Quarta-feira, 24 de Julho de 2013

Gallaecia:- Por terras da Gallaecia - Caminhada à volta da veiga de Verin


 

CAMINHADA À VOLTA DA VEIGA DE VERIN

 

20. Julho. 2013

 

 

VEIGA DE CHAVES

 

Abençoada planície que produz

As frutas saborosas, estimadas.

Dão suas vides viçosas, tratadas,

O vinho capitoso que reluz

 

Centeio, trigo, tudo flux

Se cria em suas glebas cultivadas.

Mil batatais… olivas carregadas…

Nunca de frutos são seus campos nus!

 

Terra augusta vincada pelos ferros!

Clareira aberta em transmontanos cerros,

De prados esmaltada docemente!

 

Que belas iguarias dás ao homem!

Nos anos que despontam e se somem

És mesa sempre posta lautamente.

 

Chaves, 24. Maio. 1939

Do livro de poesias “AURAS PERFUMADAS” – Artur Maria Afonso, pai de Nadir Afonso

 

 

(Margens do Tâmega - Nadir Afonso)
 
 
 

Estes dois símbolos do poder, da força, da riqueza e da astúcia, foram atalaias divisórias de uma área que, desde os confins da bacia do rio Doiro até para lá da serra de São Mamede fizeram parte de um território indissoluvelmente indivisível – a Gallaecia.

 

(Castelo de Chaves)

 

(Castelo/Fortaleza de Monterrei)
 

Não são irmãos gémeos: são uma mesma entidade geográfica, cultural e territorial.

 

Que o diga as gentes que o habita: separados politicamente pelo poder, jamais, mesmo quando a força era usada, foram dominados, mas nunca submetidos às vontades dos todos poderosos terra-tenentes, possuidoras das terras!

 

Sempre se relacionaram.
 
Sempre conviveram.
 
Sempre cuidaram da terra da mesma maneira,
 

 

(Cavalo transportando o arado)

 

(Regando a horta)
 
colhendo dela os mesmos frutos.

 

 
Sempre lutaram em conjunto e, em conjunto, padeceram as mesmas adversidades.
 
Sempre viveram como se de uma mesma comunidade se tratasse.
 
Sempre habitaram as mesmas casas, feitas dos mesmos materiais recolhidos no território que escolheram para habitar.

 

 
Com os mesmos gostos
 
 
e uma enorme capacidade adaptativa e criativa.

 

 
Sempre viveram sob a proteção dos mesmos símbolos religiosos.

 

 
Sempre amaram tendo como leito a palha que lhes dava o alimento, a eles e aos seus animais.

 

 
 Na companhia das ervas

 

 
e das flores silvestres, adornando-lhes o leito.

 

(Adorno nº 1)

 

(Adorno nº 2)

 

(Adorno nº 3)

 

 
Independentemente da fronteira política que os separava.
 
Porque a terra-mãe que os acolheu chamava-os para a vivência quotidiana moldada ao ritmo das suas luas, do seu sol,

 

 
 

dos seus ventos, das suas alturas, das suas planuras, dos seus cerros, das curvas do seu solo e do mesmo rio que os banha – o Tâmega – que, mais para sul, se vai entregar nos braços do grande rio que a todos nos define e molda – o rio Doiro.

 

 
Percorrer, desta feita uma caminhada de, aproximadamente, 25 Km, conforme mapa que aqui se apresenta,

 

 
 
pelas terras dos vales de Verin e de Monterrei, é o mesmo que continuar um roteiro no mesmo território,

 

 

que já vem desde os confins da veiga de Chaves e que quer eu, quer o meu amigo Fábio, percorremos, constantemente, em múltiplas e sucessivas caminhadas por esta terra-mãe, berço do quotidiano das nossas vidas.

 

Depois, nada melhor do que no final de uma caminhada destas, como tomar um banho nas águas límpidas do Tâmega, em Verin, junto à Casa do Escudo, albergue de peregrinos daqueles que, quer por Xinzo de Limia, quer por Laza, seguindo o Caminho Sanabrês da Via da Prata, se deslocam a Santiago de Compostela. E, após uma banhoca e ligeiro descanso, - e nos secarmos -, na relva contígua à margem do rio, nada melhor do que, como aperitivo, comer umas «tapas», acompanhadas de uma «caña», enquanto o forno da «Casa Rosca» acaba de cozer a «empanada» para o almoço.

