Terça-feira, 26 de Novembro de 2013

Gallaecia:- Pelos Caminhos de Santiago na Galiza - Caminho do Norte - 6ª etapa


CAMINHO DO NORTE DE SANTIAGO NA GALIZA


21. Dezembro.2007:- 6ª etapa – Sobrado dos Monxes-Pedrouzo (Arca - O Pino)

 

 

1.- Um «longo penar»

Nunca, num só dia, tinha feito tantos quilómetros a pé, perto de 42!

 

Quando cheguei ao albergue de Pedrouzo (Arca - O Pino) não quis saber de mais nada senão deitar-me.

 

Sinceramente, não me lembro nem de tomar banho nem de comer.

 

Até Arzúa a «coisa» ainda vá que vá. Depois de Arzúa e, particularmente, a partir de Salceda, foi, positivamente, um «longo penar»...

 

A sorte foi o Caminho não ter excesso de desníveis. Caso contrário, com certeza, não teria completado a pé este percurso todo.

 

Nesta etapa dei conta que, positivamente, o limite razoável das minhas forças não deve ultrapassar uma caminhada, num só dia, de 30 quilómetros. Andar mais de quarenta quilómetros foi demasiado arriscado.

 

Hoje, obviamente, em função de mais anos de idade e por questões de saúde que, com o correr dos anos, nos vão apertando, seria impensável acometer tal façanha.

 

Há seis anos atrás - e pensando hoje nesta etapa - representou um dos maiores desafios que, em termos físicos, enfrentei na minha vida. Estava, praticamente, a iniciar as caminhadas para além de 20 a 25 quilómetros.

 

Tentei a experiência na antepenúltima etapa do Caminho Primitivo, porque depois de anos de treino e mais de seis dias de Caminho me achava preparado e, confesso, não me dei bem com a experiência. É que as consequências dos nossos excessos nem sempre se dão logo conta. Vêm com o tempo.

 

Dizia, assim, que desde Salceda até Pedrouzo foi, manifestamente, um «longo penar».


Contudo, depois de andar mais de 33 quilómetros, e faltando-nos um pouco menos de 10, parece que, do interior de mim mesmo, mais forças vinham para acabar a etapa.

 

E consegui! Sem outras «mazelas» de maior senão o extremo cansaço.


Ao acordar ao outro dia a seguir só pensava que, finalmente, percorridos os 19 quilómetros que nos faltava, estaríamos com o nosso objetivo inicial cumprido - Santiago de Compostela!...

 

É no final da primeira parte desta nossa etapa que o Caminho do Norte se une como Caminho Francês - em Arzúa. A partir de Arzúa é como todos os livros e sítios da internet dizem: acabou-se o sossego, a solidão em que apenas «falamos» nós, num verdadeiro solilóquio, tendo apenas como espetadores a paisagem e o património. As pessoas, poucas, que íamos encontrando no Caminho, na maioria dos casos, estavam mas é tratando da sua vida. Porque, o trabalho do campo, exige total entrega, quase absoluta exclusividade.

 

Em Arzúa, o cenário, apesar de andarmos na época de inverno, muda: aparecem, e cruzamo-nos com muita mais gente.

 

O Caminho do Norte é, na verdade, tal como o Primitivo, aquele que mais propicia o «encontro» connosco mesmos.

 

Aproveito esta ocasião para recordar que, nestes últimos dias, meu amigo Fábio se encontra, sozinho, a fazer este Caminho todo, desde o seu início, em Irún. Desejo-lhe um Bom Caminho bem assim que dele tire o máximo de proveito no sentido de uma autêntica reflexão sobre a vida e os novos «trilhos» a nela pisar, face aos tempos difíceis porque estamos passando. É também para isto que os Caminhos servem...

 

2.- DESCRIÇÃO SUCINTA DA ETAPA


A.- Primeira parte da etapa:- Sobrado dos Monxes - Arzúa

 

2.1.- Percurso da primeira parte da etapa

 

 


2.2.- Perfil da primeira parte da etapa

 

 


2.3.- Saída de Sobrado dos Monxes


Foi uma primeira parte da etapa que se fez de forma tranquila e sem sofrimento.

 

Levantámo-nos bem cedo. Estava bastante frio.

 


Depressa saímos do albergue do Mosteiro, logo após a toma do pequeno-almoço para iniciarmos a nossa longa jornada.

 

Não tenho bem presente, pois já lá vão quase seis anos e a nossa memória já não é o que era, mas saímos de Sobrado antes das seis da manhã, quase ainda noite.

 

O dia era longo. Por isso, as fotos também foram poucas. Não se podia fazer muitas paragens para contemplar seja o que fosse, pois, com tantos quilómetros pela frente, e uma locomotiva a andar como o Fábio, para além de partirmos o grupo, arriscávamo-nos também a chegar não só noite dentro ao albergue como, pior ainda, a apanharmos não só e com a geada no lombo.

 

Por tal circunstância apenas aqui se mostram, como digo, as poucas fotos tiradas quando fazíamos curtas paragens ora para comer, ora para beber ou descansar um pouco.


2.4.- De Boimil A Sendelle


Neste troço, apenas nos fixámos na capelinha ao longo do Caminho - a de São Miguel de Boimil

 


bem como a Igreja paroquial de Santa Maria de Sendelle.

 


De manhã, e com tanto frio, urje andar para aquecer.


2.5.- Davil e A Mota


Em Davil desdpertou-nos a atenção o «carvallo de San Anton» e, na passagem por La Mota (A Mota, em galego), a ermida ou capelinha

 


metida dentro de um carvalhal.

 

2.6.- Arzúa


Aqui completámos aquilo que, para a maioria dos peregrinos e indicação dos «Guias», é uma etapa, percorridos que foram 22 quilómetros.


Por isso, aqui nos retivemos um pouco não só para descansar, pois aceleramos-lhe bem de manhã, como para comer e abastecermo-nos.

 

No final de contas, tínhamos cumprido, com relativa facilidade, a primeira parte da nossa jornada.

 

Desta feita, tivemos direito a um pouco mais de tempo para contemplar a e apreciar não só o seu aglomerado urbano, e o movimento das suas gentes, como também um ou outro dos seus monumentos, aqueles que, na nossa lista, os reputávamos como mais interessantes ou representativos.

 

Na vila de Arzúa, o Caminho Francês recebe os peregrinos procedentes do Caminho do Norte.

 


Nesta localidade, famosa pela grande riqueza de queijos da comarca (queijos com Denominação de Origem Arzúa-Ulloa), o peregrino ainda hoje pode encontrar diversos vestígios jacobeus, como a rua do Caminho, a igreja de Santiago,

 

 

com o seu lindo campanário,

 


e, também, a capela gótica de A Magdalena,

 


pertencente a um desaparecido hospital aqui existente.


A partir de Arzúa perde relevância a omnipresente vegetação autóctone galega.


Obviamente que não podíamos deixar de ver a escultura urbana «Os meninos e os bezerros»,

 


na Praça Maior e, como não podia deixar de ser,

 


a célebre escultura «A Queixeira».

Enquanto tomávamos um segundo pequeno-almoço reforçado, ainda tive tempo de ler duas ou três páginas de um livro sobre o Caminho que tinha adquirido na véspera na «tienda» do Mosteiro de Sobrado. O seu título era «El Camino de Santiago - Guía práctica del peregrino», de José María Anguita Jaén, editado pela Editorial Everest. Tratava-se de um «pacote» que continha o Guia, desenvolvendo exaustivamente todas as etapas do Caminho Francês, desde Saint-Jean-Pied-de-Port - Roncesvalles até Santiago de Compostela e, resumidamente, os outros Caminhos restantes: o trajeto Aragonês; o Prolongamento (Epílogo) do Caminho de Santiago até Muxia e Finisterra; a Via da Prata; os Caminhos do Norte; os Caminhos Portugueses e o Caminho Inglês.


Na etapa 30 daquele Guía, que vai de Ribadiso a Arca d’O Pino, encontra-se a localidade ou Vila de Arzúa - local, como já disse, do encontro dos Caminhos do Norte e Francês. E, no que se refere a Arzúa, reza, a determinada altura (fazendo uma tradução um tanto ou quanto «livre»):


“Arzúa é outra das localidades importantes do Caminho de Santiago na Galiza, se é que se trata de Vilanova, povoação que o Liber Sancti Iacobi menciona entre Boente e Ferreiros. Ainda que não se encontrem documentos cabais que comprovem esta identificação, contudo existem alguns indícios que a dão como possível: em primeiro lugar, trata-se da povoação mais importante neste traçado do Caminho. Por outro lado, sabemos que já o era no século XII, pois conta com duas igrejas românicas construídas naquele tempo.


Como no caso de Sarria, Vila Franca del Bierzo e outras mais, possivelmente existia ali anteriormente uma aldeia, chamada Arzúa, a que se sobrepôs, nos finais do século XI ou princípios do século XII, uma nova povoação formada por gentes de fora, fundamentalmente artesãos, atraídos pelo constante trafego de peregrinos no lugar. Por esta razão, precisamente para diferenciá-la da aldeia pré-existente, se lhe deu o nome pouco original de Vilanova. E, quanto ao fato de o Liber Sancti Iacobi, obra com grande vontade de precisão nas suas indicações topográficas, se a denominou com este pouco explícito nome, faz-nos supor que este lugar teve uma especial vinculação com Santiago de Compostela, até ao ponto de ser considerada ali como a Vilanova por antonomásia, a Vilanova que não necessitava de um sobrenome para diferenciá-la das demais.


