Quinta-feira, 15 de Maio de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - 3ª etapa - Pontedeume-Betanzos

 

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

3ª Etapa:- Pontedeume - Betanzos

 

07. Abril . 2014

 

 

 

1.- Mapa do percurso e desníveis da etapa

 

 

2.- Descrição sucinta da etapa

 

2.1.- 1º Troço:- Pontedeume - Miño

 

 

Levantámo-nos à mesma hora dos dois dias anteriores.

 

De seguida, fomos tomar o pequeno-almoço ao Café Capri.

 

Mochila às costas, fomos rua Real acima. A saída do perímetro urbano de Pontedeume é uma «senhora» subida, de deitar os bofes pela boca.

 

 

Passámos por O Barco, Cermuzo,

 

 

lugares da paróquia de São Miguel de Breamo,

 

 

e continuámos por Buíña até ao campo de golf de Martinsa-Fadesa. Aqui tivemos que fazer uma pausa. O meu pé esquerdo doía-me imenso. Pensei que era desta vez não faria o Caminho completo. Algo de errado e anormal se estava passando. Mas, como me acompanhava um «expert» destas coisas, foi logo me aconselhando a que desapertasse um bocadinho mais a bota pois, podia estar demasiado apertada contra o pé, por via dos atacadores, fazendo demasiada compressão em algum nervo. Foi o que fiz. Lentamente a dor começou a aliviar. No final da etapa, já não sentia nada. Era mesmo da compressão! Nunca me tinha acontecido isto. Mas, lá diz o ditado, há sempre uma vez...

 

E, a ritmo lento, sem pressas, passámos por Viadeiro e Outeiro, lugares da paróquia de Santa Maria de Castro.

 

Não resisti, enquanto passava por este espelho, de tirar assim esta foto.

 

 

Sensivelmente ao Km 8 da etapa, passámos pela ponte do século XIV, restaurada,

 

 

feita por «petição» de Fernán Pérez de Andrade, O Bom, sobre o rio Baxoi.

 

Ao chegarmos às proximidades de A Prata, encontrámos um aprazível caminho, com uma ribeira,

 

 

entre um souto e uma cobertura vegetal verde de erva e fetos.

 

Até que, descendo, cruzámos, por caminho de passagem inferior, este enorme viaduto da AP-9,

 

 

coberto, em quase todos os seus pilares e estruturas adjacentes, de fácil acesso, de grafites.

 

 

Ao sairmos da passagem inferior do viaduto, o casario de Miño ficamos logo em frente.

 

Aqui, feito um ligeiro desvio, a descer, logo na entrada da localidade, fomos parar a um café de uma zona mais ribeirinha. Ali tomámos o nosso 2º pequeno-almoço, como já vem sendo nosso hábito.

 

Estávamos, sensivelmente, a meio da etapa deste 3º dia.

 

Nos apontamentos do dia, vertidos para o «moleskine», que sempre me acompanha, digo: “Passar pelo Míño foi agradável. Não é uma localidade muito bonita. Tem, contudo, praia e, passada uma rotunda,

 

 

já no seu final, e a passagem de nível superior sobre a linha de caminho-de-ferro,

 

 

o rio Lambre, a desaguar na ria de Betanzos”.

 

2.2.- 2º Troço- Miño Betanzos

 

Passámos depois por um paço rural galego, com um enorme e alto muro de pedra a vedar o casario e o enorme logradouro, e, logo de seguida, seguindo pelo passeio ribeirinho, subimos umas escadas e fomos dar de caras com este porco em pedra: o javali (ou porco), um dos símbolos, juntamente com o urso, do Andrade, O Bom,

 

 

que passou a vida a fazer (mandar fazer, ou pedindo!) pontes, igrejas e hospitais, por estas bandas.

 

E, a partir desta localidade, exatamente chamada de Ponte do Porco, onde se podem observar quatro pontes,

 

 

começou o nosso «calvário» do dia. Muito também por causa da autoestrada AP-9 que por aqui passa. Uma boa subida para quem vem habituado ao «bem bom».

 

Até que chegámos a Montecelo, já no concello de Paderne.

 

Bem me apetecia descansar um bocadinho naquele enorme espaço verde, com um parque infantil, inaugurado, julgamos que com pompa e circunstância, face ao material e ao teor da placa ali aposta, em 2002, pelo alcaide do concello, um César dos tempos modernos. Contudo, a descida, por via da autoestrada, que agora teríamos de efetuar, e que tínhamos pela frente, «mandou-nos» ir andando, por um entorno bem arborizado, convidando-nos a «deixar-nos ir».

 

Mas a chuva começou a aparecer, dando sinais de que, aquelas nuvens carregadas, que nos acompanhavam, não estavam ali por acaso. E, desta feita, toca a tirar o poncho e proteger-nos. Afinal eram só ameaços, que nos ia obrigando a um tirar e por constante do poncho quase até ao fim da etapa.

 

Até que, subindo agora um pouco mais, como querendo dizer o caminho que, de vadiagem, já chegava, deparámos com o Paço e à Igreja de São Pantaleão das Viñas.

 

 

A igreja conserva ainda a sua fachada em estilo românico.

 

 

Entre Trasmil e Os Barreiros, num cruzamento da estrada, esta «pitoreca» construção.

 

 

Até que, 15 quilómetros andados, passados os lugares de Porto de Abaixo e A Penoubiña, lugares da paróquia de Santa Maria do Souto, e Chantada,

 

 

começou o nosso carrossel, de sobe e desce, pelos lugares de Vila de Meus e Gas, este com a sua fonte de 1884, A Rua e San Paio, estes dois já pertencentes ao concello de Betanzos, onde, daqui, se pode avistar o casario da outra margem da ria, na foz do rio Mondeo,

 

 

à nossa direita.

 

Logo em cima, aparece-nos a igreja românica de São Martinho de Tiobre.

 

 

Nas proximidades desta igreja, este bonito «jarro», na berma da estrada,

 

 

e que os nossos amigos espanhóis lhe chamam «calla». E, para que não haja confusões, o nome (científico) que a botânica lhe dá é - «Zantedeschia aethiopica».

 

Seguindo o conselho do texto de Eroski, que levávamos connosco, fizemos aqui uma pausa. Não só para descansar. Também para ver este bonito exemplar de igreja românica, consagrada, no século XII, pelo nosso já muito falado e célebre arcebispo Diego Gelmírez (ou Xelmírez, em galego).

 

Para quem queira aprofundar mais informação sobre esta igreja, aconselhamos, tal como faz Eroski, a ler a excelente descrição do templo, no Anuário Brigantino, feita por María del Pilar Carrillo Lista, e que podem encontrar no seguinte sítio da internet - http://anuariobrigantino.betanzos.net/Ab1994PDF/1994%20231_240.pdf.

 

Apresentamos a vista da fachada do lado sul da igreja;

 

 

a janela da abside

 

 

e um pormenor da fachada do lado ocidental.

 

 

Esta igreja, segundo reza a história, está erguida no lugar mais alto do antigo castro de Tiobre. E, segundo parece, o primitivo núcleo de Betanzos seria aqui.

 

Contudo, enquanto descansávamos num banco do adro da igreja, eu e o Tino olhávamos um pouco mais para baixo.

 

 

Sensivelmente a um pouco mais de dois quilómetros, ali estava o Betanzos atual, com o seu núcleo central, da Idade Média, à nossa espera.

 

 

Era só descer O Barral e, pela bem inclinada encosta do Sabugueiro, irmos até aos moinhos de Caraña.

 

Passada Caraña, subindo uma pequena ladeira, deparámos com a rua de Nossa Senhora do Caminho

 

 

- estávamos na cidade de Betanzos.

 

No final da descida da rua de Nossa Senhora do Caminho, esta pitoresca «nesga» construtiva à nossa frente

 

 

para, logo de seguida, entrarmos na Ponte Vella sobre o rio Mondeo,

 

 

um dos rios que banha este antigo e histórico núcleo urbano. 

 

Enquanto passávamos pela Ponte Vella, à nossa direita, a vista sob o rio Mondeo.

 

 

No final da ponte, a porta chamada Porta da Ponte Vella.

 

 

Por aqui entrámos no núcleo do Centro Histórico de Betanzos para, subindo a rua de Prateiros, irmos ter à praça dos Irmãos Garcia Naveira.

 

Aqui, virámos à direita, seguindo a rua do Castro para irmos ter à praça da Constituição, com a Torre do Relógio,

 

 

a Igreja de Santiago e, à nossa frente, o edifício da Casa do Concello.

 

 

Pensávamos que o albergue era para os lados da igreja de Santiago. Puro engano. Vai-se pelo lado oposto, ou seja, pelo outro lado do edifício da Casa do Concello, seguindo a rua de Rodan. Quem inicia, da Casa do Concello, a descida daquela rua, que não é mais que uma valente encosta, pensa que a rua Roldan vai até ao fundo, onde se situa uma outra porta da cidade - a Porta Nova.

 

 

Puro engano. A rua Rodan acaba no primeiro cruzamento de ruas e continua com o nome de rua dos Ferreiros. Virando, assim, à direita, no primeiro cruzamento, entrámos na rua da Pescaderia e, logo no seu início, do lado esquerdo, fica o albergue de Betanzos.

 

 

Vamos pegar, outra vez, na cábula do «moleskine» para darmos por terminado o relato desta nossa 3ª etapa: “Logo no início da rua, numa esquina, fica a antiga Casa da Pescaderia,

 

 

adaptado na atualidade para albergue. Um edifício velho, mas muito bem recuperado. Com uma bonita chaminé interior e instalações de primeira.

 

 

Quanto a recuperação - 5 estrelas. Mas, depois, vem o albergueiro, de seu nome Pepe, alto e bem cheiroso... para quem vem todo alagado em suor!... Rigorosamente no albergue às horas que são para abrir. Amável, atencioso, prestável. Que nos desenrascou em duas situações logísticas que tínhamos pendestes nas etapas seguintes - como comer em Hospital de Bruma e pernoitar em Sigüeiro. A sua amabilidade foi ao ponto de se despedir, individualmente, de cada peregrino ou caminheiro, que ali pernoitámos, quando se foi embora à noite para sua casa. Pela pontualidade, porte, amabilidade e prestabilidade - 6 estrelas. Instalações muito bem limpas, com tudo no sítio, e do melhor - 6 estrelas".

 

Connosco pernoitaram no albergue os companheiros que estiveram no albergue de Pontedeume. Chegaram um pouco mais tarde, enquanto já estávamos acomodados, com banho tomado, vestidos e a descansar.

 

Como tínhamos ainda um bom pedaço de tarde pela frente, levantámo-nos da cama e fomos conhecer Betanzos.

 

Betanzos merece um relato em «Destaque» no próximo post.

 

Deixamos agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta 3ª etapa do Caminho para visionamento dos (as) nossos (as) leitores (as).

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blog].

 

 


publicado por andanhos às 18:28
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - 2ª etapa - Neda-Pontedeume (II Parte)

 

 

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

2ª etapa:- Neda-Pontedeume

 

06. Abril. 2014

 

II PARTE

  

 

3.- «Errando» pelas ruelas, ruas e praças de Pontedeume

 

  

Antes de iniciar o Caminho, em casa, tinha-me informado relativamente bem sobre três localidades que nele iríamos encontrar - Ferrol, Pontedeume e Betanzos. E, quanto a Pontedeume, um sítio da internet, a par de alguns artigos sobre esta cidade de origem medieval, que mais à frente indicaremos, despertou-me particularmente a atenção, que aqui não resisto a indicar - http://www.rtve.es/alacarta/videos/los-pueblos/pueblos-pontedeume/714515/.

 

Face às leituras feitas e ao nosso «errar» pelas ruelas, rua e praças, enquanto o albergue não abria, aqui fica uma resenha sobre Pontedeume.

 

 

3.1.- Um pouco da sua História

 

 

O núcleo urbano de Pontedeume conjuga o moderno com o medieval.

 

A história documentada de Pontedeume começa no Natal de 1270 quando Afonso X, o Sábio, concede aos vizinhos da comarca autorização para construir uma vila no lugar de Ponte de Eume, com governo autónomo, ou seja, dependente unicamente do rei.

 

Contudo, no ano de 1371, Henrique II, de Transtâmara, depois de derrotar seu irmão Pedro, concedeu senhorio da vila de Pontedeume a Fernán Pérez de Andrade, o Bom, em reconhecimento da sua colaboração nas lutas fratricidas.

 

Os Andrade, a partir de então, foram ampliando os seus domínios na comarca, anexando, pela força, as propriedades da Igreja até alcançar vastos territórios que se entendiam até Ferrol, Vilalba e Betanzos.

