://anuariobrigantino.betanzos.net/Ab1983PDF/1983%20157_160.pdf;
  • La muralla, la puerta real y la calle de la plaza mayor, de de José Raimundo Núñez-Varela e Lendoiro, cronista oficial da cidade de Betanzos:- http://www.cronistadebetanzos.com/wp-content/uploads/2013/08/puerta-villa-betanzos.pdf.

Foi, seguindo a estrutura dos dois posts do blog de Belén Franco Mouris, a visita ao local e as perspetivas panorâmicas da Rottodigital.com, que estruturámos não só este post como também o diaporama que, no final, o acompanha.

 

Feita a explicação do presente «pelágio» que se segue, e, creio, os autores não se importarão, deixaremos aqui uma fração mínima das fotografias tiradas, e que um post disponibiliza em termos de espaço, representando uma simples e genérica seleção obtida do que a nossa atenção, concentração e observação captou de mais significativo e interessante aos nossos olhos numa visita de, talvez, duas horas, que fizemos pelo Centro Histórico da cidade.

 

Ficou por ver o Parque do Passatempo, construído pelos irmãos García Naveira, e hoje substancialmente reduzido. As exigências de um Caminho de Santiago a pé, programado à partida para ser feito em seis dias - e, mesmo assim, já feito de uma forma um pouco tranquila e pausada - não deu oportunidade para ter ido visitar este ambiente exótico, pedagógico e original. O cansaço de uma etapa também dita as suas leis. Daí que no ativemos ao essencial do seu Centro Histórico.

 

E porque não, por alturas do verão, uma passagem por esta cidade, quando são realizadas as suas festas tradicionais, relacionadas com a sua história e o seu santo padroeiro?

 

Aqui fica uma sugestão, não esquecendo que, bem perto, também Pontedeume e seus arredores bem merecem uma visita.

 

1.- Betanzos - onde o passado é riqueza histórica

Ainda que existam indícios de assentamentos primitivos na zona, há que esperar até à época romana para documentar-se a existência da cidade de Betanzos, um assentamento castrejo com o nome de Castro de Untia.

 

No ano de 1219, após pedido ao Rei Afonso IX, a povoação de Betanzos mudou-se de Betanzos o Vello, localizado no falado local onde hoje se ergue a Igreja de São Martinho de Tiobre para o castro de Unta, a sua localização atual, onde se situa hoje a praça da Constituição, com a Casa do Concello e a Igreja de Santiago, entre outros edifícios.

 

Começa então uma época de esplendor que alcança o seu auge com Fernán Pérez de Andrade, O Bom, em meados do século XIV.

 

Andrade foi o senhor feudal por excelência e a ele se atribuem a construção de sete igrejas, sete pontes, sete hospitais e sete conventos.

 

O comércio é a atividade principal da cidade, contando com um porto que concentrava todo o comércio marítimo da zona, sendo a prova disso a disputa que Betanzos manteve com Coruña pelo monopólio da descarga do sal, que se realizava em Betanzos.

 

Em 1465, Enrique IV concede a Betanzos o título de cidade e, em 1467, a realização de uma Feira Franca anual, de um mês de duração, em Novembro. Pouco depois, os Reis Católicos reorganizam a divisão territorial e cria-se a província de Betanzos. Os próprios reis visitam a cidade quando Betanzos é nomeada capital da província com o mesmo nome, ocupando toda a parte norte da Coruña.

 

Betanzos, principalmente nos séculos XVI e XVII, foi a província galega mais agrícola. E nunca perdeu o caráter de vila «labrega», produtora de magníficos frutos hortícolas e do seu popular vinho, que se cultiva desde a época dos romanos. Soube aproveitar as especiais condições microclimáticas para elaborar um vinho que se pode apreciar nas suas adegas, em muitas e ancestrais tascas, e que, na sua grande maioria, ainda podemos ver o tradicional ramo de loureiro à porta, indicador de que ali se vende a frutada bebida artesanal, de colheita própria.