 

 

Deixo agora, para visionamento do leitor(a), um singelo diaporama desta caminhada na veiga de Verin.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].


 

 

 


publicado por andanhos às 22:06
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Segunda-feira, 22 de Julho de 2013

Por terras de Portugal - Caminhada à volta das Terras do Risco

 

 

 

CAMINHADA À VOLTA DAS TERRAS DO RISCO – PARQUE NATURAL DA ARRÁBIDA

 

10. Julho.2013

 

 

 

 

 

 

IMAGEM

  

Ó corpo feito à imagem

de meu desejo e meu amor,

que vais comigo de viagem

pra onde eu for,

 

que mar é este em que andamos,

há três noites bem contadas

e não tem ventos nem escolhos

nem ondas alevantadas?

 

que sol é este, que aquece,

mas sereno, tão sereno,

que nem te põe menos branca

nem a mim põe mais moreno?

 

que paz é esta, nas horas

mais violentas e bravas?

(Sorrias: ias falar. Sorrias e não falavas.)

 

que porto é este? Esta ilha?

que terra é esta em que estamos?

(Era uma nuvem, de longe…

Deixou de o ser, mal chegámos.)

 

e este caminho, onde leva?

e onde acaba este jardim

que é tão em mim que é em ti?

que é tão em ti que é em mim?...

 

Ó alma feita à imagem

do sonho que me desmede

-  que sede é esta que temos

que é mais água do que sede?

 

Sebastião da Gama – Pelo sonho é que vamos, 1951

 

 

 
 

1.- Traçado do percurso proposto a realizar

 
 
 

2.- Mapa do percurso realizado

 
 
 

 

3.- Relato do projeto de uma caminhada abortada

 

Em Fevereiro passado, com o meu amigo Neca, percorremos a Serra do Louro, no Parque Natural da Arrábida, para os lados de Palmela, seguindo o «Trilho dos Moinhos».

 

Naquela altura ficou combinado que, numa minha próxima deslocação mais para sul, iriamos percorrer as Terras do Risco, na Serra do Risco, mais para sudoeste, para os lados do Parque Natural da Arrábida, na área de Sesimbra.

 

Estávamos decididos a percorrer o itinerário proposto pelo Mapa editado pelo Instituto de Conservação da Natureza, Divisão de Informação e Divulgação, editado em 1998, que o obtemos na sede do respetivo Parque Natural de Arrábida, em Setúbal, com a indicação de itinerário I.

 

Bem procurámos, naquela sede, mais informações sobre percursos pedestres, na área do Parque Natural da Arrábida, mas a resposta foi lacónica: não temos outra informação, a não ser este Mapa, nem tão pouco temos outros mapas ou qualquer informação mais concreta sobre percursos pedestres.

 

Assim, tivemos de procurar nos diversos sítios da internet que, diga-se de passagem, e pelo que pesquisámos, para quem quer fazer percursos pedestres na área deste Parque Natural, não é assim tão abundante e, não raras vezes, pouco esclarecedora.

 

A páginas tantas, fui dar com um artigo de um jornalista, cujo nome já não me recordo, na Revista «Visão», de 24 de Maio de 2012. Para os aficionados das caminhadas, o autor apresentava «três segredos» na Serra da Arrábida. O terceiro deles era o «Risco e o Píncaro». Apresentava o traçado circular do percurso, já acima identificado, e uma descrição relativamente pormenorizada do mesmo.

 

Entre a sugestão referida no Mapa do ICN, hoje, Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e a proposta do artigo do jornalista da «Visão», optámos por arriscar fazer este último. O motivo era o interesse acrescido de subir ao Píncaro, observar toda aquela paisagem que, dizem, ser fabulosa, a partir da maior falésia da Europa Continental (380 metros de altura), projetando-se sobre o oceano Atlântico.

 

Estudadas todas as indicações do percurso oferecidas pelo referido jornalista, às seis horas da manhã, do dia 10 de Julho do corrente mês, desde os lados de Palmela e Pinhal Novo, dirigimo-nos em direção a Sesimbra, ao encontro do Km 6, da EN 379.

 

Apesar de um ou outro engano no percurso, não perdemos de vista a EN 379. Contudo, dar com o Km 6, tão falado, segundo o jornalista, é que foi uma despaciência. Fomos até Santana e Sesimbra e o Km 6 nem vê-lo, «de grilo». Bem perguntávamos a quem víamos pela estrada, mas ninguém nos soube responder, dar uma resposta cabal e satisfatória. Ninguém sabia, por aquelas bandas, onde ficava o Km 6 da EN 379… Andámos de trás para a frente, e da frente para trás, mais de uma hora até que, já sem paciência, acabámos por desistir do projeto deste percurso e fazer o sinalizado pelo Mapa do Parque Natural da Arrábida, obtido na sua sede.