Noutra obra produzida em Santiago de Compostela na mesma data do Liber Sancti Iacobi - A Historia Compostelana - mencionam-se várias Vilanovas e todas têm apelido (Vilanova de Deza, Vilanova de Magide...) menos uma, um lugar que Pedro Arias doou à Igreja de Santiago de Compostela. Se esta Vilanova da Historia Compostelana for a mesma da do Liber Sancti Iacobi, teremos conformada a presunção de que Arzúa pertencia à Mitra de Santiago. E, em abono desta teoria, temos o último capítulo do Guia do Liber Sancti Iacobi, onde constam três milagres a propósito de três pessoas que não cuidaram dos peregrinos como deviam. Em todos eles, ao se mencionar o nome do lugar onde sucedeu o milagre, dá-se todo o tipo de precisão topográfica para situá-los, («em Nantua, que é uma cidade entre Genebra e Lyon...»; «na cidade de Poitiers, desde a casa de Jean Gautier até à igreja de Saint Porcaise...»). E o terceiro situa-se simplesmente em Vilanova, o que quer dizer que, naquele tempo, pelo menos, não havia a possibilidade de confundi-la com outras Vilasnovas.

Este é o milagre que o Livro ambienta em Arzúa (Vilanova):


«Em Vilanova [Arzúa] um peregrino pobre pediu esmola por amor de Deus a uma mulher que naquele momento tinha um pão a aquecer numas brasas. Ela respondeu-lhe que não tinha pão. O peregrino replicou: ‘Oxalá que o pão que tens se converta em pedra!’. Quando o peregrino se foi embora e estava bem longe de casa da mulher, a desavergonhada dirigiu-se à brasas pensando recuperar o seu pão. Mas encontrou uma pedra em seu lugar. Profundamente arrependida, foi em perseguição do peregrino, mas já não o pode encontrar». Dá-se o caso que muitos dos milagres que salpicam o Liber Sancti Iacobi situam-se justamente em lugares que pertenciam à Mitra de Santiago de Compostela. É provável que também este seja o caso (...) osa peregrinos de épocas posteriores (séculos XIV e XV) testemunham que a antiga Vilanova voltou a recuperar o seu nome antigo - Arzúa”.


Aqui fica exposto um pouco da história, ou das voltas, do nome de Arzúa.

 

B.- Sergunda parte da etapa:- Arzúa - Pedrouzo (Arca - O Pino)


A grande maioria das localidades por onde se passa nesta segunda parte da nossa etapa devem o seu nome à via que levava os peregrinos até Santiago de Compostela. Desde o nome de Ferreiros, nítida alusão à importância que estes artesãos tinham na época, até ao nome de Calzada, Calle, Brea, (vereda) e Rúa, entre outros, nomes de localidades que, ao longo deste segundo troço, nos poderemos dar conta da sua existência ainda.

 

2.7.- Percurso da segunda parte da etapa

 

 


2.8.- Perfil da segunda parte da etapa

 


2.9.- De Arzúa até a A Calzada


De Arzúa sai-se pela Rúa del Carmen, com as sua casas típicas, caraterísticas, em madeira, para, ao Km 36, o número de quilómetros que nos falta percorrer para chegarmos a Santiago, passámos por As Barrosas. Aqui existe uma capela (a de São Lázaro) e um monumento/«Memorial».

 


Depois de passarmos o rio Brandeso, afluente do rio Iso, subimos até Preguntoño, aldeia da paróquia de Burres, com a sua ermida de São Paio, do século XVIII.

 

A seguir a Preguntoño, vem Peroxa e mais um pequeno riacho - Ladrón. E logo estamos em Taberna Vella para, logo imediatamente a seguir, entrarmos em A Calzada, último núcleo do concello de Arzúa.

 

2.10.- De A Calzada ao Alto de Santa Irene (O Impalme)

 

Ao deixarmos a A Calzada entramos no concello de O Pino, o último antes de Santiago. E a primeira povoação que encontramos é Calle, aldeia da paróquia de San Breixo de Ferreiros.

 

Passámos pelo arroio Languello, por Outeiro, Boavista e, percorridos um pouco mais de 11 quilómetros, estamos em Salceda.

 

Aqui as «forças» começavam a fraquejar. Havia que ir ao fundo de mim mesmo arranjar coragem para continuar.


A passagem por um outro monumento/«Memorial». Trata-se do peregrino suíço de nome Gillermo Watt, falecido em 1993, enquanto fazia aqui este Caminho,

 


julgo ter sido providencial, pese embora a minha total descrença quanto a estas coisas...

 

Passámos por O Xen, Ras e a A Brea. Aqui parámos um bocadinho.

 

E, quase logo de seguida, chegámos ao Alto de Santa Irene (Impalme), com a sua área de repouso e a sua «bomba hidráulica».

 


E, percorridos que foram 16 quilómetros desta segunda parte, aproximadamente, estamos em

 

2.11.- Santa Irene

 

Santa Irene é um pequeno lugar com pouco mais que uma área de repouso, uma fonte (barroca),

 


capela ou ermida e dois albergues (um privado e um público).

 


No século XVIII a capela é dedicada à mártir portuguesa Santa Irene, uma jovem e bonita freira que morreu em 653 defendendo o seu voto de castidade na antiga cidade de Scalabris. (Tradução «livre» da publicação «Walking the Camino de Santiago - from St. Jean-Pied-de-Port to Santiago de Compostela and on to Finisterra», de Bethan Davies & Ben Cole, da Pili Pala Press, página 175).


Da Wikipedia aqui fica uma das lendas de Santa Iria ou Irene. Que não se deve confundir com a história (ou lendas também) que andam à volta das santas Ágape, Quirónia e Irene, do ano 304, da cidade de Tessalónica, Grécia:

 

“Conta a história que na antiga Nabância (Tomar) nasceu Iria, uma bela jovem. Desde cedo, Iria descobriu a sua vocação religiosa e entrou para um mosteiro. A região era governada pelo príncipe Castinaldo, cujo filho Britaldo tinha por hábito compor trovas junto da igreja de S. Pedro. Um dia, Britaldo viu Iria e ficou perdidamente apaixonado por ela. Ficou doente de amor e, em estado febril e desesperado, reclamava a presença da jovem. Temendo o pior, os pais foram buscá-la. Iria pediu-lhe que a esquecesse, porque o seu coração e o seu amor eram de Deus. Britaldo concordou sob a condição de que ela não pertencesse a mais nenhum homem. Passados tempos, Britaldo ouviu rumores infundados de que Iria tinha atraiçoado a sua promessa e amava outro homem. Furioso, seguiu-a num dos seus habituais passeios ao rio Nabão, apunhalou-a e atirou o seu corpo à água. O corpo de Iria foi levado pelas águas até ao Zêzere e daí ao Tejo. Foi encontrado junto da cidade de Scalabis (Santarém), encerrado num belo sepulcro de mármore. O povo rendeu-se ao milagre e, a partir de então, a cidade passou a chamar-se de Santa Iria, mais tarde Santarém. Cerca de seis séculos depois, as águas do Tejo voltaram a abrir-se para revelar o túmulo à rainha D. Isabel, que mandou colocar o padrão que ainda hoje se encontra na Ribeira de Santarém”.


Aproximadamente, entre o Km 20 e 19, antes de Santiago, um eucaliptal e, sensivelmente ao Km 19, estamos na

 

2.12.- A Rua

 

pertencente à paróquia de Arca.

 

Deixo aqui uma foto da sua fonte, onde parámos um bocadinho,

 


já completamente exaustos, rotos de todo. Pelo menos eu. Cada um disfarçava como podia.

 

Mas faltavam escassas centenas de metros para chegarmos a

 

2.13.- Pedrouzo (Arca - O Pino)

 

e ao seu albergue

 


onde, como já referi, caí como uma pedra na cama até ao outro dia a seguir.

 


A «Queixeira» de Arzúa por um artista local)


Deixo agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta etapa.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 

 


 



publicado por andanhos às 21:21
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Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013

Gallaecia:- Pelos Caminhos de Santiago na Galiza - Caminho do Norte - 5ª etapa

 

 

CAMINHO DO NORTE DE SANTIAGO NA GALIZA


20. Dezembro.2007:- 5ª etapa – Baamonde-Sobrado dos Monxes


 


Ignacio Sanz de Acedo nasceu em Zamora, Espanha.

A 04 de Março de 2007 escreveu estes dois poemas no Mosteiro de Santa María de Sobrado dos Monxes.

Esteve ali oito meses procurando a solidão e o silêncio, encontrando-se consigo mesmo.

Eis, pois, os poemas que ali escreveu:


Y QUÉ PENSARÁN...

 Y que pensarán de mi quienes me han visto,

 cabizbajo y errabundo,

 quebrado por el peso de una mentira.

 Que pensarán de mi

 y de Ti y de todos.

 Carente de un sentido propio,

 viviendo de prestado

 sin prestar mucha atención

 a las señales de los caminos.

 Andar y andar,

 buscar cobijo.

 Aguardando impávido que el temporal arrecie.

 Y volver a andar y andar

 hasta caer fulminado,

 cansado y roto.

  

CATAPULTO EN UN PAPEL...

 Catapulto en un papel viejas heridas

 y revientan contra él violentamente,

 llenas de sentidos lejanos.

 La poesía es posible.

 Pongo allí todo el empeño

 y parte de este corazón lacerado

 por las punzantes dagas

 de la endiosada fortuna.

 De donde nacen los verbos,

 de las vísceras sangrantes de esta vida

 que por vivir casi me muero,

 surge con ojos inyectados en sangre

 una nueva concepción de la existencia.

 Pausada e irreflexiva

 pues digo lo que pienso

 sin pensar qué estoy diciendo.

 Y dejo que fluyan por las venas

 mis venenos,

 las alucinaciones,

 las palabras.

 Que fluyan y confluyan

 en la desembocadura

 donde muere el desprecio.

 

 

1.- A GRANDE TRAVESSIA QUE ACABOU POR NÃO SER TANTO ASSIM


É a etapa mais longa e mais dura de todo o Caminho do Norte. Tem de tudo. Mais de quarenta quilómetros de percurso. Nem um restaurante, café ou estabelecimento comercial para abastecimento. Tem a cota mais elevada de todo o Caminho. E um perfil recheado de altos e baixos. E, como se isto ainda não fosse pouco, o percurso é feito demasiado tempo no asfalto.

