Sábado, 25 de Agosto de 2012

Gallaecia - O Douro dos meus encantos I

 

 

Considerações sobre a UTAD

à margem de uma Visita de Estudo ao Douro (Património Mundial)

 

 

Introdução

 

Entro hoje num outro bloco de temas subordinado ao título «Gallaecia – O Douro dos meus encantos».

 

Destaco neste capítulo «Gallaecia» o Douro por razões que já devem ser sobejamente conhecidas dos meus leitores: eu nasci aqui, nesta terra-mãe que tanto me encanta e, à qual, recorrentemente, vou “matar saudades”.

 

Explicada sucintamente a razão desta minha preferência, vamos entrar então no tema de hoje.

 

E, a propósito de uma Visita de Estudo, que no já passado ano lectivo 2005-06, quando era docente colaborador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, no Pólo de Chaves (UTAD), leccionando disciplinas das áreas do direito, economia, planeamento e ordenamento no Curso de Licenciatura em Recreação, Lazer e Turismo, gostaria de aqui discorrer sobre a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e o papel (que também deve realizar) para o desenvolvimento regional do território onde se insere.

 

 (Paisagem do Douro Superior 01 - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

 

I

 

Logo após a Revolução dos Cravos, começam a surgir em Portugal um conjunto de instituições públicas, de carácter formativo, de índole politécnica, espalhadas pelo território nacional.

 

O seu objectivo ou finalidade era dotar as regiões, fundamentalmente as do interior, com instituições de formação superior, propiciando a criação de «massa crítica» e de elites capazes de concitarem o desenvolvimento – dos seus recursos humanos e materiais.

 

Se atentarmos aos cursos que ali começaram a ser administrados, perceberemos, assim, a lógica do seu aparecimento.

 

Na actual nomenclatura da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias e a Escola de Ciências da Vida e do Ambiente são aquelas que representam a sua matriz fundacional.

 

Durante a década de 80 e os princípios da de 90, assistimos a uma proliferação destas e doutras instituições, de carácter superior, enxameando o território nacional.

 

A abertura do ensino politécnico e universitário à iniciativa privada fez-se com que aparecesse a figura do «turbo» professor bem assim, que todo o autarca que se prezasse, reivindicasse para a sua terra uma instituição de carácter superior.

 

O alastramento destas instituições por todo o território e a abertura de cursos fez-se sem qualquer critério ou planificação. Imperava (e porventura ainda impera) a ideia de que o mercado se encarregaria de estabelecer «ordem» e que tudo se regularia. Hoje todos sabemos o que o «sacrossanto» mercado providenciou…

 

(Paisagem do Douro Superior 02 - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

 

Chaves, neste movimento e contexto, não foi excepção. Reinava na altura, pelos lados da Praça de Camões, o «caudilho» Branco Teixeira, autarca fortemente apoiado pelo mundo rural, já em nítida decadência, e por alguns «patos bravos» da construção civil. Neste país, em que o sucesso de um homem se avalia pela habilidade em dar dois pontapés certeiros na bola, foi este homem que, merce das suas «habilidades», levou a que o Grupo Desportivo de Chaves se elevasse à Divisão Maior nacional e chegasse à Europa. Era, pois, um homem «forte».

 

Mas (e não há dona sem senão), Branco Teixeira estabeleceu uma acesa luta, e consequente braço de ferro, com os seus correligionários laranjas, e a então recente criada Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, na pessoa do seu Reitor Fernando Real.

 

Estava em causa a extinção da prestigiosa Escola do Magistério Primário de Chaves. Branco Teixeira, por via desta extinção, queria que o ensino de carácter superior público viesse também para Chaves. Contudo, o todo-poderoso reitor construtor, Fernando Real, apenas se preocupava com o betão da sua mastodôntica Universidade de Vila Real.

 

Todos sabemos no que deu o confronto. Porque as eleições estavam próximas, ficou-se nas meias tintas, por forma a não dar grandes estragos em termos eleitorais, nas eleições autárquicas que se avizinhavam. Permitiram, como esmola, que se leccionasse em Chaves o Curso de Educadores de Infância…

 

Branco Teixeira bem se «desunhou». Mas nada mais conseguiu. Ou melhor, conseguiu, mas à custa de todos nós. Com certeza estarão lembrados, os que são dessa altura, do que foi a experiência meteórica da Universidade Internacional, em Chaves. Ensino superior privado, claro! Pago por todos nós… embora a grande maioria da população flaviense não soubesse que saía dos cofres do município.

 

A tradicional luta (e rivalidade) entre Chaves e Vila Real é bem conhecida dos flavienses mais velhos. Já nos princípios do século passado, a criação do ensino liceal em Chaves também levou a que, inicialmente, os flavienses tivessem de suportar a instalação deste ensino, ao contrário do de Vila Real, que foi integralmente pago pelo erário público. No passado, como ainda hoje, o critério administrativo (de capital de distrito) seria decisivo.

 

E o que presenciámos entre as décadas de 80 e 90 lá para os lados da Quinta do Prado, em Vila Real?

 

Aquilo que já era expectável: a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro cresce, ao contrário da filosofia que levou à instalação do ensino superior politécnico em Trás-os-Montes, segundo a lógica e o figurino das três grandes existentes no país – Lisboa, Porto e Coimbra. Como se o país fosse assim tão grande!

 

Ainda hoje me pergunto da efectiva utilidade dos cursos clássicos de engenharia e dos chamados cursos de letras, entre outros, na UTAD. Pura imitação, creio. Tanto desta como das suas recém-criadas congéneres. E mais, Vila Real tinha que ombrear com as restantes, caramba!

