Terça-feira, 24 de Julho de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.2.3)

 

3.2.- Igreja

 

3.2.1.- Porta de comunicação do Mosteiro para a Igreja; a planta; as naves

 

A comunicação do Mosteiro com a Igreja faz-se por uma porta aberta no Claustro Regular ou dos Medalhões.

 

 

 Esta porta foi aberta no triénio do Abade Antonio Fernández (1569-1572)

 

Trata-se de uma porta com arco de meia volta, coroado por um relevo em forma de frontão que representa o Pai Eterno e as figuras simbólicas da Fortaleza e da Justiça. É tipicamente em estilo renascentista, muito próprio desta época.

 

A Igreja do Mosteiro de Oseira remonta à época medieval. É uma jóia de grande valor arquitectónico, um exemplar-chave para o estudo da arquitectura de Cister em Espanha.

 

 

(Porta de entrada principal interior)

 

Segundo os entendidos, nomeadamente o professor Valle Pérez, a data de início da obra deve andar pelo ano 1185. A análise da construção evidencia uma substancial e clara unidade nos motivos ornamentais, tipo de capitéis, organização dos suportes, etc. A conclusão da capela-mor deveria ter lugar em 1195-1200.

 

A data provável da consagração da Igreja é o ano 1239.

 

A arquitectura deste templo é uma síntese entre o forâneo e o local, muito próprio da arquitectura da Ordem de Cister.

 

A planta da Igreja é uma cruz latina, com três naves e sete tramos, no braço longitudinal, e um cruzeiro com dois tramos.

 

A cabeceira possui uma capela-mor, semi-circular, precedida de dois tramos rectos, em torno da qual se desenvolve uma girola ou deambulatório, com sete compartimentos. Na girola abrem-se cinco capelas.

 

 

O hemiciclo absidal está aberto em abóbada, composta por oito nervos de secção prismática.

 

 

O cruzeiro destaca-se tanto em planta como em alçado. É formado por uma só nave, de braços de curta dimensão, e é coberto por uma abóbada de canhão apontado, igual às naves. Sobre o cruzeiro está a airosa cúpula.

 

Exteriormente é um sensível corpo octogonal, liso e simples, sem mais decoração. No seu interior deparamos com um polígono de base com 16 lados, conseguido mediante quatro grandes trompas, hoje decoradas com relevos barrocos de talha de madeira.

 

A cúpula é formada por dezasseis nervos radiais de perfil rectangular.

 

 

A Virgem do Leite preside à capela-mor, numa base de granito.

 

 

Esta imagem tem um valor excepcional pela raridade deste tipo de obras ao apresentar Maria sentada, sustendo o Menino sentado no seu regaço com a mão esquerda, enquanto, com a mão direita, oferece o peito.

 

É em pedra policromada, datada do século XIII.

 

Nos pés do templo dispõe-se o Coro Alto sobre uma interessante abóbada, que remonta a cerca de 1550.

 

 

3.2.2.- Retábulos e decoração barroca

 

Depois da reconstrução do Mosteiro o impacto do barroco nesta Igreja foi reduzido sensivelmente. Nomeadamente, desapareceu um baldaquino e vários retábulos, assim como parte da decoração pictórica, o coro e o órgão.

 

Ficaram, contudo, alguns retábulos que evidenciam a importância deste monumento artístico.

 

A nervura da cúpula medieval do cruzeiro da Igreja está decorada profusamente. Nas trompas ou esquinas há quatro relevos com santos de corpo inteiro, da Ordem, situados numa complexa moldura barroca sob águia bicéfala: S. Roberto de Molesmes; S. Alberico; Santo Estêvão Harding e S. Bernardo.

 

 

Têm a seus pés cartazes que os identificam.

 

 

3.2.3.- Os retábulos do Cruzeiro

 

Vistosos e conservados in situ são os quatro retábulos que estão adossados às colunas e formam arcos de triunfo à entrada da girola.

 

 

Esta obra foi feita quando Frei Plácido Morriondo (1753-1756) foi Abade do Mosteiro.

 

Artisticamente, trata-se de uma obra de uma depurada técnica, dentro de um barroco avançado, que denota um mestre hábil e conhecedor da obra de Simón Rodríguez e de outros altos expoentes do barroco compostelano.

 

(Retábulo de S. Bento)
(Retábulo de S. Bernardo)
(Retábulo de S. Famiano)
(Pormenor do Retábulo de Santiago)
(Pormenor do acabamento de um Retábulo)
(Pormenores dos Retábulos)

 

As capelas da girola ou deambulatório modificaram-se no século XVIII com o barroco, nomeadamente com o acrescento de retábulos.

