Quinta-feira, 20 de Junho de 2013

Gallaecia: Por terras da Gallaecia (Caminhada na Pista do Marroquí)

 
 

CAMINHADA NA PISTA DO MARROQUÍ(AVE)

 

01.Junho.2013

 

 

 

A necessidade de encurtar distâncias entre Galiza e A Meseta

 é uma constante histórica sempre actual.

As dificuldades orográficas, económicas e políticas para as ultrapassar, também.

 

Há muitos exemplos, mas nenhum foi nem porventura venha a ser

tão complexo como a construção do caminho-de-ferro do sul (Galiza).

Este constituiu um desafio para a engenharia e

 para uma numerosa mão-de-obra face a uma

geografia violenta em momentos históricos convulsos.

 

Por estas linhas transcorre parte da nossa história (…).

É também um reconhecimento às pessoas que a viveram directamente,

 às pessoas que morreram na via ou ao pé dela.

 

Aos vivos e aos mortos.

 

Rafael CidCarrilanos, os túneles dun tempo

 

(Traçado da Pista do Marroquí, de Toro a A Alberguería-Prado)
 

 

1.- A Pista do Marroquí no contexto da construção da linha de caminho-de-ferro entre Madrid e a Galiza

 

Não cabe aqui neste post, que pretende descrever uma simples caminhada, feita com os meus amigos Fábio e Mitok, no passado dia 1 de Junho, desde a estação de caminho-de-ferro de Laza-Cerdedelo até à estação de A Albergueria-Prado, Galiza, (Província de Ourense), por um traçado, caminho ou pista, feita nos anos 40/50 do século passado – a célebre Pista do Marroquí – com o seu troço mais significativo entre Toro e Correchouso, contar aquilo que foi a epopeia da construção do caminho-de-ferro de Madrid para a Galiza, em especial os seus dois troços que vão de Zamora até Ourense: o primeiro, de Zamora a Puebla de Sanábria; o segundo, porventura o mais duro, e também dramático, o que vai de Puebla de Sanábria até Ourense.

 

Desde meados do século XIX, em que foi projectada, o que se pretendia era ligar Madrid com o importante porto de Vigo, na Galiza, atravessando a Meseta. Dado que Medina del Campo já estava unida a Madrid, iniciou-se então o traçado de Medina a Zamora, nos anos 20 do século XX. Só cinquenta anos mais tarde o troço Zamora- Ourense.

 

A Pista do Marroquí está situada neste segundo troço, entre Puebla de Sanábria e Ourense. Deve o seu nome ao subempreiteiro - Augusto Marroquí - que adjudicou este troço da linha à MZOV (sociedade de Caminho-de-Ferro «Medina del Campo à Zamora y Ourense a Vigo», criada em 1862, a qual, depois de várias fusões, hoje se chama ACCIONA, SA).

 

Foi uma via de serviço para a construção dos túneis, ou seja, serviu para unir as bocas dos túneis que penetravam pelo interior da montanha, principalmente aqueles que são hoje designados pelos nº.s 2, 3, 4, 5 e 6, e situa-se entre as estações de Laza-Cerdedelo e a A Alberguería-Prado.

 

Por ela circulavam as provisões de materiais e maquinaria bem assim os trabalhadores da obra. Uma obra verdadeiramente titânica! Pois tratava-se de um traçado muito difícil, dada a complexa geografia, tendo que se ultrapassar grandes desníveis do maciço central ourensano, com uma quantidade enorme de túneis a realizar.

 

Mas, apesar de não ser meu intento descrever um pouco da história social e política galega (e espanhola) desta época, é bem verdade que esta caminhada pela Pista do Marroquí foi um ensejo não só para percorrer, observar, me encantar e emocionar com tamanha beleza paisagística de uma pista alcantilada, suspensa, na montanha, mas também para relembrar (e meditar) sobre a intensidade dramática dos homens que, naqueles tempos conturbados, sob o ponto de vista social, económico e político, ali trabalharam e em que, a grande maioria, pelas condições em que o trabalho era realizado e pelas suas lutas por melhores condições de vida, dali saíram mortos ou feridos ou enfermos, ao andarem debaixo de toneladas de montanha em condições desumanas.

 

Assim, esta caminhada, para além da sua extrema beleza paisagística, foi, como disse, um momento de me trazer à lembrança que estava a percorrer uma rota que conta a epopeia e a tragédia das gentes que um dia tiveram de construir aquela pista, aquela via numa das montanhas mais difíceis de Espanha. Uma via de caminho-de-ferro repleta de túneis sem conta, por causa dos desfiladeiros do sul do Maciço Central. E lembrar também que estava a percorrer um território que um dia acolheu milhares de trabalhadores que abriram aquele troço de caminho-de-ferro entre as montanhas ourensanas, e que deram acolhida (e também sepultura) a maquis «fuxidos» («escapados») da Guerra Civil e do pós-guerra. Muitos destes fugitivos foram militantes de agrupamentos sindicais (fundamentalmente CNT), que foram criados durante a construção da obra entre Vilar de Barrio e Lubián, nos anos da Segunda República.