 

As elites de «estrangeirados» coloniais que tomaram contam da UTAD, como se de um prado ou coutada deles fosse, outra coisa não sabiam fazer, coitados! Na ânsia de se adaptarem à «sua» nova terra, encarnaram na perfeição não só os defeitos mas também os desígnios das elites hegemónicas e tradicionais de Vila Real – crescer à custa de todos os seus vizinhos, sem sentido de solidariedade e sem uma visão de futuro. Tacanhez pura, está-se a ver.

 

Não é, pois, incompreensível a razão por que o ensino superior público em Chaves nunca mais cresceu como devia. A muito custo se mantém(ve) o Curso de Educadores de Infância e se permitiu que o Curso de Formação de Professores para o 1º Ciclo voltasse a Chaves, em duplicação com o de Vila Real, pois está claro.

 

E entende-se a razão do aparecimento do Curso de Licenciatura em Recreação, Lazer e Turismo, em Chaves. Entende-se e explica-se.

 

(Paisagem do Douro Superior 03 - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

 

Sucede ao Reitor Fernando Real o Professor Torres Pereira. A autarquia em Chaves muda também de mãos (partidárias, entenda-se). A visão da UTAD e do seu papel na região reaproxima-se da sua ideia fundacional. Reconheça-se, nomeadamente, que Tores Pereira foi um paladino e um defensor da regionalização e da Região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Percebe-se, assim, e neste contexto, o reforço do Pólo de Chaves da UTAD e a criação do Pólo de Miranda, «bicando» Bragança, despertando o seu Politécnico para uma nova realidade. Desejava-se uma Universidade com efectiva implantação nos seus pólos mais significativos (e estratégicos) do território transmontano e alto duriense.

 

Mas este sonho ou visão por aqui ficou. Faltou a Torres Pereira vontade, ou engenho e arte suficiente, para que esta sua visão fosse partilhada por toda a academia (e não posso aqui esquecer a responsabilidade [negativa, diga-se, neste desiderato] das elites político-partidárias da Vila, do arco do poder), para que, todos, a levassem por diante. Por que apoios, no que concerne a Chaves, não lhe faltaram na altura. Veja-se nomeadamente a cedência da Quinta dos Montalvões à UTAD e os acordos firmados entre a autarquia e a UTAD (Reitor Torres Pereira). Todavia o tempo se encarregaria de os transformar em «águas de bacalhau». Salgados… e amargos.

 

Foi um crime aquilo que durante anos se fez no Pólo de Chaves da UTAD ao se privar os alunos de uma verdadeira convivência académica, por falta de massa crítica de alunos e de corpo docente.

 

E foi confrangedor assistir na década de 90 ao redopiar de professores da UTAD de Vila Real, no ir e vir, de Vila Real para Chaves. Pólo de Chaves caro? Não creio. Só se fosse por esta circunstância. E, mesmo assim, tenho dúvidas, pois há quem contraponha com outros dados. Mas o dinheiro não era deles!

 

A miúdo, alguns meus amigos acusam os autarcas de Chaves do estado em que o ensino superior está em Chaves. Sei que me querem dar uma «bicada» (não se confunda com a palavra «bico» dos nossos vizinhos galegos). Aceito. Mas permitam-se o meu ponto de vista.

 

Não ponho em dúvida quer as intensões de Branco Teixeira quer, mais especificadamente, as de Alexandre Chaves quanto a este dossiê. Ambos, como todo e qualquer autarca digno desse nome, queriam o melhor para a sua terra. Podemos é discutir estratégias, solidariedades e apoios… E é aqui, na minha opinião, que a questão se deve colocar.

 

 

(Barragem do Cachão da Valeira - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

 

Para não me alongar demasiado neste tema, tenho para mim que houve muito ruído proveniente mais de uma lógica «bairrista», por parte da Vila, proveniente de uma hegemonia essencialmente partidária, e menos reivindicação cidadã, por parte dos flavieneses.

 

Podemos acusar os autarcas de, ao se quererem «armar» em senhores todos poderosos do seu «feudo», não terem sabido “envolver”, adequadamente, os munícipes naquilo que consideravam ser o ensino superior como um desígnio para a sua terra.

 

Mas, como se costuma dizer, o munícipe comum, “não pode tirar a água do capote”. Será que a dinâmica de uma comunidade apenas se mede em função da capacidade de iniciativa das suas elites político-partidárias? Não há outras elites? Porventura, para além do flaviense, cidadão comum, não temos instituições e organizações de cariz local e municipal? Essas organizações não têm pensamento? Não têm representantes? Não têm voz e porta-vozes? Onde estávamos nós?

 

Não podemos entender a cidadania como o simples “ir às urnas”, de quando em vez, e depois esperar que todos os nossos problemas sejam resolvidos. Esta é uma atitude muito redutora. Quando passamos uma procuração a alguém “desligamos”? Não questionamos o nosso procurador (representante) do estado de como vão os nossos negócios, as nossas “coisas”?

 

Todos devemos actuar, agir. Sempre. Em todos os momentos da nossa vida colectiva, de acordo com os nossos interesses, gostos, preferências e em função das nossas competências. E não assumir o conceito de democracia, e gestão da coisa pública, apenas em termos representativos. A democracia não se esgota na representação. É, exactamente, por este estado de coisas, ou seja, excesso de representação, que estamos e vivemos em crise. Porque, no dia-a-dia, alheamo-nos e não nos envolvemos nos assuntos que a todos nos diz respeito. Por ser de todos, actuamos como se não fossem de ninguém e depois…

 

Sim, há que fazer história deste processo. Mas… cuidado! Não podemos, cada um de nós, dar a entender que, naquela altura,  não «enfiámos a cabeça na areia». E devemos ter humildade suficiente para sabermos «enfiar a carapuça». Se, para mim, a verdadeira razão de ser, do estado a que o Pólo de Chaves da UTAD chegou, é daqueles que, durante estes anos todos estiveram à frente dos destinos daquela instituição, em Vila Real, não nos iludamos, porém. Nós, flavienses, também somos co-responsáveis. E não só os políticos. A comunidade no seu todo. Cada um de nós.