 

Obviamente que os tínhamos de provar. Brancos, naturalmente! Mas, para quem está habituado aos nossos vinhos do Douro, nada que se lhes compare!

 

Não podemos, contudo, esquecer o grande incêndio de 1569 que arrasou a cidade e destruiu perto de 600 casas.

 

E, quanto à atividade portuária, Betanzos começou a sentir dificuldades na ancoragem de barcos de grande tonelagem, face ao cada vez maior assoreamento do seu canal.

 

Em 1834 desaparece a província e integra-se na Coruña.

 

Contudo, em princípios do século, uma série de circunstâncias fazem que Bentanzos volte a ser um importante núcleo. Foi a criação de importantes empresas por famílias como os Núñez ou os Echeverría, que fundaram em 1717, em Betanzos, o primeiro banco de Espanha; a chegada do caminho-de-ferro e as obras de beneficência dos «indianos» como os irmãos García Naveira, levadas a cabo graças à fortuna que conseguiram na Argentina.

03.- concello-betanzos.jpg

(Betanzos - onde o rio Mendo [lado esquerdo da foto], desagua no rio Mandeo [ponte frente da ponta esquerda])

Esta velha e venerável cidade - a Brigantium do Itinerário Antonino - é, em múltiplos aspetos, o centro principal ou a capital das «Mariñas», chamadas dos Condes, comarca ubérrima e extraordinariamente pitoresca, fertilizada por poéticos rios - entre eles sobressaindo o Mondeo, famoso pelas suas «xiras» nos paradisíacos Caneiros - e abrilhantada por uma grande riqueza histórica, etnográfica e monumental, legítimo orgulho dos seus naturais e admiração para os que a visitam” (Francisco Vales Villamarín, «Bosquejo historico de Betanzos de los Caballeros”).

 

Diz Belén Franco Mouriz: “Já perdi a conta às vezes que visitei esta vila monumental, capital indiscutível da comarca das Mariñas, apinhada em cima de uma colina ao fundo da ria que leva o seu nome e abraçada pelos rios Mondeo e Mendo. Foram inumeráveis as ocasiões em que passeei pelo seu núcleo urbano, de ruas empinadas, com entrecruzadas ruelas, que contemplei as praças cheias de beleza, admirando a sua notável arquitetura, e me embebeci de uma infinidade de emoções em cada um dos seus rincões, ou em que me submergi no contexto das suas arreigadas festas marcadamente religiosas e populares. Todos estes elementos, físicos e intangíveis do seu passado e do seu presente, são motivos mais que suficientes para conhecer e disfrutar a velha cidade de Betanzos”.

 

E continua a autora: “Os meus saudosos percursos por povoações e cidades galegas - e de outras comunidades espanholas - ensinaram-me que cada cidade, cada povo ou aldeia é o produto de circunstâncias próprias que lhe outorgam uma personalidade diferente das outras povoações. Betanzos é, evidentemente, uma dessas vilas com uma componente cultural e histórica, e com um gosto marcadamente tradicional, que faz com que seja bem distinta. (...) A história de Betanzos esteve marcada pela destacada linhagem dos Andrade, tanto em acontecimentos favoráveis como em momentos violentos. (...) Esteve defendida por uma muralha, construída durante a época dos Reis Católicos, mas [hoje] conserva-se já muito pouco. Chegou a ter quatro portas e um postigo que, ainda no século XIX, a cercava. Dessas quatro portas, chegaram até nós três: a Porta da Velha; a Nova e a do Cristo, que se abre sobre o antigo bairro de marinheiros e pescadores. Com o transcorrer dos séculos, a vila ultrapassou estas portas, saltando as muralhas que a circundava. E é, assim, que, extramuros, aparecem os núcleos ou bairros, urbanos, piscatórios e rurais, como o das Cascas, de São Francisco, da Madalena e o popular e velho bairro de pescadores e marinheiros da Ribeira, perto do perto. Em direção a sul, entre férteis hortas e vinhedos, localizam-se os bairros de agricultores da Cruz Verde, a Fonte de Unta ou a Cañota”.