 

Grande quantidade de homens eram recrutados de entre as franjas mais pobres da população espanhola, especialmente local, e de presos políticos, da era falangista/franquista, considerados como criminosos. Estes trabalhadores, seres humanos, chamados «carrilanos», tal como, na época, eram tão depreciativamente conhecidos, acabaram as suas vidas naqueles túneis ou sepultados ou enfermos pela silicose, no meio de condições o mais paupérrimas possíveis, muito perto do esclavagismo.

 

E é, por tal fato, que alguns povos situados perto desta via têm monumentos ou esculturas recordando estes homens.

 

Para mim, atravessar este pedaço de território, não era apenas recordar parte de uma história «negra» dos nossos irmãos espanhóis e galegos. Era ter a consciência que pisava um território mítico!

 

Em particular o túnel nº 2, mais conhecido como de «O Corno», que passa bem abaixo da aldeia de Toro (Laza), e em que os vizinhos deste lugar viram passar, em Março de  1949, vários cortejos sinistros. Eram as «brigadillas» da Guardia Civil que iam e vinham das suas operações de «limpeza» na base guerrilheira de A Edreira, do outro lado da montanha de Toro e de Camba, já na descida para Chandrexa de Queixa. É, também, entre muitos outros episódios, a história da morte/assassinato do senhor Golán, caseiro de A Edreira, que as hemerotecas oficiais não contam mas que a memória oral das gentes desta zona mantêm bem vivos os episódios das atrocidades cometidas. Mesmo em relação a trabalhadores portugueses que também aqui laboravam.

 

Por isso recomendo vivamente aos leitores que visionem o documentário de Rafael Cid com a designação de «Carrilanos – os túneles dun tempo», dividido em quatro partes,  que poderão encontrar no sítio da internet (youtube):

 

Deixo aqui algumas falas de alguns (poucos) sobreviventes daquela via, constantes do documentário supra:

 

- Aquilo era uma escravidão;

- Não se ganhava para o pão que se comia;

- As coisas antigas são más de contar;

- Diziam que se morria do «mal da via»;

- Os anos mais maus que passei na vida;

- A via comeu os homens todos.

 

É de realçar também a singela homenagem que a Associação dos Carrilanos de Campobecerros prestaram a três carrilanos portugueses, vizinhos do concello de Castrelo do Val, assassinados no dia 20 de Agosto de 1936, e que contou com a presença de Paula Godinho, investigadora da Universidade de Lisboa que, há décadas, se tem dedicado à investigação deste período «negro» da história espanhola, realçando a importância da solidariedade dos povos fronteiriços, e que os leitores também podem ver no seguinte sítio da internet (youtube):http://www.youtube.com/watch?v=1lykYjxT-fU  (Homenaxe aos carrilanos portugueses asasinados polo fascismo em Campobecerros, em 1936).

 

As obras para o comboio de alta velocidade (AVE) – Madrid-Galiza – encontram-se agora na emblemática Pista do Marroquí dos anos 40/50 do século passado.

 

Tunelar as entranhas do Maciço Central ourensano debaixo de «O Corno», em Laza, aproximadamente duas dezenas de metros abaixo do antigo traçado, custa agora milhões de euros, com condições de trato humano bem diferentes! Naqueles anos 40/50, custou muitas vidas… E, com certeza, o actual troço, tal como aconteceu com aqueloutro, não levará tantos anos a construir, mesmo tendo em conta as dificuldades e a crise por que passamos hoje em dia!

 

Este troço de via – de Zamora até Puebla de Sanábria e de Puebla de Sanábria até Ourense – demorou mais de cinquenta anos a ser feita. Começou no tempo da monarquia; atravessou a ditadura de Primo de la Rivera que, em Galiza, na estância balnear de Mondariz, afirmou que esta obra fazia parte de um “Plano Preferente de Urgente Construção”, recomeçando as obras em 1927; parou na República instituída em Abril de 1931; marcou passo durante a Guerra Civil para, depois, em velocidade cruzeiro, e sob o braço de ferro de uma ditadura pesada, se concluir e inaugurar – o segundo e último troço, Puebla de Sanábria-Ourense, - na era franquista, a 1 de Julho de 1957.

 

Para se aquilatar do calvário, quer em termos financeiros, quer em vidas humanas, quer em tempo, basta apenas realçar dois aspectos: só o túnel de Padronelo (o mais conhecido como o nº 12, com uma extensão de 6 Km) demorou 24/25 anos a ser construído (de 1928 a 1954) e, o troço até Ourense, 30 anos.

 

Não resisto aqui a reproduzir um texto que fala a propósito da inauguração deste segundo, e último, traçado da via férrea entre Puebla de Sanábria e Ourense:

 

 

Inauguración Oficial del Segundo Tramo

PUEBLA DE SANABRIA - ORENSE

 

 

El 1 de Julio de 1957 a las 13:40 horas, llegó el entonces Jefe de Estado, Francisco Franco a Puebla de Sanabria. Ese día se había declarado festivo, con objeto de que todo el mundo acudiese a las Estaciones de la Línea a recibir a Franco a su paso con el Tren Inaugural.