 

Não sou daqueles que baixa os braços e que, depois, como se fora um “muro das lamentações”, vou escrevinhar, em estilo «bota abaixo», arranjando «bodes expiatórios». Assim é fácil, muito fácil!

 

Continuo a pensar que o Pólo de Chaves da UTAD é imprescindível não só para Chaves mas para toda a região. Pelas sinergias que Chaves e todo o seu território que lhe está na envolvência, incluindo a Galiza próxima, tem. Quem não entender isto tem «vistas curtas».

 

Mas é necessário mais diálogo. É urgente que desse diálogo se “inventem” acções, projectos e programas geradores de efectivas parcerias territoriais. Porque aqui há história. Há memória. E também saberes. Mas muito trabalho ainda à nossa espera… à nossa frente.

 

Os territórios de Trás-os-Montes e Alto Douro, Galiza e Castela-Leão são o nosso cadinho a partir do qual deveremos saber produzir o ouro do conhecimento e do saber-fazer. Em prole do nosso desenvolvimento comum, agora não numa Europa de estados, mas numa Europa de povos, ciosos da sua língua, tradições e cultura.

 

Sou um europeísta convicto. Que pensa que temos de encontrar novos formas, ainda não inventadas, para vivermos em comum, no dealbar do século XXI.

 

Se assim trabalharmos, seremos grandes. Importantes. Com uma palavra a dizer no conserto da organização e reorganização do ensino superior em Portugal. Porque temos uma verdadeira estratégia. Própria. Genuinamente nossa. E seremos uma “voz”.

 

Caso contrário, a nossa anexação (da UTAD) a uma outra instituição, de acordo com a lógica do pensamento hegemónica que está aí, será inevitável. Porque hoje em dia só se pensa em termos de «mega» e global, como formas hegemónicas de (re)organização. Como se não houvesse outras formas, novas e inovadoras, de organização, com acento tónico no «local», no pequeno e, por aqui, também, todos, sermos grandes. E eficazes!

 

Todos os dias nos falam na urgência das reformas, que dizem estruturais. Oiço muito pouca gente falar da verdadeira reforma, que essa é, não só estrutural, como fundamental – a do pensamento!

 

(Pintura Rupestre 01/Parque Arqueológico do Vale do Côa - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

 

 

II

 

Um ilustre e batalhador professor, aqui há uns dias, anunciava, na sua página do Facebook (esta idiotice de empregarmos termos estrangeirados…), que um dos cursos, pelo qual tanto do seu ardor e empenho afectivo e, fundamentalmente, intelectual, dedicou (digo eu), para o ano lectivo de 2012-13, não teria nenhum aluno no 1º ano, ao não abrir, por isso mesmo, nenhuma vaga.

 

Discorre-se hoje muito sobre o assunto da empregabilidade dos cursos. Presumo que seja por isso a assunção de tal decisão. Se, assim foi, a decisão é tacanha. Porque embora as saídas profissionais sejam um elemento a ter em conta para as Universidades e para o Mercado, temos que nos consciencializar que há mais vida para além do “sacrossanto” Mercado. Às Universidades o que, essencialmente, as deve preocupar são as áreas do saber e do conhecimento de que a sociedade precisa para fazer face aos desafios não só do presente como do futuro. Há mesmo que repensar Bolonha, meus senhores!

 

Estou certo, hoje mais que nunca, que, aquele curso que encerrou inscrições, é fundamental para os jovens, para as comunidades e para os tempos que correm. Porque precisamos de gente que reflicta sobre os fundamentos das nossas sociedades, do viver das nossas comunidades, da sua qualidade de vida, da forma como nos relacionamos, como estamos construindo o mundo para nós e para os nossos filhos. Reflectindo? Sim! Mas também “animando-nos” para as tarefas de «novas construções» que urje erigir.

 

Por isso, pergunto, de que têm medo, esse(s) senhor(es)?

 

Aqui deixo uma interpretação e um ponto de vista quanto àquela que foi, e está sendo, a estratégia da UTAD. Que é nenhuma. Um simples simulacro (que mais lhe chamaria deitar sal aos olhos), é o que vejo na actual estratégia que o actual Reitor apresenta, como de projectos futuros, para a área de influência do Pólo de Chaves.

 

(Pintura Rupestre 02/Parque Arqueológico do Vale do Côa - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

 

III

 

Ao escrever este arrazoado de linhas sobre um tema de vital importância para Chaves [pelo menos foi-o nos anos 90 e, creio, continua ainda a ser actual], não pretendo apresentar a Verdade (única) sobre a problemática do Pólo de Chaves da UTAD.

 

Obviamente, esta minha opinião, apoia-se em factos que a minha memória de actor – embora modesto, numa determinada fase deste processo – reteve e, por isso aviva. Não pretendo justificar sequer as acções pretéritas que, naquele tempo foram tomadas. Portanto, não tenho qualquer ilusão de objectividade.

 

Como muito bem Maria Filomena Mónica dizia, no seu “Bilhete de Identidade”: “(…) mas é evidente que cada um cria a «sua» própria história (…) o meu relato é verdadeiro, apenas no sentido em que representa a minha verdade. Outros terão olhado as pessoas, os acontecimentos e as peripécias (…) de forma diferente”.

 

Por isso, este é, porventura, mais um «outro olhar» sobre a UTAD e o seu Pólo de Chaves.