 

O grande poder que exercia esta família e a cobrança exorbitante de impostos, que impunham aos seus súbditos, motivou a primeira guerra Irmandiña, em 1431, dirigida por Rui Xordo contra Nuño Freire de Andrade, o Mau. A vila, bem amuralhada, fez fracassar a primeira sublevação. Não foi o que aconteceu na segunda, agora liderada por Alonso de Lanzós, que se apoderou de Pontedeume, embora por pouco tempo.

 

Em meados do século XVI, uma das herdeiras dos Andrade casou-se com Pedro de Castro, Conde de Lemos, unindo-se, assim, o senhorio dos Andrade a esta poderosa Casa galega. Ao fundir-se o condado de Lemos e o ducado de Alba, passaram para o domínio dos duques de Alba todas as propriedades e títulos dos Andrade.

 

A passagem do senhorio para famílias estranhas a Pontedeume contribuiu para a decadência da vila que, infelizmente, acabou por sofrer devastadores incêndios e, consequentemente, deram por findo o seu esplendor e apogeu de antanho.

 

Restam muito poucos traços da sua muralha urbana medieval e alguns edifícios/monumentos emblemáticos. Comecemos então pelos

 

 

3.2.- Edifícios ou monumentos dentro do Centro Histórico de Pontedeume

 

 

 

 

3.2.1. - Ponte de Pontedeume

 

 

A história da primeira ponte sobre o rio Eume é a história de uma ponte medieval, porventura uma das mais compridas da Europa e com uma longa vida - de 1380 a 1864.

 

 

Pela sua importância estratégica e económica, é considerada uma das mais importantes de Espanha e, também, do velho continente.

 

As origens de uma anterior ponte possivelmente remontam à época romana cuja estrutura parece que só tinha utilidade na maré baixa, não sendo então mais que umas poldras ou uma simples e tosca passarela.

 

O primeiro dado sobre a ponte data de 1162. É um documento que fala de uma doação através da qual se transferem fundos para manter a ponte em bom estado, o que indica que, antes desta data, a ponte já existia. O material utilizado para a construção desta primeira ligação entre as duas margens do Eume é a madeira.

 

A partir do século XIV, procede-se a uma reconstrução, utilizando, para tal fim, um material muito mais resistente e duradoiro - a pedra.

 

Esta obra está ligada à figura de Fernán Pérez de Andrade, o Bom.

 

Ainda que os dados sobre os anos da sua criação sejam confusos, a hipótese, que tem mais peso, faz prevalecer a ideia de que se começou a construir em 1380, acabando-se em 1386 com a construção do Hospital do Espírito Santo, a Capela e as Torres.

 

 

Segundo um documento da época, a ponte constava de 78 arcos, dos quais: 7, foram eliminados 27 anos depois, segundo documentos posteriores; o número de arcos variou de 71, em 1655, a 58, em 1721, e 50, em 1862. Quanto ao seu comprimento, e apesar de sofrer a supressão de arcos e a substituição dos existentes de estilo gótico por outros semicirculares, a ponte apenas encurtou de 851 metros, em 1649, para 847, em 1721.

 

A ponte possuía duas tores: a primeira - a Torre da Ponte - entre os arcos 8 e 9; a segunda - a Torre do Risco - entre os arcos 20 e 21.

 

Havia, também, no final da ponte, no extremo de Cabanas, um cruzeiro, seguramente anterior ao ano 1600. Textos do século XVII testemunham que o cruzeiro nem sempre esteve no final da ponte mas sim a 42 metros do seu final.

 

Entre os arcos 2 e 3, em pedestais hoje desaparecidos, estavam assentes o urso e o javali, símbolos de Fernán Pérez de Andrade, o Bom.

 

Viradas para levante - foz do rio Eume - existiam duas escadarias: uma, junto do arco 9; outra, do arco 39.

 

A ponte, e todas as construções nela assentes, eram de pedra de cantaria e de uma largura que não ultrapassava os 3, 30 metros, sem contar com os talha-mares, que mediam 1, 80 metros de largura.

 

Em 1588, e devido seguramente a uma avançada deterioração, levou-se a cabo a primeira reparação da ponte, por Sebastián Méndez, mestre-de-obras da vila de Barallobre.

 

Entre 1791 e 1820, o hospital desaparece e, em 1843, fica apenas com as duas torres, a capela e o símbolo dos Andrade - o urso e o javali.

 

A antiga ponte medieval estava já muito deteriorada nesta altura - ficaram de pé uns quantos arcos - pelo que surgiu a necessidade de levantar uma outra que a substituísse.

 

Assim, em 1862, abre-se um troço provisório de madeira para durar apenas uns anos e, sobre o qual, ia-se construindo, durante esse tempo, uma mais estável.

 

Em 1863, abre-se um novo troço e, nesse mesmo ano, acaba-se por demolir os restos da antiga ponte medieval.

 

A ponte definitiva começaria a funcionar em 1870, ainda que a passarela de madeira se tivesse ali aguentado até 1873, quatro anos mais que o esperado.

 

Mas a vida desta ponte foi curta. Em 26 de Dezembro de 1874, um Eume embravecido, arrasa com os três primeiros arcos, deixando, uma vez mais, o tráfego interrompido.

 

Em 1876, aprova-se a criação de um novo revestimento provisório de madeira sobre a zona danificada, a qual durará até 1881, ano em que entra em funcionamento a obra seguinte, começada um ano antes, utilizando a pedra como material.

 

Em 1889, a obra estava terminada.

 

A ponte atual

 

 

é, basicamente, a mesma que foi inaugurada em 1889, embora com algumas modificações externas.

 

Hoje em dia, a ponte é composta por 15 arcos e, sobre ela, corre a Estrada Nacional 651.

 

 

3.2.2.- O Torreão dos Andrade

 

 

Foi construído na época de Fernán Pérez de Andrade, o Bom, entre 1370 e 1380.

 

 

 

Formava parte de um conjunto integrado por um palácio; a capela de São Miguel, derrubada em 1909 e o próprio Torreão.

 

O Torreão tem uma planta quadrada e mede 18 metros de altura. Tem quatro pisos, contando com o rés-do-chão; do segundo piso arrancavamm umas escadas para uma ponte levadiça, hoje desaparecida.

 

Das suas seteiras, destacam-se as janelas góticas, no terceiro e quarto pisos e, um deles, tem o «Selo de Salomón» ou cruz de cinco pontas.

 

 

O Torreão é um dos melhores exemplares da arquitetura militar medieval na Galiza e, nele se destaca, especialmente, o escudo na sua fachada, procedente do desaparecido Palácio dos Andrade. Nele se pode reconhecer os brasões das famílias Andrade e Lemos - unidas no século XVII - e está orlado por 18 bandeiras que Fernando de Andrade ganhou aos franceses na batalha de Seminara. Na parte superior há uma coroa condal e, sobre ela, um anjo sustém um «filete» no qual se pode ler o lema dos Andrade «nolite nocere» (Não faças mal).

 

 

3.2.3.- Praça do Conde

 

 

Era em princípio propriedade do Conde de Andrade. Passou, em data indeterminada, a ser propriedade da vila. Foi notavelmente ampliada em 1936 com o desaparecimento do Palácio dos Condes de Andrade.

 

É hoje o antigo espaço ocupado pelas instalações do Mercado Municipal, em reconstrução /reparação e espaços contíguos ao mesmo.

 

 

No seu centro contruiu-se, em 1671, a Fonte do Pilón, abastecida com a água dos mananciais do monte Breamo. O atual Pilón foi realizado em 1788 pelo mestre de cantaria Andrés de Monteagudo.

 

 

3.2.4.- O antigo Cárcere (prisão) de Pontedeume

 

 

Pelo menos até 1829, a prisão de Pontedeume estava no Torreão dos Andrade.

 

Aquando da fuga dos presos daquelas dependências naquela data, providenciou-se a localização da prisão noutras instalações, que se recriaram no antigo Convento de Santo Agostinho.

 

Em 1838, através de uma Real Ordem de Sua Majestade, estabeleceu-se um novo sistema prisional. Na base deste novo sistema prisional, o novo edifício será localizado, de novo, no Torreão, e, em dependências anexas, até ao século XIX.

 

 

A partir dos princípios do século deixa de ser utilizado como prisão da jurisdição de Pontedeume. É utilizado como Centro de Interpretação e sede do Turismo.

 

Em 1852, o Governador da Província comunica ao alcaide de Pontedeume que se vai levar a cabo um edifício prisional na vila. Em 1853, é colocada a primeira pedra do novo edifício prisional desenhado pelo arquiteto Faustino Dominguez e, em 1856, as obras finalizaram-se.

 

Feitas obras, na parte baixa do Torreão que foi prisão, esse espaço é hoje ocupado como Centro de Serviços Sociais do concello.

 

 

3.2.5.- Paço do Arcebispo Rajoy e Praça do Pão

 

 

Foi mandado construir na segunda metade do século XVIII pelo arcebispo eumês, Bartolomeu Rajoy e Losada (1690-1772), naquela que foi a casa de seu pai, o farmacêutico, Nicolau Rajoy. Na fachada convivem elementos típicos da escola compostelana com outros novos, mais classicistas, de influência francesa. É composto de um andar de rés-do-chão com arcadas, de grosso alicerce, e dois andares com varandas, percorridos por pilastras.

 

 

É rematado com o escudo do arcebispo. O palácio é limitado a norte pela praça do Pão, remodelada, em 1984, pelo artista José Dias

 

 

que esculpiu a mulher, em bronze, moldando pão.

 

 

3.2.6.- Edifício da Casa do Concello, rua e praça Real

 

 

Desde 1371 e até à instauração constitucional dos concellos, os Andrade mediatizaram o governo da vila com sede no concello (Casa Consistorial).

 

De uma intervenção feita nesta Casa Consistorial por Fernando Ruiz de Castro (1560-1675) constava um escudo que foi retirado em 1820 e, posteriormente, restituído.

 

Sofreu o incêndio de 1607 e foi reedificado em 1609.

 

Durante o mandato do alcaide Celestino Sardiña passou a ser reedificada, mantendo-se a mesma configuração da fachada, utilizando-se as mesmas pedras.

 

Está situada na praça Real, primitiva praça do Rolo, espaço este já existente desde a fundação da vila, em 1270, e ampliada em 1617.

 

 

Atualmente é uma das zonas de mais fama de Pontedeume, em termos de lazer, muito naturalmente devido ao número de esplanadas nela existentes, às suas bonitas varandas,

 

 

e ao afamado Feirón que se realiza na vila todos os sábados.

 

 

3.2.7.- Igreja Paroquial de Santiago

 

 

Apresenta duas partes diferenciadas. As antigas: a capela-mor - edificada por Fernando de Andrade, em 1538 - e a sacristia velha - hoje utilizada como capela, com aquecimento central, por ser mais acolhedora a presença dos fieis quando, nos meses de inverno, assistem à missa.

 

O estilo destas duas dependências da igreja paroquial é tardo gótico, anos finais deste estilo que está a ser substituído em toda a Europa pelo Renascimento.

 

O retábulo da capela-mor, embora saibamos quando foi feito - ano de 1530 - e dourado no ano de 1564, devia ter sofrido várias alterações, tanto na sua estrutura, seguramente afetada por incêndios, como nas suas pinturas.

 

É um retábulo renascentista. Das oito pinturas que o constituem: seis, são sobre tábua - cinco delas (Calvário; Ressurreição; Lamento sobre Cristo Morto; Flagelação e Assunção de Maria) e do mesmo momento da construção do retábulo; a tábua de São Miguel pesando as Almas são dos princípios do século XVII; as duas restantes (Anunciação e Nascimento de Jesus), sobre tela, são da segunda metade do século XVIII. Destacamos o Cristo de Animas, imagem anterior a 1771, que razões históricas e estilísticas, permitem concluir que a sua autoria se deve ao Mestre Ferreiro.

 

É de realçar a imagem de Santiago, dos finais do século XIV, que foi encontrada enterrada aquando das obras de remodelação do presbitério, no ano de 1962. É uma estátua de granito policromado. O que demonstra que, já nos finais do século XIV, existia aqui uma igreja sob a invocação de Santiago. Trata-se de uma figura rígida e de acusado formalismo. Tudo leva a crer que é obra da escola do Mestre Mateo, aparentada com a do Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela e do altar-mor da mesma catedral.

 

Na capela-mor, no pano do lado do Evangelho, encontra-se, desde 1758, o túmulo de Fernando Andrade, que foi enterrado em 1540. O túmulo foi modificado aquando da reedificação, reconstrução do templo, em finais do século XVIII. Sobre este túmulo estão as armas os Castros com a dos Andrade. No mesmo pano está um Cristo Crucificado, dos finais do século XVI, procedente da capela de Vera Cruz, onde estava em princípios do século XVII.