 

Ese Tren estaba formado por una Locomotora Mikado 1-4-1 (ver foto) y un furgón de madera y de bogíes; un Coche - Salón acondicionado para Franco y sus allegados; un Coche - Restaurante; un Coche para las Autoridades y 4 coches más para los invitados.

 

(Locomotora Mikado 1-4-1 , fue la locomotora del tren que inauguro este tramo de ferrocarril)

 

Después de la comida, Franco y su comitiva se dirigieron a la Estación, donde una muchedumbre con las Autoridades de la zona les esperaban. En el Andén de la Estación, el Obispo de Astorga, junto al de Zamora bendijeron el Tren en un breve acto presidido por las Autoridades de Orense y Zamora.

Días antes, el Gobernador Civil, y el Jefe del movimiento en Orense, habían redactado un aviso para que toda la gente de los Pueblos y Aldeas acudiese al encuentro de Franco:

 

“A todos cuantos habitan en las Comarcas, como un solo hombre y al frente de sus Alcaldes, Párrocos y Jerarquías, han de estar en las Estaciones desde las 3:30 de la tarde para saludar al Caudillo. Orensanos todos de la Ciudad y del Campo: El Generalísimo viene a Orense en revista a la provincia. Que nadie falte a la hora de su triunfo ¡Viva Franco! ¡Arriba España! “

 

A lo largo de toda la Línea todos los habitantes estaban a pie de vía o en las Estaciones com pancartas y banderitas, saludando al paso del Tren.

 

El Tren circuló puntualmente según el horario previsto. A las 16:05 llegó a Lubián, última Estación de la Provincia de Zamora. En todas las Estaciones tenía parada prevista de al menos un minuto, durante el cual Franco saludaba desde la ventanilla de su Coche, y mientras tanto su mujer recibía un ramo de flores y eran saludados y aclamados por la muchedumbre. Continuando el viaje llegaron a Verín – Campobecerros a las 17:10, donde excepcionalmente el Tren se detiene durante 7 minutos, desde Verin y Laza acudieron coches de línea y camiones cargados de gente a las estaciones de Campo Becerros y Cerdedelo. Sobre las 18 horas el tren pasa por la localidad de Correchouso, todo el pueblo junto con los vecinos Do Navallo acudimos andando hasta el lugar denominado O Campo Redondo (Entre los túneles 5 y 6) desde donde saludamos el paso del tren. A las 19:00 llega a Orense - San Francisco, donde en la Estación ya no cabe un alma, y tal es el número de asistentes que quieren presenciar la llegada del Tren, que se forman hileras de gente a lo largo de la vía de más de 3 Km. de longitud.

(Fonte:- do sítio da internet: http://www.correchouso.com/Via/ferrocarril_archivos/ferrocarril.htm)

 

O estilo e os métodos para nós, portugueses, não nos são nada estranhos. Afinal de contas, lá, tal como então cá, a realidade… era a mesma!

 

Nada melhor, para terminar este apontamento, como reproduzir as palavras de uma canção que andava na boca dos «carrilanos», cantada a propósito do túnel mais comprido deste traçado – o nº 12, de Padronelo:

 

Túnel doce, túnel doce,

Túnel de mucha largura,

Que a más de cuatro mil hombres

Tu le has dado sepultura.

 

Túnel doce, túnel doce,

Túnel de la Boca negra,

La perdiçion de los hombres

De la juventud gallega.

 

 

2.- Descrição sucinta da caminhada

 

Finalmente propiciou-se a oportunidade de percorrer esta Pista!

 

Em abono da verdade ela não decorreu apenas de, após realizado o Caminho Primitivo de Santiago, no passado dia 30 de Abril, ter percorrido, de comboio, este troço até à A Gudiña, de regresso a casa.

 

Já era um velho projecto, à espera de melhor oportunidade.

 

Tive, pela primeira vez, conhecimento desta pista através do amigo Pablo Serrano, um velho caminheiro, amante da natureza e grande conhecedor dos recantos da sua querida Galiza, que a adotou como verdadeiramente sua.

 

Por tal fato, era com ele que, inicialmente, tinha combinado percorrê-la. Mas, na altura, circunstâncias de momento imprevistas, impediram que a realizasse com o amigo Pablo.

 

A logística no que respeita ao transporte é que dificultava mais a sua realização, dado tratar-se de um percurso linear, de aproximadamente 30 Km, da estação de Laza-Cerdedelo até a A Alberguería-Prado, ou vice-versa.

 

Como sempre, o amigo Fábio, nas suas cogitações, no seu ermitério, lá para os lados da Mãe-de-Água, assessorado pelas TIC, encontrou uma solução cómoda e relativamente pouco dispendiosa: ir de carro até Laza-Cerdedelo logo de manhã cedo; levar farnel substancial para o caminho e, chegados a A Alberguería, esperar pelo comboio das 16.33, horas locais, para nos trazer de volta até à estação de Laza-Cerdedelo.