 

(Pintura Rupestre 03/Parque Arqueológico do Vale do Côa - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

 

IV

 

O discurso já vai longo para aquilo que aqui, e agora, queria recordar:

 

  • O meu querido Douro, que aqui evoco, por ocasião de uma Visita de Estudo no âmbito da disciplina de Práticas III (se a memória não me falha), que partilhava a leccionação com outros colegas, no ano lectivo 2005-06, do Curso de Licenciatura em Recreação, Lazer e Turismo/UTAD-Pólo de Chaves. Apresentam-se aqui 6 fotos, que reputo mais significativas da paisagem do Douro Superior; uma do Cachão da Valeira, vista do Miradouro de São Salvador do Mundo e, finalmente, duas outras do Peso da Régua: uma tirada no Museu do Douro e outra de um barco rabelo no rio. Para se saber quais foram a maioria dos participantes nesta viagem, os alunos e docentes que fazem parte do grupo RLT/Pólo de Chaves da UTAD, no Facebook, podem consultar o sítio http://www.youtube.com/watch?v=wc3Si-CHlmE&feature=g-upl;

 

(Paisagem do Douro Superior 04 - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

  • E também queria aqui recordar os meus ex-alunos do Curso de Licenciatura em RLT. Depois de uma actividade desgastante a que estive sujeito na década de 90, os oito anos que, a partir do ano lectivo 1999-00 e até 2007, estive no Pólo de Chaves da UTAD, foram uma lufada de ar fresco, como de quem precisava de ar puro para respirar. Aqui tenho que fazer uma confissão. Embora as questões da problemática social, e em geral da política, me tivessem entusiasmado e me tenham levado para o desempenho de outras funções, o certo é que a minha vocação natural, diria mesmo, a minha paixão, foi o ensino e a formação. Essa, hoje reconheço, foi a minha verdadeira vocação, o meu território. Por natural apetência. Mesmo que a advocacia – que exerci concomitantemente com a docência, em alguns anos – me tenha ocupado algum tempo, todavia, não passou de um simples «gancho» para obtenção de outras comodidades que, afinal de contas, a docência não propiciava assim tanto. Com os meus alunos, em especial os do Curso de Licenciatura em Recreação, Lazer e Turismo, a quem aqui presto rendida homenagem, não apenas ensinei, transmiti conhecimentos e experiências de vida. Com eles partilhei conhecimentos e saberes. Aprendi também. E muito. Ao ponto de poder afirmar que, muito do que hoje sou, também a eles devo. Bem hajam, pois. E aqui fica o meu muito obrigado!

 

(Paisagem do Douro Superior 05 - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

 

 (Paisagem do Douro Superior 05 - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

 

(Paisagem do Douro Superior 06 - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

 

("Vinho D'Oiro refulgente"/Museu do Douro - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])

 

(Barco rabelo no rio Douro - [2006 - Visita de Estudo/UTAD-Pólo de Chaves])


publicado por andanhos às 00:48
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.3.4)

 

 

 

3.3.4.- Monterrei – Laza

 

Foi praticamente um dia inteiro de jornada. O que me dispensa um esforço de memória para o recordar é que, ao longo do caminho, nas três paragens que fiz, fui vertendo para o caderno de apontamentos “moleskine”, que levava no bolso, impressões ou breves notas que, de seguida, passo a transcrever:

 

(Castelo-Fortaleza de Monterrei)

 

3.3.4.1.- Véspera, à tarde - 26 de Março de 2012

 

Já estava para fazer este percurso há mais de quinze dias, todavia, uma constipação reteve-me em casa mais de dez dias. Assim, para além de não fazer esteve percurso na data que tinha planeado fazê-lo, também deixei de fazer a primeira parte da antiga Linha de Caminho de Ferro do Sabor – entre Pocinho e Duas Igrejas. Amanhã vou fazer, finalmente, este percurso entre Monterrei e Laza, para, assim, concluir o meu Caminho de Santiago.

 

Estou com um certo receio pois não sei se vou aguentar. A “mazela” que tenho não me permite grandes devaneios. Vou ver se consigo efetuar estes quase dezassete quilómetros sem me cansar muito por forma a medir forças para a primeira parte da Linha do Sabor que tenho combinado percorrer com o meu amigo Neca.

 

O meu estado de espírito é de grande vontade mas, simultaneamente, de alguma espectativa quanto à minha reação. Veremos…

 

Vou deixar o carro no Parador de Monterrei e, depois do percurso, a Ni e a Jeca vão-me buscar a Laza.

 

Vou levar duas mudas de roupa pois está bastante calor e ando a suar muito. Levo na mochila mais pequena um polo (agasalho) e toalhas para me enxugar. Levo também uma pequena merenda e 1,5 l de água. E mais a minha pesada Nikon D200 e o caderno de apontamentos “moleskine” para escrever as minhas impressões do percurso.

 

Gostaria de ser um bom fotógrafo e tirar belas fotografias. Se bem que uma coisa se possa conciliar com a outra, nestas coisas do andar, nem sempre dá. Assim, as fotos das minhas caminhadas devem ser entendidas mais como reportagem apressada de um percurso e menos como arte ou técnica fotográfica. Para mim, e nesta fase, é difícil conciliar arte e/ou técnica fotográfica com reportagem. O que não quer dizer que uma ou outra fotografia não me saia bem. Não é esse, contudo, o meus escopo final. As fotografias que aqui se apresentam não têm, praticamente, qualquer tratamento: apresentam-se tal como a objetiva as captou.

 

 

 (Placa indicativa das duas alternativas do Caminho: por Laza e Xinzo)

 

Cheguei a Monterrei às 8 horas.

 

A descida de Monterrei, e durante 3 Km, foi agradável.

 

Nos primeiros 3 quilómetros passei à direita por A Pousa

 

 (Panorâmica da descida de Monterrei para Mixós)

 e depois por Mixós.

 

Em Mixós há a registar a sua igreja. E destacar o seu portal sul. O portal ocidental está praticamente encoberto por uma parede que quase o aterra. A cabeceira está virada para o Caminho.