 

Diga-se, em bom abono da verdade, de acordo com as informações disponíveis, todo este troço está bem sinalizado. Só se perde quem for demasiado distraído.

 

Entre as localidades de Marcela e Mesón, deixa-se a província de Lugo para se entrar na de A Coruña.

 

O nosso plano inicial previa a chegada a Chaves no Dia da Consoada e, em vez de sete etapas para chegarmos a Santiago, contávamos com nove. Que implicava que a etapa de Baamonde a Sobrado dos Monxes fosse dividida em duas, ou seja, de Baamonde a Miraz – apenas 14, 2 Km – e de Miraz a Sobrado dos Monxes – 25, 9 Km. Bem assim, a etapa de Sobrado a Pedrouzo (O Pino) estava também dividida em duas: uma, de Sobrado a Arzúa – 22 Km -; a outra, de Arzúa a Pedrouzo (O Pino) – 19km -.

 

Desta feita, a nossa grande travessia não foi manifestamente esta etapa mas a de Sobrado dos Monxes a Pedrouzo (O Pino) – 41, 7 Km -.

E tudo isto porque, enquanto efectuávamos o Caminho surgiu-nos uma contrariedade: um compromisso familiar, de natureza inadiável, obrigava-me a ter de estar em Chaves no dia 23 de Dezembro…

 

Então, em Baamonde, tivemos que replanificar o nosso Caminho.

 

Expliquemos o porquê e o como.

 

Para não nos cansarmos demasiado na 5ª e na 6ª etapa, andando em cada uma delas mais de quarenta quilómetros, decidimos encurtar, a pé, esta nossa etapa, não seguindo o verdadeiro Caminho. Fomos de comboio de Baamonde a Teixeiro, deixando para trás San Breixo da Parga, Santa Leocádia, Seixon, Miraz, A Cabana, A Marcela, Corteporcos e O Mesón. Ou seja, fomos de comboio de Baamonde até Teixeiro, já na província de A Coruña e, daqui, em pleno asfalto, e em retas, de Teixeiro a As Cruces; de As Cruces até Carral e de Carral até Sobrado dos Monxes, aproximadamente 15Km, para que, no dia a seguir, pudéssemos fazer os 41, 7 Km com um pouco mais de folgo. Daí que a 6ª etapa – Sobrado dos Monxes-Pedrouzo (O Pino) bem poderíamos de a apelidar como a verdadeira grande travessia ou a etapa do «longo penar».

 


2.- DESCRIÇÃO SUCINTA DA ETAPA

 

2.1.- Estação de comboio de Baamonde


Deixamos aqui duas imagens da estação de Baamonde.

 

(Edifício da Estação)

 

(Chegada do comboio)


 

2.2.- Estação de Teixeiro


Na estação de Teixeiro, onde nos apeámos, tomámos o pequeno-almoço

 

(Após o pequeno-almoço, à conversa com Mitók)


e, com os «smarphones» e o TooNav activado, «alinhámos bússola» para o nosso Caminho improvisado.

 

 

2.3.- Aldeias e localidades que deixámos de passar


Pelo comboio vimos Santa Leocadia ao longe, pequena aldeia, de casas típicas galegas,  Xeixón, Laguna e Miraz.

 

Não passámos por San Alberte, com a sua ponte,

 

 

 igreja, cruzeiro

 


e fonte.

 

Em Miraz deixámos de ver o Pazo-Torre, do século XV

 


e a Igreja de Santiago.

 


Não passámos também no Alto da Mamoa, nem por Braña, aldeia com poucas casas. Nem pelo

 

Alto de Mamoa, Roxica, Cabana e Travesa, Marcela e Mesón.

 

Entre estas duas localidades, sai-se da província de Lugo para se entrar na de A Coruña.

 

Não passámos também em Corteporcos, nem tão pouco atingimos o ponto mais alto do Caminho do Norte – 710 metros de altitude – no alto dos montes do Corno de Boi.

 

 

2.4.- O Caminho efectivamente percorrido


Saídos da estação de Caminhos de Ferro de Teixeiro,

 

 

e afinado o percurso até Sobrado dos Monxes,

 


foram, aproximadamente, 15 Km


(A sinalização da «carretera»)


de longo penar pelo asfalto

 

 


e com a ameaça constante de chuva. De vez em quando os chuviscos e chuva miudinha, obrigava-nos a parar numa ou noutra paragem abrigo de autocarros. As localidades por onde passámos, e que merecem um ligeiro apontamento foram, como já disse, Teixeiro, onde nos apeámos do comboio, As Cruces

 


e Carral, antes de chegarmos a Sobrado.


2.5.- Sobrado dos Monxes


Sobrado dos Monxes é uma importante rota jacobeia que já vem da Idade Média.

 

É nesta localidade que se situa o célebre mosteiro cisterciense de Santa Maria do Sobrado à volta do qual cresceu o aglomerado urbano existente.

 

(Vista do Mosteiro já quase ao chegar)


As suas origens remontam ao século X, mais precisamente ao ano 952.

 

Em 1142 os monges de Cister tomaram conta do mosteiro. E, desde esta altura, os monges austeros de túnica branca, seguidores da Regra de São Bento, com um intervalo de 120 anos (de 1834 a 1954), por via da desamortização de Mendizábel, aqui vivem.

 

Em 1150 deu-se início à construção da Igreja da qual hoje em dia apenas resta a sala capitular e a capela de São João, situada na ala norte do cruzeiro.

 

No século XV, acrescentou-se o claustro do mosteiro e a sacristia, construída em estilo renascentista.

 

A Igreja medieval foi substituída no século XVII por um portentoso templo, em estilo barroco, que podemos ainda hoje comtemplar.

 


 

Nesta mesma altura foi acrescentado um novo claustro denominado «claustro dos peregrinos» com dois pisos em estilos diferenciados: dórico, no piso inferior; jónico, no superior.

 


 

A capela do Rosário é também da mesma época e seus preciosos detalhes e relevos.


A nave central da Igreja do Mosteiro:

 

 

A cúpula do transepto:

 

 

Uma perspetiva de um conjunto de «frescos»:

 

 

 

3.- TRÊS DESTAQUES

 

Para além da peripécia da viagem de comboio de Baamonde a Teixeiro, há a destacar ainda três aspectos:


5.1.- O primeiro, diz respeito à nossa já aludida etapa do dia, em asfalto e retas, que nos pareceu um nunca acabar;


5.2.- O segundo, o grande trambolhão que dei na porta de acesso para o albergue, no «clautro dos peregrinos», no piso inferior. Não fosse a mochila que ainda trazia às costas, que me protegeu do choque, creio que meu Caminho ali teria acabado. É que não me apercebi do degrau que ali existia!...

 

Quer Fábio quer Mitók fartaram-se de rir. E, inicialmente, não lhes achei piada nenhuma. Porque será que o género humano, no fundo, se regozija com a desgraça alheia? Mas fiquei convencido que, logo após o episódio inicial, ficaram preocupados com as sequelas que poderia ter, resultante da queda. Mas que lhes fiquei com raiva, oh se fiquei! Felizmente que nada sucedeu. Só o susto.


5.3.- O terceiro, e último apontamento, a delicadeza do abade em nos receber, conversando amenamente connosco, relatando-nos o dia-a-dia dos monges no convento, bem assim o seu amável convite para assistirmos às «Vésperas».

 

 

Fábio que, ali, soube que no final da sua adolescência e primeira juventude andou pelas cantorias da Igreja Matriz de Chaves, não sei se por gosto ou por vocação ou para ir atrás de companhia dos membros femininos que frequentavam a coro, ficou deliciado com o canto gregoriano cantado por aquela pequena comunidade de monges.


4.- UM TESTEMUNHO


Para se falar do exótico – e único – companheiro de camarata que encontrámos no albergue.

 


Chamava-se Reneé. Era Checo. Já se encontrava no albergue quando chegámos. Ficaram-me sérias dúvidas quanto a este jovem: se um peregrino; um meio-pedinte, um pobre diabo ou outra coisa qualquer, deambulando por esse mundo fora. Fábio e Mitók divertiram-se «à brava» com ele...


Mas é melhor passar a palavra ao agora jovem, naquela altura um adolescente, que tão seriamente, no restante Caminho, falava deste «ilustre personagem». Aqui fica a partilha do testemunho, feita pot Mitók, do «episódio» Reneé:


Existem episódios na vida que deixam marcas em qualquer pessoa minimamente emotiva: seja pela situação e momento em que se enquadram, ou pelas pessoas que são as personagens centrais desses episódios.


O episódio que me pediram para narrar reúne tudo isso - situação, momento e pessoas.


Antes de começar a narrar a ação gostaria, contudo, sob a pena de me tornar maçudo, deixar aqui algumas considerações sobre aquilo que são para mim os Caminhos de Santiago, uma vez que este mesmo apontamento se destina a ser enquadrado ou integrado num post de um blog que fala sobre um deles.


Iniciei-me na aventura dos Caminhos há cerca de sete ou oito anos, era ainda uma criança, ou naquela fase complicada que é pré-adolescência. O meu primeiro Caminho foi um falhanço, visto que a capacidade de auto-sacrifício e a perseverança fulcrais para levar até ao fim tal aventura ainda não estavam devidamente desenvolvidos. No entanto, ficou o desejo de levar a bom porto um Caminho, nem que fosse apenas um. Passados dois anos voltei a tentar com meu pai Fábio. Acompanhou-nos e um novo companheiro. Embora não me fosse totalmente desconhecido como pessoa, todavia, não fazia parte minimamente do meu quotidiano. E, decorridos que são já seis anos, este companheiro acabou por ter uma importância muito significativa em algumas das decisões que mudariam o rumo da minha vida. Para além de ter partilhado comigo e com o meu pai - e, através de nós - toda a família, momentos de felicidade, tristeza e sofrimento, enfim, tornou-se um bom amigo, se não, em certo sentido, uma parte da família: é ele o nosso ilustre andarilho - Tâmara Júnior. Não posso portanto continuar sem incluir neste relato a minha mais humilde admiração, e também uma homenagem - com pompa e circunstância - a estas duas pessoas (meu pai, e o meu padrinho-emprestado) que ao longo destes anos foram extremamente importantes no processo de construção da minha personalidade. Esperando um dia ser muito mais à imagem e semelhança deles. Portanto, antes de mais, aqui quero deixar-lhes o meu muito obrigado.


