Terça-feira, 27 de Agosto de 2013

Por terras da Gallaecia - Caminhada ao alto das Estivadas (Galiza)


 

CAMINHADA AO ALTO DAS ESTIVADAS - «O CARROSSEL»

 

13. Agosto. 2013

 

 

Deixem passar quem vai na sua estrada.

Deixem passar

Quem vai cheio de noite e de luar.

Deixem passar e não lhe digam nada.

 

Miguel Torga, Diário I, 5ª edição, Coimbra, 1967, pág. 9

 

 

Eu gosto da paisagem. Mas amo-a duma maneira casta, comovida, sem poder macular a sua intimidade em descrições a vintém por palavra. Chego a uma terra e não resisto: tenho de me meter pelos campos fora, pelas serras, pelos montes, saber das culturas, beber o vinho e provar o pão.

 

Miguel Torga, Diário II, 3ª edição, Coimbra, 1960, pág. 49

 

 

Sou na verdade um geógrafo insaciável […]. Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal, e atiro-me às serranias como à broa da infância. É fisiológico, isto. Comer terra é uma prática velha do homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele.

 

Miguel Torga, Diário VIII, 2ª edição, Coimbra, 1960, pág. 149

 

(Matin, Nadir Afonso)
 

1.- Mapa do itinerário da caminhada

 

 

2.- Considerações à volta do caminhar

 

Hoje a nossa caminhada por terras de Monterrei e Verín teve uma partida diferente de todas as que temos vindo a fazer nesta área.

 

Chegados a Verín, continuámos pela EN-525 e fomos até Gumarei para, num verdadeiro carrossel, de sobe e desce, atingirmos o alto das Estivadas para, depois, descermos até à veiga de Monterrei e Verín, em Albarellos, e voltarmos a subir até Gumarei, onde deixámos o carro.

 

Fábio e seu filho Mitok começaram, logo no início, cada vez mais, a distanciarem-se de mim. E, neste sobe e desce, pelas cercanias e alto das Estivadas, nos intervalos de um clique de uma ou outra foto que ia tirando, as palavras, acima citadas, do nosso Miguel Torga, não me saiam da cabeça.

 

O que me leva a levantar às 5 e 6 horas da manhã para, embrenhando-me ora nas planuras ora nos cerros e altos dos montes, passar uma manhã inteira «dando ao pé»?

 

Na verdade, humildemente reconheço que, já desde a minha infância as paisagens e a natureza me fascinavam. E sempre gostei de geografia. Talvez na tentativa de compreender o humus no qual nasci e me é dado viver.

 

No caminhar, que mais não representa senão uma simples passagem pela vida, que se desenrola pela(s) terra(s) que, umas, simplesmente atravessamos, e outras, que nos é dado viver, nem sempre o meu pensamento e a minha atitude é coerente. É que ora prefiro o profundo silêncio na passagem pelos caminhos, veredas, planícies, montes ou serras, e estar simplesmente só comigo mesmo, ora necessito do contacto com o outro, num gesto de não essencialmente tentar compreendê-lo, mas sim de me entender a mim melhor.

 

Qual das duas posturas vence?

 

Diria que nenhuma. Mas talvez as palavras de Torga digam tudo: «comer terra é uma prática velha do homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele». E, destas feita, ficamos «quites»!

 

É que, ao contrário do Mestre Nadir, já há muito, deixei de encontrar o π (o pi) como símbolo da perfeição! Finitude e incompletude é a nossa própria condição humana.

 

Foi cogitando nestas coisas, que é o mesmo que dizer, na vida,

 

 

3.- Resumo sucinto da caminhada

 

que fomos atravessando Gumarei. Uma terriola cujo seu casario,
 

 

(Casa nº 1)

 

(Casa nº 2)
 

nada se distingue do nosso, a não ser a sua igreja com uma arquitetura um pouco fora do comum.

 
 

E, em passo estugado, dirigimo-nos para Lamas.

 

Aqui o mesmo modo de cultivo. As mesmas hortas. O cultivo das mesmas couves.
 
 
A mesma religiosidade.
 
 

E, uma vez mais, a mesma tipologia do casario.

 
 
Dirigindo-nos depois para Santa Baia do Monte o panorama não se altera. Campos de alimento para os animais no inverno a aguardarem a respetiva recolha.
 
 
As velhas cabines de transformação de energia da empresa FENOSA.
 