 

Aprazado o dia, comprados os bilhetes de comboio pela internet, para que a transportadora (Adif-Renfe) soubesse que havia passageiros para embarcar naquela localidade - caso contrário, não pára -, lá iniciámos, com a companhia do Mitok, em curto período de férias antes dos seus exames finais de ano na sua Faculdade, a nossa (minha) tão esperada e desejada caminhada por uma pista que nos deslumbra pela maravilha das suas paisagens mas, simultaneamente, nos conta parte de uma história social galega (e espanhola), de sofrimento, miséria, convulsões e mortes de milhares de seres humanos!

 

E, caso interessante, depois de sairmos da estação de Laza-Cerdedelo e,

 

 

desde a linha, subirmos um talude para irmos de encontro à célebre pista, uns metros mais à frente, eis que à nossa esquerda, damo-nos conta de uma outra grandiosa e gigantesca obra, umas boas dezenas de metros mais abaixo da cota em que caminhávamos - a construção de um dos túneis para a linha do AVE (o comboio de alta velocidade que liga também Madrid às principais cidades galegas).

 

Mas, aqui, a história já é outra! E bem diferente, creio.

 

 
Até ao cruzamento que nos levará até Toro e Camba, depois de observarmos um pequeno e tosco túnel, que dá acesso a um outro caminho,

 

 

a Pista do Marroquí, e a sua envolvente, são verdadeiramente fantásticas!

 

 
Fomos descendo e,

 

 

em pouco tempo fomos ao encontro da boca do túnel nº 2, mais conhecido pelo nome de «O Corno» e que passa a alguns metros debaixo da aldeia de Toro.

 
 
Ao longo da pista, paisagens de cortar a respiração: umas, pela sua extraordinária beleza;
 
 
outras, pela grandiosidade da(s) montanha(s)
 
 
 
bem assim por alguns dos seus recantos.
 
 

Do alto, no meio de uma natureza exuberantemente florida, observa-se a vila de Laza e o vale que a rodeia.

 
 

Uns metros mais à frente, o tal cruzamento que acima falava.

 

Como nossa intenção era seguir na Pista do Marroquí e passar em Correchouso,

 
 
deixámos a visita a Toro e Camba para outra altura, para revivermos, uma vez mais, através da memória das suas (poucas) gentes a(s) sua(s) história(s), muitas delas contadas na primeira pessoa e ligadas à construção desta via, em particular as obras do cabo de ligação que vinha do outro lado da montanha (Armada) e que trazia os materiais e equipamento para a abertura do túnel; da construção da Pista do Marroquí, e da dificuldade da abertura deste túnel e da sua consolidação, dado o terreno ter muita água; e as condições quase infra-humanas em que os célebres «carrilanos» trabalhavam e viviam…
 
 
Continuando a percorrer a pista, os recortes de montanha, por via da construção desta Pista do Marroquí, apresentavam este aspeto exuberante
 
 
 e esta vegetação.
 
(Panorama 01)
 
(Panorama 02)
 
E, ao virar de uma curva,
 
  
 

a vista quase completa da pista, alcandorada sobre um desfiladeiro.

 
(Perspetiva 01)
  
 
(Perspetiva 02)
 
Descendo na pista em direcção à «janela» de «O Corno», um recorte de montanha, qual atalaia ou canhão, a guardar a serra de São Mamede, em frente, toda cor de lilás, com as suas urjes floridas.
 
 
 
E a «janela» do túnel nº2 («O Corno»), rodeada de uma vegetação abundante, em que o castanheiro aqui pontua pela sua quantidade, envergadura e velhice.
 
 
 

Por esta «janela», sensivelmente a meio do túnel, saíam os escombros, aquando da sua abertura.

 
 

Demos uma espreitadela para visionarmos a linha e demo-nos conta que, na maioria do seu traçado, este túnel possui uma dupla abóbada, para melhor sustentação do túnel, dada a instabilidade da sua estrutura. Segundo testemunho de alguns operários, ainda vivos, que ali trabalharam, aquele túnel comeu toneladas de cimento, ao ponto de muita desta matéria-prima, na altura, ter de ser importada da Polónia.

 
 
 

Não admira, pois, como disse, a zona é abundante em água. Mesmo ao lado desta «janela» do túnel, um riacho precipitando-se ao longo do material depositado – a escombreira – em direcção ao rio, no fundo do desfiladeiro, encoberto por abundantes e frondosas árvores ripícolas.

 
 
 

E, se de um lado da referida «janela» do túnel tínhamos um guardião, do outro lado, aparece-nos um outro mais poderoso.

 
 

Mais uma dezena de metros à frente, olhando para trás, para a pista que tínhamos percorrido, eis uma espectacular perspetiva da pista, sobranceira ao desfiladeiro. No cimo da última formação montanhosa, aparece-nos Toro, sob a luz solar já intensa do meio da manhã.