É no fundo por isto que o Caminho é tão importante: pelas «marcas» que deixa; pelo processo de aprendizagem que lhe é inerente; pelas pessoas que se conhecem e pelas relações que se estreitam.


A minha segunda tentativa de fazer o Caminho foi um sucesso. Tal como as quatro seguintes. E, estou certo, como o serão certamente todas as outras que anseio realizar.


O Caminho é um vício saudável e, quando se o deixa, significa que se está pronto para deixar de tentar.

Posto isto, vamos ao tema que aqui me trouxe.


A personagem central desta história, da qual Tâmara Júnior me solicitou um pequeno apontamento, é a mais absoluta negação da sociedade e das regras da mesma. É o «ex-libris» do dogma “Nem Deus, nem amo”. Encontramos esta pessoa no Caminho do Norte, logo na segunda etapa. Estava incluído no grupo que se encontrava a fumar umas ganzas no albergue de Lourenzá e que Tâmara Júnior mencionou no competente post da etapa.


Mas o episódio que o faz digno de referência passou-se no albergue de Sobrado dos Monxes, situado nas instalações do mosteiro.


Quem era esta pessoa? Um Checo chamado Reneé, com um aspeto deplorável e uma pesada tendência para o alcoolismo e que, para além de tudo isto, falava uma mistura de várias línguas. A muito custo consegui extrair-lhe a sua história, que passo aqui a relatá-la face à sua excecionalidade.


Antes de enveredar por aquele percurso de vida, Reneé era um operário fabril, na República Checa, na sua cidade natal. Era casado e tinha uma família aparentemente feliz. O que decide ele fazer, de um momento para outro? Abandonar tudo, sem razão aparente, (pelo menos, eu não a descortinei) e começar a caminhar, só, sem dinheiro e sem rumo.

Acabou por decidir que o seu objetivo seria percorrer a pé o perímetro da Europa, começando no extremo mais oeste da costa alemã.


Depois de ficar dois meses em França, na altura das vindimas, o que lhe permitiu arranjar mais algum dinheiro, entrou no Caminho do Norte, com o objetivo de ir passar o Natal à cidade do apóstolo, Santiago de Compostela, para depois seguir caminho até Finisterra e aí apanhar novamente a linha costeira.


Só esta circunstância já o tornaria digno de referência ou memória. Mas há mais. A determinada altura, chega à nossa presença com um punhado de euros

 


e uma garrafa de vinho, produzido no mosteiro. Interrogado sobre a origem de tudo aquilo, responde: “Kiss, kiss... Monk!” Ficámos perplexos. Não dava para acreditar! Ou então quando entra connosco num pequeno mercado e, a coberto da nossa presença, rouba do estabelecimento uma tarte... E pergunta-se, porque esta personagem se tornou memorável neste Caminho? Porque se tornou um ensejo para refletir sobre o que levará uma pessoa, outrora «saudável», a abandonar uma vida, que dentro do enquadramento actual seria confortável, para enveredar por um «caminho» que o mergulhou num ambiente social alternativo, totalmente diferente do que ele estava habituado. Que desespero gritante o obrigou a abandonar o tédio de uma vida normal? Alguma ideologia que o obriga a ser alguém quando nega tudo o que há de regras e preconceitos socias? Ou terá, pura e simplesmente, enlouquecido seja porque motivo fosse? Só ele poderá responder a isso. Se é que estava, ou porventura ainda esteja, em condições para o fazer...


Apesar de ser uma história peculiar, e de Reneé não ser de todo um exemplo, é imperativo tirar uma lição desta história. Que nos obriga a pensar nas diferentes «molduras» de vida que as pessoas neste mundo perseguem. Para mim, é aqui, nestas experiências, no contacto com diferentes pessoas, para além do exercício físico, da paisagem e do património que contemplamos, é tudo isto que faz o encanto do Caminho. Porque, ao proporcionar-nos momentos deste tipo, ficamos com a convicção que todo o esforço foi positivo, que valeu a pena.


Por isso, e para concluir, aqui deixo o meu conselho: tentem, façam um Caminho e, se possível, repitam, fazendo o mesmo ou outros. De certeza que da(s) experiência(s) retirarão algum proveito que, estou certo, terá importância e se refletirá decisivamente nas vossas vidas”.


 

Mitók


 

 

Deixo agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta etapa.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 

 

Desenho do Mosteiro de Santa Maria do Sobrado - Fonte:- Euroski Consumer)



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Domingo, 17 de Novembro de 2013

Gallaecia:- Por terras do Alto Tâmega e Barroso - 2ª Lição de Micologia

 

2ª LIÇÃO DE MICOLOGIA (OU SEGUNDA SAÍDA MICOLÓGICA)


12. Novembro. 2013

 

 

Vamos interromper o relato das etapas, que temos vindo a fazer, do Caminho do Norte de Santiago para dar conta de mais uma saída micológica, ou 2ª Lição de Micologia, teórico-prática, dada por Hélder Alvar.


Após várias tentativas falhadas para coordenarmos uma saída para os montes à procura («cata») de cogumelos, finalmente proporcionou-se a ocasião: foi no passado dia 12.


Neste dia contámos com mais uma aficionada da «cata» de cogumelos – Lígia Rosa.


A equipa foi, pois, composta por três elementos: o «mestre» Alvar, Lígia Rosa e este humilde aprendiz, fraco aluno, em matéria micológica.


Conforme recomendação do amigo Hélder Alvar, não deixei de, nos Santos, em Chaves, comprar uma cesta para estas operações. Recomendação de peritos na matéria: para estas actividades, nada de plásticos. «Catar», sim, mas devemos pugnar para que as «sementes» cumpram seu efeito de reprodução, para renovação das espécies.

E, como não podia deixar de ser, para além da cesta, não me esqueci da mochila onde anda sempre a máquina fotográfica e todos os seus apetrechos. Qualquer saída que faça, são objectos que me acompanham sempre. Há paparazzi para tudo. Eu sou da natureza…


Mas vamos lá ao que importa relatar – a nossa observação, mas, acima de tudo, as espécies encontradas e «catadas».


Na ótica de Hélder, a saída não foi muito fértil, frutuosa, em variedades encontradas, contudo, deu para trazer alguns exemplares e, com eles, fazermos duas ou três refeições para três ou quatro pessoas.


O «habitat», ou terreno, onde mais andámos foram os montes cobertos de «Pinus pinea»,



salpicados com um ou outro pequeno manto de carvalhos

 

 

e castanheiros.

 

 

Como saímos já perto das três da tarde e, por volta das cinco e meia, mete-se o sol e começa a fazer-se noite, a nossa saída, em termos de tempo, não durou mais que uma hora e quarenta e cinco minutos, ou duas horas, se tanto.


No terreno, Hélder ia por um lado e Lígia por outro, por pequenos períodos de tempo e, logo após uma «assobiadela» já característica, lá nos encontrávamos os três para fazer o ponto da situação do terreno desbravado e irmos para outros lugares.


Eu acompanhava ora uma ora outro, embora a maior parte do tempo andasse com o «mestre» Hélder para lhe ouvir, atentamente, as explicações que me dava sobre cada uma das espécies que íamos encontrando.


H. Alvar nesta «cata» preocupou-se mais em andar comigo exercendo mais a tarefa de mestre. Positivamente o nosso homem, disto, «percebe da poda». E, quando se leva espécies para casa, que não são comuns ou suposto comê-las, não sentimos qualquer receio quando são por ele recomendáveis como comestíveis.


Assim, «a despesa» maior do dia, em termos de «apanha» coube a Lígia. Levava um cesto pequeno mas, cada vez que nos deslocávamos de um terreno para outro, vinha cheio, deixando o «produto» na mala do jeep. Se a memória não me falha, fê-lo por duas ou três vezes.


Ei-la exibindo «Boletus pinophilus» ou boleto pinícola:


 (Um Boleto pinícola)

 

(Dois Boletos pinícolas)


E eu, que normalmente não dou com nada, desta vez, escondido pela caruma, lá dei também com um boleto pinícola. Porventura foi o maior da nossa «cata». Sorte de principiante…

 

 

Hélder deu com este «Boletus edulis», boleto simbiótico do carvalho e castanheiro.

 

 

E Lígia, enquanto a acompanhava, descobriu este « Tricholoma equestre» ou tortulho amarelo.

 

 

Pelos vistos, quer Hélder quer Lígia, e outros amigos, já tinham andado e explorado estas bandas. Razão pela qual, e para ficar a conhecer mais uma espécie, Alvar levou-me a um lugar onde sabia ter encontrado uma série de «Picnoporus cinnabarinus» ou vulgarmente designados por trametras avermelhados. Mostrou-mos mas deixou-os ficar no lugar, levando-me a pensar não serem comestíveis.

 

 

Quando em Março deste ano me «estreei» nesta «curiosidade» de «cata» de cogumelos com o Hélder, no post que editei naquela altura dei conta da existência de vários sarcodons (Hydnum imbricatum). Estavam já velhos, pretos, estragados pelo tempo e pelas geadas. Reveja-se o seu aspeto da altura:

 

 

Desta vez, quer eu quer a Lígia demos com uma série deles. Eis um deles, ainda «fresquinhos»:

 

 

Lígia explicou-me que esta espécie é muito boa como «especiaria», dando um bom sabor à comida, embora, às vezes, muito intenso, depois de secos e triturados, ficando em pó.


Tendo levado alguns para casa, não sobrou nenhum para aquele efeito. Em boa verdade foi um dos que mais me agradou comer. Gosto dos cogumelos mais duros e não tão viscosos como alguns. O sarcodon sabe bem trincá-los.