 

No núcleo que serve de contraponto ao túmulo de Fernando de Andrade, está a «Candelaria», procedente do retábulo da Santíssima Trindade ou «Candelaria». Possivelmente é da primeira metade do século XVIII. Foi restaurado em 1970.

 

O resto do templo, que sabemos que tinha seis capelas, sofreu um incêndio em 1607 e foram restauradas em meados do século XVIII. Contudo, o estado de ruína em que a igreja se encontrava levou a que o arcebispo de Santiago, D. Bartolomeu Rajoy, natural de Pontedeume, e que mandou fazer o Palácio de Rajoy na praça do Obradoiro, em Santiago de Compostela, patrocinou a sua reedificação. A obra realizou-se entre os anos 1756 e 1761, segundo o desenho do frade Frei Manuel de los Mártires, inspirada nas igrejas jesuítas.

 

A sobriedade monumental do seu interior contrata com a fachada, que constitui um dos exemplares mais notáveis do barroco galego.

 

 

As torres que a coroam foram contratadas por Alberto Ricoy, em 1763, assim como a sacristia nova, situada por detrás da capela-mor.

 

Na fachada abrem-se três portas das quais a central está coroada com o escudo de Fernando de Andrade; uma estátua equestre de Santiago Apóstolo e uma placa com o Coração de Jesus com o seu lema «Reinaré en España», colocada em 1900 para comemorar o início do século.

 

Não podemos entrar no seu interior porque estava fechada às sete chaves.

 

 

3.2.8.- Muralha da vila

 

 

A muralha, com 9 torres e 5 portas (Ponte, Salga, Porto, Postigo e Carnicería) estendia-se pela zona ribeirinha da ria de Ares, bordeando o Paço, ia pelas atuais ruas de Picho e Tafona, e baixava junto ao convento de Santo Agostinho, incluindo a fonte que existia dentro do recinto amuralhado.

 

Hoje, bordeando o átrio da Igreja de Santiago, junto à que foi a Porta do Postigo, feita em 1619, pode-se ver o que resta e se conserva da antiga muralha. O que vimos não nos mereceu qualquer registo de monta.

 

 

3.2.9.- Antigo Convento Santo Agostinho

 

 

Fundado extra muros à vila por Fernando de Andrade, em 1538, com o nome de Santa Maria da Graça, fechou em 1835 por via das leis da desamortização.

 

Da época da sua fundação conserva-se o claustro renascentista. A atual fachada principal é barroca, da segunda metade do século XVIII.

 

 

Entre 1842 e 1948, funcionou como quartel e escola. Em 1848 passa a mãos privadas. Até que na década de 80 do século XX, é adquirido pela vila, sendo convertido em Casa da Cultura. A igreja foi demolida em 1867 para se abrir a avenida de Rajoy. Com a horta que foi adquirida em 1864 a um particular que a tinha comprado, a avenida passou a chamar-se Alameda Rajoy.

 

 

3.2.10.- Igreja das Virtudes

 

 

É também chamada de Nossa Senhora do Soto. Foi mandada construir por Nuno Freire de Andrade, em 1378.

 

 

Da sua primitiva construção só se conserva um silhar (pedra lavrada em quadrado) com o escudo dos Andrade e o tímpano da porta com a imagem da Virgem.

 

 

O seu aspeto atual corresponde à reedificação custeada, entre 1672 e 1680, pelo «indiano» André Copeiro.

 

O zimbório foi reedificado em 1858 pelo arquiteto Faustino Domínguez.

 

Destaca-se o retábulo do altar-mor, realizado nos finais do século XVII, possivelmente por Alonso González, e pintado depois de 1718.

 

É de estilo barroco, com colunas salomónicas e relicários.

 

 

3.2.11.- Cátedra de Latinidade

 

 

O edifício destinado hoje a Biblioteca Municipal foi a casa do regedor Bentrán de Anido, que a doou, em 1580, no seu testamento, para a Cátedra de Latinidade, função que manteve até 1851.

 

 

Segundo nos dizem os dintéis da porta, foi reconstruída em 1621, depois de ter sofrido o incêndio de 1607. Foi ampliada em 1707 e novamente reedificada em 1822.

 

 

3.2.12.- Antigas «lonjas»

 

 

Também conhecidas por armazéns de Rajoy.

 

 

Não possuem valor artístico. Têm, contudo, um grande valor histórico e sentimental. Foram levadas a cabo, em 1763, pelos irmãos Ricoy, sob o patrocínio do arcebispo Rajoy para produzir “sardina salada y otras cosas”. Por escritura de 16 de Maio de 1769, estes armazéns eram quem pagava aos mestres que estavam a contruir escolas em Pontedeume.

 

Numa das suas dependências funciona o albergue de peregrinos, municipal.

 

 

4.- Edifícios ou monumentos desaparecidos

 

 

Dois deles já falámos: o antigo Palácio dos Andrade, hoje praça do Conde, e a Muralha da vila.

 

Falta ainda um terceiro, que tem a ver ainda com a muralha - o Arco do Maldonado.

 

O Arco de Maldonado era o último testemunho importante da antiga muralha. Durou até 1905. Chamava-se assim por estar unido à casa Maldonado, situada em frente ao começo da ponte.

 

Alonso Pita da Veiga fundou, no século XVII, uma capela na parte superior aberta à rua Real, através da qual os eumeses podiam assistir à missa dominical.

 

Foi a última das portas da antiga muralha (Porta da Ponte).

 

A sua demolição teve a ver com motivos urbanísticos - a construção da estrada que une a estação do caminho-de-ferro com a saída da ponte e a estrada Betanzos-Ferrol. Esta obra começou em 1901 e continuou até 1911.

 

Entre 1903 e 1905 levou-se a cabo a sua expropriação, sendo posteriormente demolido.

 

Foi esta a informação que obtivemos através dos seguintes sítios da internet

e que, «errando», até já passava um bocadinho das 17 horas, pelas antigas ruelas, ruas

 

 

e praças da  vila medieval de Pontedeume fomos observando. E, por isso, aqui deixamos testemunho.

 

 

5.- Monumentos fora do Centro Histórico de Pontedeume

 

 

Mas Pontedeume, extramuros do seu Centro Histórico, tem mais monumentos; tem natureza e mais história para contar.

 

Não é aqui o espaço para este efeito. O castelo de Andrade, a capela de São Miguel de Breamo, o mosteiro de São João de Caaveiro, o mosteiro de Santa Maria de Monfero, o mosteiro de Santa Catarina de Montefaro, a Igreja de São João de Vila Nova, Santa Maria de Doraña, São Martinho de Andrade, São Pedro de Cervás e, sem dúvida, o Parque Natural de Fragas de Eume - um dos últimos bosques atlânticos a nível europeu, proveniente da Era Terciária, que conserva o manto vegetal autóctone de carvalhos, castanhos, loureiros, medronhos e azevinhos, entre outros -, e onde, no seu alto, se localiza o mosteiro de São João de Caaveiro) merecem bem uma estadia de fim-de-semana prolongado. Ficarão assim aprazadas, estas terras que foram dos Andrade, para uma outra ocasião.

 

Nós, já cansados de tanta mochila às costas, dirigimo-nos para junto do porto, onde se localizava o albergue.

 

Ainda esperámos um bocadinho, sentados num banco de pedra - mobiliário urbano recente - até que o senhor albergueiro chegasse.

 

 

Tino, entretanto, entretinha-se a ver o percurso do dia a seguir e a fazer um balanço do deste dia.

 

 

Por fim o senhor chegou. Um velhote simpático. Como já se disse o albergue é municipal. Para a cidade que é, e os pergaminhos que tem, era para estar noutro estado de limpeza e com mais confortos. Enfim...

 

Connosco ficaram: o casal espanhol. Agora já sabemos os seus nomes: ela, Marla, natural de Barcelona, a viver em Madrid; ele, Óscar, de Madrid, nascido em Madrid e filho de pais nascidos em Madrid, logo, é «GATO» e, finalmente, Alyson, uma jovem de 21 anos, de Washington DC, USA, a que estava sentada no banco de pedra de granito, enquanto Óscar passava de mochila Às costas.

 

Depois de tomarmos banho e de descansarmos um pouco, saímos para dar mais uma volta pelo Centro Histórico de Pontedeume. Sentámo-nos numa esplanada da praça do Rolo (Real) e tomámos uma bebida. Gostei muito desde bocadinho sentados aqui nesta agradável e aconchegada praça.

 

Depois de um bom pedaço de tempo a tomarmos o pulso ao movimento desta terra, vendo uma caterva de canalha miúda a brincar (até parece que os eumeses não têm medo da crise!), levantámo-nos e fomos dar uma volta. Descemos a rua Real e, voltando-nos à nossa direita, fomos ter ao passeio ribeirinho à ria de Ares,

 

 

seguindo lentamente a ria atá à ponte do viaduto da AG-9,

 

 

tendo o monte Breamo à nossa frente e à esquerda.

 

 

Como não levava a Nikon, para o efeito de tirar fotografias a este bonito entorno,

 

 

serviu a câmara do HTC. Por debaixo do viaduto é a foz do Eume.

 

 

Muita gente ao domingo frequenta este passeio!

 

Voltando para trás, uma vez mais, fomos ter à rua Real e, aqui, entrámos no Restaurante Compostela para comer.

 

Tinha saudades de comer sopa. Pedimos uma sopa de nabiças e, deixando o típico pescado pontedeumês, atacamos-lhe no «pulpo a la feria», seguido de sobremesa.

 

De regresso ao albergue, pela parte alta da urbe, ainda tirei uma derradeira foto com o HTC ao Torreão dos Andrade,

 

 

iluminado à noite.

 

 

Tínhamos praticamente percorrido todo o Centro Histórico de Pontedeume.

 

 

 

Chegados ao albergue, estava tudo já de luz apagada. Procurando fazer o menor barulho possível, deitámo-nos. Foi sono de uma assentada até ao outro dia!...

 

 

 

Deixamos agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta 2ª etapa do Caminho para visionamento dos (as) nossos (as) leitores (as).

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blog].

 


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Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - 2ª etapa - Neda-Pontedeume (I Parte)

  

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

2ª etapa:- Neda-Pontedeume

 

06. Abril. 2014

 

I PARTE

 

 

 

Pontedeume mantém intactas

as suas principais características medievais

e utiliza seu rio e sua ria de Ares

como espelho quando o sol descansa,

fundindo-se mar e terra na superfície da água,

imaginando histórias e lendas nascidas nas

fortalezas, paços e mosteiros por aqui espalhados

há, pelo menos, cinco séculos.

A luz do homem cria o milagre

que faz sobressair o rosto da pedra,

e o silêncio noturno permite-nos

escutar o eco supremo da sonoridade

dos cinzéis dos velhos mestres,

quando, passo a passo, avançamos pelo postal

da vila que são as suas ruas empedradas.

E, nelas, a noite se esconde.

 

  

 

1.- Mapa do percurso e desníveis da etapa

 

 

 

2.- Descrição sucinta da etapa

 

2.1.- 1º troço:- Neda-Fene

 

Como dissemos no post anterior, custou-nos pegar no sono. A MEGASA labora toda a noite. Não é que faça grande barulho mas, na pacatez daquele recanto, é o suficiente para não nos propiciar o ambiente de silêncio necessário - e que estávamos à espera - para enfrentarmos, mais leves e descontraídos, a etapa do dia a seguir.

 

Levantámo-nos por volta das 7:30 horas locais. Tomámos o pequeno-almoço com os produtos que comprámos na véspera no supermercado e, mochila às costas, pelo passeio ribeirinho, já feito na véspera, fomos até à Igreja de Santa Maria de Neda. E seguimos sem parar.

 

Logo à saída do adro da igreja, atravessámos um pontilhão sobre o rio Belelle, onde, outrora, existiria uma ponte. E entrámos, pela rua El Paraíso, que cruza com a rua Real, no núcleo de Neda com nítido traçado medieval, com casas «porticadas» e varandas, dos séculos XVI e XVII.

 

Na parte mais alta, a Torre do Relógio,

 

 

de 1786, adossada à atual Casa do Concello,

 

 

onde ainda se podem encontrar restos daquele que foi o Hospital de Peregrinos do «Santi Spiritus», fundado em 1500 por Margarita Fernández do Vilar e seu marido.

 

Continuando no núcleo de traçado medieval de Neda, fizemos um pequeno desvio de 100 metros, aproximadamente, mais para junto da parte ribeirinha, para irmos ver a Igreja de São Nicolau. O que nos levou lá mais foi o cruzeiro

 

 

no adro da igreja que, dizem, ser um dos mais antigos da Galiza, juntamente com o de Melide. A igreja e o portão do adro estavam fechados. Mas, uma senhora que morava ali ao lado, prontificou-se a abrir-nos o portão do adro para melhor ver o exterior da igreja e o cruzeiro. Não entrámos dentro da igreja porque a senhora não era possuidora da chave da mesma.