 

2.- Praça da Constituição - onde dorme a alma da cidade

Conhecida no passado como praça do Castro, nos últimos anos, passou a designar-se por praça da Constituição. Está situada na parte mais alta da colina. É aqui que estão situadas as construções nobiliárquicas como o paço de Lanzós

04.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (415).jp

 e de Badaña,

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em estilo gótico.

 

Aqui também está situado o edifício, em estilo modernista, dos Núñez, onde se estabeleceu o primeiro banco e casa comercial da cidade, hoje convertido no Centro Internacional da Estampa Contemporánea, centro artístico, que goza de prestígio internacional.

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A igreja de Santiago.

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Ainda que a sua primitiva construção seja do século XI, a maior parte do templo é dos séculos XV e XVI. Nos começos do século XX, a sua fachada principal foi reconstruída, adoçando-se-lhe duas torres, que se podem ver desde a praça do Campo.

08.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (512).jpMantém, contudo, o seu traçado gótico, com um pórtico com arquivoltas, dedicado ao apóstolo. Tem um retábulo renascentista de Cornelis de Holanda, na capela do «Arcediano». Possui sepulcros medievais.

 

Quem quiser ter uma panorâmica do seu interior, visite os seguintes sítios da internet:

http://www.rottodigital.com/betanzos_iglesia_santiago_1/betanzos_iglesia_santiago_1.html;

http://www.rottodigital.com/betanzos_iglesia_santiago_2/betanzos_iglesia_santiago_2.html, respetivamente.

 

No século XVI, foi-lhe anexada a Torre Municipal do Relógio.

09.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (421).jpAqui também se situa o edifício neoclássico do Ayumtamiento, do século XVIII.

10.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (362).jpÉ a partir destra praça que o conjunto espacial urbano de Betanzos se organiza, através de um emaranhado de ruas estreitas.

 

A grande maioria das suas casas possuem galerias coloridas de varandas (balcões), de madeiras.

11.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (384).jp

(Uma perspetiva) 

12.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (444).jp

(Outra perpetiva)

Para quem deseje ter uma panorâmica sobre esta praça, visite o sítio da internet:

http://www.rottodigital.com/betanzos_ayuntamiento/betanzos_ayuntamiento.html.

 

3.- A Praça do Campo - onde o espaço é vida

Pese embora a vetusta e antiga praça da Constituição, é o espaço do «Campo de la Feria» (Campo da Feira), já fora das antigas muralhas, o ponto mais atrativo e social de Betanzos.

 

É aqui que se celebra o tradicional evento pecuário e agrícola. A Porta da Vila era o elemento que comunicava com este centro mercantil com o interior da vila. Hoje em dia apenas se guarda os escudos apostos no início da rua Castro, numa das paredes de um dos seus edifícios.

13.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (540).jp

A partir da Idade Média, o denominado Campo da Feira foi-se convertendo num espaço mais nobre, construindo-se aí belos edifícios com arcadas e galerias para as classes sociais mais abastadas, bem com destacados edifícios públicos.

14.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (434).jp

(Descendo o Casco Vello para o Campo da Feira)

Desta feita, ao se passar, e passear, por Betanzos, não só contactamos com a remota Idade Média, mas também transpomo-nos para outras eras mais próximas, com construções que vão do estilo renascentista até ao modernismo.

 

Nesta mesma praça, junto à desaparecida capela de São Roque, levanta-se o Convento de Santo Domigo (São Domingos),

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 um dos edifícios mais emblemáticos de Betanzos, cuja igreja guarda a imagem daquele santo.

15a.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (517).j

 De estilo renascentista-barroco, esta igreja, e o convento, para além de albergar a Biblioteca Municipal, converteu-se em «Museu de las Mariñas», um centro multidisciplinar que nasceu com o objetivo de dar a conhecer a história, a arte e a antropologia da cultura brigantina e da sua comarca, e que alberga peças arqueológicas, uma coleção pictórica, para além de seções sobre história, antropologia, etnografia, conjuntamente com uma exposição dedicada ao traje regional galego.