 

Eram, aproximadamente, 8 horas e 30 minutos da manhã quando estacionámos o carro perto da Rotunda da EN 379/Avenida Sérgio Pereira de Melo, mais conhecida pela Rotunda dos Espadartes
 
 
 

e, pelo asfalto, seguimos a EN 525 em direção a Pedreiras e Boieiro.

 

Na Rua das Penas, creio que em Pedreiras, um simpático lavrador deu-nos as indicações que reputámos necessárias para nos dirigirmos até às Terras do Risco, a partir da Estrada Casais de Calhariz.

 

A primeira parte do percurso – uma pista larga, lisa, de terra batida, e longa – foi um suplício, tal era a quantidade de pó que andava no ar e aquele que os constantes camiões, entrando e saindo das pedreiras, localizadas mesmo ali nas proximidades, faziam.

 

A partir de Calhariz, e ficando já as pedreiras um pouco afastadas, o ar tornou-se mais respirável.

 

Aqui em Calhariz, pela pesquisa que tínhamos feito, sabíamos que, perto, se situava a célebre «Marmita Gigante». Mas, como o nosso projeto inicial não era este, não levávamos informação na mochila nem mapas suficientes para nos podermos ali dirigir. Indicações ao longo do caminho não havia nenhuma! Por tal circunstância, a «Marmita Gigante» “ficou-nos ao largo”. E foi pena…

  

Continuámos, assim, ao longo da Estrada Casais de Calhariz e, ultrapassando os seus inúmeros casais, dos quais

mais se destacam a Quinta do Calhariz, com o Mosteiro de Nossa Senhora Vestida do Sol, das monjas de Belém,

 

(Casario da Quinta do Calhariz)

 

(Quinta do Calhariz - Pormenor 1)

 

 

(Quinta do Calhariz - Pormenor 2)

 

o Casal do Desembargador,

 

 (Portão de Entrada)

 

(Casario em ruinas)

 

e uma ou outra construção singela

 

(Casal Poço da Nora)

 

(Pormenor de um equipamento rural)

 

bem assim um ou outro pormenor do recorte da paisagem encontrado pelo caminho.

 

(Recorte nº 1)

 

(Recorte nº 2)

 

Não tendo dado conta do trilho que, encurtando caminho, nos lançasse nas Terras do Risco, continuámos pela larga «picada» até Casais da Serra, observando, no seu esplendor, a Serra da Arrábida.
 
 
Andando pelo asfalto fomos ao encontro da Quinta de São Francisco.
 
 
 

Um pouco mais acima um grupo de ciclistas cruza connosco e solicitámos-lhes informações que nos precisasse a melhor rota para chegarmos à charneca das Terras do Risco e ao alto do Píncaro. Constatámos que pisávamos o asfalto da EN 379-1 e que, um pouco mais à frente, disseram-nos, deveríamos sair da estrada e entrar num trilho à direita, precisando, com pormenores, a melhor maneira de chegarmos ao Píncaro. Mas advertiram-nos que tínhamos um bom par de horas de caminho para lá chegar. E com este calor!..., diziam, é melhor levarem água em abundância. De fato, o meio-dia aproximava-se a passos largos, fazendo-nos sentir já, sob um sol que começava a abrasar, um calor seco, incomodativo.

 

Mas estávamos determinados a atravessarmos as Terras do Risco e subir ao alto do Píncaro. Tínhamos água que havíamos comprado num café a saída da povoação de Pedreiras; a merenda era farta, substancial; a disposição e estado físico eram bons. Por isso, resolutos, continuámos a nossa jornada, tateando os trilhos com a ajuda dos autóctones e dos forasteiros frequentadores destas paragens, como estes ciclistas furtivos, frequentadores destas paragens.

 

Uns metros à frente um portão com a seguinte indicação: «El Carmen».
 
 
 

Tínhamos vagamente referência desta Quinta, com capela. Afinal era a construção que, no meio da serra, víamos enquanto percorríamos a Estrada dos Casais de Calhariz.