Verdadeiramente encantado ficou Hélder quando descobriu estes dois bonitos exemplares de «Boletus edulis» (simbióticos do carvalho e do castanheiro).

 

 

E não resistiu a dar-me mais uma explicação sobre as partes distintas e constitutivas de cada espécie de cogumelos.

 

 

Nas minhas deambulações, sozinho pelo monte, descobri estas duas espécies:

 

 

Como nem Hélder nem Lígia estavam comigo, ou por perto, não me puderam dizer seus nomes. Mandei fotografia – que não está muito nítida – ao Hélder. Na volta diz-me que talvez se trate, dos amarelos, de «Higrocybe cónica», dos castanhos, de «Eblomas» ou «Inocybes». Mas só vendo…


Com o sol a cair já sobre o horizonte, por detrás dos pinheiros,

 

 

espalhando difusamente os seus amarelados raios,

 

 

e começando já a fazer frio, eram horas de regressar a «penates».


Não queria, todavia, de acabar este apontamento sem referir um gesto que, da parte de Hélder Alvar, muito me sensibilizou: ao me despedir dele e da nossa colega de jornada micológica, Lígia Rosa, vai, creio, ao porta-luvas do jeep e, tirando um grosso, embora pequeno, livro de bolso, diz-me:


- “Toma, é para começares a aprofundar os teus conhecimentos micológicos”.


O livro em questão tem o seguinte título «Le Guide Larousse des Champignons». Dele constam mais de 170 espécies de cogumelos e a informação sobre cada espécie está contida em duas páginas, organizado da seguinte forma:


A.- Na primeira página:


A.1.- Cabeçalho da página informativa: em primeiro lugar, seguindo a ordem alfabética, aparecem-nos o nome das diferentes espécies com os respectivos nomes em latim; em segundo lugar, o nome comum pelo qual é mais conhecido; em terceiro lugar, a família a que pertence; em quarto lugar, outros nomes pelo qual é também conhecida; em quinto, e último lugar, a estação ou época do ano em que se podem encontrar e apanhar, as dimensões da espécie (chapéu e pé) e formas particulares, bem assim a informação se são comestíveis ou tóxicos. Se são comestíveis, estão classificados em: simplesmente comestíveis; bons ou excelentes. Quanto à toxicidade: a rejeitar, tóxico e mortal.


A.2.- Corpo da página informativa: em primeiro lugar, onde se encontra a espécie; em segundo lugar, como se reconhece e, por último, com que espécies se confundem.


B.- Segunda página: a foto da respectiva espécie.


No final do livro, para além do Índice, para procurarmos com mais facilidade a página de cada uma das espécies, vem uma lista dos cogumelos mortais. E ali poderemos ver os «malditos»: «Amanita phaloides»; «Amanita virosa»; «Cortinarius orellanus»; «Cortinarius splendens»; «Galerina marginata»; «Gyromitra esculenta»; «Hypholoma fasciculare»; «Inocybe patouillardii»; «Lepiota subincarnata»; «Paxillus involutus» e «Tricholoma auratum».


Livro de bolso muito bem organizado e com  informação necessária e suficiente.


Aqui fica o meu público obrigado a Hélder por esta simpática oferta bem assim pelo «mimo» com que me presenteou quando vindo dos Alpes suíços: oferecendo-me uma cestinha de «Craterellus cornucoioides», ou vulgarmente designados, por trompetas dos mortos.

 

 

Souberam-me deliciosamente comidos numa omelete. Os restantes, que sobraram, já estão secos, à espera de um caldinho de canja para os saborear.


Aqui fica, um pouco à «trouxe-mouxe», a reportagem possível da minha segunda saída micológica (ou 2ª Lição Micológica) com Hélder Alvar e Lígia Rosa.


Até à próxima!

 

 

P.S. – Espero, ansiosamente, que, em breve, o meu caro Hélder Alvar - perdoando-me a ousadia – me presenteie com uma publicação, da sua autoria, sobre esta matéria na qual é um verdadeiro entendido.


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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

Gallaecia - Pelos Caminhos de Santiago na Galiza:- Caminho do Norte - 4ª etapa


CAMINHO DO NORTE DE SANTIAGO NA GALIZA

 

19. Dezembro. 2007:- 4ª etapa:- Vilalba - Baamonde (19,1 Km)


 

 

A obra de Víctor Corral fala de Deus, das misérias do mundo, da natureza, da pureza,

 da inocência, do amor. Para Castro Couso, Víctor «chega até à essências mística,

 muito para além do puramente material».

O professor Noco Cazón, estudioso da vida e obra de Víctor Corral, indica que

 «Trapero Pardo, Castro Couso, Esther Ollo e Comas, Malú Sánchez,

 confluem todos eles em determinar um estilo próprio e genuíno do escultor,

 à margem das vanguardas e das tendências artísticas.

 Ainda assim, na obra de Corral pode-se perceber ecos românticos e do gótico,

 influências do maneirismo de Miguel Anxo, traços do impressionismo de Rodin,

 e do expressionismo, e, por cima de todo o típico galego,

 o estilo de Asorey, presente em toda a sua obra».

 

De Víctor, diz Manuel María:

 

A túa escultura, pura como a rosa,

 con recendo a terra e primaveira

 é un asombro total, unha fogueira,

 unha paixón acesa e fervorosa.

 A súa nidia verdade temblorosa

 ten unha forza fatal e verdadeira

 pois agroma da pedra ou da madeira

 como unha clara fontenla misteriosa.

 Ti fas, Víctor Corral, case da nada,

 un mundo necesario de esperanza,

 aberto á marabilla inagardada…


 

1.- TRAÇADO DA ETAPA



 

2.- PERFIL DA ETAPA

 

 


3.- UMA JORNADA DE TRANSIÇÃO

 

Foi uma etapa curta e fácil, pelos campos ondulados da Terra Chã. Poucos desníveis. Apenas, e o mais significativo, aquele junto à Ponte Rodríguez - um vau histórico que marca a passagem do antigo Caminho Real a Vilalba, bem documentado nesta zona, e pelo qual segue o atual Caminho do Norte de Santiago. Os desvios que se fizeram durante a construção da autoestrada já estão solucionados, incluindo a recuperada Ponte de Saa, pela qual também passou o Caminho Real.

 

Apesar da etapa não ser muito longa, não optámos por ficar em Miraz, que fica mais 14, 2 Km para além de Baamonde.

 

4.- DESCRIÇÃO SUCINTA DA ETAPA (DESTAQUES)

 

4.1.- De Vilalba a Alba

 

Atravessámos a localidade de Vilalba pela estrada nacional - a rua principal - e percorremos metade da zona urbana de Vilalba até chegarmos à estrada LV-118 Viveiro/As Pontes. Aqui, nas AS Pontes virámos à esquerda pela Rua Porta Décima.

Depois de vários cruzamentos, por recantos aprazíveis,

 

(Cenário 1) 
(Cenário 2)

chegámos até à Ponte Rodríguez, sobre o rio Trimaz, descobrindo, nesta zona, vestígios do antigo Caminho Real, bem assim um bonito cruzeiro.

 


Em Alba passámos pela Igreja de São João, excelente exemplar da arquitetura rural lucense.


(Alba - Igreja de São João e Cemitério neogótico)

A seu lado, um outro cemitério neogótico. Perto deste cemitério, descobriu-se um miliário romano.



 E constantes paisagens, aldeias e casas rústicas


 


4.2.- De Alba a Baamonde


Saídos de Alba, passámos por Insua. Aqui, apenas meia dúzia de casas, se tanto, à beira da estrada.

 

Nestas proximidades o Caminho vai dar a uma velha ponte sobre o rio Labrada, recentemente restaurada - A Ponte de Saa.


(Perspetiva geral)

(Tabuleiro da ponte)

Aspetos do Caminho e da paisagem até Baamonde:


(Cenário nº 3)
(Cenário nº 4)

Baamonde é uma pequena localidade situada num cruzamento estratégico de estradas, como sejam, a N-634 e a N-IV.

 

O edifício mais característico desta localidade é a sua igreja, designada de Calvário.

 

Em  Baamonde há a destacar:

 

  • O interessante albergue, bem apetrechado e dividido em camaratas.

 

(Perspetiva frontal)

(Placa sinalizadora)

Praticamente, os três, eramos os seus únicos ocupantes. Ao chegarmos fomos acolhidos por uma velha e simpática albergueira. Muito comunicadora. Dada a sua idade, não sei se ainda é viva. Depois de tomarmos banho, fomos dar uma pequena volta pela povoação. Visitámos:

 
  • A Igreja do Calvário. Trata-se de um belo exemplar românico dos séculos XII e XIII, com uma só nave e abside quadrangular ogival. No século XVIII acrescentou-se-lhe um triplo cruzeiro que podemos ver na fachada principal.

 

 
  • O castanheiro de Baamonde. Um velho e mais que centenário castanheiro.

 


Victor Curral esculpiu nele autênticas obras de arte. Por isso, aqui vos deixamos cinco fotos

(Perspetiva geral do castanheiro)
(Portão de entrada para a pequena ermida sita no seu interior) 
(Escultura nº 1esculpida no castanheiro)
(Escultura nº 2  [entre outras] esculpida no castanheiro)
(A Virgem do Rosário)

e um pequeno vídeo sobre este castanheiro que poderão visionar através do seguinte sítio da internet: http://www.youtube.com/watch?v=4mFqE2uNsfo. Mas, como a fome já apertava, fomos direitos a


  • «Restaurente Casa do Labrego», que nos foi indicada pela nossa simpática albergueira. O que nesta casa mais me seduziu, face ao frio que fazia, foi não só a excelente comida, a principiar pelos seus saborosos queijos e presunto, e pelo ambiente de museu, que ali se respira, mas pela lareira que ali estava à nossa espera. Ali passámos umas boas horas em amena cavaqueira, enquanto «tapeavamos», acompanhados por uma gostosa cerveja e bom vinho.