 

Os mesmos campos de cultivo com as abóboras e «botelhas» para alimento das gentes e de, com sua licença, o porco.

 
 

À nossa passagem, um emigrante galego mete conversa connosco. Palavras banais, comuns e habituais nestas ocasiões de passagem de estranhos. Para darmo-nos conta que a «porca da vida» quer a nós, quer a eles, lá nos foi empurrando para fora dos nossos lares de nascença, à procura de outras paragens que nos dessem outras condições de vida e bem-estar. E regressam, invariavelmente todos os anos, para matar saudades ou a sua «morriña».

 
 

Continuando a botar pés ao caminho, uma macieira, à borda de uma propriedade, deliciou os olhos de Mitok. Parecia mesmo apetitosa! E, vai dai… anda menina cá ter à minha mão! O teu dono não se deve importar. Tem muitas mais na árvore para se deliciar!

 

Na torneira de uma fonte, lavou-a e, com verdadeiro prazer, lá a foi trincando…

 
 

Passando pelo cemitério da terra, e pela sua capelinha, fomos descendo para a povoação de A Caridade.

 
 

No tanque público da terra, coberto, junto a uma nascente de água fresca, fizemos uma pausa para descansar e comer.

 
 

Enquanto Mitok se entretinha a tirar fotos a um ninho de andorinha, no telhado do tanque, fui saber de pão fresco. Pairava no ar um cheiro a pão cozido, sinal de que alguém estaria a cozê-lo ou no forno ou que havia então padaria. E, como nas nossas terras, é tudo muito pertinho, não foi difícil dar com a padaria.

 

E lá vim eu com um cacete do «pan del país», recentemente tirado do forno. Ainda nos queimava nas mãos.

 
 
Não resisti, com a Nikon, que nunca abandono, de tirar uma foto ao Cristo do Cruzeiro da terra.
 
 

E, na Praza do Sagrado, contemplar a sua bonita igreja com um campanário tipicamente de arquitetura galega.

 
 

Ao longo da nossa «marcha», crianças e jovens nem vê-los!

 

Em Salgueira, encontrámos alguns «maiores».  

 
 
Cuidando das suas courelas. Para seu sustento. E dos seus animais. E, quem sabe!, porventura, tal como cá, para ofertar aos seus filhos e parentes que, longe, nas cidades, periodicamente aparecem na terra levando as primícias, tratadas, com tanto carinho e suor, pelos seus «velhotes».É esta gente, tisnada pelo sol,
 
 

e com rostos enrugados pela vida, que ali fomos encontrar, trabalhando nos campos, cuidando das suas hortinhas.

 
 

A partir de A Salgueira, foi um constante sobe-sobe até ao alto das Estivadas.

 
 
À nossa direita o imponente Larouco,
 
 

outrora palco de devoção de míticos deuses e hoje coutada de tantos outros – os do Progresso. Com as suas hélices gigantescas, metendo tanto medo à sua passagem como aos de antanho.

 
 

E, num desce-desce abrupto, uma cena imprevista. Fábio deu conta de umas «ervinhas» viçosas. E, pensando nas crias lá de casa, não resistiu em se debruçar para as apanhar. Dizia que eram para os seus coelhinhos. Confrangedora atitude! Caminhante inveterado, que mais parece cavalgar, não deixou de pensar na sua outra «cria». O inesperado do gesto deixou-me de boca aberta! Mas, como digo, é esta a verdadeira condição humana.

 
 
Na descida para Albarellos, eis a panorâmica que se observa,
 
 
sempre com a veiga de Monterrei e Verín a nossos pés
 
 

e o Castelo/Fortaleza, inicialmente mandado construir pelo nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques, de atalaia.

 
 
Em Albarellos, entrámos na N-525
 
 
e, até Guimarei, foi uma subida constante, sob um sol abrasador. Aqui e ali uma paisagem da veiga ia-nos destraindo.
 
 

Mas foi um autêntico suplício para chegar ao topo da aldeia, onde deixámos estacionado o carro.

 
 

Chegados ao lugar onde o carro estava estacionado, perto de um fontanário, refrescámo-nos um pouco e dirigimo-nos para Chaves.