 

Quer no verso, quer no anverso, o cruzeiro tem a figura de Cristo Crucificado desenhada de uma forma tosca e desproporcional.

 

Saímos do núcleo de Neda e passámos por debaixo do viaduto da AP-9.

 

Um pouco mais à frente, pelo Caminho do Murallón, começámos a subir pelas faldas do monte Marraxón.

 

Daqui, uma das últimas despedidas da panorâmica sobre a ria de Ferrol e a ponte de Pias,

 

 

ponte esta que atravessa a ria para a outra margem - Fene- poupando-se perto de 12 Km.

 

Feita a subida do Marraxón, parámos. Sentámo-nos em cima de um murete à beira do Caminho. Tino teve de tratar da sua «bolha de estimação» que o estava «incomodando». Neste troço, esta bonita perspetiva do casario chamou-nos a atenção.

 

 

Passando pelo lugar de A Silva, O Pontal de Arriba, Conces, ao lado de um lavadouro público, A Fonte do Campo e Casanova, descemos até Fene.

 

2.2.- 2º troço:- Fene-Polígono de Vilar do Colo

 

Em Fene, na cafetaria «Lembranza», parámos para tomar um segundo pequeno-almoço e descansar um pouco.

 

 

Não tendo grande apetite, apenas pedi um café. Tino tomou café com leite e um croissant com manteiga. O meu café vinha acompanhado com dois «churritos» - oferta da casa.

 

Estávamos, assim, preparados para a subida que aí vinha, passando por lugares de Santo Esteban de Perlio (Chamoso), do concello de Mundin, e pela paróquia de Santiago de Barallobre (Rego da Moa e Romariz),

 

 

por entre um bosque de caducifólias e eucaliptos, em direção ao alto - o Polígono de Vilar do Colo.

 

Na cafetaria e restaurante do Polígono, face à subida entretanto levada a cabo, parámos para descansar.

 

 

Apusemos o selo nas nossas Credenciais do Peregrino.Tino tomou mais um café com leite. Eu bebi uma água.

 

2.3.- 3º troço:- Polígono de Vilar do Colo-Praia da Madalena (Cabanas)

 

À saída do Polígono, tivemos que seguir por um pequeno desvio, por via das obras que ali estava a se levadas a cabo.

 

O percurso, a seguir ao Polígono de Vilar do Colo, praticamente todo a descer, foi agradável: apesar de atravessarmos ainda um viaduto sobre a AP-9 - Peón de Pedra -,

 

 

depois de ultrapassado o rio Baa, a envolvente é toda rural,

 

 

com campos verdejantes

 

 

e casas de arquitetura moderna e tradicionais bem tratadas e arranjadas, rodeadas de jardins floridos.

 

 

Neste troço do Caminho, aqui e ali, ia-nos também «estendendo», à nossa passagem, bermas recheadas de flores silvestres.

 

 

Tudo muito calmo e sereno, dando tempo, mais que suficiente, para, até os gatos, «baterem uma sorna», em cima do tejadilho dos carros. E os cães, embora, pela raça, bons guardadores das casas dos seus donos, olhando-nos de soslaio, pacificamente, lá nos deixavam passar sem latidos de maior.

 

E foi, nesta pacatez, com imensas paragens, que, pelo Caminho Real, chegámos ao lugar da Pena do Pico e, ultrapassado o valado banhado pelo rio Laraxe, alcancámos O Val, depois Batán e A Torre, todos lugares da paróquia de São Martinho do Porto. Os espigueiros

 

 

e os logradouros floridos das casas são uma constante nesta paisagem.

 

 

Passada Cerdeita,

 

 

e depois de ultrapassada, por uma passagem inferior, a linha de caminho-de-ferro, entrámos na praia da Madalena, já na ria de Ares, concello de Cabanas, com os logradouros das suas casas floridos e os espigueiros sempre nos acompanhando.

 

2.4.- 4º troço:- Praia da Madalena-Pontedeume

 

A água, a placidez do lugar,

 

 

o areal de areia fina e branca e o bosque de carvalhos, vidoeiros, sobreiros, salgueiros e pinheiros, que bordeja esta praia, convidam a penetrarmos areal dentro, largar as mochilas e relaxar um pouco.

 

 

Tino aproveitou para ligar a um familiar que, neste dia de domingo, fazia anos.

 

Recompostos e reconfortados com o encanto do lugar, continuámos, atravessando o bosque, que bordeja a praia, por uma alameda demasiado cheia da tonalidade azul.

 

 

 

Sensivelmente a meio da alameda, do lado esquerdo, a estação de caminho-de-ferro de Cabanas.

 

Tino, aqui, dizia-me que já tinha fome. Ainda parámos num café/restaurante para aí comermos. Vista a lista dos pratos, largámos o lugar: preços exorbitantes! Lugares balneários é assim. Optámos pelas tascas tradicionais de Pontedeume, já ali perto.

 

Ao fundo da alameda/avenida, a ponte azul do caminho-de-ferro.

 

 

Girámos à esquerda numa rotunda. Ultrapassada mais uma passagem inferior sobre o caminho-de-ferro, Pontedeume fica-nos já à nossa frente.

 

Logo que saímos de Cabanas, para chegar a Pontedeume, é só atravessar a sua ponte.

 

Enquanto o fazíamos, ao longe via-se a Igreja de Santiago pairando no cimo do casario;

 

 

o Torreão dos Andrade e o antigo Cárcere;

 

 

o casario e os barcos na ria de Ares.

 

 

Ultrapassada a ponte, estava feita a etapa de hoje.

 

A fome, de facto, já começava a «apertar». Dirigimo-nos ao albergue, que é municipal, sito nas antigas «lonjas», em frente ao porto. Estava fechado. Na porta, os números de telefone do albergueiro. Telefonámos-lhe. Informou-nos que o horário é só para abrir às 17 horas. Num bloco de granito, sentada, uma menina, que nos pareceu ser também uma peregrina, esperava.

 

Saímos deste local, com as mochilas às costas, e dirigimo-nos para o centro da cidade para comermos.

 

Quando estávamos para entrar no «Café-Bar - 12+1»,

 

 

na rua Real, ei-los contentes, felizes - o nosso casal espanhol!

 

 

No «Bar-Café-12+1» comemos. E bem. Ficámos, pois, satisfeitos.

 

Depois de comer, aproveitei para atualizar a minha página do Facebook com uma foto do dia - o cruzeiro da Igreja de São Nicolau, de Neda. Telefonei para Chaves.

 

Ainda não eram 16 horas locais. Tínhamos pela frente uma hora até que o albergue abrisse. Outra vez com a mochila às costas, fomos «errando» pelas ruelas, ruas e praças de Pontedeume.

 

FIM DA 1ª PARTE:- Etapa - Neda-Pontedeume

 

 

 


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Quarta-feira, 7 de Maio de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - 1ª etapa - Ferrol-Neda

 

 

  

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

5. Abril. 2014

 

1ª Etapa:- Ferrol - Neda

 

 

 

SE O PASADO É PASADO

  

Se o pasado é pasado

 i o presente é o urgente

 por qué inda busca a xente

 aquil soño clausurado?

 

Vido visto ben Santiago

 i esa cuestión non resolta

 fago camiño de volta

 camiño de volta fago.

 

Camiño de volta fago

 volvo do cabo do Mundo.

 Terra sólo en ti me fundo:

 é a certeza que trago.

 

(Uxío Novoneyra)

 

 

1.- Mapa do percurso e desníveis

 

 

 

2.- Descrição sucinta do percurso

 

2.1.- Do porto de Coruxeiras ao bairro de Esteiro

 

Depois de atravessarmos praticamente toda a cidade de Ferrol, chegámos à doca/porto de Coruxeiras.

 

Aqui, neste monólito/marco, começa o Caminho Inglês de Santiago.

 

 

 

São 121 Km, na direção norte-sul, que separam o golfo Ártabro, donde saímos, até à Catedral de Santiago de Compostela.

 

Se nos detivermos um pouco no monólito/marco que dá início ao Caminho, verificamos que, nesta placa de granito, está o escudo da Galiza, gravado com sete cruzes, tantas quantas eram as províncias do antigo Reino da Galiza.

 

Deste marco, em Ferrol Vello, saímos pela rua Carmen Coruxeiras.

 

 

É bem verdade o que se diz no texto do Eroski quanto a este Caminho - rua decadente, rodeada de ruelas do mesmo estilo. Esperamos que o plano de reabilitação de Ferrol Vello, pelo menos, lhes «lave a cara», nomeadamente, reabilitando esta casa,

 

 

onde nasceu, em 1919, Ricardo Carballo Calero, escritor, linguista e defensor da cultura galega.

 

Passado o antigo hospital de peregrinos do Espirito Santo, destinado a pobres e doentes de todas as classes, que funcionou até 1780, embrenhámo-nos na rua de São Francisco.

 

Ao lado da rua de São Francisco, na rua Pintor Imeldo Corral, vemos a Casa ou Chalet Antón,

 

 

edifício modernista (1918) que, como já dissemos no post anterior, foi desenhado pelo arquiteto Rodolfo Ucha Piñeiro, um dos melhores arquitetos galegos dos começos do século XX. A sua fachada chama a tenção pelo seu miradouro em forma hexagonal, na esquina.

 

Na figura que se exibe, ainda se pode ver a célebre e emblemática Fonte de São Roque (1784), com um escudo de Ferrol que, também como já referido, se pensou que daqui, com o seu farol gravado, advinha o nome de Ferrol.

 

Passámos pela capela da Ordem Terceira Secular Franciscana,

 

 

sita na mesma rua onde também está situada a igreja castrense de São Francisco, contruída no lugar do antigo convento franciscano (1377) no século XVIII (1757), desenhada, provavelmente, por engenheiros militares. Não tem qualquer torre porque as autoridades da Marinha impediram que se lhe acrescentassem torres por estorvarem a visibilidade de um observatório astronómico, que acabou por não se contruir.

 

No interior desta igreja, destaca-se o retábulo de José Ferreiro, o mais importante escultor do neoclassicismo galego, e a imagem de Santa Bárbara (século XVIII), padroeira dos artilheiros e protetora das tempestades.

 

Logo a seguir, na praça Contalmirante Azarola Gresillón, de face um com o outro, encontrámos dois edifícios: o Parador de Ferrol, construído como grande palácio senhorial em 1960, e que hoje pertence à afamada e luxuosa rede de Paradores de Espanha (o equivalente à nossas Pousadas), entregue a uma empresa pública que se encarrega de gerir todos os hotéis situados em edifícios de valor patrimonial assinalável, e o Palácio da Capitania, que foi residência do Capitão General do Departamento Militar da Zona Marítima do Cantábrico, que estava (e ainda está) estrategicamente situado no início do então novo bairro da Madalena, o racionalista e ilustrado, ao contrário do pequeno e tradicional núcleo marinheiro - Ferrol Vello. Por detrás deste palácio, está o Jardim de Herrera e, mais ou menos ao centro do espaço entre estes dois edifícios, o obelisco em memória de D. Cosme Churruca, que morreu na batalha de Trafalgar. Deste espaço, um excelente miradoiro, tem-se uma esplêndida vista sobre a ria e o Arsenal.

 

 

À sua saída, um bonito pormenor de um cruzeiro.

 

 

Seguindo a frontaria principal do Palácio da Capitania, à nossa direita, deixámos Ferrol Vello e entrámos na rua Real,

 

 

início do bairro da Madalena, com vivendas modernistas e, como ainda nos diz o texto do Eroski, desenhado em forma de tablete de chocolate, com seis ruas paralelas, cortadas por outras nove transversais, com duas grandes praças - a primeira, quem vem de Ferrol Vello, a do Marquês de Amboage; a segunda, já quase no fim da rua Real, por onde fizemos o nosso percurso, a de Armas.

 

A praça, vulgarmente conhecida, de Amboage, é então a primeira das duas grandes praças que se abrem em ambos os lados do bairro da Madalena, cheia de esplanadas durante os dias de sol. Em 1896 inaugurou-se a estátua que lhe está ao centro,

 

 

em memória deste marquês, benfeitor ferrolano, da segunda metade do século XIX, que criou uma fundação para eximir os jovens de Ferrol do serviço militar e auxiliar os pobres. Em agradecimento, para além da escultura, as gentes de Ferrol honram-no com as festas de verão.

 

Ainda na praça de Amboage, a capela de la Merced,

 

 

do arquiteto Rodolfo Ucha Piñeiro. Foi construída por iniciativa dos «mercedarios», em 1926. É de estilo eclético, modernista e neogótico. A sua fachada está profusamente ornamentada.