(Fachada da «Casa do Labrego») 
(Pormenor do seu interior)

Tivemos pena em não visitar

 

  • A Casa-Museu Victor Corral, em Baamonde-Begonte, onde se podem ver centenas de obras talhadas em diversos materiais por este escultor local. Vale a pena visitar. Por isso, apresentamos aqui algumas fotos desta Casa Museu

 

(Porta de entrada)
(A Casa Museu)
(Escultura nº1)
(Escultura nº 2)
(Escultura nº 3)
(Escultura nº 4)
(Escultura nº 5)

 

e aconselhamos a que visionem este pequeno diaporama que poderão visionar a partir do seguinte sítio da internet: http://www.youtube.com/watch?v=4mFqE2uNsfo,
ou ainda, nestes outros dois:
http://www.youtube.com/watch?v=3mkBgDWXtm4 
http://www.youtube.com/watch?v=4CTrYSNmWPU.


Saídos do «Restaurante Casa do Labrego», vínhamos quentinhos, no corpo e na alma. E nem sequer nos demos conta que caímos na cama e ficámos em sono profundo até ao outro dia!


Deixo agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta etapa.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 




publicado por andanhos às 21:54
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Segunda-feira, 11 de Novembro de 2013

Gallaecia - Pelos Caminhos de Santiago na Galiza:- Caminho do Norte - 3ª etapa


 

 


CAMINHO DO NORTE DE SANTIAGO NA GALIZA

 

18 de Dezembro de 2007:- 3ª etapa - Gontán (Abadín) - Vilalba (20,9 Km)

 

 

 


 

ARREDA MARUXA

 

Se é que ves que non te vexo,

é que non che quero ver,

¡ mal raio che parta, pelexo,

que adoezo por teu querer !

En mala hora te coñecín

en aquela romaría,

dende a hora en que te vin

ronda en min a tolería.

Laiabas polos meus amores,

como cadela doente,

e, hoxe teño os favores

dunha nena moi decente.

Xa non te quero ver diante

que me escachas meu querer;

non me séas tan liante

e deixa xa de remoer.

Arreda, que te hei magoar

os fuciños de mal criada;

¡ Maruxa, vas ter que levar

os bicos dunha fornada !

 

Antonio Puertas

 

  

 

1.- TRAÇADO DO PERCURSO


 

 

 

2.- PERFIL DO PERCURSO



 

 

3.- PELA TERRA CHÃ

 

Ultrapassado o desnível que separa a costa lucense da meseta interior, o Caminho do Norte entra na designada Terra Chã, uma carismática comarca ao norte da província de Lugo, a mais extensa de toda a Galiza.

 

A partir de Abadín, o Caminho segue pela Terra Chã através das paróquias de Castromaior e Goiriz, no município de Vilalba. Primero chega a Ponterroxal, cruza o río Arnela, alcança Castromaior e passa pela ponte medieval medieval de Pontevella, logo a seguir à aldeia de Martiñan. Depois de se passar pelos lugares A Mámoa e O Outeiro, entra-se em Goiriz.

 

O Caminho de Goiriz, segue até As Chouzas e entra em Vilalba, coração da Terra Chã, célebre pela sua gastronomia, em particular o «queso de San Simón» e os famosos «capones».

 

A Terra Chã caracteriza-se por uma paisagem plana, de pastagens, salpicada por alguns outeiros e lagunas onde apascentam um sem número de vacas. A Terra Chã tem uma intensa atividade agropecuária que ajuda a conservar as tradições mais genuínas da vida rural galega.

 


4.- DESCRIÇÃO SUCINTA DA ETAPA (DESTAQUES)

 

4.1.- Abadín

 

Tomado o pequeno-almoço, em menos de meio quilómetro, saindo do albergue de Gontán, estamos em Abadín, depois de passarmos a capela

 


e a ponte sobre o rio Labrada.

 


Aqui cruzámos a estrada nacional N-634, passámos pelas instalações dos correios, pelo edifício do Ayuntamiento

 


e, seguindo a estrada, fomos ter á Igreja de Santa Maria, do século XII, românica, restaurada no século XVI,

 


com um cruzeiro à sua frente.

 


4.2.- Martiñán e Ponte Vella

 

Depois de passarmos pelas aldeias de O Francês e Castromaior, entramos em Martiñan. É uma povoação maior que Gontán e Abadín. Contudo, aqui, foi sempre a andar, não parámos.

 

Logo a seguir aparece-nos Ponte Vella.

 


Esta linda ponte de granito fazia parte do antigo caminho real que ia de Mondoñedo a Vilalba.

 

Tem três arcos e, tal como na antiguidade, é o meio para os modernos caminhantes e peregrinos ultrapassarem o rio Batán.

 

Um pouco mais à frente, no cruzamento de Belote, aparece-nos um cruzeiro antigo de granito.

 

4.3.- Goiriz ou Santiago de Goiriz

 

Nesta localidade, sede de paróquia, há a destacar a Igreja de Santiago

 


 com o seu campanário e o seu campanário e a capela de São Roque.

 

(Perspetiva da Igreja de Santiagode Goiriz)

 

(Campanário da Igreja de Santiago de Goiriz)


Anexo a ela, está situado um dos melhores exemplares de cemitérios neogóticos, com cruzes clássicas e celtas, da Terra Chã, com os seus pináculos de filigrana,

 


formando um conjunto quase fantasmagórico, sobretudo nos dias de nevoeiro.

 

4.4.- Vilalba

 

É, positivamente, a última grande cidade do Caminho do Norte. Um grande centro de comércio e de serviços que serve toda a planura que é a Terra Chã. Terra natal de Fraga Iribarne, político espanhol e Presidente da Xunta da Galicia durante vários anos. Faleceu o ano passado.

 

Nesta cidade, para além do seu centro urbano, destacamos três elementos:

 

  • A Torre dos Andrade,

 


 do século XV, a única que se conservou e que integrava aquilo que foi o antigo castelo dos senhores feudais, da família dos Castros, do século XI. A eleição do lugar para a sua construção baseou-se no valor estratégico da sua localização, já que aqui confluíam o Caminho do Norte de Santiago e o antigo Caminho Real de Betanzos e A Coruña. No século XV os «Irmandiños» atacaram o Castelo do senhor de Vilalba, Nuno Freire de Andrade O Mao, destruindo-o. O edifício foi reconstruído pelos Reis Católicos que concederam o condado de Vilalba a Diego de Andrade. Anos mais tarde volta à família dos Castros pelo casamento de Teresa de Andrade, neta de Diego de Andrade, com Fernando Ruiz de Castro Osório, da Casa de Lemos. Em 1960 foi habilitado para Parador Nacional ou, como se diz em Portugal, em Pousada.


  • Igreja de Santa Maria.

 


Situada perto da Torre dos Andrade e bem no centro urbano. É um templo do século XIX.


  • Museu de Pré-História e Arqueologia.

 


 Não o visitámos. Mas merece bem uma visita.


  • Feira do dia 21 de Dezembro.

 

(Exposição e venda do famoso queijo de «San Simón» entre outros típicos da zona dos Picos da Europa)


Neste dia tem lugar uma feira onde se expõem e vendem toda a espécie de aves, criadas com muito mimo, para fazer as delicias das pessoas na Noite de Consoada.

 


5.- APRECIAÇÃO FINAL

 

A orografia desta etapa é suave. Por isso, foi relativamente fácil e sem grandes complicações. Anda-se por uma cota muito próxima dos 500 metros de altitude, entre prados, bonitas aldeias e formosas «corredoiras» pejadas por um manto vegetal de bosques autóctones, sobretudo no início do percurso, entre Abadín e Goiriz, no qual a rota moderna para Santiago de Compostela coincide com o velho caminho real de Mondoñedo a Abadín e Vilalba.

 

No final esperava-nos um excelente albergue em Vilalba.

 

(Albergue de Vilalba)


(Mito(k) junto à placa sinalizadora do albergue)

 

Deixo agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta etapa.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 


publicado por andanhos às 06:33
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Sábado, 9 de Novembro de 2013

Gallaecia - Pelos Caminhos de Santiago na Galiza:- Caminho do Norte - 2ª etapa


 

CAMINHO DO NORTE DE SANTIAGO NA GALIZA

 

17 de Dezembro de 2007:- 2ª etapa - Lourenzá-Gontán (Abadín) ( 24 Km)

  

Álvaro Cunqueiro (Mondoñedo), 1911-Vigo, 1981)

 

Cultivou todos os géneros literários (narrativa, teatro, poesia, artigos para periódicos...).

Álvaro Cunqueiro é uma das figuras mais importante da história, da literatura galega e espanhola.

 

Em 1932, quando tinha apenas 20 anos, publicou o seu primeiro livro de versos,

«Mar ao norte», seguindo-se «Poemas do sim e do não» (1933), «Cantiga nova» (1933).

 Depois da Guerra Civil, em 1950, deu a conhecer o seu livro «Dona do corpo delgado».

 O seu último livro de poemas, «Herba aquí ou acolá», apareceu em 1980.

 

 

 

 

 

ESE ALGUÉN DE MEU QUE NUNCA VOLVE

 

Ese alguén de meu que nunca volve

 á auga da infancia

 sin saber saír do laberinto.

 Ese que é outro home que eu levo

 derrubado sobre min

 ou como a hedra 90 carballos abraza.

 

 En balde lle digo que hoxe recollen

 as coloradas mazáns

 e que hai que buscar as que caen entre a herba.

 Verdadeiramente é como levan un morto

 nada apetece e de nada se lembra

 preguizoso sombrío. A seu carón vivo

 e o eu que canta e volve

 mira de esguello pra ónde xaz

 e olla cómo podrecen nel os soños e os anceios

 a mocedade que foi e as sorrisas das mulleres

 todo o que foi amado e recibido

 todo o que foi e nunca máis será-

Pro o eu que vive e anda

 resiste e non esquece ren,

 despedíndose farto de vida

 cando a vida de meu e máila súa acaben.

 Pro eu resucitarei que soio volven

 os que recordan compañeiros.