 

Apesar do sol abrasador no final, a caminhada de hoje, que tão depressa nos punha no teto do céu como nas profundezas do vale, num verdadeiro carrossel, foi ensejo para muitas contemplações e reflexão. Em diálogo íntimo connosco mesmos e com os nossos maiores. Principalmente daquele que mais, e melhor, reflete a alma do verdadeiro transmontano (e alto duriense). Que é o mesmo que dizer o «espírito galaico».

 

Deixo agora, para visionamento do(a) leitor(a), um singelo diaporama desta caminhada.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].


 

 


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Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013

Por terras da Gallaecia - Caminhada:- Rota dos vinhedos de Monterrei e de O Rosal (Oímbra)

 

 

Caminhada – Rota dos vinhedos de Monterrei e O Rosal (Oímbra)

 

6. Agosto.2013

 

 

 
1.- Mapa do percurso da caminhada 
 
 
 
2.- Considerações à volta do vinho de Denominação de Origem (DO) Monterrei 
 

Quem entra em Verín pode ler um cartaz, em grandes parangonas, “Verín – Terra da auga e do viño”.

 

Quanto à água, já falámos nos dois últimos posts, a propósito da caminhada que, pelos principais dos seus mananciais, passámos.

 

Hoje, também a propósito da caminhada que fizemos por alguns dos vinhedos de Monterrei, Verín e O Rosal (Oímbra), vamos falar do vinho.

 

Segundo Carolina Salcides, o vinho de Monterrei tem DO (Denominação de Origem). É, contudo, a mais pequena de toda a Espanha.

 

Este vinho cultiva-se num território com 450 hectares, que inclui os municípios de Monterrei, Oímbra, Verín e Castrelo do Val.

 

A localidade histórica e mais antiga é que lhe dá o nome – Monterrei.

 

Ainda segundo aquela autora, o território onde se produz este vinho está localizado a sudeste da província de Ourense, perto da fronteira portuguesa, nas proximidades da autoestrada das Rías Baixas.

 

O vinho DO Monterrei provém dos vinhedos de duas subzonas:

  • Vale de Monterrei e
  • Ladeira de Monterrei.

E acrescenta. Temos vindo a verificar que a Denominação de Origem Monterrei continua a crescer de ano para ano, aumentando o número de produtores-viticultores como de elaboradores-engarrafadores.

 

Hoje em dia a produção total de DO Monterrei ronda os 1,5 milhões de quilos de uva, da qual 65% é uva branca das variedades Godelho, Treixadura e Dona Branca. Os restantes 35% é de uva tinta das variedades Mencia, Bastardo e Araúxa (Tempranillos).

 

Os vinhos brancos são ligeiros, aromáticos, de acor amarela dourada ou um pouco mais escura, a lembrar o amarelo-palha. Têm uma graduação alcoólica próxima dos 11 graus. São plenos, saborosos, equilibrados em acidez e com um retrogosto aceitável.

 

Os tintos caracterizam-se pela cor púrpura, um agradável aroma a frutas, ligeiros e com bom equilíbrio álcool-acidez; com uma graduação alcoólica ligeiramente inferior à dos brancos e com um toque de juventude que os faz gostosos para o consumidor.

 

Este é o discurso promocional de Carolina Salcides. Contudo, tenho estado em algumas “catas” destes vinhos e, particularmente o branco, “mi gusta mucho”.

 

 Infelizmente não pude estar presente este ano na VIII Feira do Viño de Monterrei, que se realizou nos dias 9, 10 e 11 do corrente mês, na Praza da Mercê, de Verín.

 

 

 

Teve cartazes profusamente distribuídos pela cidade de Verín e arredores. Nesta edição participaram 12 adegas expositoras e teve uma novidade – a constituição da Confraria dos Vinhos de Monterrei.

 

Foi, assim, com este pano de fundo que, no passado dia 6 de Agosto iniciei, com os meus habituais companheiros – Fábio e Mitok – aquilo que designaria por “Rota dos Vinhedos de Monterrei e O Rosal (Oímbra)”.

 

Nesta caminhada passámos, essencialmente, por 3 concelhos – Verín, Monterrei e Oímbra (O Rosal) -, deixando de fora, mais acima, Castrelo do Val.

 

 

3.- Resumo sucinto da caminhada 

 

Iniciámos a caminhada, como vem sendo hábito, nas imediações da Capela de São Lázaro e do albergue de peregrinos (Casa do Escudo), dirigindo-nos para o alto de Pazos,

 

 

passando pelas instalações da Casa Quartel de la Guardia Civil

  

 

e por uma capelinha singela, igual a tantas outras que, também pelas nossas bandas, abundam, 

 

 

 

para, de seguida, penetrarmos no núcleo mais rústico e rural de Pazos

 

 

 

com as suas casas tão idênticas às nossas.