 

Nas imediações da praça de Amboage, a Igreja das Dores,

 

 

construída pela congregação do mesmo nome, na segunda metade do século XVIII. É de destacar a sua austeridade.

 

Saídos da envolvente da praça de Amboage, continuámos pela rua Real, indo quase ao seu extremo, onde se localiza a segunda praça deste bairro - a de Armas. Aqui se situa o edifício da Casa do Concello de Ferrol

 

 

- o Palácio Municipal, de 1953.

 

Desta praça, cortámos à direita em direção à rua da Terra e, daqui, fomos desembocar à praça da Constituição, de seguida, ao Cantón de Molins e Alameda de Suanzes.

 

Saindo desta alameda, pela rua Pablo Iglesias, com um bonito casario a ladeá-la,

 

 

fomos ter à praça das Angustias, onde ali se encontra uma simples e sóbria igreja (das Angustias),

 

 

com panos pintados de branco, dos finais do século XVIII.

 

Atravessámos a avenida González Llanos e, daqui, avistámos a porta de Navantia,

 

 

porta monumental (1949), das instalações da empresa estatal Navantia, que dá acesso ao maior artilheiro militar de Espanha. Só que, à sua entrada, numa âncora que a adorna, esta singular «exposição»,

 

 

sinal de que, tanto lá como cá, os ventos correm difíceis para os trabalhadores! Exposição essa que prossegue por todo o gradeamento que ladeia o perímetro das instalações da empresa estatal,

 

 

mostrando-nos a forma original de luta destes trabalhadores, neste gesto peculiar de protesto.

 

A partir daqui, pela rua Taxonera e pela avenida Marc Mahón, estamos, e rodeámos, um outro bairro portuário - Esteiro.

 

2.2.- Do bairro Esteiro ao polígono industrial A Gándara (Narón)

 

Na rua Taxoneira, a florida fachada de uma casa.

 

 

E, ma avenida Marc Mahón, o quartel de Infantaria da Marinha «Tercio del Norte» - Quartel de Dolores, encostado ao perímetro da estaleiro Navantia.

 

 

Ultrapassado o quartel de Dolores,

 

 

entrámos na estrada da Circunvalación para, depois, percorrermos um pouco a avenida de Esteiro até à rotunda do Poeta Uxío Novoneyra (ou do Diapasão).

 

 

Gostaríamos de aqui fazer um parêntesis, a propósito de Uxía Novoneyra. Vejamos o que Olga Novo fala da obra deste poeta neste sítio - https://www.youtube.com/watch?v=P9SQ9065Ktg - e ouçamo-lo neste poema, por si recitado, da sua obra «Eidos».

 

 

Ao longo deste percurso, do nosso lado direito, estende-se um vasto «campus» das instalações da «Escola de Enerxía e Impulsión da Armada», vendo-se o antigo cárcere militar e a Escola de Especialidades Antonio de Escaño.

 

Neste percurso parámos um pouco. Ao sairmos de Ferrol, o céu apresentava-se um pouco pesado de nuvens. Tinha chovido de noite. Acautelando-nos, vestimos roupas a condizer com o tempo. Só que o céu foi limpando de manhã e foi-se abrindo. E o calor, com o sol, começou a apertar. Havia que tirar alguma roupa do corpo porque desnecessária para a temperatura que ia fazendo.

 

Quando estávamos preparados para a operação, damo-nos conta que o casal, que tínhamos encontrado no Posto de Turismo do porto de Coruxeiras, também procedia à mesma operação. Afinal, dizia para o Tino, não vamos sós: temos companhia. Contudo, quer o casal, quer nós, seguimos, cada um a seu ritmo, o seu Caminho.

 

A partir da rotunda do «Diapasão» termina o bairro de Esteiro e inicia-se um outro - Caranza, o mais povoado (e, na minha opinião, moderno e elegante) de Ferrol.

 

Contornámos este bairro pelas avenidas das Telleiras e do Mar. No final da avenida das Telleiras e começo da do Mar, uma outra rotunda, ainda com obras, tendo, à nossa direita, o Auditório e Conservatório de Música de Ferrol

 

 

e, no centro da rotunda, esta bonita escultura «musical de cordas».

 

 

Saídos da rotunda do Mar, com a sugestiva escultura musical de cordas, entrámos na avenida com o mesmo nome. Pela avenida do Mar, e rodando Caranza, por uma via secundária - rua Cartagena - mais junto à ria, ladeada de um bonito relvado, com árvores, demos com um miradouro. Neste sítio, com uma bonita escultura,

 

 

avista-se toda a ria de Ferrol e a enseada de Caranza. Ao sair do miradouro, e num dos galhos de uma das árvores do relvado, esta buliçosa pega.

 

 

Não parámos de admirar as perspetivas que, daqui, se obtêm da ria de Ferrol.

 

Já quase no final da avenida do Mar, mesmo ao seu lado, rodeada de mais uma bonita zona verde, aparece-nos a capela de Santa Maria de Caranza

 

 

- um bom lugar para se descansar - é o que diz o texto de Eroski. Mas não parámos, senão o tempo suficiente para se tirar umas fotos à capela e sua envolvente.

 

 

Quando me preparava para tirar uma foto ao Tino, no seu múnus de fotógrafo, saem-me três na foto:

 

 

afinal o nosso casal, que supomos serem espanhóis, também estava fazendo o mesmo. Bem assim a tirarem fotos um ao outro. Ainda estive para lhes perguntar se queriam que lhes tirasse uma aos dois juntos. Mas contive-me.

 

E, aqui chegados, descontado o percurso do nosso alojamento até ao porto de Coruxeiras, ainda não tínhamos completado 5 Km!

E, cá para mim, dizia: António, é como diz o outro, isto é para se ir fazendo, tranquilamente...

 

Mais um bocadinho à frente, numa zona relvada e ajardinada, aparece-nos uma fonte: Tino parou apenas para beber água. O sol começava mesmo a apertar. Mas pareceu-me ser de pouca dura.

 

Mais uma vez nos deliciámos a ver a panorâmica sobre a ria

 

 

e as localidades que, do outro lado da ria, se localizam na sua margem - Fene e Neda, com a ponte de Pias por perto.

 

E continuámos a andar, apreciando o casario do bairro de Caranza e aproximando-nos do polígono industrial de A Gándara, já no concello de Narón.

 

 

Aqui, no polígono industrial parámos.

 

 

E aproveitámos para, no Mariscador,

 

 

descansarmos um pouco e almoçarmos.

 

2.3.- Do polígono industrial A Gándara até ao albergue de Neda (Coto)

 

Bem «compostos» do estomago, criámos novo fôlego para enfrentarmos a última parte da etapa de hoje, se bem que estivéssemos sensivelmente apenas a metade da mesma.

 

Logo à saída do bar, por via de obras, tivemos de fazer um ligeiro desvio. Por meio do casario, subindo, fomos passando por Grúas Eiriz e, por uma passagem inferior da linha do comboio, passámos em Faísca. Continuámos pelo Caminho do Vilar, até que voltámos a encontrar o nosso «amigo casal» espanhol.

 

 

Estavam parados, compondo-se. Com risos, uns para os outros, denotando o começo de uma certa «cumplicidade», fomos andando...

 

 

Até que chegámos a O Couto, onde se situa o célebre Mosteiro de São Martinho de Xubia, já no concello de Neda.

 

 

Do conjunto monumental de Neda, porventura mais importante, é este mosteiro, também conhecido como de O Couto. Fundado nos finais da alta Idade Média, adquiriu importância nos séculos do românico quando a tradição assinala que os seus monges beneditinos escolheram como observância específica a regra de Cluny. Até finais do século XII, procedeu-se à edificação da igreja monástica que, com algumas alterações - como o caso da fachada principal - chegou intacta até aos nossos dias. Apresenta uma planta basilical, de três naves, rematadas por outras tantas absides semicirculares na sua cabeceira,

 

 

abobadadas. Nesta tríplice abside, conservam-se as janelas de belo estilo românico. No interior, conservam-se os capitéis originais e também o sepulcro de Rodrigo Esquío (dos finais do século XV).

 

No recinto ao lado do mosteiro, apercebemo-nos de um outro caminho que por aqui passa, muito bem sinalizado - o de Santo André de Teixido, de que já falámos.

 

Junto ao cruzeiro, sito no recinto ao lado do mosteiro, deixámos o piso de asfalto e, à direita, dirigimo-nos para o Caminho do Salto para, depois de passarmos por cima de uma passarela sobre a autoestrada, chegarmos ao «Molino de As Aceñas» ou «As Aceas».

 

 

No século XVIII criou-se a Real Fábrica de Farinhas. O seu amplo recinto inclui o importante moinho de marés «As Aceas», com a sua correspondente represa, na foz do rio Freixeiro, diversas casas, armazéns e a casa principal, ao seu lado.

 

 

Na zona há mais moinhos desta natureza, destacando-se, em especial, o Moinho Grande de Xubia, que alcançou a maior produção de farinha de toda a Galiza no século XIX, recebendo trigo procedente de países Bálticos e do ultramar.

 

Segundo nos relata o Eroski, prevê-se um restauro destas instalações. Não queremos que seja para já, face à crise que se atravessa e a premência de outras emergências...

 

De resto, o que aqui vemos é, manifestamente, quinquilharia velha e ferrugenta,

 

 

a par de uns esqueletos de embarcações.

 

 

Rodando o perímetro do moinho «As Aceñas», chegámos a O Ponto, onde o caminho de Santo André se aparta agora do de Santiago.

 

Contudo, não chegámos a entrar dentro da povoação. Atravessámos o braço de água do rio Freixeiro por uma pequena ponte e, continuando a rodear o braço de água do rio, caminhámos, bordeando a ria de Ferrol, pelo passeio de Riveira. À nossa esquerda, devidamente vedadas, as instalações da metalúrgica MEGASA. Enquanto passávamos pelas colunas do viaduto da autoestrada que por aqui passa, não deixámos de reparar em algumas «pichagens», protestando contra a metalúrgica e a poluição que provoca.

 

Do passeio de Riveira fomos ter a um bonito parque relvado.

 

Do outro lado do braço da ria, ou já na foz do rio Xubia, avistámos o colorido do casario dos lugares de Neda,

 

 

enquanto, no relvado do parque, observávamos as esculturas por ele espalhadas.

 

 

O albergue de Neda, na localidade do Coto, já ficava mesmo ali.

 

 

Bastava apenas passar a ponte sobre o rio Xubia.

 

 

E eis-nos chegados ao albergue!

 

Só que, um pouco cansados, mas sem exagero, demos, como se costuma dizer, com o nariz na porta: o albergue estava fechado.

 

Na porta, uma folha formato A4 a indicar os números de telefone para contactar com o albergueiro.

 

Foi o que, de pronto, fizemos.

 

O senhor, atencioso, disse-nos que, em meia hora, chegaria para nos abrir a porta.

 

Cumpriu.

 

Entretanto, enquanto esperávamos, descansámos um bocadinho sentados na soleira da porta e depois tirámos as fotografias da praxe junto à placa indicativa do albergue. E fomos, dando uma pequena volta pelos arredores, tirando umas fotos à volta do albergue.

 

Do jogo de espelhos das janelas do albergue, selecionámos esta, que se apresenta

 

 

e, com esta outra, evidenciamos uma das facetas da poluição da metalúrgica MEGASA.

 

 

Ao redor do albergue a limpeza não é coisa que por lá se pratique assiduamente, apesar de dar para «conviver»: umas duas ou três latas vazias de bebidas e três ou quatro plásticos espalhados, por ali bem perto, da entrada do albergue.

 

Chegado o albergueiro, e cumpridas as formalidades de entrada, pagamento da estadia e aposição do respetivo selo na Credencial do Peregrino, foram-nos dadas instalações de luxo - os aposentos dos «minusválidos».

 

Acomodámo-nos, tomámos banho, vestimos roupa e calçado novo e descansámos um pouco.

 

Quanto tal, chega o casal espanhol.

 

Já contávamos que, pelo andar deles, que também por estas bandas parassem. Demos conta ao albergueiro, quando se foi embora, desse facto. Disse-nos que lhes abríssemos a porta e que, depois, que eles lhes telefonassem para vir tratar das formalidades da sua entrada.

 

E assim se fez e aconteceu.

 

O albergue ficou por conta dos quatro: dois, a dormirem na camarata dos «minusválidos»; os outros dois, na geral.

 

Depois do merecido descanso, saímos do albergue para tratar da «janta» e ir descobrir Neda.

 

2.4.- «Chamalle como queiras»!

 

Para tão poucos quilómetros, o relato já vai longo. Contudo, os lugares por onde passámos merecem bem a referência.