 

 

1.- TRAÇADO DO PERCURSO


 

 


 

2.- PERFIL DO PERCURSO


 

 


 

3.- PELAS MONTANHAS LUCENSES

 

O «Caminho da Costa» já nos está longe. Agora avançamos por vales até à meseta interior de Lugo, como se poderá ver pelo percurso e perfil da etapa acima reproduzido.

 

Saindo de Vila Nova de Lourençá, depois de passarmos por uns barrancos curtos, embora bem pronunciados, para alcançarmos a colina que nos separa de Brea, avistámos, ao fundo, os arredores de Mondoñedo,



uma das sete antigas capitais do antigo reino da Galiza.

 

Mondoñedo é uma das mais históricas e monumentais localidades da província de Lugo.

 

Aqui fizemos uma ligeira pausa para descansar

 


e comprar de comer numa «tienda».

 


Fomos dar uma vista de olhos ao centro histórico e a alguns dos seus monumentos, de um modo especial a sua catedral. Virada para a catedral, a estátua de um dos mais queridos e ilustres modonienses - Álvaro Cunqueiro.


 

A subida que, logo a seguir a Mondoñedo tínhamos que enfrentar, e que nos levaria até ao planalto onde fica Gontán, término da nossa etapa de hoje, era de meter respeito. Não tanto pela subida abrupta, e sem rampas, mas pelo seu comprimento e pelos constantes desníveis.

 

Pela estrada local chegámos a Lousada sem passarmos pela N-634.

 

Em Lousada passámos por um troço do antigo caminho real de Mondoñedo a Abadín. Aqui o percurso foi bastante agradável. No final, depois de uma subida acentuada, ali estava, solitária, a capela ou ermida de São Cosme da Montanha.

 

 

4.- DESCRIÇÃO SUCINTA DA ETAPA (DESTAQUES)

 

4.1.- De Vila Nova de Lurenzá a Mondoñedo

 

De Lourenzá a Mondoñedo aqui ficam alguns trechos da paisagem, na passagem por Arroxo e Grove.

 

4.2.- Mondoñedo

 

Naquela que foi uma das sete capitais do reino da Galiza há a destacar:

 

  • A Catedral de Santa Maria,

 


de origem românica.

(Pormenor da fachada principal)

Foi à volta dela que o burgo começou a expandir-se. De realçar a sua roseta gótica,

 


na fachada principal,

 

(Pormenor da roseta gótica)


o claustro renascentista,

 


o retábulo baroco

 


e as pinturas murais (frescos).

 

(Degolação dos Inocentes - 1º achado)

 

(Degolação dos Inocentes - 2º achado)

 

(Vida de São Pedro)


  • O Museu Catedralício e Diocesano.



Mesmo junto à catedral,

 

(Pormenor da sua fachada principal)


tem um importante acervo de arte sacra.

 

(São Francisco)

 

(Sagrada Família)


Recomendo vivamente a visita ao sítio da internet: http://www.turgalicia.es/fotos/IMAGENES/FLASH/ARQUITECTURARELIGIOSANP/vtour_mondonedo/index.html

onde poderemos ver, em 360º, o exterior da catedral, o interior com o altar-mor, os órgãos, os frescos, a roseta gótica, as capelas, a sacristia, o claustro renascentista e o museu.


  • O edifício do Ayuntamiento, do século XVI.

 

  • A Casa Consistorial.

 

 

  • A Igreja da Virgem dos Remédios.

 

  • A Igreja de Santiago (Abside).

 

 

  • O Seminário de Santa Catarina.

 

 

  • O Hospital de São Paulo.

 

 

  • A Fonte Vella.

 

 

  • A Fonte dos Pelamios e o Monumento a José Diaz Jácome.

 

 

  • A Ponte do Passatempo. É interessante a história e a lenda que anda ligada a esta ponte e relacionada com Pardo de Cela,que se poderá ver, entre outros, no seguinte sítio da internet: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pardo_de_Cela.

 

 

Em Mondoñedo, o granito é rei, constituindo as ruas do seu centro histórico, com todos estes edifícios, um museu ao ar livre da história galega. Um verdadeiro mostruário da arquitetura mondoniense de todas as épocas. Por aqui passeava-se um dos seus filhos prediletos - o escritor Álvaro Cunqueiro, o autor que melhor retratou a Galiza rural e provinciana dos princípios do século XX.

 


E, claro está, não podíamos deixar de falar da Casa «O Rey das Tartas», a confeitaria para os mais gulosos, tendo já ultrapassado as fronteiras de Mondoñedo.

 

(Fachada da célebre Casa das «Tartas»)

 

(Pormenor da montra)

(As afamadas «Tartas»)


Aqui existe o novo «Centro de Interpretarão e Informação do Caminho do Norte» instalado num antigo paço do centro histórico, onde o historiador Juan Ramón Fernández Pacios atende os peregrinos e os acompanha numa visita pela sala de exposições. Mas, infelizmente, não entrámos lá. Já se fazia tarde...

 

Na subida, à saída de Mondoñedo, veem-se fantásticas panorâmicas sobre a cidade.

 

(Panorâmica sobre a cidade)

 

(Panorâmica sobre a catedral)

  

(Panorâmica sobre uma das torres da catedral)


 

4.3.- Lousada

 

Em direção ao planalto, antes de chegarmos a Lousada, passa-se por um antigo forno de cal e pelo que resta de uma antiga fábrica de mármores.

 


A partir desta antiga fábrica, inicia-se uma dura subida pelo «caminho das Fiosas», um velho caminho carreteiro, medieval, até

 

4.4.- São Cosme da Montanha

 

onde se encontra uma singela ermida

 


que chama a atenção pelo isolamento em que está. Nos dias 26 e 27 de Setembro, existe aqui uma famosa romaria, que junta toda a gente do concello.

 

 

4.5.- Gontán

 

Gontán foi sempre um cruzamento estratégico de caminhos, existindo aqui os melhores mercados ou feiras da comarca. Herdeira desta tradição é a famosa Feira dos Santos, que se dá em cada primeiro sábado de Novembro. Nesta feira intercambiam-se, compra-se e vende-se, os produtos do campo e das pastagens, o gado. Um pouco como em Chaves...

 

5.- APRECIAÇÃO FINAL

 

Etapa, apesar do frio e da muita geada,

 

(Aspeto de uma das aldeias ao longo do percurso da etapa)

 

(Cenário idêntico numa outra)


muito agradável, de um modo especial quando o sol começou a despontar.

 

Os espigueiros («hórreos») são muito característicos e profusamente espalhados

 


numa paisagem que se nota ser de gente humilde e simples.

 

(Pormenor nº 1 - gato à janela)


(Uma típica porta rural)


Contudo, não falta prados

 

 


e gado.

 


O albergue de Gontán estava muito bem equipado e bem aquecido.

 


As bolhas foram o meu flagelo na parte final da etapa. Mas o «cirurgião» Fábio foi eficaz no seu tratamento.

 

Fizemos o comer na cozinha do albergue e, num ambiente super-acolhedor e quente, dormimos como «santos» e acordamos, no dia a seguir, como «anjos», com novas asas para outra caminhada.


Deixo agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta etapa.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 


(Desenho da catedral de Mondoñedo - Fonte:- Eroski Consumer)



publicado por andanhos às 02:31
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Quarta-feira, 6 de Novembro de 2013

Gallaecia - Pelos Caminhos de Santiago na Galiza:- Caminho do Norte - 1ª etapa



 

 

CAMINHO  DO  NORTE  DE  SANTIAGO  NA  GALIZA

 

15 de Dezembro de 2007:- Viagem de Chaves até Ribadeo (Galiza)

 

Saímos de Chaves em direcção a Vigo.

 

Em Vigo tomámos autocarro para Coruña e, daqui, para Ribadeo.

 

Era já noite quando chegámos ao albergue, situado mesmo junto da ria de Ribadeo, onde o rio Eo desagua.

 

 

 

O trio de sempre – eu, Fábio e seu filho Mito(k) – estavam bem dispostos, apesar do frio. Era tempo de sol radiante durante o dia. Só que, logo que se metia, era um frio de tiritar. De pronto se formava um manto espesso de geada. Uma por cima de outra em certos locais.

 


Ainda tivemos que esperar à porta do albergue até que o albergueiro aparecesse. Perto de uma hora. Nesta altura passam por aqui poucos peregrinos. Só três “loucos” flavienses em que se metem numa aventura destas nesta altura!

 

Depois de alguns telefonemas, lá conseguimos localizar o albergueiro para nos vir dar a chave do albergue.

 

Na ria de Eo, a Ponte do Santo.

 


E lá apareceu, finalmente! Era simpático. E, conversa puxa conversa, constatámos que, afinal de contas, ainda tinha uma “costelita” de portuga.

 

Deitámo-nos bem agasalhados e, de manhã cedo, por volta das seis, lá começámos a nossa jornada do primeiro dia. Estava uma geada daquelas!...

 

Duas palavras, entretanto, sobre este Caminho que, na Galiza, se inicia Ribadeo.

 

O Caminho do Norte de Santiago, também antigamente chamado de “Rota Cantábrica”, entra na Península Ibérica por Hendaya.

 

Há quem diga que este é o Caminho mais antigo em virtude de se situar mais a norte, ao abrigo, e evitando, assim, que os peregrinos, nos primórdios, se encontrassem com os mouros que, na altura, dominavam a Península Ibérica, e se encontravam mais a sul, no tempo da chamada Reconquista.

 

Contudo, não é a este que chamam o Caminho Primitivo, mas sim a um outro que transcorre um pouco mais a sul.

 

Este Caminho é, sem dúvida, uma das mais interessantes rotas que convergem a Santiago de Compostela. É rico em monumentos medievais, com florestas magníficas e muitas paisagens verdejantes, que encantam e deliciam o caminhante que o percorre.