 

 (Igreja de Mixós)

 

 (Portada da Igreja de Mixós)

 

 (Mixós - Aspecto do seu casario)

 

 (Vences - Um dos aspectos da sua ruralidade)

 

 (Vences - O Caminho no asfalto)

 

(De Vences para Arcucelos - Um dos aspectos do Caminho) 

 

 (Um dos aspectos do Caminho - Arcucelos ao fundo)

 

 (Arcucelos - Casario)

 

 (Arcucelos - O milho a secar na varanda)

 

 (Arcucelos - Um pormenor do casario)

 

 (Arcucelos - Uma perspectiva do seu aglomerado)

 

3.3.4.2.- 09:57 – Arcucelos

 

Ao iniciar o percurso, a minha unha grande do pé direito começou-me a doer. Devia tê-la cortado mais um pouco bem assim me ter adaptado, pelo menos um dia, às botas. Ao fim de 9 Km a minha anca direita também está a começar a doer-me. Vamos ver como me aguento até Laza.

 

O percurso no concelho de Monterrei, depois da descida do Castelo (3 Km), é todo em asfalto. Se não fosse as duas povoações – Esteviños e Vences – seria uma “seca”.

 

 (Capela junto ao Cruzeiro onde fiz a primeira pausa)

 

Estou na saída de Arcucelos, nos degraus do cruzeiro, em frente a uma capela.

 

Andei já, sensivelmente, 9 km.

 

(Cruzeiro onde escrevi estas notas e me reabasteci) 

 

Ao longo do Caminho fui acompanhado por um constante chilrear de pássaros. Mesmo agora, enquanto escrevo, é a rola e o seu característico “rolhar” que me serve de música de fundo à minha escrita. A paisagem é de vinhedos, com as cerejeiras em plena floração.

 

Vou aproveitar para beber água e comer meia dúzia de frutos secos – amêndoas e avelãs.

São 10:15 horas. Vou começar a segunda parte do Caminho. Provavelmente farei uma pausa em Matamá.

 

 (Pormenor do Cruzeiro)

 

Mais um pouco à frente do local onde fiz a primeira pausa, em Arcucelos, aparece-nos um segundo cruzeiro

 

 (Segundo Cruzeiro de Arcucelos junto à Igreja)

 e a igreja de Arcucelos

 

 (Igreja de Arcucelos)

 

Uma das coisas que mais impressão me faz, na Galiza, são ainda os cemitérios à volta das igrejas. Seria bom que na Galiza este hábito se fosse perdendo, embora compreenda a razão das pessoas sepultarem os seus entes queridos mesmo junto das igrejas.

 

A Igreja de Arcucelos perde a sua imponência exatamente pela existência do cemitério à sua volta e, pelo seu lado ocidental, ter o muro de uma casa. Não fora isto, esta igreja, por si deslumbrante, teria uma vista fantástica.

 

 (Igreja de Arcucelos - Portada norte)

 

Deve ser tardo-românica, gótica. O portal do lado sul tem, no seu arco, pérolas góticas. Os capitéis têm figuras humanas e temas vegetalistas, assim como o portal ocidental, praticamente sem vistas.

 

 (Igreja de Arcucelos - Pormenores dos capitéis das colunas exteriores)

Possui contrafortes. Só vendo…

 

 (Igreja de Arcucelos - Mais uma perspectiva da Igreja)

 

 (Igreja de Arcucleos - Pormenor de uma janela do alçado norte)

 

 (Igreja de Arcucelos - Perspectiva geral vista do Caminho em direcção a Retorta)

 

 (Um pormenor do Caminho entre Arcucelos e Retorta)

 

Anda-se um pouquinho e já estamos em Retorta.

 

 (Retorta - Casario do seu aglomerado)

 

 (Retorta - utensílio agrícola em desuso debaixo de uma varanda da casa)

 

 (Retorta - Mais um aspecto do seu casario)

 

 (Retorta - Milho a secar na varanda)

 

Em Retorta encontramo-nos com o rio Tâmega e viramos para o lado ou margem esquerda do mesmo rio.

 

 (Retorta - Zona de Lazer junto ao rio Tâmega)

 

Retorta possui uma zona de lazer interessante, junto ao rio. Tem grelhadores e aparelhos para exercícios físicos.

 

 (O rio Tâmega em Retorta)

 

 ( O açudesco rio Tâmega em Retorta)

 

De Retorta a Matamá o Caminho corre paralelo ao rio e pelo meio do vale por este cavado.

 

 (Pequeno vale do Tâmega entre Retorta e Matamá)

 

 (Pormenor do Caminho à chegada a Matamá - ao fundo a sua ponte sobre o Tâmega)

 

3.3.4.3.- 11:25 horas – Matamá

 

Parei aqui em Matamá para tomar um café.

 

 (Matamá - Pormenor de uma janela)

 

Matamá possui um cruzeiro, um alpendre com duas mesas e bancos para as pessoas descansarem. Ao lado passa um regato.

 

 (Matamá - Cruzeiro)

 

 (Matamá - Ponte sobre o rio Tâmega)

 

 (Matamá - Escultura alusiva ao Intróido)

  

 (Matamá - Pormenor da escultura)

 

 (O rio Tâmega a juzante da ponte de Matamá)

 

Pelo que me disse um dos poucos residentes que encontrei em Retorta, de Matamá a Laza, são 4 Km.

 

(Um dos aspectos da vasta veiga cavada pelo Tâmega na confluência de Laza) 

 

Após uma pequena reta, vira-se à direita e entra-se na estrada OU 112. Tem uma ligeira subida. Depois voltamos a atravessar o rio Tâmega e, mais adiante, uma outra vez mais. Vamos ziguezagueando o rio Tâmega, subindo ligeiramente, sempre em asfalto. Pouco simpático este asfalto para os pés em dias de calor. Só aproximadamente 1 Km antes de Laza é que se faz um desvio para a esquerda e saímos do asfalto. Este pequeno desvio leva-nos mais perto do rio Tâmega. Ao sairmos deste desvio já se avista Laza, num pontão sobre o rio Camba, que ali perto desagua no Tâmega.