 

 

(Casa nº 1)

 

 

(Casa nº 2)

 

E, baixando, fomos ao encontro dos vinhedos, onde o precioso néctar da DO de Monterrei se faz.

 

(Vinhedo nº 1)

 

 

(Vinhedo nº 2)

 

 

(Cruzamento de caminhos com vinhedo no meio) 

 

Antes de chegarmos a Vilaza, ao longo de uma reta, sentados numa divisória de uma vinha, encostados aos arames que suportam as videiras, fizemos uma pausa para comer.

 

E constatamos que iriamos ficar sem um companheiro – o Mitok – por lesão. Aquele joelho esquerdo está para lhe dar ainda muitas arrelias. Mas «torto como o pai» diz que não vai desistir de fazer o Caminho Inglês. Oxalá tenha razão e que tudo corra bem! E que os ares de Coimbra que, neste momento, está tomando, lhe façam bem.

 

 

 

 Passámos, assim, a vila de Vilaza já sem o nosso jovem que regressou a Verín.

 

 

 

E os dois “velhotes”, depois de atravessarem Vilaza, e de contemplarem mais em pormenor uma fonte;

 

 

 

um bonito escudo na parede de uma casa

 

 

 

e um característico relógio de sol,

 

 

 

e depois de passarmos debaixo de um viaduto da A-52 (autovia das Rías Baixas), trepámos para os montes dos vizinhos das Chás e de O Rosal.

 

 

 

Já o ano passado, também com o amigo Fábio, num outro itinerário, tínhamos percorrido estes montes. Mas valeu a pena fazê-lo uma vez mais! Pelas vistas que nos propicia.

 

 

 

Pela panorâmica que nos oferece do território onde se produz o precioso néctar de Monterrei.

 

 

 

Sempre com a presença constante do Castelo/Fortaleza de Monterrei à nossa frente, seja qual for o lugar para onde nos dirijamos.

 

 

 

E o verde dos vinhedos a seus pés. 

 

 

 

Se não estivesse, por condições de saúde, condicionado à ingestão desta preciosa “pinga”, seria hoje que, com os meus amigos, ergueria a minha taça, em homenagem ao deus Baco!

 

Mas, como diz Baudelaire, há muitas outras formas de nos embriagarmos. A minha, hoje, não foi tanto de vinho, ou sequer de virtude. Mas de poesia… sugerida pela paisagem que a nossos olhos se implanta e toda ela se nos oferece em todo o seu esplendor daquelas que são as nossas terras galaicas!

 

 

 

Deixo agora, para visionamento do leitor(a), um singelo diaporama desta caminhada.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 


publicado por andanhos às 16:56
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Sexta-feira, 16 de Agosto de 2013

Por terras da Gallaecia - Caminhada:- Rotas parciais das águas de Verin e do Pozo do Demo (Galiza) - II

 
 
 

CAMINHADA – ROTA PARCIAL DAS ÁGUAS DE VERIN E DO POZO DO DEMO

 

PARTE II

 

2. Agosto. 2013

 

 

2.- Considerações à volta da Eurocidade Chaves-Verín

 

 

Francisco J. Gil, no opúsculo «Roteiro da Água – Balneários do Eixo Atlântico», editado pela Associação Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular (que integra as principais cidades do Norte de Portugal e da Galiza), a páginas tantas, afirma: “(…) Chaves e Verín representa uma aposta decidida pelo termalismo, convertendo os recursos naturais que a água lhes oferece num instrumento para o desenvolvimento sustentado compartilhado. Na atualidade oferece grandes atrativos que se converterão em excecionais a médio prazo, tendo em vista os projetos que se estão a cimentar. Para os seus convizinhos, Chaves e Verín, já não são senão dois distritos de uma grande eurocidade”.

 

Trata-se, obviamente, de uma publicação institucional. Daí há que dar o devido desconto ao excessivo entusiasmo do seu autor!