 

Ainda, nesta praça, situa-se o Colegio de Hérfanas (Colégio da Órfãs)

16.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (445).jp

 e o Hospital de Santo António de Pádua.

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 Este hospital foi construído para atender os peregrinos e enfermos da vila. Hoje, este edifício, acolhe a sede do «Juzgado» (Julgado).

 

Mas o edifício mais relevante, e emblemático, é o Edifício do Arquivo.

18.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (460).jp

 Diz Belén Franco Mouriz que, “desde a sua conclusão, esta majestosa obra arquitetónica foi objeto de uma acesa polémica, porquanto uma Real Cédula ordenava que o arquivo continuasse em A Coruña. Despojado do fim para que foi construído, decidiu-se que esta construção teria de ser aproveitada para cumprir outro tipo de necessidades. O historiador Martínez Santiso deixou expresso o futuro da arquitetura deste edifício com estas palavras: «Sendo este edifício o único construído em Espanha para arquivo, contudo, por uma de tantas aberrações e anomalias que na nossa pátria acontecem, serviu para tudo menos para o objeto a que foi destinado: serviu de cadeia, quartel, armazém, de cavalariças, de oficina, de escola primária, de lugar de recreio, de habitações particulares, de hospital provisional, de celeiro e local de venda de cereais, de local de espetáculos e até teve nele instalado tavernas; mas nunca chegou, em qualquer momento, de local de arquivo para o qual foi construído»”. Ao longo de 200 anos de vida, passou por uma diversidade enorme de funções. Atualmente, esta esplêndida construção, é usada para o desenvolvimento de diversas atividades, albergando salas de exposições e auditório, para além de acolher dependências municipais. Somente uma coisa permaneceu da função original para o qual foi edificado - o seu nome de «El Archivo del Reino de Galicia».

 

Diz ainda Belén Mouriz que, com todas estas simbólicas obras arquitetónicas, a praça transformou-se num âmbito transcendental de encontro social, artesanal, religioso, comercial, administrativo e sanitário da vila.

 

A partir dos meados do século XIX, desenvolveram-se projetos estéticos de pavimentação e de ordenamento deste espaço. Entre eles, destacam-se a Fonte de Diana, a Caçadora,

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 do século XIX - de estilo Versalhes, e que não é mais que uma cópia da Dina do Louvre. 

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 A construção do coreto da música,

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onde, nos fins-de-semana a orquestra interpretava as suas melodias, deleitando com as suas notas os pares de bailarinos e passeantes. Ou a colocação da estátua dos irmãos Naveira, os «indianos» benfeitores desta vila e que deram a nova designação a esta praça, de «Plaza de los Hermanos García Naveira».

22.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (476).jp

 Com estas transformações, a praça do Campo é, hoje em dia, o centro nevrálgico de Betanzos - espaço buliçoso de convivência social, festivo e cultural. Dela partem os típicos becos ou ruelas da vila que, ao longo dos anos, se foram construindo as populares casas com soleira.

23.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (538).jp

 Os pórticos ou arcadas, onde antigamente se estabeleceram diversos artesãos,

24.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (459).jp

 servem, agora, para acolher as concorridas esplanadas de hotelaria e restauração, donde podemos observar este magnífico espaço aberto, cheio de vitalidade, lugar de encontro e importante centro comercial.

25.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (524).jp

 Para quem deseje ter uma panorâmica sobre esta praça, também designada da Galiza, visite o sítio da internet:

http://www.rottodigital.com/betanzos_plaza/betanzos_plaza.html.

 

4.- A Praça de Fernán Pérez de Andrade - onde o silêncio é arte

Apesar de Betanzos, ao longo da história, ter perdido alguns monumentos, por sorte, pôde e soube conservar esplêndidas obras de arte religiosa, como o Santuário barroco das «Angustias», o de Nossa Senhora do Caminho ou o da Igreja das Agostinhas «Recolectas».