 
 

Até que chegámos á boca de saída (ou de entrada para quem vem de A Albergueria-Prado) do túnel nº 2 («O Corno»). Aqui podemos observar a sua dupla abóbada bem assim a casa (em ruínas) das brigadas de manutenção da linha (Renfe).

 
 
  

Logo a seguir entrámos pela boca do túnel nº 3, saindo da Pista do Marroquí e,

 
 
 
à saída, mesmo em frente, apresenta-se a boca do nº 4.
 
 

E, mais uma vez, olhando para o percurso que já tínhamos percorrido, o espectáculo que se nos oferecia aos nossos olhos!

 
 
Mal refeitos ainda do impacto desta visão, eis que outra se nos apresenta ainda mais espectacular: dois pedaços de rocha do recorte da montanha sobre a pista como que dois guardiões da montanha do outro lado do desfiladeiro, quais canhões apontados ao alto em pose de defesa de algum inimigo vindo dos céus, porque, por terra, estes lugares são «terras do demo», tal o grau de inacessibilidade a que estão (estavam) sujeitas!
  
 
 

Até que, a meia encosta, do outro lado da pista, e no seguimento da serra tão bem guardada, aparece-nos a aldeia de Correchouso, toda ela envolta numa verdejante paisagem que lhe é dada pelos exuberantes soutos que a rodeiam.

 
 
(Vista geral da aldeia)
 
 
(Vista da parte central da aldeia)
 

Correchouso fica ainda um nadinha distante da linha de caminho-de-ferro. A envolvência paisagística, tirando o grande souto que a envolve, é a mesma.

 
 

Na saída do túnel nº 4, encontra-se, tal como no túnel nº 2, uma casa em ruínas, que servia de apoio aos trabalhadores que faziam a manutenção à via.

 
 
À saída do tgúnel nº 4
 
 
avista-se logo a boca do nº 5 que se situa em Campo Redondo.
 
 
Foi aqui, por estas paragens, que os aldeões de Correchouso acorreram ao apelo dos arautos do regime franquista para que, a 1 de Julho de 1957, viessem saudar o «caudillo» na sua viagem inaugural da linha entre Puebla de Sanábria e Ourense.
 
 

Continuando, não cessámos de nos deslumbrar com paisagens como esta, na qual se pode vislumbrar o maciço montanhoso, a Pista de Marroquí e a linha, depois de mais uma saída de um túnel.

 
  

Começando a subir para o alto de Paradiña, no meio de um pequeno vale verdejante, a boca de entrada deste túnel 6

 

 

bem assim toda a sua espectacular paisagem envolvente.

   
 

Quase a chegar ao alto, novos horizontes se vislumbram e nos deslumbram!

 
 

E, do alto, vemos a entrada do túnel nº 67. Aqui a maia é a rainha e o seu enfeite. Do lado de trás do túnel, a Pista do Marroquí, transformada agora em Pista Marroquí(AVE).

 
 

E, numa cota bem mais abaixo do que aquela em que seguimos, mais obras e mais túneis a serem abertos para a nova linha do comboio de alta velocidade (AVE),

 
(Vista geral dos dois túneis)
 
(Vista dos trabalhos de abertura de dois túneis, logo em frente aos dois anteriores)
 
perto da boca de saída do túnel nº 67.
 
 

A partir daqui a Pista do Marroquí, tal como nos anos 40/50 do século passado era, desaparece, dando lugar a uma nova pista – a do AVE.

 

Estávamo-nos a aproximar já muito perto de a A Alberguería, no lugar vulgarmente designado de Portela,

 

  

que se encontra por detrás desta escombreira e central (de betão).

 

 
  

Eis agora a bonita estação de a A Alberguería-Prado, toda em granito, agora, infelizmente, sem qualquer utilidade e apenas vigiada por um funcionário da Adif com quem, depois do nosso frugal repasto (almoço) entabulámos conversa.

  
 
(Estação de A Albergueria-Prado - Perspetiva 01)
 
 

Ao lado da estação, em instalações pré-fabricadas, existe um restaurante que dá apoio aos trabalhadores e funcionários que trabalham na construção da nova linha.

 

Aquelas instalações serviram não só para «pincharmos», logo que chegámos, e bebermos um café, como para nos munir de cerveja e água enquanto esperávamos, ora tomando sol, ora, sentados, à sombra, nos bancos da estação, até que o «tren» chegasse.

 

Às 16.33 horas em ponto eis que desponta, na saída do túnel, o «tren».

 

 

Entrámos na carruagem. Apenas seguiam nela duas senhoras, jovens, que seguiram mais para além de Laza-Cerdedelo.

 

Nós parámos aqui.

 
 

E aqui, tendo como pano de fundo uma estação já renovada, e rodeada por um grande número de material de apoio para a construção da nova via.

 

Dirigimo-nos, sob um calor intenso, até ao carro para irmos de volta a Chaves.

 

Foi uma caminhada espectacular e deslumbrante!