 

(Afluente do Tâmega nas proximidades de Laza)

 

3.3.4.4.- 13:15 horas – Laza

 

 

Subi Laza pela rua central.

 

 (Laza - Pormenor do casario do aglomerado)

 

 (Laza - Rua direta ao Bar da Picota)

 

 Tirei algumas fotos, em especial ao edifício do concelho e à igreja.

 

 (Laza - Igreja de Laza)

 

A igreja tem uma vetusta torre mas, quanto ao resto, nada de especial. Igual a todas as da Galiza, com o cemitério a rodeá-la, o que, como já disse, parece-me de mau gosto nos tempos que correm. Mas vai bem com a religiosidade desta gente. A destacar na igreja uma imagem na torre

 

 (Laza - Igreja/Pormenor da Torre)

 

e a porta do portal ocidental, de 1760.

 

 (Laza - Porta da portada ocidental da Igreja)

 

 (Laza - Pormenor da porta da portada ocidental da Igreja)

 

Subi um pouco mais e fui até ao albergue matar saudades, tirando duas ou três fotografias.

 

Desci e fui comer um “bocadillo”, de queijo e presunto, ao bar A Picota.

 

 (Laza - Um dos aspectos da Plaza da Picota)

 

 (Laza - Cruzeiro)

 

Telefonei à Ni para me vir buscar. Estou aqui esperando com o pé direito descalço. Tenho este pé num “molho”.

 

 (Laza - Aspecto de uma das suas ruas vista desde o Bar da Picota)

 

(Escultura representando "O Peliqueiro", do Carnaval de Laza) 

 

Enquanto aguardo, dou-me conta de um enorme incêndio que está a lavrar para os lados de Vilardevós. Já andam helicópteros sobrevoando a zona. É medonho!

 

Dou aqui por finda a já longa reportagem sobre o meu Caminho de Santiago – Português Interior, Via da Prata ou Sanabrês: da porta de minha casa até Monterrei o Caminho tem a designação de Caminho Português Interior de Santiago; de Monterrei, Laza, Ourense e até Santiago, estamos no Caminho Sanabrês, variante da Via da Prata que, vindo de Sevilha, vai até Tábara, na direcção da Sanábria.

 


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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.3.3)

 

 

Homenagem ao saudoso Tijak

 

Hoje levantei-me com vontade de acabar a última parte deste Destaque(s) referente ao Caminho Português Interior de Santiago – as duas etapas: Tamaguelos-Verin-Monterrei e Monterrei-Laza.

 

A etapa Tamaguelos-Monterrei  fi-la com o meu amigo Fabios e seu filho Mito(k), em 2 de Abril de 2011.

Mas, não sei porquê, ao acordar, não me saía da cabeça uma outra etapa, feita já no longínquo 2008, num Dezembro frio e coberto de neve, entre Samos e Portomarin, do Caminho Francês, mais propriamente no troço perto de Sarria.

 

O inseparável trio - eu, Fabios e Mito(k) - e mais o recente amigo Emídio, depois de uma véspera de pagode no albergue do Mosteiro de Samos (que frio ali estava, caramba!), e de uma despedida da minha filha Babela que, por falta de treino e não estar habituada a condições climatéricas tão severas não pôde continuar o Caminho connosco, acordámos bem dispostos e cheios de energia para pormos os pés a caminho.

 

Contudo, uma simples chamada de Chaves, haveria de modificar toda a dinâmica do grupo neste caminho, pelo abandono prematuro de Fabios e Mito(k): o pai de Fabios tinha sido hospitalizado por problemas cardíacos. Fabios não queria deixar seu pai apenas entregue aos cuidados hospitalares e aos de sua bondosa mãe e dedicada esposa. Tinha que ir embora. Apressaram o passo Fabios e Mito(k) e, de Sarria, tomaram autocarro para Chaves.

 

A partir de Sarria fiz o Caminho Francês sozinho com Emídio. E foi o começo de uma linda e refrescante amizade.

 

Por isso, quando de manhã abro a minha página do Facebook e pus os olhos numa ligação que Emídio partilhava com Júlio Machado Vaz, não hesitei também em partilhá-la com eles. Trata-se de uma música do The Beatles – In My Life (1965). Que fala da amizade (e do amor).

 

Porque a amizade, a verdadeira amizade, anda hoje muito arredia das nossas vidas, porventura dos nossos corações. Porque a amizade, sendo uma dádiva, quando aparece, devemos sabê-la guardar. E nestes tempos de mais ter do que ser, do instante imediato, do que tenho pressa para viver, é muito difícil cultivá-la.

 

Já numa outra ocasião discorria, parafraseando longamente Alberto Alberoni, muito do que se diz sobre ela (a amizade).

 

Mas hoje, e aqui, quero não só trazer à colação aquilo que foi o início de uma bonita amizade com o Emídio como, e principalmente, recordar a figura de um homem integro, solidário, impoluto, amigo do amigo, humilde, de uma alma do tamanho deste mundo – o Tijak, pai do Fabios, que, pela sua morte física, nos privou do seu convívio há já mais de um mês.

 

 Ficará, todavia, sempre no meu coração, representado naquela  figura graciosa de um homem elegante, sempre de boina preta na cabeça, à boa maneira de um republicano e anarquista galego, e para quem a dignidade e a aristocracia não se herdam, criam-se e moldam-se pela vida, no dia-a-dia; pelo exemplo, na vida de cada um. Só hoje, Tijak, consigo deitar para cá para fora aquilo que meu peito, há vários dias, abafava.

 

 Descansa em paz e vivifica na alma de teus netos, que tanto adoravas!

 

 

3.3.3. – Tamaguelos – Monterrei

 

No que respeita a esta etapa propriamente dita, queria, sucintamente, apresentar quatro apontamentos.