 

Apesar de não oferecer tanta densidade cultural e religiosa como o Caminho Francês, mesmo assim, e apenas falando dos lugares por onde passámos, aquele ambiente está presente nas seguintes localidades:

 

  • na Igreja de Vila Nova de Lourenzá, que serviu como modelo para a construção da fachada da catedral de Santiago de Compostela, nomeadamente a frente que dá para a Praça do Obradoiro;
  • no centro histórico de Mondoñedo, que foi uma das sete capitais administrativas da Galiza, com a sua magnífica catedral de estilo românico do século XIII e
  • no imponente Mosteiro Cisterciense de Sobrado dos Monxes, com a igreja de estilo barroco.

 

O Caminho do Norte de Santiago reflecte, em muitos dos seus troços, a autenticidade e os traços da sua primitividade, ao contrário do Francês, já bastante saturado e “banalizado”, excessivamente percorrido (massificado) por toda a índole de caminhantes e peregrinos.

 

É, assim, um Caminho fresco num duplo sentido: face à sua pouca frequência por peregrinos e pela frescura mesma do seu clima. Com paisagens exuberantes que nos extasiam e o tornam inesquecível.

 

A Ribadeo, antigamente, chegavam peregrinos em barca, desde Figueiras, Castropol e outros portos fluviais e, daqui, partiam diversos caminhos em direcção à cidade de Mondoñedo.

 

Mais recentemente, a Junta da Galiza, como forma de evitar confusões, traçou um único roteiro. Infelizmente, este novo traçado, contempla muitos troços novos, desprezando uma boa parte dos traçados históricos, que hoje estão completamente destruídos e/ou cobertos pelo asfalto.

 

A exemplo do que fizemos já no Caminho de Santiago (Sanabrês) da Via da Prata, não é nossa intenção aqui descrever cada etapa, troço a troço. Já há muitos peregrinos que o fazem, pelo que, uma simples pesquisa na internet, poderá satisfazer este seu interesse.

 

A nós apenas nos preocupou aqui destacar um ou outro pormenor da paisagem ou uma ou outra peripécia passada ao longo de cada etapa.

 

Assim:

 

16 de Dezembro de 2007:- 1ª etapa Ribadeo-Vila Nova de Lourenzá ( 29 Km)


 


 

Versos de Rábade Paredes a Del Riego

 

Voz in Lontano

 

En Lourenzá, no val de Vilanova,

un vento azul de brétema e salitre

chegou un día xermolando soños

nun meniño espilido...

É loiro aínda e case centenario.

 

Viña coa terra escrita nos lumes da mirada

As saudades acesas

foron de plenitude nos tempos de Vallibria,

nos outeiros eternos do meigo de Miranda,

nas chairas verdegadas da frauta de Aquilino

e sobre o mapamundi do señor de Trasalba.

 

En Compostela medraron moito os días

e houbo unha sazón leda de gaitas e

                                           [alboradas.

 

(Nin as sombras talares,

ou trepidar sinistro de botas e tricornios,

rabenaron as alas, o bico do cantor,

que aprendera  a voar a leguas de ave)

 

Coro de voz timbrada, universal e nova,

veu falar nel a música, as escumas

do Cántabro salobre,

e o ritmo sorprendido das paisaxes inéditas,

e a cerva misteriosa da manciña de prata,

e a abidueira posta cabo dun poldro branco,

e o merlo, a pomba, o xílgaro,

e a longuísima estirpe dos avós que nos

                                                [fundan

no vello campesiño neolítico.

 

E calquera outro día,

debuxou no horizonte a primavera,

para que naza e permaneza o outono

ata as rosas que veñen,

e que a voz in lontano dos outeiros eternos

nos devolva a canción de cada día.

 

Xesús Rábade Paredes

 

LUME ACESO-Francisco Fernández del Riego. Xosé López González

e Manuel Román Ramos.Edit. Xunta de Galicia e Concello de Lourenzá, 2011


 


1.- TRAÇADO DO PERCURSO

 


2.- PERFIL DO PERCURSO




3.- EM RIBADEO O CAMINHO DO NORTE DE SANTIAGO DEIXA DE SER O  CAMINHO DA COSTA


Nesta localidade o Caminho deixa definitivamente o mar penetrando no mais profundo das terras lucenses, ou seja, entramos na Galiza. Uma Galiza mais desconhecida e peculiar.

 

É um território intensamente povoado, com prados, bosques, paróquias e aldeias, onde não se sabe onde acaba uma e começa outra.



O silêncio e a solidão dão ensejo a que o caminhante/peregrino se vire mais para o interior de si mesmo, em profunda reflexão - sobre a vida, as gentes, as diferentes terras e a paisagem.

 

Pese embora o ter de se ultrapassar quatro colinas, contudo, a etapa não ofereceu demasiada dificuldade.

 

Apesar do frio e da enorme geada que estava à nossa chegada a Vila Nova de Lourenzá, fomos, contudo surpreendidos com um casal de peregrinos, fazendo de Jesus e Maria, dando a volta à vila.

 

No intuito de lhes ir no encalce, acabámos por fazer uma visita ao seu mosteiro, obra do conde Osório Gutiérez, o Conde Santo, homem de armas que um dia deixou a espada pelo crucifixo.

 


4.- DESCRIÇÃO SUCINTA DA ETAPA (DESTAQUES)

 

4.1.- De Ribadeo a Vilela

 

Como dissemos, saímos bem cedinho do albergue, que fica numa das pontas da cidade. Estava bastante frio e muita geada.

 

Atravessámos, desta feita, toda a cidade de Ribadeo, bem como o seu perímetro urbano.

 

À saída da cidade um marco (ou “mojón”, como para ali se diz), em granito, indicava a distância que teríamos de percorrer até Santiago de Compostela.

 

Sete quilómetros percorridos, e já em Vilela, um outro marco nos indicava 188, 247 metros até Santiago.

 


4.2.- De Vilela a Ponte de Arante

 

Passámos por Celeiros, Vilar, San Vicente e em A Ponte de Arante.

 

A manhã estava gelada como dissemos já, conforme se pode ver nos pastos cobertos de geada.



O Caminho ora subia ora descia, qual carrossel.

 

Aqui e ali os caraterísticos espigueiros lucenses.

  

(Espigueiros caraterísticos da província de Lugo)

 


A meio da manhã o sol começa a brilhar e a paisagem apresenta-se-nos verdejante.


 

4.3.- De Ponte de Arante a Villamartín

 

Entrámos nos aprazíveis pastos e paisagens verdejantes do concello de Barreiros pelas aldeias de Villamartin Pequeno e Villamartin Grande.

 

(Terras de pastagens Cenário 1)

 

(Terras de pastagens Cenário 2)

 

(O touro de «de serviço»)


4.4.- Gondán

 

Em Gondán, no alto de uma elevação, fica um modesto e acolhedor albergue, aberto todo o ano. Aqui fizemos uma pequena paragem.

(O «Rejuxio» de Gondán)

 

(O «Refuxio» de Bondán - um pormenor do seu interior)


4.5.- San Xusto

 

Voltámos a descer, passando por San Xusto e pelo bar “A Curva”, onde fizemos uma outra paragem, agora para nos municiarmos de alguma comida para o “papo”.


(Bar «A Curva)

 


Depois do Bar «A Curva», a Igreja de San Xurxo de Cabarcos.

 


Voltámos outra vez a subir e, desta feita, a paisagem começa a mudar para um outro tom verde, dos eucaliptos, com o seu intenso verde e forte odor emanado das folhas desta mirtácea.

 

Depois de uma jornada de razoável amplitude, de sobe e desce, percorrida com bastante piso de asfalto, com excepção dos trechos entre a A Ponte de Arante e Villamartin Pequeno bem como San Xusto, no final de uma grande recta, e assim que o bosque terminou, entrámos na zona urbana de Vila Nova de Lourenzá, nossa meta deste dia, percorridos que foram 29 quilómetros.

 


4.6.- Vila Nova de Lourenzá

 

A geada ainda não tinha abandonado aquelas paragens, a meio da tarde.

 

Tivemos pena não ter fotografado ou filmado aquele casal de peregrinos que, montados no burro, e fazendo de Maria e São José, percorreram aquela cidade, para espanto não só dos restantes peregrinos como dos locais.

 

Fica aqui apenas o pobre burro, que ficou do lado de fora do albergue toda a noite, coberto de geada no cerro.



Ao entrarmos no albergue, um conjunto de peregrinos estrangeiros, estava confraternizando, comendo e bebendo e… fumando «erva».

 

Convidaram-nos para entrarmos na sua camarata, partilhando do seu “banquete”. Declinámos, agradecendo, e fomos tomar banho e descansar.

 


Lourenzá ostenta uma forte tradição peregrina. Por isso, é paragem obrigatória de peregrinos e turistas.

 

O que tem de mais interessante para visitar é a Igreja e o Mosteiro Beneditino de São Salvador ou de Santa Maria.

 

(Mosteiro e Igreja de São Salvador de Lourenzá)

 

(A torre da igreja)


Trata-se de uma grande construção barroca.

 

(Igreja - a fachada barroca)


A sua construção remonta ao ano 969, segundo documento existente que relata ter o Conde Osório Gutierrez feito doação de 30 camas ao Convento, na condição de se reservarem 12 para atender aos pobres. É, assim, uma construção anterior à chegada dos peregrinos.

 

A sua fachada, datada de 1732, aparenta-se muito com a da Catedral de Santiago de Compostela, que fica defronte à Praça do Obradoiro.

 

(Pormenor da fachada da igreja)


É obra de Fernando Casas e Novoa, o mesmo arquitecto que terminou a de Santiago de Compostela.

 

(Um dos aspetos do mosteiro)


No seu interior pode-se ver um riquíssimo altar-mor.

 


Parte da Igreja do Mosteiro abriga um interessante museu de arte sacra.

 

Aqui se mostra uma peça mais peculiar do seu acervo.

 


E, como não podia deixar de ser, o bonito mausoléu, em mármore, do Conde Santo - Osório Gutierrez.

 


Deixo agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta etapa.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].


 

 


(Desenho da Igreja e Mosteiro de Lourenzá - Fonte:- Euroski Consumer)

publicado por andanhos às 18:45
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