 

Com a saída do albergue, para além de tratarmos do nosso jantar e de encontrar um bar/café que tivesse WiFi para aceder à minha página pessoal do Facebook, de borla, o nosso intento era também fazer uma visita à igreja de Santa Maria de Neda.

 

 

Antecipando parte do relato da 2ª etapa, não resistimos a citar o primeiro parágrafo do texto do Eroski referente à etapa Neda-Pondeume.

 

Aqui vai: “Plácido e bonito o passeio que iniciámos no albergue de peregrinos de Neda. Uma rota interpretativa, sobre lousas e passarelas de madeira que guardam e preservam as «marismas» do rio Belelle, um dos escassos sapais da ria de Ferrol. Depois de atravessarmos o arroio do Belelle, virámos 90º à esquerda para irmos ao encontro de uma estrada que divide a localidade e visitar a Igreja barroca de Santa Maria.

 

 

É de 1721 e guarda o «Cristo de la Cadena» ou o «Cristo da Cadea»,

 

 

uma imagem gótica, de estilo Tudor, que chegou a Neda em 1550, a bordo de um barco britânico que fugia das perseguições anglicanas”.

 

[Para uma informação mais aprofundada sobre o «Cristo da Cadea», no sítio da internet em -http://www.turgalicia.es/docs/mdaw/mtiw/~edisp/turga120015.pdf?langId=es_ES -, veja-se o texto sito na página 18].

 

Ora foi exatamente este périplo que fizemos. E do qual damos conta em suporte fotográfico, não deixando de apresentar a parte superior da imagem da Santa Maria, com a sua rosa azul.

 

 

Ao longo do passadiço fomos encontrar uma turma de infantes/adolescentes, devidamente acompanhados das respetivas professoras, dando-lhes aulas in loco e, quando chegámos à igreja, tivemos sorte em encontrá-la aberta: ia ser celebrada uma missa em sufrágio da alma do ex-primeiro-ministro, dos anos 70 do século passado, um dos propulsores do regime democrático espanhol, recentemente falecido - Adolfo Suarez.

 

Satisfeita a nossa curiosidade, fomos tratar do comer para jantar. Ao longo deste percurso, apreciámos pormenores do casario de Neda.

 

 

Preferimos entrar num supermercado e comprar produtos comermos pacatamente no que julgávamos sossegado albergue.

 

Feitas as compras, antes de sairmos da «superfície comercial», perguntámos à menina da Caixa se sabia onde encontrar um bar/café que tivesse WiFi, pronunciado em inglês escorreito. Para nosso espanto, mais meu do que do Tino, a menina não entendeu patavina do que lhe estava a perguntar. Falou-se então em internet e, com um grande ah! Perguntou-me:

 

-WiFi, pronunciado tal como se escreve. E disse-lhe:

- Si!

 

Então lá nos indicou a casa: a mesma para onde o Tino se está dirigindo.

 

 

Mas, antes de nos sentarmos para consumirmos um café ou uma água, perguntei ao senhor que atendia no balcão se tinham internet, deixando-me agora de «inglesices».

 

Respondeu-me que não.

 

À minha segunda pergunta - onde ficava uma casa que tivesse internet - lá me deu as indicações precisas da sua localização. Não havia, pois, que enganar. Mas, à cautela, sempre lhe fui perguntando:

 

- E como se llama?

 

A resposta foi pronta e incisiva:

 

- Chamalle como queiras.

- Como? - Retorqui-lhe.

- Chamalle como queiras! - Insistiu.

 

De cara ao lado, viemo-nos embora.

 

Seguindo as orientações dados pelo senhor, fomos ter ao Café/Bar:

 

Afinal, o senhor tinha razão. É mesmo o «Chamalle como queiras»!

 

 

 Sentámos e pedimos café e água. Acedi á minha página pessoal do Facebook, pondo a escrita em dia e saímos para ir para o albergue, pela estrada de asfalto, mais afastada da ria.

 

Do alto do Coto, esta soberba panorâmica sobre a ria de Ferrol, atravessada hoje por nós em toda a sua vertente direita.

 

 

 

Já perto do albergue começou a chuviscar. Coisa de pouca monta, que logo parou.

 

Quando chegámos já estava o «nosso casal» espanhol sentado na mesa a comer.

 

Depois de meia dúzia de palavras de circunstância quanto ao Caminho, e após jantarmos, cada qual foi para os seus aposentos. Àquela hora já não estávamos para muita conversa. O que queríamos era dormir.

 

Pese embora o barulho que a MEGASA debitava em excesso de decibéis para os meus ouvidos, lá fui conseguindo «pregar olho».

 

 

Deixamos agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta 1ª etapa do Caminho para visionamento dos (as) nossos (as) leitores (as).

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blog].

 

 


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Segunda-feira, 5 de Maio de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - Percurso urbano - Da rua Rio Castro ao porto de Coruxeiras

 

 

CAMINHO INGÊS DE SANTIAGO

 

05. Abril. 2014

 

PERCURSO URBANO DA RUA RIO CASTRO AO PORTO DE CORUXEIRAS - INÍCIO DO CAMINHO

 

  

 

Dormi bem, mas acordei cedo.

 

Como a etapa não era longa, fiquei-me u pouco na «sorna».

 

Eram quase 9. 30 horas locais quando descemos para tomar o pequeno-almoço.

 

Comemos no café/bar do hotel - café com leite e torradas com manteiga e compotas.

 

De acordo com a indicação da véspera do amigo Daniel, rececionista/faz tudo, deveríamos sair pela rua Belando Piñeiro e dirigirmo-nos para a Estrada de Castela. Daí, percorreríamos, a toda a sua extensão a avenida até à praça de Espanha para, a partir daqui, apanhar a zona da cidade mais junto à ria a fim de podermos disfrutar a zona ribeirinha como o Arsenal, uma vez que, no percurso do Caminho, viríamos mais um pouco pelo interior. Desta feita, dizia Daniel, poderíamos ver melhor o «tramado» urbano que incluiria, para além da praça de Espanha, a praça Camilo José Cela, a rua Rochel, a praça do Callao, a rua Carmen, o Cantón de Molins, a praça da Constituição, a rua da Igreja, a Costa Mella, a rua Rastro, a praça Vella, o passeio da Mariña e, por fim, o porto das Coruxeiras.

 

Com este percurso, que aqui se apresenta o traçado na respetiva planta, e como dizia Daniel, poderíamos ver, entre outros, os seguintes monumentos, edifícios ou conjuntos urbanos com interesse em Ferrol:

  • a praça de Espanha;
  • uma ou outra escultura entre pequenas praças, como esta, de J. R. Gascón, «Mulheres falando em galego». que também poderiam falar português ou castelhano...;
  • o casario típico, com bares e casas de «tapeo», na praça do Callao;
  • a Fundação Caixa Galiza, na praça da Constituição, com o coreto de música na alameda ao lado;
  • o teatro Jofre, na praça da Galiza;
  • a concatedral de São Julião, na rua da Igreja, dedicada ao patrono de Ferrol, que se comemora no dia 7 de Janeiro. Começou-se a edificar em 1766, sob a direção do engenheiro da Marinha, Julián Sanchez Bort. É um magnífico exemplar de arquitetura neoclássica, que substituiu a primitiva igreja, situada em Ferrol Vello. Em 1959, o tempo foi elevado à categoria de concatedral, uma vez que Mondoñedo e Ferrol constituem uma mesma diocese;
  • o Mercado da Madalena, sito na rua dos Irmandiños, mas ao lado da rua da Igreja. É, sem dúvida, um dos melhores sítios ou lugares mais visitados da cidade. Tem um espaço com um frente mais atual,

 

mas um outro, mais antigo, o da peixaria,

 

 

é uma destacada obra modernista, reabilitada, do arquiteto Rodolfo Ucha Piñeiro, de 1923;

  • o Arsenal Militar, com o seu fosso, que se projetou para separar a cidade do Arsenal, constituindo, assim, uma verdadeira cidadela. As suas dimensões permitiam, inclusive, o refúgio de barcos de pesca durante os temporais. Foi tapado nos finais do século XIX e, hoje em dia, apenas se conserva o traçado escavado;
  • o Arsenal Militar - Porta do Parque, nas praça Vella.

 

É um conjunto formado pela portada e obelisco da pequena «ilha» frontal. Este último foi a antiga fonte da «Fama», construída em 1787 para a entrada da Porta do Dique e trasladado para aqui em meados do século XX. É de estilo classicista, com escudos da Espanha, Galiza, Ferrol e da Armada. A fachada ou portada é o resultado de uma antiga reforma do tempo de Isabel II, 1858. Destaca-se a grande pedra de armas, entre dois jarrões, rematada por bombas de artilharia - é o brasão de Filipe V, que estava no primitivo arsenal, em Graña. Sobressai o alto-relevo, com dois leões rampantes e a coroa real;

  • o casario da Costa de Mella.

 

Embora alguns em estado degradado, é de realçar as cores garridas das frontarias das suas casas «balconadas», ao jeito tradicional, dando um ar mais alegre às construções mais austeras do Arsenal, que lhe fica em frente;

  • o porto de Coruxeiras, ultrapassada a pra Vella e o Arsenal Militar, encontramo-nos em frente do nosso lugar de partida para dar início ao Caminho Inglês, ali mesmo junto à Farmácia, que lhe chamam de Saavedra,

 

mas que, sinceramente, ou por falta de atenção ou, por não ter qualquer publicidade, não lhe vi o nome. Do porto de Coruxeiras partem incessantes barcos para Morgados, típico povo marinheiro na outra margem da ria, e cruzeiros turísticos que se dirigem ao castelo de São Filipe, bem assim cruzeiros «românticos», com refeições a bordo.

 

Mas, antes da partida, tinha antes de fazer quatro coisas:

  • a primeira - tirar uma foto à Igreja da Virgem do Socorro,

 

que está, em relação ao nosso ponto de partida, mesmo ali ao lado, integrada em Ferrol Vello. No seu interior encontra-se o Cristo dos Navegantes, de grande devoção marinheira e popular, que, em todas as Semanas Santas ferrolanas, considerada de Interesse Turístico Nacional em toda a Espanha,

 

 

ombreando com a nossa de Braga, sai na sua afamada procissão. Quanto ao Cristo dos Navegantes,

 

 

conta a tradição que, um dia de forte temporal, se refugiou no porto de Ferrol um navio que transportava sal. Quando acabou a tempestade, o barco procurou fazer-se ao mar; mas, todas as vezes que o pretendia fazer, soprava novamente o vendaval. Numa última tentativa, verificou-se que, no tabuado do convés da embarcação, ressumava cheiro a salmoura. Por tal facto, o pessoal do navio foi obrigado a retirar a carga. E, nestes preparos, apareceu a descoberto, de uma forma inexplicável, o Cristo escondido (oculto) na adega do navio. Esta circunstância foi suficiente para explicar ao pessoal da tripulação do navio a razão de não poderem sair do porto - o Cristo queria ficar em Ferrol. E, meu dito, meu feito, entregaram a imagem à igreja paroquial de São Julião. A imagem foi, assim, ter ao Altar do Cristo da nova igreja. Posteriormente, com a construção da igreja de Nossa Senhora do Socorro (ou Virgem do Socorro), em estilo neoclássico, a Irmandade da Virgem, cujas obras começaram em Janeiro de 1767, trasladou, definitivamente o Cristo dos Navegantes para este templo. É uma imagem de grandes proporções, do século XVII, em estilo barroco, de natureza claramente popular. Mas, como em tudo quanto a tradição diz respeito, a imagem-estátua não está documentada em Ferrol Vello até 1984. Daqui se deduz que o Cristo dos Navegantes não é uma imagem histórica, mesmo que antiga. A imagem que hoje em dia vemos na Semana Santa ferrolana é hodierna, da autoria do artista compostelano Enrique Carballido. A imagem da tradição, mais antiga, face ao seu estado de degradação, foi retirada da procissão da Semana Santa pela Irmandade.

 

No interior da igreja também se encontra a imagem da Virgem do Socorro. Deixa-se aqui uma foto do seu manto.

 

  • a segunda, tirar uma foto no monólito/marco que marca o início ou partida do Caminho para os peregrinos que vão em direção a Santiago de Compostela, quando acolhiam aqui a este porto, vindos do norte da Europa e, inclusive, de França.