 
 
 

Mudança de planos: tínhamos que ir ver aquela construção. E metemos pé acima pelo asfalto até à moradia da quinta. Ao chegar ao casario, damo-nos conta de que se tratava de uma propriedade privada. Naquele preciso momento estavam a sair, de jeep, as suas proprietárias: duas senhoras e uma menina – mãe, filha e neta. Obviamente que nos perguntaram o que fazíamos ali. E nós fomos dizendo qual era o nosso intento. Pacientemente as senhoras explicaram-nos como, dali, poderíamos dirigir-nos até às Terras do Risco.

 

Pedimos autorização para nos quedarmos ali um bocadinho a descansar um pouco para depois continuarmos a nossa caminhada. Acederam amavelmente. Simpática e prestável gente!

 

Depois de descansarmos um pouco e de darmos uma vista de olhos pelas construções da quinta

 
 
(Vista geral da casa e capela)
 
 
(Vista parcial da capela)
 
e seus adornos,
 
(Pormenor nº 1 da fachada da casa)
 
 
(Pormenor nº 2 da fachada da casa)
 
 
(Pormenor nº 3 da fachada da casa)
 
(Carroça já posta a um canto)
 

seguindo as indicações das senhoras, embrenhamo-nos no trilho da serra.

 

Aqui, pela primeira vez, demos conta da existência de uma sinalização a indicar que estávamos num trilho de um percurso de «longa rota», o qual nos levou, finalmente, atravessando e descendo a serra, com a sua vegetação característica, até ao célebre Km 6, aquele que, segundo as indicações do dito jornalista da «Visão», seria o início do percurso que nós queríamos fazer. Enquanto atravessávamos este bocado de serra, eis á nossa frente a serra do Risco, protegendo as terras do seu lindo vale dos ventos oceânicos.

 
 
 
Só que, conforme se pode ver pela fotografia que se mostra,
 
 
 

e pelo extrato texto do jornalista, que também se apresenta, a EN que efetivamente tem o Km 6 não é a 379, mas sim a 379-1. Esta “pequena”/grande falha, ou eventual gralha tipográfica, prestou uma deficiente informação para quem não é “habitué” destes locais e foi suficiente para andarmos quase duas horas à procura do Km 6, da EN 379, e mais três horas para, de Santana, atravessarmos Pedreiras, Calhariz e Casais da Serra quando, afinal, o Km 6 naquela estrada não existe!

 
 

Apesar do adiantado da hora, e de o calor começar a apertar, o termos descoberto o célebre Km 6 deixou-nos radiantes.

 

Descoberto o engano, agora era só seguir as orientações do artigo do jornalista para, finalmente, e agora sim, – pensávamos nós –, atravessando a charneca do vale do Risco, facilmente, e embora com um certo esforço na subida, estaríamos no Píncaro, o tal ponto mais alto da falésia da Europa Continental, observando em toda a sua grandeza o oceano Atlântico e toda a sua envolvente.

 

Sabíamos exatamente o lugar onde deveríamos chegar que, aliás, se via a olho nu cá de baixo do vale. Teríamos agora que ter toda a atenção para seguir o trilho certo que lá nos levasse.

 
 

Mas… azar o nosso: o jornalista dizia-nos que teríamos de passar por umas ruínas de um curral e, como não vimos nenhuma dessas ruínas, seguimos por um trilho que cuidámos ser o correto.

 

A meio desse trilho, de entre tantos que por ali proliferam, tantos quantos as “focinhadas” de javali que por ali andam à procura de comida,
 
 
 
parámos para descansar um pouco e almoçar.
 

Era uma menos um quarto da tarde. O marco geodésico, coincidindo com o Píncaro, víamo-lo já muito perto, quase no prolongamento da exploração de uma grande pedreira.

 

 

 
 

Mudada a roupa encharcada de suor; um pouco mais frescos, e bem comidos, saímos da sombra de um grosso e enorme pinheiro manso, ao abrigo do qual nos protegemos da canícula que fazia, para atingirmos a última parte daquele que era o nosso grande objetivo: o Píncaro.

 

Eis, do sítio onde parámos, o enquadramento das Terras do vale do Risco (charneca);

 
 
alguma flora: uma, ainda viçosa;
 
 
(Cardos)
 
(Pormenor nº 1 de um cardo)
 
(Pormenor nº2 de um cardo com uma borboleta pousada)
 
(Frutos de vegetação autóctone) 
 
(arbusto autóctone florido)
 
outra, já seca,
 
 
(Cardo já quase seco) 
 
como a flor desta canafrecha (Férula communis)
 
 
com a qual, ao longo do caminho, o amigo Neca cortou uma delas, bem alta, para, com o seu tronco, fazer um cajado para cada um;
 
 
 
bem assim já frutos de arbustos autóctones.
 