 

(Retábulo pétreo da Capela Central e Retábulo de Santa Vitória)
(Retábulos de Santa Catalina e S. Miguel)

 

A barroquização do espaço interior do templo chegou à sua máxima expressão com a campanha decorativa que acabou por pintar praticamente todos os muros da Igreja. A temática é logicamente religiosa, completando-se com elementos meramente decorativos, como flores, formas geométricas, etc. Praticamente toda a Igreja foi coberta com motivos tomados do Santoral e das fontes iconográficas cistercienses.

 

 

 

3.2.4.- Sacristia

 

 

A porta da sacristia é do século XVIII. Previve nela um classicismo ecléctico, utilizando a ordem jónica, muito rara na arquitectura galega.

 

 

As pilastras são estriadas. Entablamento decorado com três mísulas e dois florões de rica talha.

 

O frontão triangular, com denticulado interior, decora seu tímpano com um enfeite com as armas de Cister pintadas entre dois triângulos ressaltados.

 

Nas esquinas leva acrótera rematada em bola, solução que, provavelmente, também tinha o vértice.

 

A sacristia antiga, do primeiro terço do século XVI, cobre-se com abóbada bastante rebaixada e os seus nervos ou nervuras partem de mísulas situadas a meia altura.

 

 

Num dos extremos da sacristia conserva-se um armário de artísticas portas com trabalhos geométricos e policromadas. Provavelmente deveria ter sido relicário.

 

(Armário)
(Armário - Pormenor)

 

Nesta sacristia há uma porta(da) classicista com colunas estriadas que rematam em capitéis e que levam na sua frente uma cabeça grande de anjo, com entablamento com frontão triangular e, em cujo tímpano, se abre uma venera. Rematam o ângulo e os extremos uma máscara e dois candelabros.

 

É obra do século XVI, já avançado.

 

3.2.5.- Exterior do templo e capela de Santo André

 

(Capela de Santo André e Porta da Morte)

 

Pela Porta dos Mortos saímos para o exterior para, daqui, comtemplar o exterior da Igreja, o cemitério e a capela de Santo André.

 

A cabeceira só conserva a sua forma inicial num dos extremos.

 

(centePerspectiva da Igreja do lado nascente, com Capela de Santo André no extremo direito)
(Abside românica)

 

As outras capelas (da girola) conservam parte da edificação medieval. A capela central não mantém nada da construção precedente.

 

São de interesse as coberturas da girola, uma parte com telha comum e outra com lousas de pedra. A capela-mor traduz-se exteriormente de forma airosa.

 

Contrafortes prismáticos marcam os tramos rectos do presbitério; a parte semi-circular divide-se em sete tramos por meio de seis colunas.

 

O cruzeiro destaca-se com o maciço corpo octogonal central. No braço norte abre-se a porta do cemitério monacal ou da morte, com sete contrafortes.

 

(Perspectiva da Igreja do lado norte)

 

A construção da capela de Santo André data por volta de 1210-1215, estando acabada em 1239, porquanto foi nesta data que foi consagrada juntamente com a Igreja abacial.

 

Seu exterior é de uma enorme simplicidade.

 

O destino desta capela foi, segundo Valle Pérez, servir de lugar de enterro das famílias nobres, como os Vilariño e outras linhagens.

 

A jacente de D. Arias encontra-se dentro da capela. Apresenta hábitos monacais, empunhando um livro na mão esquerda e o báculo de espiral na mão direita. A cabeça está coberta com a mitra. Repousa sobre vários livros.

 

 

Trata-se de uma obra gótica dos primeiros anos do século XV.

 

3.3.- Obras artísticas

 

São muitas as obras desaparecidas após a desamortização. Entre as que foram conservadas, vamos referir e mostrar as seguintes:

3.3.1.- Ourivesaria

 

(Relicário neogótico de S. Raimundo de Fitero)
(Relicário do Beato Rafael Arnáiz)
(Custódia com os escudos de Oseira e Cister, séc. XVIII)
(Cálice de estilo rococó, séc. XVIII)
(Báculo neoclássico, séc. XIX, procedente do Mosteiro de Monfero)
(Báculo de 1977 usado para a benção do Abade D. Plácido Gonzáles Cacheiro)

 

3.3.2.- Imagens e quadros

 

(Cristo de marfim, século XVII)
(Cristo flagelado em madeira, séc. XVII)
(Uma das peças do baldaquino - S. Bernardo diante de Nossa Senhora)

 

 

3.3.3.- Farmácia

 

(Frente de um móvel-armário da Farmácia do Mosteiro)
(Um dos vasos da Farmácia do Mosteiro - Real Fábrica de Sargadelos, séc. XIX)

 

 

3.3.4.- Paramentos

(Capa pluvial com o escudo de Oseira, séc. XVIII)
(Mitra com os escudos de Oseira e da Ordem de Cister, séc. XIX)

 

3.4.- Padaria, moinho e forno

 

À volta do mosteiro, do lado nascente-sul, ao lado do Dormitório dos Anciãos, encontra-se uma série de edificações destinadas a diversas indústrias necessárias para manter a vida do mesmo.