 

Contudo, já no mesmo ano daquela publicação, em 2008, o Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, publicava um outro opúsculo com o título «Chaves-Verín: A Eurocidade da Auga – Agenda Estratégica». Aquela publicação, na sua parte introdutória, reitera, enfatiza e amplia os postulados da publicação acima citada, nestes termos: “Chaves e Verín podem fazer da água a âncora na qual se deve cimentar o seu desenvolvimento. Uma cidade ecológica com o Tâmega como rio-eixo para disfrute dos seus cidadãos e dos visitantes (…). Uma cidade de saúde e do conhecimento com termas, balneários, hotéis, centros de formação superior (…). Uma cidade horta que lidere o uso racional da água para incrementar os rendimentos e a qualidade dos seus produtos naturais de referência no mercado internacional. Uma cidade inovadora e de empreendedores capazes de tirar partido dos recursos endógenos dando-lhe um maior valor acrescentado, na agro-indústria, floresta, energias renováveis, aqua-indústria. Uma cidade capaz de tirar partido da nova centralidade, que supõe converter-se no ponto de saída para a Europa das duas principais áreas industriais da Euroregião – Porto e Vigo. Uma cidade criativa com projecção internacional. Muitas cidades e uma mesma eurocidade – a cidade da água”.

 

O estudo/Agenda estratégica aponta três eixos, cada um com medidas e linhas de acção, a saber:

  • Eixo 1 - Forjar a eurocidadania;
  • Eixo 2 – Um território sustentável;
  • Eixo 3 – Dinamização económica.

Atentemo-nos em algumas medidas dos eixos: cidade da saúde; cidade criativa; cidade ecológica do Tâmega; destino termal por excelência; valorizar os recursos endógenos segundo uma lógica de território de inovação e de iniciativa.

 

Bonitas palavras! Onde estão, levadas a cabo, as linhas de ação desses eixos e dessas medidas?

 

Quem, como nós, tem calcorreado a pé todo este território, infelizmente, não encontra nenhuma mudança de monta. As mesmas paisagens de antanho – quer rurais quer dos núcleos urbanos! Na verdade é um território prenhe de potencialidades… inertes, quase mortas. Não se vê nenhuma revitalização. Não sabemos onde pára a iniciativa e a criatividade para transformar esta terra, de que as suas gentes tanto merecem! Agro-indústria, floresta, energias renováveis, aqua-indústria…Onde param? E, o que existe, é o que se vê!

 

Território horta. Deixem-me rir. Mas de pena! O que mostram as fotos que exibimos pelos locais por onde passámos? Um território lavrado, repito, nos modos de antanho!

 

E quanto às águas? Porque, quanto ao rio Tâmega, estamos conversados... a não ser um ou outro brilharete para captar o munícipe/eleitor desprevenido.

 

Por aquilo que vi na minha passagem pelos mananciais de Verín, outra coisa não existe senão a exploração (engarrafamento) para o mercado das águas. Em particular as águas de Sousas e de Cabreiroá. E que apenas aproveita os seus proprietários-industriais. O balneário de Fontenova pouca lhe há-de faltar para entrar em plena ruína.

 

E a sua fonte de Espido, logo à entrada, é apenas frequentada por alguns saudosistas (poucos) que a usam. Que mais parece uma esmola da empresa à população!

 

 
 

O mesmo se passa com a buvete das de Sousas e as de Cabreiroá. Que por poucos, ou quase nenhuns, são frequentadas: estão ali apenas como uma relíquia a lembrar o brilho de tempos passados.

 

O hotel-balneário de Cabreiroá está já a ficar em ruinas, pelo completo abandono, rodeado por um extraordinário parque de plantas e árvores exóticas de grande valia.

 

Isto já para não falar de Caldeliñas e, particularmente, no balneário de Vilaza, em Requeijo, completamente destruído e ao abandono, numa zona verdadeiramente bucólica. Enfim, pelo que vi, não se vislumbra qualquer objectivo de se pôr estas instalações no circuito balneário.

 

Registe-se, contudo, o agradável arranjo urbanístico da Fonte do Sapo. Mas, creio, tratar-se de uma intervenção pontual sem qualquer sentido estratégico!

 

Para os industriais das águas de Verín, o que conta é a sua comercialização, aguentando, até ao limite dos limites, as respectivas «jóias da coroa» de outros tempos, que foram os seus balneários.

 

Felizmente que, pelas nossas bandas, portuguesas, há uma outra preocupação. Quer em Chaves, Vidago e Pedras tem-se revalorizado não só as termas, seus balneários e hotéis como os seus respetivos parques. Tudo o resto, o mesmo lá como cá!