 

Refira-se, ainda, que daqui parte também um outro caminho milenar, muito percorrido e estimado pelas gentes galegas - o de Santo André de Teixido. Trata-se de um caminho que nos leva ao santuário de Santo André de Teixido, situado numa zona alcantilada, a pouca distância de Cedeira, na costa de Ortegal, escassamente povoada. Este caminho foi percorrido pelo galeguista Padre Sarmiento no verão de 1755 e cruza-se com o Caminho Inglês no mosteiro de Xubia ou Xuvia, cruzando as terras de Narón, Valdoviño e Cedeira. Diz a lenda popular (sempre a lenda!) que a Santo André de Teixido «vai de morto quem não foi de vivo». Assim, aquele que fez promessa ao santo e não visitou o seu santuário em vivo tem que ir de morto. E o modo de cumprir a peregrinação é com a ajuda dos familiares vivos ou conhecidos que - num dos rituais pré-cristãos mais peculiares da península - acompanharão a alma do morto que, do cemitério onde está enterrado, partem em direção ao santuário de Santo André de Teixido para voltarem ao mesmo lugar de partida. Só assim é que a alma do morto poderá descansar em paz. Pelos vistos, quer lá, como cá, as crenças são muito parecidas, quiçá, as mesmas!;

  • a terceira, dirigir-me ao Posto de Turismo do porto

 

para ver novidades quanto a brochuras, mapas e panfletos. Nada de especial havia, que já não nos fosse facultado pelo nosso anfitrião, rececionista/faz tudo, Daniel, empregado do Senhor Silva (nome ou sobrenome galego pouco frequente) dono do hotel que leva o mesmo nome, e,

  • em último lugar, no Café Sarga, mesmo colado à Farmácia Saavedra, abastecermo-nos de água para o Caminho, que nos esquecemos de comprar. Entretanto, Tino aproveitou para ali tomar um café.

 

Do hotel onde ficámos hospedados até ao porto de Coruxeiras, que são sensivelmente um pouco mais de dois quilómetros, demorámos cerca de 45 minutos. Andámos mesmo a passo de lesma, digo, caracol. A culpa foi das muitas fotografias tiradas e que, aqui, por manifestamente falta de espaço, e não nos tornarmos muito «maçudos», apenas apresentamos uma pequena amostra, embora relativamente representativa. Amostra do que mais nos despertou a atenção em função dos nossos gostos, preferências.

Conforme planta do traçado acima apresentada, praticamente atravessámos a maioria dos bairros de Ferrol:

  • Do Hotel Silva, onde ficámos alojados, as duas Ensanches (A e B), divididas pela Estrada de Castela. O hotel fica na Ensanche A. Para os espanhóis, Ensanche é um termo urbanístico, que significa zona de expansão urbana, devidamente planificada;
  • a seguir Recimil, delimitado a norte, pela Estrada de Castela; a nordeste, pela Ensanche B; a oeste, pelas praças de Espanha e Camilo José Cela, rua Rochel e praça do Callao e a sul, pela praça das Angustias e avenida de Esteiro;
  • depois, os bairros históricos da Madalena, Arsenal e Ferrol Vello e,
  • depois de iniciado o Caminho, voltámos a passar por Ferrol Vello e Madalena para seguirmos e passarmos pelos bairros do Esteiro e Caranza.

Só faltaram os bairros que ficam um pouco mais a norte do nosso percurso urbano até ao porto de Coruxeiras e ao longo do Caminho na cidade, na saída para Narón e Neda - Canido, Serrantes, Santa Mariña e Bertón.

 

Pelo que me foi dado ver, em conversa com as pessoas, de um modo particular com o nosso informante principal Daniel, Ferrol, sob o ponto de vista social e cultural, assenta muito na vida dos seus bairros e, no religioso, no trabalho muito dinâmico das suas Confrarias e Associações, tendo, como já se referiu, o seu ponto mais alto, as cerimónias da Semana Santa ferrolana, período muito próximo da altura em que iniciámos o nosso Caminho.

 

Infelizmente, não tivemos oportunidade de ver essa dinâmica, apercebendo-nos do «frenesim» que, uma cerimónia destas, sempre acarreta!

 

 

Deixamos agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama deste Percurso urbano - Do Hotel Silva ao porto de Coruxeiras - para visionamento dos (as) nossos (as) leitores (as).

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blog].

 


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Sábado, 3 de Maio de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Cam inho Inglês - Destaque - Ferrol

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

DESTAQUE - FERROL

 

 

A CONCEPCIÓN ARENAL

 

Porque fue buena y comprendió …

Porque su cuerpo fue leña

que su alma clara consumió

con una llama hogareña …

Porque negaba la maldad

y sabía la muerte impotente …

Porque alcanzó la bondad

del corazón y de la mente …

Porque tuvo al dolor cariño.

Porque en el hombre veía al niño …

Porque hizo el perdón fatal …

Porque endulzó las penitencias …

Porque iluminó las conciencias …

Es santa Concepción Arenal.

 

(Manuel Machado)

 

 

 

Quando efetuo qualquer viagem, ou percurso a pé, tenho sempre uma preocupação - saber o que vou encontrar. E, em função do tempo disponível e das condições atmosféricas e económicas, deixar-me melhor «seduzir» pelo que pretendo ver ou participar pelas novidades que vão aparecendo, disfrutando, assim, o melhor possível, da visita ou do caminho.

 

Neste Caminho também se teve essa preocupação. E, no que à cidade de Ferrol diz respeito, houve até renovadas. Sabia um pouco já da sua história, contudo, nunca tinha lá estado.

 

Dada a facilidade que hoje em dia temos em obter informações, aqui fica, pois, para os (as) nossos (as) leitores (as), o que resultou dessa nossa pesquisa e, depois, com o decorrer do Caminho, o que constatámos in loco.

 

Tivemos pena de não termos podido ir visitar o castelo de são Filipe

 

 

e o outro que lhe fica em frente, La Palma,

 

 

em Murgados, localidade tão rica pela sua gastronomia, em especial o «pulpo à morgadesa». Ficará para outra ocasião. Ferrol requer uma visita um pouco mais demorada e atenta.

 

Até 1938, esta cidade costeira chamava-se El Ferrol.

 

Foi uma terra que, durante a Guerra Civil Espanhola, mais se distinguiu no triunfo do golpe militar que levou à ditadura. Não é de admirar: o historicamente designado «Caudillo» nasceu neste município, razão pela qual, em 30 de Setembro de 1938, uma ordem emanada do Ministério do Interior Espanhol, assinada pelo seu titular Ramón Serrano Súñer (cunhado de Francisco Franco), mudava a designação daquela localidade natal do ditador para «El Ferrol del Caudillo».

 

Só em Dezembro de 1982, o Ayuntamiento ferrolano aprovou uma moção com vista a recuperar a denominação anterior - El Ferrol -, agora sem o epíteto «del Caudillo».

 

Finalmente, em 5 de Outubro de 1984, a denominação oficial do município e da sua cidade alterou-se, passando a chamar-se simplesmente Ferrol.

 

A história de Ferrol não está ligada apenas a um dos seus filhos que governou ditatorialmente Espanha durante dezenas de anos. Ela é muito mais vasta, rica e nobre.

 

Esta terra orgulha-se de nela ter nascidos personalidades relevantes na cena da história espanhola. Só a título de exemplo, referiremos:

 

Pablo Iglesias (1850-1925)

 

 

- fundador do Partido Socialista Obrero Español (PSOE) e da Unión General de Trabajadores (UGT);

 

Concepción Arenal (1820-1893)

 

 

- licenciada em Direito, escritora periodista, poeta, novelista, autora dramática e de zarzuela e foi a primeira mulher a frequentar uma universidade espanhola, em 1841, ainda que só como ouvinte e, provavelmente, com indumentária masculina, sendo ainda grande combatente pelo movimento feminista nos finais do século XIX;

 

Xaime Quintanilla Martínez (1898-1936)

 

 

- primeiro alcaide republicano de Ferrol, fuzilado pelos Nacionalistas, um mês depois do início da Guerra Civil Espanhola;

 

Gonzalo Torrente Ballester (1910-1999) - escritor, periodista e professor;

 

 

Mercedes Castro (1972...)

 

 

- escritora e antóloga da obra de Rosalía de Castro.

 

A referência mais antiga que se conhece de Ferrol vem do século I, quando o historiador romano Pomponio Mela, ao descrever o Magnus Portus Artraborum, o designa com o nome de Adobrica.

 

Mas há quem afirme que quem fundou Ferrol foram os normandos no século X. E será no século XI quando aparece o nome de Sancto Iuliano de Ferrol, em documento histórico.

 

Mas a tradição crê que Ferrol proveio de farol, aludindo à figura heráldica que aparece no escudo de armas da cidade, embora, segundo os especialistas, a origem do escudo remonta apenas ao século XVIII, existindo, ao longo dos tempos, diversas variantes, e não tendo havido, até 1990, legislação que se tenha pronunciado cabalmente sobre a composição heráldica de maneira oficial.

 

É este, pois, o estado da arte quanto ao seu topónimo e etimologia que, no cômputo geral da história tão rica e viva desta cidade, é de somenos importância.

 

Ferrol está localizada na ria com o mesmo nome, onde desemboca ou desagua o rio Xuvia, situando-se entre os cabos Prioriño e Segaño, protegida pelos ventos e pelos temporais que sopram dos montes Ventoso e Faro.

 

Mostra-se uma vista aérea de Ferrol.

  

 

E outra com a sua rede viária principal.

 

 

A ria de Ferrol, juntamente com as rias de A Coruña, Betanzos e Ares, conformam o golfo Ártrabo, nome, como vimos, já dado pelos romanos.

 

A sua situação na parte setentrional de uma ampla enseada, em frente ao oceano atlântico, fazem com que esta cidade goze de um clima oceânico, com temperaturas suaves durante todo o ano e precipitações frequentes.

 

Ferrol foi um porto militar muito importante na península durante séculos. E particularmente ligado às possessões ultramarinas.

 

Em Ferrol sucederam-se numerosas batalhas navais, inclusive desembarques promovidos pelos exércitos ingleses que ansiavam «capturar o melhor porto natural da costa atlântica da Europa».

 

Mas é, manifestamente, em 1726, com Filipe V, que Ferrol passa a ter importância e influência e a impor-se dentro do contexto peninsular, particularmente espanhol, com a criação dos Departamentos Navais de Ferrol, Cartagena e Cádis. E, durante o reinado de Fernando VI, a partir do ano 1750, com o Marquês de la Ensenada, quando mandou construir o Arsenal Militar e os Artilheiros Navais de Ferrol, tudo num projeto unitário que incluía o levantamento de novas fortificações defensivas e a construção de uma cidade, com uma nova planta, para acolher e absorver a chegada massiva de uma população que acabou por converter esta localidade galega na mais povoada da época.

 

(Plano de Ferrol - 1860)

 

Estávamos no período historicamente designado como Iluminista.

 

Com o Iluminismo, Ferrol ficou configurada numa urbe modelar, formada, essencialmente, por três bairros civis e um quarto, de caráter militar, situado dentro do Arsenal.

 

Os outros três bairros eram a Madalena, de construção nova e destinado à residência da classe burguesa e administrativa, o Esteiro, também novo, para a moradia dos trabalhadores e operários e, por último, o já existente Ferrol Vello, de origem medieval e de ambiente marinho.

 

 

Todo este espaço urbano era sabiamente articulado por uma alameda, considerada a primeira da Galiza, que dava vida e servia de eixo de articulação com todo o conjunto. Tratava-se de uma série de jardins, constituídos pela Alameda, o Cantón de Molíns e o Jardim das Angustias, que comunicavam por caminhos arborizados com os bairros de Esteiro e Ferrol Vello.

 

Embora o bairro de Esteiro tenha desaparecido, deixando escassos vestígios da sua existência, tanto materiais como culturais, o bairro da Madalena, é hoje considerado um dos melhores exemplares do urbanismo da sua época, com a especial fisionomia dos seus edifícios, com elegantes galerias envidraçadas e varandas, que mais tarde foram enriquecidas, à sua volta, com edifícios construídos ao bom gosto modernista.

 

O bairro da Madalena apresenta uma rigorosa retícula retangular com seis largas ruas longitudinais, estendidas ao longo de duas praças quadradas - a de Armas e a de Amboage - cortadas por nove ruas transversais, como se pode ver pelo seguinte mapa:

 

 

Apresenta um sistema simétrico e racionalista (classicista) de quarteirões, com grandes varandas de ferro forjado e galerias envidraçadas, inspiradas nos castelos de popa dos barcos, mandados construir por Carlos III, e que mais tarde se estenderam por toda a Galiza. Era, como se disse, a zona residencial da classe burguesa: oficiais da Marinha, engenheiros navais e comerciantes. E - facto curioso - quem sai de Ferrol Vello, pela rua de São Francisco, o primeiro prédio que vemos, logo à nossa direita, é o Palácio da Capitania, na praça do Contralmirante Azarola Gresillón, que foi residência oficial do Capitão Geral do Departamento Militar da Zona Marítima do Cantábrico, estrategicamente situado no início do novo bairro da Madalena.