 

Na melhor oportunidade hei-de voltar àquelas paragens. Não já para voltar à Pista do Marroquí mas, por estes lugares caminhando, me encantar com aquelas paisagens e visitar algumas aldeias dispostas ao longo, ou perto, da linha para melhor aquilatar daqueles tempos, a partir da memória de alguns dos seus protagonistas. Assim ainda se encontre gente para mas contar!

 

Deixo agora, para visionamento do leitor(a), um singelo diaporama desta caminhada na Pista do Marroquí.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue].

 


 


publicado por andanhos às 22:04
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Domingo, 2 de Junho de 2013

Caminho Primitivo de Santiago na Galiza - 13ª e Última etapa

 
 
 

CAMINHO PRIMITIVO DE SANTIAGO NA GALIZA

 

II Parte

 

13ª e Última Etapa:- Monte do Gozo - Santiago de Compostela

[29 e 30.Abril.2013]

 

 

Como lembra John Dewey, a função moral da arte é “remover o preconceito, afastar os paradigmas que impedem o olho de ver, rasgar os véus resultantes de hábitos e costumes, [e] aperfeiçoar a capacidade de perceção”. Por outras palavras, continua Dewey, “obras de arte são meios pelos quais entramos […] noutras formas de relacionamento e de participação para além das nossas”.

 

Yi-Fu TuanApreciar a natureza nos seus próprios termos

 

No prefácio à 2ª edição (1843) de A Essência do Cristianismo, Feuerbach critica a «nossa era» por «preferir a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação À realidade, a aparência ao ser», não deixando de ter consciência de que também não escapa a isso. E, no século XX, esta acusação premonitória transformou-se num diagnóstico generalizadamente aceite: uma sociedade torna-se «moderna» quando uma das suas principais atividades é produzir e consumir imagens, quando as imagens, que influenciam extraordinariamente a determinação das nossas exigências para com a realidade e são elas mesmas um substituto cobiçado da experiência autêntica, passam a ser indispensáveis para a saúde da economia, para a estabilidade política e para a procura da felicidade privada.

As palavras de Feuerbach, escritas poucos anos depois da invenção da câmara fotográfica, parecem, mais especificadamente, um pressentimento do impacto que a fotografia viria a alcançar. Na verdade, as imagens que possuem uma autoridade virtualmente ilimitada numa sociedade moderna são principalmente as imagens fotográficas; e o alcance dessa autoridade deriva das propriedades tópicas das imagens obtidas por meio de uma câmara.

(…)

Entre duas alternativas imaginárias, a de que Holbein, o Jovem, tivesse vivido o suficiente para poder pintar Shakespeare ou de que um protótipo da câmara tivesse sido inventado a tempo de o ter fotografado, a maioria dos admiradores teria optado pela fotografia. O que não se deve apenas ao fato de ela presumivelmente mostrar o verdadeiro Shakespeare, pois ainda que essa hipotética fotografia estivesse desbotada, dificilmente legível e com sombras acastanhadas, continuaríamos provavelmente a preferi-la a outro glorioso Holbein. Ter uma fotografia de Shakespeare seria como ter um prego da Autêntica Cruz.

(…)

Seja quais forem os argumentos morais a favor da fotografia, o seu principal efeito é converter o mundo num armazém ou museu sem paredes, em que todos os temas são reduzidos a artigos de consumo, promovidos a objetos de apreciação estética. Através da câmara, as pessoas tornam-se consumidores ou turistas da realidade - ou Réalités, como sugere o título da revista de fotografias francesa -, uma vez que a realidade é entendida como plural, fascinante e pronta a ser capturada. Ao aproximar o exótico das pessoas, ao tornar exótico o que é familiar, as fotografias possibilitam um olhar apreciativo sobre o mundo inteiro.

 

Susan SontagEnsaio sobre a fotografia

 

 

 

1.- Percurso da etapa

 

 

 
 
2.- Desníveis da etapa
 

 

 
 
3.- Descrição sucinta da etapa
 

Dormimos com muito calor. E lembrei-me da noite aqui passada quando, em 2009, fiz o Caminho Francês, e de todas as amigas e amigos que dormiram na mesma camarata! Aquele foi, positivamente, em termos de camaradagem, um Caminho para não esquecer, inolvidável!...

 

Com o bar do complexo do Monte do Gozo fechado, tomámos café com leite numa das máquinas automáticas existentes na zona da alimentação, já à saída para Santiago de Compostela, em direção à cidade e ao nosso objetivo principal – A Praza do Obradoiro e a sua Catedral.

 

 

Na descida do Monte do Gozo, antes de atravessarmos as duas pontes – uma sobre a autoestrada AP-9 e a outra sobre a linha de caminho-de-ferro – um recanto em que o granito é a matéria-prima para esculpir obras de arte. Aqui fica uma amostra, a jeito de saudação, ao peregrino-caminheiro para que «Vá com Deus».

 

 

Entrámos em Santiago pelo bairro e rua de São Lázaro e damo-nos logo com a Praça da Concórdia, com o seu típico monumento.