 

Mas para uma região que pretende ter o apodo de «Terra da Água» onde está a estratégia e a coordenação?

E, por isso, pergunto-me, qual tem sido o papel da eurocidade, em particular nesta vertente?

 

É certo que não acompanho com assiduidade o trabalho desta instituição que é liderado por um cariz fortemente autárquico, mas tenho para mim que, talvez por isso mesmo, está excessivamente burocratizada, não deixando os seus verdadeiros actores/agentes (individuais e colectivos) de desenvolvimento com iniciativa suficientemente livre para a cooperação e construção, autêntica, do território que nele habitam. Dito de outro modo. Faltam duas componentes essenciais para a dinamização desta eurocidade (porque diagnósticos e estudos não faltam!): maior envolvimento e participação das populações e instituições locais (porque tudo se engendra nos gabinetes com técnicos,políticos e burocratas, quando o desenvolvimento não é, essencialmente, levado a cabo por eles!) e a criação de sinergias para, com engenho, criatividade e arte, levar a cabo uma autêntica animação (cultural) do território, que dê vida a esta terra e a ponha verdadeiramente no mapa transfronteiriço e da europa das regiões!

 

Doutra forma, tudo correrá ao sabor das oportunidades particulares, dos negócios e negociatas de momento. Ou seja, dos oportunismos e oportunistas

 

Com manifesto prejuízo para uma região, já por si só, bem deprimida!

 

 

Deixo, agora, para visionamento do leitor(a), um singelo diaporama desta caminhada.

 

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Por terras da Gallaecia - Caminhada:- Rotas parciais das águas de Verín e do Pozo do Demo (Galiza) - I

 

 

CAMINHADA – ROTA PARCIAL DAS ÁGUAS DE VERIN E DO POZO DO DEMO

 

PARTE I

 

2. Agosto. 2013

 
 
 

CALDAS DE CHAVES

 

Onde acaba o ribeiro de Rivelas,

Aqui ao pé de Chaves, a Poente,

Brotam águas em caudal fervente

Rivais das de Vichy ou de Caldelas!

 

O povo francamente vai colhê-las

Em alegre vai-bem… constantemente.

De fama e valor surpreendente

Aonde ir encontrar outras mais belas?

 

Terras sãs e gentis de Portugal,

Vós não tendes a doce regalia

De ter assim um privilégio igual!

 

Chamemos-lhe invulgar preciosidade,

Que muito outrora Roma invejaria

E pela qual de fez esta cidade.

 

Artur Maria Afonso, pai de Nadir Afonso

- Chaves, 26. Dezembro.1939

Do Livro de poesias “AURAS PERFUMADAS

 
 
(Nadir Afonso - Tâmega, 1947)
 
 

1.- DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA CAMINHADA

 

Tinha sugerido ao amigo Fábio que seria interessante fazermos a «Ruta das áugas de Verín».

 

Quando, no passado dia 2 de Agosto, iniciámos a caminhada, porque não tinha dado uma vista de olhos no mapa, que previamente Fábio me tinha enviado, ao iniciar a caminhada, uma vez que ela se inicia na Capela de São Lázaro, junto ao albergue de peregrinos, ou Casa do Escudo, estava convencido que era mesmo a «Ruta» que íamos fazer.

 

Lentamente fui-me apercebendo, e como se indica no mapa daquela «Ruta», que não nos estávamos a dirigir para Cabreiroá, San Antón, Sousas, Fontenova, Fonte do Sapo, Caldeliñas, Ponte da Pousa para, depois, regressarmos à Capela de São Lázaro! 

 

 

Mas sim um outro feito pela sua lavra.

 

Mais uma, de entre muitas partidas, que Fábio nos pregava! Tínhamos que andar mais quilómetros e aumentar o grau de dificuldade das etapas. Daí, há que adaptar a rota!

 

 
Assim, da Capela de São Lázaro,

 

 
atravessámos o centro urbano de Verín;

 

(Perspetiva nº 1)

 

(Perspetiva nº 2)
 
a 400 metros do centro, passámos por Fontenova;

 

(Fachada principal do balneário de Fontenova)

 

(Fontenova - pormenor da fachada principal do balnear)

 

logo a seguir pelo manancial de Sousas e,

 

(Instalações industriais da Águas de Sousas)

 

(Águas de Sousas - pormenor do portão)

 

(Águas de Sousas - Buvete)

 

(Águas de Sousas - pormenor de uma das portas de entrada da buvete)

 

depois, subindo, embrenhámo-nos nos montes sobranceiros a Cabreiroá, passando por Bemposta e Veiga de Meás.