 
 
Não podia faltar nesta reportagem a referência à borboleta do medronho [Charaxes jasius, (Linnaeus, 1767)], aqui muito frequente, uma das maiores das diferentes espécies de borboletas,
 
 
 
frequentadora dos medronhos e seus frutos,
 
 
 
bem como à rosa albardeira (Paeonia broteroi), também muito abundante na charneca do vale do Risco.
 
 
 

Durante vinte minutos percorremos um trilho que julgávamos que seria o que nos levaria até lá mas, a certa altura, o trilho desaparece e apenas defrontamos com um imenso e denso carrascal. O calor apertava. Já passava um pouco das duas da tarde. Resolutos fomos penetrando pelo meio dos carrascos que, de todas as frentes, nos arranhava e se tornava cada vez mais denso e impenetrável. E nem sequer vislumbrávamos um pequenino trilho que fosse! Mais de três quartos de hora debaixo deste enorme “arranhiço”, sob um sol abrasador, tomámos a decisão de voltar para trás.

 

O enorme carrascal, algumas silvas, e o sol abrasador venceu-nos. Desistimos. E voltámos para trás, seguindo o trilho que nos levou até às pedreiras e, daqui, pelo asfalto, até onde tínhamos o carro estacionado.

 
 
 

Ficamos hoje derrotados, mas não vencidos. Ficou a promessa de que um dia, com melhor informação, partindo desta nossa experiência, iremos lá chegar. Porque desistir é só para os fracos! Mas há que ser realista e bem conscientes não só das nossas possibilidades mas também das nossas fraquezas.

 

Aqui fica a foto do meu companheiro Neca, em equipamento de campanha de um projeto de uma caminhada abortada.

 
 
 

4.- Considerações finais

 

 

Em primeiro lugar, é lamentável que, uma serra com o encanto tão especial, os organismos oficiais que gerem e superintendem esta área não tenham mapas atualizados e informação suficiente que nos leve a percorrê-la, conhecê-la e, por essa via, a amá-la. Em período de contenção orçamental esta não é uma área que seja sujeita a contenções orçamentais agressivas. Afinal de contas, este é um território/santuário com um enorme potencial e valência turística e, por isso mesmo, fonte de riqueza para o país. Há que saber, pois, aproveitá-la.

 

Em segundo lugar, não se entende o enorme fundamentalismo em termos conservacionistas em confronto com a total irresponsabilidade quanto à extração e conservação dos seus recursos. Proíbe-se entrar, nomeadamente, na Mata do Solitário, sob pena de forte e pesada multa, em contrapartida, numa das paisagens mais bonitas do parque, deixa-se esventrar o seu solo, degradando a paisagem, dando cabo de espécies nativas por via do enorme pó que ali se produz pela extração da pedra dita ornamental!

 

Em terceiro, e último, lugar, porque não se faz uma sinalização adequada dos diferentes e bonitos percursos que, pelas diferentes serras do parque se podem efetuar, nomeadamente na Serra do Risco e seu vale (charneca) e, daqui, até ao Píncaro e outros lugares de enorme disfrute paisagístico? É o mesmo fundamentalismo conservacionista que aqui impera? Entretanto, e para quem tem olhos – e queira ver – aquela floresta de vegetação mediterrânea típica da Macaronésia, com vestígios de Laurissilva, floresta pré-histórica, em vez de ser devidamente pisoteada pelos amantes e acarinhadores da natureza, amigos da paisagem, das suas espécies botânicas e fauna caraterística do lugar, está sendo completamente devassada por alguns amantes do BTT, enxameando a área de trilhos e trilhinhos, sem o mínimo de respeito pela vegetação autóctone. Cultura e autêntica educação ambiental, precisa-se! Sem radicalismos. Os radicalismos, ou fundamentalismos, a maioria das vezes, funcionam ao contrário, levando ao desrespeito daquilo que o homem tem de mais precioso – a mãe-natureza, berço que nos criou; terra que nos acolhe nesta que é uma passagem pelos seus domínios e que, um dia, nos receberá no seu seio, num abraço final e eterno.

 

Deixo agora, para visionamento do leitor(a), um singelo diaporama desta caminhada à volta das Terras do Risco.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 

 

 

 

 

 

 


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