 

A construção do bairro da Madalena correu paralela à das obras dos arsenais e do artilheiro real de Esteiro e os seus artífices são os mesmos engenheiros e arquitetos militares, entre eles, Jorge Juan e Julián Bort.

 

Uma caraterística fundamental da obra modernista de Ferrol, acrescentada ao seu estilo classicista, e da sua adaptação ao bairro histórico daMadalena, foi o facto de que, nos seus prédios, ressalta o papel de novos materiais construtivos, como o ferro fundido e o cimento, redesenhando as galerias tradicionais, com polivalentes e chamativos miradouros e galerias, cheias de decorações geométricas e naturalistas, com elaborados desenhos, cheios de cor, a juntar à sua utilidade material de proteção térmica e da chuva, e como de zona de transição entre o exterior e o interior.

 

Quando falamos de urbanismo e arquitetura em Ferrol há uma personalidade que é incontornável - o arquiteto Rodolfo Ucha Piñeiro.

 

 

Nascido em Vigo (Pontevedra), no ano de 1182, foi arquiteto do Ministério da Marinha até 1915 e Municipal até 1936, continuando o exercício da sua atividade profissional privada até 1975, cinco anos antes da sua morte, com a provecta idade de noventa e oito anos.

 

Entre os edifícios de maior interesse deste autor, levantados entre 1900 e 1925, em Ferrol, no estilo modernista imperante, contam-se:

  • Casa Romero,

 

 

com um pormenor da varada da esquina;                                          

 
  • Chalet de Antón;

 

 

  • Casa Pereira

 

  

  • e Casa Pereira 2
 

 

Quem uma vez em Ferrol, quiser fazer nesta cidade a «rota do modernismo», aconselha-se a que leia o seguinte sítio da internet - http://www.ferrol.es/arquivos/documentos/turismo/Modernismo%20-%20CAST.pdf.

 

O bairro da Madalena foi declarado Conjunto Histórico-Artístico pela peculiaridade do seu traçado e pela beleza da arquitetura dos seus edifícios.

 

O Arsenal Militar,

 

 

em 1994, foi declarado Bem de Interesse Cultural (BIC) por nele se reconhecer um alto valor patrimonial das suas construções, que fazem parte do Ferrol do século XVIII.

 

Em Fevereiro de 2000, Ferrol apresentou uma proposta, com o nome de «Ferrol - Património Histórico do Iluminismo» a Património da Humanidade — em que o centro histórico da cidade de Ferrol, o seu porto e a sua indústria naval são um exemplo notável da cidade portuária ideal do Classicismo, constituída por um porto-arsenal, zona residencial e as suas defesas O conjunto integra-se na geografia do estuário de Ferrol, e foi construído principalmente entre a segunda metade do século XVIII e o século XIX. Entre as mais de 50 construções portuárias com valor histórico, militares e civis, destacam-se os estaleiros navais, civil e militar, este último o mais importante de Espanha.

 

 (Duas fortes atalaias de Ferrol - Castelo de São Filipe e de la Palma)

 

Os Serviços de Turismo de Ferrol exibem um pequeno clip, indicando-nos 10 razões para visitar Ferrol, neste sítio - https://www.youtube.com/watch?v=lZqYo3HSR-g.

 

Exibe-se, por fim, um pequeno resumo de uma típica festa ferrolã - «Noite das Pepitas».

 

 


publicado por andanhos às 15:44
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Quinta-feira, 1 de Maio de 2014

Gallaecia:- Pelos Caminho de Santiago na Galiza - Caminho Inglês - Prelúdio

 

 

 

CAMINHO INGLÊS DE SANTIAGO

 

PRÓLOGO

 

VIAGEM DE CHAVES A FERROL, PASSANDO PELA BARRAGEM DE SALAMONDE

 

04. Abril. 2014

 

Eram 11.30 horas quando chegou o Tino, meu companheiro deste Caminho, vindo de Vila Real.

 

Encetámos de imediato viagem em direção a Vilar de Perdizes. Tinha-me comprometido levar ao Padre Fontes dois livros que me emprestou. Não quis faltar ao compromisso.

 

Chegados a Vilar de Perdizes, o Padre Fontes não estava. Telefonei-lhe. Encontrava-se no Eco-Museu do Barroso, em Montalegre. Disse-me para lhe deixar os livros em cima da sua secretária, em casa, que a porta estava aberta. Pelos vistos, Padre Fontes vive de portas escancaradas. Deus e as «bruxas» protegem-no.

 

Deixados os livros em cima da secretária, dirigimo-nos à barragem de Salamonde, via Montalegre e São Vicente da Chã.

 

 

Estava um dia carregado, de chuva.

 

Logo que chegámos à barragem, fomos com o Tópê, meu filho, almoçar a um restaurante em Cabril. Já passava bem das 13 horas. No restaurante apenas almoçava gente que trabalha nas obras do novo projeto hidroelétrico - Reforço de potência de Salamonde - mais conhecido por Salamonde II, da EDP.

 

 

Para além da chuva, que desde que chegámos não parava de cair, o nevoeiro não nos deixava ver nada à nossa volta. E, pelo jeito, daqui as vistas são a não perder...

 

Depois do almoço, já passava bem das 14 horas, Tópê foi-nos mostrar as obras do novo empreendimento.

 

Mas antes, no barracão da obra, onde estão instalados os técnicos, levou-nos para a sala de reuniões para nos dar uma explicação cabal de Salamonde II.

 

 

 

SALAMONDE II

 

Descrição e Localização

 

De acordo com os prospetos de nos facultou, e com a explicação que nos deu, podemos, abreviadamente, dizer:

 

“O Reforço de Potência do Aproveitamento Hidroelétrico de Salamonde – Salamonde II - localiza-se no rio Cávado, nos concelhos de Vieira do Minho e Montalegre. Aproveita a queda de aproximadamente 118 metros disponibilizada entre as albufeiras de Salamonde e de Caniçada.

 

Este Aproveitamento é constituído pelos seguintes elementos principais:

 

  • Um circuito hidráulico subterrâneo, em túnel, com cerca de 2 300 metros de extensão total, formado por uma tomada de água na albufeira de Salamonde, poço de adução, chaminé de equilíbrio, túnel de restituição e restituição na albufeira de Caniçada;
  • Uma central subterrânea, em caverna, equipada com um único grupo reversível, com capacidade nominal de turbinamento de 200 m3/s e uma potência de 207 MW (funcionamento no modo de turbinamento e no modo de bombagem);
  • Um edifício de apoio e subestação, implantados numa plataforma situada à superfície;
  • Um Descarregador Complementar de Cheias.

 

A central de Salamonde II situa-se numa caverna localizada 150 m a sul do encontro esquerdo da barragem de Salamonde, a cerca de 200 m de profundidade, com uma planta retangular com 65,65 x 26,50 m². A altura total da caverna varia entre 27,50 m, na zona sul da caverna (átrio de montagem) e 44,70 m na zona norte (equipamentos). O grupo reversível, de eixo vertical, é constituído por uma turbina-bomba e por um alternador-motor diretamente acoplado, com potência unitária nominal de 207 MW.

 

 

O edifício de apoio à superfície, compreendendo dois corpos com a disposição em L. Alojará essencialmente serviços auxiliares da central (gerador, baterias, ventiladores), as salas de comando e teletransmissões bem como gabinetes e sala de reuniões. Este edifício servirá também de apoio à plataforma da subestação. No vértice dos dois corpos tem origem o poço de barramentos e de acesso à central. O poço prolonga-se em torre acima da cobertura do edifício de apoio, permitindo a saída dos barramentos em direção ao transformador principal e o alojamento dos ventiladores no piso superior. A subestação propriamente dita é formada por uma plataforma retangular com 40,00 x 70,00 m², limitada a norte e poente pelo edifício de apoio e inclui o transformador 15/ 415 kV, de 252 MVA e o painel de linha da saída de 400 kV.

 

No âmbito deste projeto estão a ser desenvolvidas as atividades de estruturação, supervisão e coordenação do acompanhamento ambiental, tendo em conta os requisitos ambientais a cumprir durante a execução do projeto e que se encontram estabelecidos na legislação ambiental aplicável, nos estudos ambientais, nas medidas de minimização e nos planos de monitorização previstos.

 

As obras iniciaram-se em 2010 e a entrada em serviço do reforço de potência de Salamonde está prevista para o 2º semestre de 2015.

 

A produção média bruta será de 274 GWh/ano, a que corresponde uma produção média líquida de 79 GWh/ano.

 

A concretização de mais este reforço de potência terá efeitos relevantes na melhoria da fiabilidade e da segurança do sistema elétrico português, para além de contribuir para o aumento de capacidade de produção nacional com origem em fontes renováveis.

 

O facto de o empreendimento ter capacidade de bombagem constituirá também um importante contributo para a expansão do parque eólico, aumentando assim a quota de energias limpas, renováveis e endógenas no mix energético”.

 

Dadas as explicações de carácter técnico, em gráfico, dirigimo-nos para os diferentes locais da obra:

 

 

local de apoio e subestação; tomada de água; tuneis de ataque e acesso à caverna, caverna onde se localizará a central; túnel de restituição; chaminé de equilíbrio e local do descarregador complementar de cheias.

 

Tino falava muito com Tópê. E este explicou-lhe, detalhadamente, tudo. Para mim, este mundo, já não era novidade: tinha estado nas obras de Picote II. Embora as centrais sejam diferentes, bem assim os seus túneis, etc., os processos de trabalho são muito idênticos.

 

 

Nota-se aqui, como não podia deixar de ser, dado o caráter destas obras, uma preocupação pela segurança do pessoal no local de trabalho.

Vistos os diferentes túneis e a caverna onde se localizará a central, dirigimo-nos, cerca de 2 Km a jusante, ao ar livre, e em viatura auto, até ao fim do túnel de restituição, já no início da barragem da Caniçada.

 

Apercebi-me das preocupações ambientais da empresa, aliás exigidas por lei, não só em manter o caudal ecológico do rio Cávado, bem assim as questões relacionadas com a manutenção da fauna e flora autóctones, a destruição das montureiras com coberturas vegetais adequadas bem assim o combate à infestante «acacia dealbata», vulgo mimosa.

 

Ao contrário do que aconteceu com a barragem do Baixo Sabor, em Salamonde II, não me apercebi de medidas compensatórias aos municípios abrangidos por estas obras. Talvez não me tenha apercebido.

 

Finda a visita, e sem nos apercebermos, já passava das 17 horas.

 

Havia que tirar coletes, capacete e botas com que entrámos no perímetro da obra e preparar a nossa viagem até Ferrol.

 

O que, de pronto, aconteceu.

 

Era uma sexta e, dada a hora, o pessoal estava a preparar-se para o fim-de-semana.

 

Entretanto, a chuva continuava a cair.

 

 

 

 

No meu carro, dirigimo-nos para a casa do Tópê, em Braga. Ali estivemos escassos minutos: o tempo suficiente para lhe deixar umas fotos que me pediu para lhe mandar imprimir, de tomar um café e do Tópê arranjar as suas coisas para o fim-de-semana.

 

Eram aproximadamente 18 horas quando Tópê tomou a condução do meu carro para nos levar até Ferrol, via A3, Braga-Valença, Tui, Pontevedra, Santiago de Compostela e Ferrol.

 

Chegámos a Ferrol eram quase 20.30 horas, horas de Portugal. Tópê não quis jantar connosco. Veio, de imediato, para Chaves.

Parámos mesmo junto do Hotel Silva, local que previamente tínhamos feito reserva para nossa pernoita. Está situado na rua Rio Castro, nº 42, no bairro «Ensanche A».

 

Preenchemos as formalidades legais. Pusemos o selo na «Credencial do Peregrino» e estivemos um pouco a conversar com Daniel, o rececionista do hotel, tipo faz de tudo.

 

Daniel, afável e simpaticamente, deu-nos todas as informações que lhe solicitávamos. Pelas suas contas, levaríamos uns bons três quartos de hora a chegar ao marco do início do Caminho Inglês, no porto (peirao) de Coruxeiras. Indicou-nos, ofertando-nos um mapa de Ferrol, o melhor caminho para lá chegarmos, vendo o maior número de coisas que Ferrol tem para ver. Forneceu-nos panfletos e brochuras sobre Ferrol

 

 

 

 

e o Caminho Inglês.

 

 

 

 

E, como a conversa já ia longa, acabámos por não sair do hotel para jantarmos. Comemos mesmo ali

 

 

e, pouco depois, subimos para o quarto.

 

No quarto estivemos a ver em pormenor a 1ª etapa do Caminho, a partir dos documentos que Tino levava, dos meus digitais e da brochura que Daniel nos ofertou sobre o Caminho Inglês.

 

 E, suave e lentamente, apesar de o quarto não ter o conforto que esperávamos, acabámos por dormir.


publicado por andanhos às 23:29
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