 

(Trecho nº 1)

 

(Trecho nº 2)
 
Aqui, nestas terras de montanha, o mesmo trabalho agrícola de sempre, ainda nos moldes tradicionais,
 
 
os mesmos rostos chisnados pelo sol e pela vida, uns mais sérios e curiosos,

 

 

outros mais alegres, em ambiente tipicamente rural.

 

 

A partir de Veiga de Meás, percorremos parte da «Ruta do Pozo do Demo», através de um traçado com uma panorâmica fantástica sobre o vale de Monterrei e Verín.

 

 
A determinada altura, deixámos a «Ruta do Pozo do Demo» para, descendo, nos dirigirmos a Cabreiroá, passando pelo seu núcleo urbano.
 
(Cabreiroá - perspetiva nº 1 do casario)
  
(Cabreiroá - perspetiva nº 2 do casario) 
 

 

(Cabreiroá - perspetiva nº 2 do casario)

 

(Cabreiroá - pormenor nº 1 de uma habitação)
 

 

(Cabreiroá - pormenor nº 2 de uma habitação)

 

Mais à frente, entrámos no parque do manancial das Águas de Cabreiroá.

 

 

Aqui se apresenta a respetiva planta do complexo.

 

 

Dirigimo-nos até à buvete e entrámos nela para beber um copo das suas águas.

 

(Águas de Cabreiroá - Buvete)

 

(Águas de Cabreiroá - Interior da buvete)

 

O complexo de Cabreiroá é um lugar relativamente isolado e aprazível. Com um parque

 

 

e um hotel-balneário bonitos. Pena o hotel-balnear não estar em uso e já em decadência!

 

 

Deparámos com uma estátua à entrada das instalações industriais. Trata-se de D. Santiago Ramon y Cajal, prémio Nobel de medicina em 1906, e insigne prescritor das águas de Cabreiroá.

 
 
 

Antes de sairmos do complexo, ei-lo, partindo, um camião carregado de água engarrafada deste manancial para todas as partes de Espanha.

 
 
Saindo do parque do manancial de Cabreiroá, seguimos em frente para, ao fim da estrada, girarmos para noroeste
 
 
 

pelos bairros próximos da cidade de Verín, até chegarmos ao nosso ponto de partida a Capela de São Lázaro.

 
 
 

Aqui chegados, e como jáé habito, Fábio e Mitok, antes de refrescarem os estômagos no Jamón Jamón, dirigem-se, logo ali ao lado, ao rio Tâmega, para refrescarem os pés nas suas águas.

 

(Continuação da Caminhada no post seguinte - Parte II)

 


publicado por andanhos às 13:27
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Domingo, 4 de Agosto de 2013

Por terras da Gallaecia - Caminhada rondando para NE/SW as veigas de Verin e Monterrei

 
 

 

CAMINHADA - RONDANDO PARA NE/SW AS VEIGAS DE VERIN E MONTERREI

31. Julho. 2013

 

 
 
Mapa do percurso
 
 
 

Para completar os sete Caminhos mais importantes de Santiago, só me falta fazer o Inglês. Que vai desde Ferrol, ou de Corunha, até Santiago de Compostela.

 

Combinei com meu amigo Fábio que, juntamente com Mitok, seu filho, o fazíamos logo no início de Setembro. São apenas, partindo de Ferrol, 110 Km.

 

 

Mas, para Fábio, um viciado no caminhar, há que treinar para fazer o Caminho!... E daí até fez programa de treino e tudo, que inclui no mesmo treino, Mitok que, lá para mim, mais gostaria do sabor da cama de manhã, durante este mês de Agosto, depois de um ano aplicado com sucesso nos estudos, do que se levantar, dia sim, dia não, às 6 horas menos um quarto da manhã para, por volta das seis e meia, sete horas, percorrer entre vinte e cinco a trinta quilómetros por jornada.

 

O território escolhido por Fábio para as nossas «manobras» foram as terras de Verin e de Monterrei, ou mais propriamente, os concelhos que integram a Mancomunidade de Verin, em especial, Verin, Monterrei, Castrelo do Val e Vilardevós.