 

O primeiro deles para referir, e conforme fotos que se mostram, que o ambiente nas aldeias dos nossos vizinhos galegos não é muito diferente do das nossas: a mesma desolação;

 

 

o mesmo abandono.

 

 

Fica simplesmente na paisagem a marca daquilo que a assemelha a tantas outras – a sua arquitectura rural e os símbolos da religiosidade destas comunidades envelhecidas pelo tempo e pela vida.

 

 

O segundo para vos mostrar aspectos de uma cidade fronteiriça que pugna por acompanhar o ritmo dos tempos modernos, com urbanizações arejadas

 

 

e casas abertas e airosas, numa Verin que procura integrar e construir o novo conceito de eurocidade, juntamente com Chaves.

 

 

O terceiro apontamento para referir o gosto que, depois da visita ao albergue de Verin,

 

 

e da contemplação do seu brasão (a chamada Casa do Escudo),

 

 

tive depois ao subir umas escadas e um quelho,

 

e percorrer a calçada que, de Verin,

 

 

nos leva à “Acrópole” mais antiga e mais importante da Galiza, implantada sobre um castro galaico, e contemplar o palácio-fortaleza de Monterrei.

 

 Inicialmente mandado construir pelo nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques, cedo foi para Espanha e para as mãos das linhagens dos Ulloa, Zuñiga, Viedma, Fonseca, Acevedo e dos duques de Alba.

 

Representou um importante e estratégico enclave, na Idade Média, na defesa e salvaguarda da fronteira com Portugal.

 

 

A fortaleza eleva-se na confluência de Caminhos entre Sanabria e Ourense, perto do rio Tâmega.

 

Foi-se adaptando a diferentes estilos ao longo da sua história.

 

 

A Torre das Damas foi edificada no século XIV.

 

 

Entre os séculos XV e XVI I os sucessivos condes de Monterrei construíram o palácio renascentista.

 

 

 (Exposição do Caminho de Santiago patente no Palácio - Pórtico da Glória/Catedral de Santiago)

 

 (Exposição do Caminho de Santiago patente no Palácio - Pórtico da Glória/Catedral de Santiago - Pormenor) 

 

 (Elemento da exposição)

 

 (Elemento da exposição) 

A Torre de Homenagem (ou de D. Sancho),

 

O Hospital de Peregrinos

 

 

 

 (Hospital dos Peregrinos, hoje albergue - Pormenor do timpano da portada)

 

e a Igreja gótica de Santa Maria da Gracia, dos séculos XIV e XV, com uma só nave coberta por madeira e abside rectangular com abóbada.

 

 (Igreja vista da Torre de Homenagem)

 

 

Destaca-se, para além de um belo retábulo gótico de pedra, uma portada lateral, formada por três arquivoltas muito decoradas e um tímpano, com o Cristo ao centro e os tetramorfos.

 

 (Portada da Igreja)

 

 (Portada da Igreja - Pormenor)

 

 

 (Retábulo - Pormenor)

 

 (Retábulo do Altar-Mor - Pormenor)

 

Na idade moderna construíram-se os dois recintos abaluartados que encerravam os conventos de franciscanos e jesuítas, sob a direcção dos engenheiros militares de Filipe IV, Juan de Vilarroel e Carlos de Grunemberg, para além do convento dos mercedários.

 

A função militar do conjunto fortificado completou-se com uma importante vida cultural daquela pequena corte. Aqui se imprimiu o primeiro incunábulo galego e se administrou a docência em gramática, artes e teologia.

 

 (Vista sobre o Parador Nacional e a cidade de Verin da Torre de Homenagem ou Managem)

 

(Parador Nacional de Monterrei) 

 

Por último queria referir a descida até Verin. “Picar pulpo” e outras tapas, acompanhadas por uma “caña”, num dos bares da rua principal de Verin, foi o nosso entretém, enquanto esperávamos duas deliciosas “empanadas”, de uma conceituada Casa de Verin, especialista nestes pitéus, para as entradas, e como aperitivo, do nosso almoço, e fazendo horas até que a “dona” do Fabios nos viesse buscar para nos levar a casa.

 


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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.3.2)

 

 

3.3.2.- Feces de Abajo – Tamaguelos

 

Estava um dia bastante enevoado, com uma chuva miudinha, este 12 de Dezembro de 2010.

 

 

Transposta a fronteira política, que separa Portugal de Espanha, não se encontram motivos para julgar que, na Galiza, estamos num outro país: a mesma paisagem; as mesmas gentes;

 

 
 a mesma cultura;
 
 
 a mesma pobreza; a mesma desertificação humana.
 
 

A paisagem de progresso é representada pela auto-estrada que, da raia, da zona fronteiriça, nos transporta para outras paragens da Europa e do Mundo.

 

publicado por andanhos às 19:53
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Sábado, 4 de Agosto de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.3.1)

 

 

 

3.3.- Caminho Português Interior de Santiago

 

Foi no dia 24 de Abril do corrente ano de 2012 que se inaugurou o troço do Caminho Português Interior de Santiago na área do território português.

 

Fruto de uma parceria entre oito concelhos (Viseu, Castro Daire, Lamego, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar e Chaves), este novo troço, uma antiga via de peregrinação rumo a Santiago, foi objeto de melhorias: limpeza e sinalização dos caminhos e disponibilização de albergues para pernoita.

 

Para além do objetivo de cariz essencialmente religioso, como as peregrinações, os autarcas envolvidos neste projeto, nas palavras de Francisco Ribeiro, Presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião, pretendem que os peregrinos se lancem “à descoberta das belas paisagens que as nossas terras têm para oferecer, tendo por companhia a presença de monumentos, quase desconhecidos, de arte e tradição”. Ou ainda, e como diz o sítio oficial do Caminho, “este caminho, semelhante ao original, promove a segurança e o conforto dos peregrinos, privilegia a ruralidade e o contato com as gentes e com o património, de que são exemplos as igrejas, as alminhas, pontes e vias ancestrais”.