 

Contudo, o mais importante património cultural, e com mais encanto, está situado na praça de Fernán Pérez de Andrade, “O Boo” (O Bom). É formado por duas joias arquitetónicas, que repartem o protagonismo: a Igreja de São Francisco,

26.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (658).jp

 de espetacular beleza e que, segundo Belén Mouriz, é um dos templos mais interessantes e importantes da Galiza, e a Igreja de Santa Maria do «Azouge».

27.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (567).jp

 Os dois edifícios, declarados Bem de Interesse Cultural (BIC), devem ser visita obrigatória para qualquer turista, peregrino, curioso ou simples viajante que vá a Betanzos.

 

Nesta praça conjuga-se, na perfeição, a arte religiosa das duas obras medievais com a arquitetura civil

28.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (580).jp

 e popular das casas coloridas com varandas de madeira.

29.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (585).jp

A Igreja conventual de São Francisco, do século XIV, e o convento, do século XII, chegou a acolher um centro de estudos humanísticos e teológicos.

 

A Igreja é considerada a melhor amostra galega do gótico mendicante franciscano e é monumento nacional.

 

Este luminoso templo, mandado erguer por Fernán Pérez de Andrade, é o panteão da linhagem dos Andrade.

 

Nele se destaca o célebre túmulo de Fernán Pérez, o Bom, nos pés da Igreja.

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 Trata-se de um fascinante monumento funerário, em estilo gótico. Francisco Vales Villamarin, um grande intelectual e historiador de Betanzos e da sua comarca, referido por Bélen Mouriz, alude que o sepulcro pertence ao último quartel do século XIV e é, na opinião do eminente arqueólogo e académico Don José María Luengo “(...), um dos monumentos funerários mais belos que a arte gótica produziu em Espanha (...)”.

 

Esta magnífica obra levanta-se sobre as figuras de um urso e de um javali, os animais simbólicos da linhagem dos Andrade. Os seus altos-relevos fazem alusão ao gosto que Fernán Pérez Andrade tinha pela caça. A estátua jacente representa o cavaleiro vestido com a sua armadura.

 

Mas não só o túmulo merece a nossa atenção neste templo. Também a sua nave central,

31.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (619).jp

 com esplêndidas janelas, os tímpanos das suas portas, o arco triunfo central e as suas capelas são elementos que justificam a nossa observação cuidada.

 

Para quem deseje ter uma panorâmica do interior desta Igreja, visite o sítio da internet:

http://www.rottodigital.com/betanzos_iglesia_san_francisco/betanzos_iglesia_san_francisco.html.

 

A outra igreja (paroquial) - de Santa Maria do «Azouge» - é originalmente românica,

32.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (696).jp

(Pormenor da fachada lateral)

mas, no seu todo, é de estilo gótico, entre os séculos XIV e XV. Deve o seu nome ao mercado que tinha no seu átrio.

 

Conserva, no seu interior, os restos de um retábulo hispano-flamengo

33.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (667).jp

 que representa os mistérios da vida de Cristo e da Virgem.

 

No seu exterior,

34.- 2014 - CIS - 3ª Pontedeume-Betanzos (568).jp

 para além da formosa roseta e do seu simples campanário lateral, destacam-se, nas suas fachadas, os temas da Anunciação e da Adoração.

 

5.- O Passatempo - onde habita a originalidade

Belén Franco Mouriz dedica um segundo post a Betanzos, falando sobre o Parque do Passatempo:

(http://culturaypaisaje.blogspot.pt/2012/10/betanzos-de-los-caballeros-ii.html).

 

Infelizmente, nesta nossa jornada, não tivemos tempo de visitar mais nada. Terá, naturalmente, de ficar para outra altura.