 

(Monumento à Concórdia)

 

(Um pormenor do monumento)
 

Parámos no Café “El Peregrino” para tomarmos o pequeno-almoço. E, logo após este frugal repasto, atravessámos a cidade até à entrada da Praza do Obradoiro.

 

Entretanto aqui ficam três imagens que, para mim, foram as mais impressivas ao longo desta passagem: a de um ancião peregrino;

 

 
um pormenor da fachada de uma das muitas igrejas de Santiago

 

 
e o busto de Cervantes na praça com o mesmo nome.

 

 
Na Praza do Obradoiro, término da nossa caminhada, e respetiva Catedral, a imponente fachada barroca da Catedral,

 

 

com o pormenor da estátua de Santiago ao centro.

 

 

De imediato nos dirigimos à Casa do Deán, ou Oficina do Peregrino, onde se obtém a «Compostelana», mediante a exibição da Credencial do Peregrino e do respetivo elemento de identificação pessoal. Contudo, como a Oficina só abria às dez horas da manhã e nós chegámos mais cedo, tivemos de entrar na «bicha» até que fossem as dez horas para sermos atendidos.

 

Obtida a «Compostelana», saímos do edifício

 

 
e tratámos de a plastificar. Enquanto percorríamos a rua do Vilar para plastificar o nosso documento, o Tino referiu-me que, ao descer da Casa do Deán, se tinha encontrado com as amigas e o amigo de Alicante, que se encontravam na «bicha» também para obterem a sua «Compostelana», a quem tirou fotos e se despediu. De pronto voltei atrás também para me despedir deles. Só então, pela Praza das Praterias,
 
 
 donde se vislumbra a Torre do Relógio, é que entrámos na Catedral.

 

 

No diaporama que no final deste post vem, podemo-nos dar conta de mais pormenores do interior deste monumento, magnífico exemplar da arte barroca compostelana. Ficam aqui mais algumas fotos para nosso deleite estético, tiradas depois da missa celebrada antes da missa do peregrino.

 

(Vista geral do interior da Catedral)

 

(Um pormenor do retábulo do altar-mor)

 

(O Apóstolo espera os visitantes)

 

(Uma perspectiva dos dois órgãos da Catedral)

 

(Um aspeto do retábulo da capela de Mondragón)
 
Saímos da Catedral pela mesma porta da Praza das Praterias e dirigimo-nos para a Praza da Quintana. É aqui que melhor se pode observar a Torre do Relógio (torre da Berenguela ou do Reloxo), as traseiras do Colégio do Convento de San Paio de Antealtares e a Porta Santa, que apenas se abre em anos jubilares, ou seja, quando o dia de Santiago – 24 de Julho – calha a um domingo.

 

 
 Aqui, por cima desta porta, fica mais uma bela estátua do apóstolo Santiago, o Maior.

 

 
Regressados outra vez à Praza do Obradoiro, demos uma vista de olhos à sede da Xunta da Galicia (Pazo Raxoi)

 

 
e à estátua que encima o seu edifício,

 

 
ao Hospital Real (hoje Hostal dos Reis Católicos),

 

 
ao Pazo de Gelmírez, ao lado da Catedral,

 

 
ao Pazo de San Xerome (edifício da Vice-Reitoria da Universidade de Santiago de Compostela)

 

 

e ao pormenor de encima a sua portada principal.

 

 

Do lado de trás do Pazo Raxoi, na rua que serve de saída da cidade para fazer o Caminho de Muxia e Fisterra (o Epílogo), dois pormenores da bonita fachada da igreja de San Fructuoso.

 

(Fachada principal com a torre sineira)

 

(Centro da fachada principal com a «Pietá»)
 

Eram sensivelmente onze horas quando fomos alugar um quarto e tomar banho num dos quartos do hotel onde habitualmente fico quando permaneço mais de um dia em Santiago.

 

E, antes de fazermos horas para o almoço, na Praza Cervantes,

 

 

Casa Manolo, para além de vaguearmos pelas ruas mais caracteristicamente medievais do casco histórico de Santiago, como a Rua do Vilar, A Rua do Franco, A Rua Nova e a Rua da Raíña (lembrando e em homenagem à nossa rainha Santa Isabel que, no seu tempo, se dirigiu a Santiago de Compostela em peregrinação e que, deste local, segundo reza a história ou lenda, foi de joelhos até à Catedral), ora vendo edifícios e pormenores mais emblemáticos que, já em parte, mostrámos no diaporama no final do post, fomos também entrando numa ou noutra casa comercial à procura de uma ou outra lembrança para trazermos. O que nos levou mais tempo foi encontrar uma t’shirt especial, alusiva ao «homo peregrinus»…

 

 

Do conjunto de monumentos que visitámos e/ou apreciámos, deixo aqui 6 apontamentos que, para mim, foram os mais importantes e significativos de tudo quanto vi, independentemente de todo o conjunto do casco histórico:

  • O Pazo da Fonseca- lembrando aquele grande homem de cultura, sepultado em Salamanca, que esteve na génese e na expansão da Universidade Compostelana tão bem apresentado e cantado na primeira faixa do álbum «Gallaecia Fulget», do grupo «Milladoiro»;

 

 
  • A escultura que encima o edifício mais emblemático, dedicado à cultura, na Praza do Toural;

 

  • A estátua e um pormenor da fachada da Faculdade de Filosofia – Pólo Norte da universidade de Santiago de Compostela;

 

  • O retábulo do altar-mor da igreja da Companhia de Jesus, transformada em espaço de exposições, e que fica entre a Faculdade de Geografia e História (antigo edifício-sede da Universidade de Santiago) e a Faculdade de Filosofia;

 

  • Dois bonitos exemplares exibidos em montras do casco histórico, evidenciando o gosto que também esta cidade nutre pelas artes;

 

(Um dos aspetos da decoração de uma montra)

 

(Um outro aspeto da decoração de uma outra montra) 
  • Finalmente, e ao lado da Faculdade de Geografia e História, a estátua do homem que está na origem das peregrinações – D. Afonso II, o Casto -, caminhando, pela primeira vez, da capital do reino Astur – Oviedo – até Santiago de Compostela para ver a tumba do apóstolo. Por esta razão, a este Caminho, se apelida de «O Primitivo».

 

 

Depois do almoço, como disse, na Casa Manolo, ainda demos umas voltas pelo centro de Santiago mas, de pronto fomos descansar para o quarto do hotel.

 

Dia 30 de Abril, depois de nos levantarmos, convidei o meu companheiro do Caminho para irmos a um café tomar o pequeno-almoço e… matar saudades das vezes que por ali passei quando, noutros tempos, por razões académicas, tive de permanecer em Santiago de Compostela.

 

 

E não me esqueci de passar pelo recanto que mais apreciei nas minhas estadias em Santiago: convidativo ao silêncio, calmo, com arte, enfim, de encontro connosco mesmos.

 

 

Com uma certa antecedência, dirigimo-nos para a estação de caminhos-de-ferro de Santiago de Compostela.

 

 

O nosso destino era a A Gudiña onde, conforme previamente combinado, o Toni, irmão do meu parceiro nesta aventura do Caminho Primitivo, ali nos esperaria para nos levar de volta ao nosso lar, em Chaves.

 

 

Enquanto esperávamos na gare da estação, um pormenor, ao longe, da Cidade da Cultura de Santiago.

 

 
Instalados já no comboio que nos levaria a A Gudiña, e cujo destino final era Madrid, a estação de Chamartin,

 

 
ainda tive oportunidade de, na passagem por Ourense, observar as suas pontes sobre o rio Minho e tirar uma foto.

 

 

De Ourense até a A Gudiña foi um sem fim de túneis que tivemos de atravessar!...

 

Aqui e ali vislumbrava-se a célebre «pista do Marroquí» e as obras para o AVE (comboio de alta velocidade) que, numa cota mais baixa que a da atual linha, atravessa, perfurando, em enormes túneis, as entranhas da «dorsal ibérica».

 

Enquanto atravessava este trecho da linha férrea, uma resolução se firmou em mim: que a minha próxima caminhada seria percorrer esta célebre pista.

 

 

4.- Considerações finais ou à guisa de posfácio

 

É justo, e essencial, que estas palavras aqui, e agora, sejam ditas.

 

Normalmente são ditas no princípio de qualquer obra. Dado que se trata apenas de um simples relato dos aspetos essenciais de um Caminho de Santiago, o formalismo ou a rigidez das normas podem ser bem dispensadas.

 

  •  DEDICATÓRIA
    • Dedico todo este meu esforço, e gosto de andar pela natureza, às pessoas que mais estimo e gosto na vida: aos meus filhos Pê e Anababela; à minha Ni; ao Lau e à Jeka.

 

  • AGRADECIMENTO
    • O agradecimento é dirigido, essencialmente, a três pessoas, meus companheiros nas jornadas pelos Caminhos de Santiago [E não só. Também de outras pelas nossas terras lusas do Alto Tâmega e Galiza]: ao Fábio, ao Mitok e ao Tino.

 

  • HOMENAGEM
    • Neste Caminho Primitivo caminhei sempre com uma boina galega em homenagem a um homem íntegro, impoluto, republicano, algo revolucionário, que infelizmente hoje já há poucos; uma figura que já nos deixou mas que continuarei, sempre, a estimar e a admirar em toda a vida. A boina e a seta do Caminho serão entregues, simbolicamente, a seu filho Fábio.

 

  • A PROVA
    • O ter realizado este Caminho foi a prova de que, apesar das contrariedades, por via da saúde, que nos vão surgindo ao longo da vida, nunca devemos desistir dos nossos sonhos e de lutar pelos nossos objetivos. E tentar sempre! Porque vida há só uma…

 

 

 

Aqui fica uma reportagem, em diaporama, da etapa de hoje.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue]. 

 


publicado por andanhos às 22:54
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