 
 

Os exercícios têm-se feito subindo, de caminhada a caminhada, o grau de dificuldade.

 

A primeira caminhada, ao longo da veiga de Verin e de Monterrei, embora longa, fez-se sem grande dificuldade: o terreno era praticamente plano, a não ser a subida para o Castelo/Fortaleza de Monterrei.

 

A caminhada de hoje, no sentido NE-SW das veigas de Verin e Monterrei, já apresentou um pouco mais de dificuldade ao entrar nos «contrafortes» da serra ou montes que cercam estas duas veigas.

 

Que há destacar nesta caminhada? Nada de novo ou de especial.

 

Os mesmos símbolos religiosos.

 

 

A mesma flora que nasce e cresce espontânea pelos campos ou à sua beira.

 

 

A mesma tipologia de varandas das casas, tal como cá.

 

(Exemplar nº 1)

 

(Exemplar nº 2)
  

As mesmas torres campanários sobranceiras ou no meio da aldeia.

 

 

As mesmas alminhas.

 

 

E, na aldeia de Gondulfes, a maior por que passámos, o seu casario típico.

 
(Casa nº 1)

 

(Casa nº 2)
 
Como referi, Fábio, um «walkólico», TwoNav em punho para não perder o traçado do percurso, por ele desenhado, com respetivos «tracks», segue, quase sempre, em passada forte, à frente, tentando marcar o ritmo.

 

 

Eu, porque não dizê-lo, «paparazzo» da paisagem, sigo logo atrás, procurando pormenores que façam a diferença na paisagem. E contemplando, deliciando-me com todo o entorno do percurso da caminhada. Por isso, normalmente, não quero saber por onde vou. Tenho confiança na orientação do companheiro, auxiliado, obviamente, pelas novas tecnologias!

 

Estas paisagens são todas muito idênticas e sem grandes elementos diferenciadores. Comparadas com as nossas transmontanas não lhes encontro qualquer diferença distintiva. Por isso mesmo, o seu encanto: pelo sentimento de nos sentirmos em casa!

 

Mitok parece uma «libelinha»: ora «pousa» ao lado do pai,

 

 

onde durante largos períodos de tempo vão falando «das suas vidas» e daquilo que também na paisagem mais lhes capta a tenção; ora se deixa atrasar, à espera do seu «padrinho emprestado», para falar dos seus, dos seus sentimentos e impressões sobre as coisas e a vida e, em especial agora, da sua vida estudantil na cidade que escolheu para a sua formação superior – a Lusa Atenas.

 

o longo período em que caminho sozinho e nada me desperta a tenção em especial para o «metralhar» de um «clic» na máquina fotográfica, dou comigo a pensar no conteúdo de um poema que no dia anterior tinha lido de um poeta galego – Antón Tovar, escrito em 1925. Intitula-se “Oh! Tempos de alegría e de ventura”.

 

Aqui, neste blog, num post, eu me referia um pouco à nostalgia do tempo da minha infância (http://andanhos.blogs.sapo.pt/4468.html).

 

 

Não sei porquê estas duas paisagens tão diferentes entre si – Galiza e o «meu» Douro profundo – evocam-me o mesmo sentimento nostálgico!

 

Talvez tenha sido o poema de Tovar que as uniu. Ao me fazer lembrar a minha infância…

 

Aqui, sentado neste banco de Caldeliñas, relembrava-o, enquanto esperava os companheiros que os tinha perdido no percurso mas que, logo logo, os encontrei.

 

 

E que agora partilho com os meus (minhas) leitores (as):

 

Oh! Tempos de alegría e de ventura,

andar ós grilos na erba ou ós paxaros.

Oh, tempos de galanos, ríos claros,

trocados hoxe en tempos de impostura.

 

Polos veraus alegres cuca o cuco,

Polo meu corazón cuca a tristeza,

e escribo só blasfemias , mentras reza

a miña nai terrea e abre o suco

 

dunha patria celeste da que dudo.

A miña patria foi nenez esquiva,

Eu non teño outra patria, non me iludo.

 

Non quero deuses, vento fuxidío.

Miña patria  será, namantras viva,

Os grilos que apañava e aquil río…

 

 

Deixo, agora, para visionamento do leitor(a), um singelo diaporama desta caminhada.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 

 

 

 


publicado por andanhos às 23:27
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