 

Deixamos aqui, porém, um conjunto de sítios da internet, onde podemos visionar diferentes aspetos e panorâmicas daquele Parque:

  • Parque do Passatempo - Tanque do Retiro 01 :- http://www.rottodigital.com/betanzos_pasatiempo_estanque_2/pasatiempo_estanque_2.hml
  • Parque do Passatempo - Tanque do Retiro 02:- http://www.rottodigital.com/betanzos_pasatiempo_estanque_3/pasatiempo_estanque_3.html
  • Parque do Passatempo - Friso do Buzo e Horas do Mundo:- http://www.rottodigital.com/betanzos_pasatiempo_relojes/pasatiempo_relojes.html
  • Parque do Passatempo - Cova:- http://www.rottodigital.com/betanzos_pasatiempo_cueva/pasatiempo_cueva.html
  • Parque do Passatempo - Friso das Viagens:- http://www.rottodigital.com/betanzos_pasatiempo_egipto/pasatiempo_egipto.html
  • Parque do Passatempo - Estátua do Leão:- http://www.rottodigital.com/betanzos_pasatiempo_leon/pasatiempo_leon.html
  • Parque do Passatempo - Estufa:- http://www.rottodigital.com/betanzos_pasatiempo_invernadero/pasatiempo_invernadero.html
  • Parque do Passatempo - Fonte das Repúblicas Americanas:- http://www.rottodigital.com/betanzos_pasatiempo_republicas/pasatiempo_republicas.htm
  • Parque do Passatempo - Auditório:- http://www.rottodigital.com/betanzos_pasatiempo_grafitis/pasatiempo_grafitis.html.

 

6.- Betanzos festivo - onde perdura a tradição

Betanzos, para além de ter conservado as suas magníficas obras de arte, também soube guardar os seus costumes e as suas festas tradicionais, de caráter religioso, comemorativo, comercial e de recreio.

 

São variadas as festas e romarias paroquiais e de bairro que têm lugar em Betanzos ao longo do ano, ainda que algumas delas tenham interrupções.

 

Porém, o seu ciclo festivo é constituído por dois grandes festejos patronais da vila. O primeiro tem lugar em pleno mês de agosto, em honra de S. Roque, o santo peregrino e protetor de qualquer mal. Este festejo é considerado de Interesse Turístico Nacional, com grande significado tradicional e religioso. Um pouco de história. No ano de 1416, a vila adota S. Roque como seu padroeiro por a ter livrado da peste. E todos os anos os betanceiros cumprem seu voto. Os festejos duram uma semana. E são realizados na praça do Campo, nas proximidades da Igreja de São Domingos, onde esteve a capela de S. Roque. No dia 16 de agosto, da torre desta igreja, é lançado o famoso globo de papel de Betanzos (o maior do mundo, dizem). A família Pita é a principal organizadora deste evento. Todas as peças deste globo são montadas, pintadas e decoradas por artistas. Os desenhos e dizeres, apostos no globo, refletem a atualidade política e social, com caráter satírico, como este de 2014:

https://www.youtube.com/watch?v=lS5Zqxgy2lw.

 

Outro evento é a romaria fluvial betanceira, também declarada de Interesse Turístico Nacional, que invade o rio Mandeo, entre 18 e 25 de agosto, desde a vila até ao Campo de «Os Caneiros».

 

Aqui fica uma pequena reportagem referente ao ano anterior à nossa estadia em Betanzos:

https://www.youtube.com/watch?v=pjjXmdCRX3M.

 

Para terminar, falta-nos ainda referir mais dois eventos - A Feira Franca Medieval e a Pintura ao Ar Livre, mais conhecida por «Las Balconadas»: telas de diversos pintores de diferentes nacionalidades, são exibidas nas varandas dos edifícios da vila.

 

Deixamos aos nossos leitores (as) este sítio da internet, onde se pode ver, com grande interesse e certo humor, um idivertido documentário sobre Betanzos:

https://www.youtube.com/watch?v=KaAHDwC7iz0.

 

Ah! Já nos íamos esquecendo: se for a Betanzos, não perca a sua célebre «tortilla»!

o.jpg

 

Deixamos agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama deste Destaque sobre Betanzos, da 3ª etapa do Caminho, para visionamento dos (as) nossos (as) leitores (as).

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blog].

 

 


publicado por andanhos às 11:13
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