 

O Caminho Português Interior de Santiago estende-se por 205 quilómetros em território português, atravessa a fronteira em Vila Verde da Raia, percorrendo cerca de 180 quilómetros da Via da Prata, em território galego, até alcançar Santiago, num total de 385 quilómetros, entre Viseu e Santiago de Compostela.

 

De acordo com a publicação “Caminhos Portugueses de Peregrinação a Compostela – Itinerários Portugueses”, de Arlindo Cunha, em território português estendem-se nove jornadas ou etapas, ao longo de caminhos tradicionais, a saber:

 

  • Viseu-Almargem;
  • Almargem-Mões;
  • Mões-Magueija;
  • Magueija-São Gonçalo de Lobrigos;
  • São Gonçalo de Lobrigos-Vila Real;
  • Vila Real-Zimão;
  • Zimão-Oura;
  • Oura-Chaves;
  • Chaves-Fronteira de Vila Verde da Raia,

sendo:

  • 35,5 Km, no concelho de Viseu;
  • 36,6 Km, no concelho de Castro Daire;
  • 28,8 Km, no concelho de Lamego;
  • 03,7 Km, no concelho de Peso da Régua;
  • 16,3 Km, no concelho de Santa Marta de Penaguião;
  • 22,9 Km, no concelho de Vila Real;
  • 24,8 Km, no concelho de Vila Pouca de Aguiar;
  • 38,9 Km, no concelho de Chaves.

 

No concelho de Chaves, o Caminho Português Interior de Santiago, com uma extensão de 38. 940 metros, entra na freguesia de Oura, passa por Vidago, segue para as povoações de Valverde, Pereira de Selão, Redial, São Pedro de Agostém e Vila Nova de Veiga até chegar a Chaves, à Praça de Camões ou do Município. Daqui segue em direção à fronteira de Vila Verde da Raia, passando no interior das povoações de Outeiro Seco, Vila Meã, Vilarinho da Raia e Vilarelho da Raia.

 

Como diz um velho dito, o Caminho de Santiago começa à saída da porta de casa de cada um. Neste sentido, como morador da freguesia de São Pedro de Agostém, o meu caminho de peregrinação a Santiago começa no Santuário da Senhora da Saúde, em São Pedro de Agostém, desce o estradão que rodeia a Quinta do Rebentão, em Vila Nova de Veiga e, pela EN 2, vai até à Praça do Município, seguindo depois até à fronteira.

 

O Caminho Via da Prata (ou Sanabrês) que, em 2007, fiz com o meu amigo Fabios e seu filho Mito(k), iniciámo-lo em Laza.

 

Durante os anos 2010, 2011 e 2012 procurámos fazer o troço que, de Chaves, nos leva a Laza, por lanços.

 

Não estava ainda o atual Caminho Português Interior de Santiago, tal como agora se mostra configurado, traçado e apto a ser percorrido.

 

Por isso, neste ínterim, e num ou noutro fim-de-de-semana, fundamentalmente ao domingo de manhã, fomos explorando o território à margem do Caminho, em sucessivas caminhadas pela e à volta das veigas de Chaves e de Verin/Monterrei que, noutros posts, mais para diante, apresentarei. A partir da Ponte de São Roque, ponto de encontro para efetuarmos o Caminho em conjunto, efetuámos:

  • Uma primeira etapa até Feces de Abajo – eu, Fabios e Mito(k);
  • Uma segunda etapa, num outro domingo, em 12 de Dezembro de 2010, juntamente com Fabios, Mito(k) e minha filha Babela, fizemos o percurso entre Feces de Abajo e Tamaguelos;
  • Em 2 de Abril de 2011, eu, Fabios e Mito(k), fizemos o percurso entre Tamaguelos e Monterrei e,
  • finalmente, em 27 de Março de 2012, fiz, sozinho, o percurso que vai de Monterrei a Laza, com o apoio logístico de Ni e Jeca, que me foram buscar a Laza para ir buscar o carro que ficou estacionado no Parque do Parador de Monterrei.

É, assim, do caminho que vai da Ponte de São Roque, sempre à margem do rio Tâmega, e até Feces de Abajo, que vos vou mostrar algumas fotos mais impressivas daquela paisagem, não seguindo, desta forma, o percurso que o agora atual Caminho Português Interior de Santiago, neste território, indica.

 

Sai-se da Praça do Brasil e entra-se no lindo passeio pedonal e ecopista que ladeiam as duas margens do rio Tâmega, na área urbana da cidade de Chaves.

 

Neste agora arranjado e aprazível passeio, até à Ponte de São Roque, destacamos:

 

 (Varanda-balcão de uma propriedade contígua ao passeio)

 

 (Roda antiga pertencente à antiga central eléctrica dos Agapitos)

 

(Reflexo do prédio Golfinho, sito na Praça do Brasil, sobre as águas do rio Tâmega)

 

(Reflexo do Hotel Aquae Flaviae e Ponte Nova sobre as águas do rio Tâmega)

 

(Ponte Nova)
 
(Caldas de Chaves - Zona envolvente à buvete com a ponte medieval, desativada, sobre o Rivelas)

 

(Caldas de Chaves - Pérgola)

 

(Zona das Caldas de Chaves contígua ao rio Tâmega com o castelo ao fundo)

 

(Ponte Pedonal - Vista Geral)

 

(Poldras)

 

(Ponte Pedonal e Poldras)

 

(Ponte Pedonal - Pormenor)

 

(Ponte Romana vista do Jardim Público)

 

(Ponte Romana)

 

(Ponte Romana vista a montante)

 

(Rio Tâmega na área da Madalena - ao fundo a Ponte de São Roque)

 

(Ponte de São Roque)

 

 


publicado por andanhos às 02:41
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