 

 

São construções sem nenhumas pretensões artísticas e cuja única finalidade é a de serem úteis e práticas.

 

São enclaves de arquitectura rural no meio de solenes e cultos edifícios: a padaria e o moinho de água, que chega até à roda, canalizada, atravessando o subsolo do Claustro dos Pináculos, que se mantém de pé ainda, embora em desuso, desde vários épocas.

 

(Moinho)

 

O forno foi desmontado vai para vinte anos.

 

 

 

 

 

4.- Notas Finais

 

Mostra-se de seguida a ala do Mosteiro, contígua ao Claustro do Pináculos, onde tínhamos a nossa cela (quarto). Ao fundo do corredor, a porta de entrada para a Biblioteca.

 

 

 

O actual abade do Mosteiro de Oseira é D. Juan Javier Martín Hernández, de 43 anos.

 

 

É o sétimo monge a dirigir a Abadia após o começo do seu restauro em 1891.

 

A 5 de Março de 2012 foi eleito abade do Mosteiro de la Trapa. Para mais desenvolvimento desta notícia veja-se o seguinte link.

 

No passado dia 4 do corrente mês fui com os meus sobrinhos netos Tó e Edu, uma vez mais, ao Mosteiro de Oseira, entusiasmá-los para a importância do conhecimento da história, da arte, da natureza e da tradição em ordem a melhor prepararmos o nosso futuro.

 

Foi reconfortante sentir o entusiasmo destes pequenos jovens pelo que lhes mostrámos e ensinámos. Não nos deixam tão pessimistas quanto à incerteza do futuro no que concerne à manutenção e preservação do património natural e cultural que nós, mais velhos, ao longo de décadas e séculos, pouco cuidado dele tivemos!

 

Depois não resisti de passar por Cea e comprar o seu famoso pão. Comprámo-lo mesmo à boca do forno. Que delícia!

 

E eis-nos no fim desta reportagem sobre o Mosteiro de Santa María La Real de Oseira...


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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.2.3)

 

Junta-se planta, retirada do livro Santa María La Real de Oseira, de Miguel Ángel e Frei Damián Yáñez, para melhor se entender o circuito turístico da visita:

 


 

3.- Visitando o Mosteiro e a Igreja

 

3.1.- Mosteiro

 

3.1.1.- Claustro dos Cavaleiros

 

Atravessando o vestíbulo e uma grande porta de arco de meio ponto, encontramo-nos no Claustro denominado dos Cavaleiros ou da Hospedaria, assim denominado por nele estar as cavalariças e, por nele, se apearem todos os que chegavam ao mosteiro de cavalo.

 

 

Está situado por detrás da fachada principal do mosteiro. É composto por arcos de meio ponto e janelas rectas entre pilastras com ricas molduras.

 

Possui sete arcos, nas alas norte e sul, o central é o mais largo. E com varanda no segundo corpo. Nas outras duas alas tem nove arcos.

 

 

As galerias superiores estão cobertas com tectos rasos.

 

Neste claustro existem também três salas, com tectos simples, abobadados, com nervos que arrancam directamente dos ângulos e unem-se no centro em remate circular, sem decoração. São do século XIII e constituem os únicos restos que se conservam do mosteiro medieval. Tudo o resto deste claustro remonta a 1713 a 1759.

 

3.1.2.- Escadaria de Honra

 

Foi construída segundo a concepção herreriana.

 

 

Os vinte e quatro degraus são decorados à frente com pontas de diamante, dando-lhe elegância.

 

A partir de 1727-1730, aquando da sua reedificação, aparecem cinco nichos adornados com pilastras e cornijas dóricas com imagens dos santos da Ordem, em madeira policromada, em bom estilo barroco.

 

Preside a estes cincos nichos a figura de S. Bento, tendo à sua direita S. Bernardo e o beato Eugénio III e à sua esquerda aparecem Santo Estêvão Harding e S. Martinho de Finoja, fundador do Mosteiro de Huerta.

 

 

Ao cimo das escadas está a efígie de S. Famiano – monge do mosteiro – em traje de peregrino.

 

 

A Escadaria de Honra, uma das peças mais destacadas do mosteiro, encontra-se entre o Claustro dos Cavaleiros e o Claustro dos Medalhões.

 

3.1.3.- Claustro Regular (ou dos Medalhões ou ainda Processional)

 

Está contíguo à igreja.

 

 

Denomina-se Regular ou Processional por ser o itinerário das muitas procissões da liturgia monástica. É também designado Claustro dos Medalhões pelo facto  de existirem vários medalhões a adorná-lo.

 

 

Inicialmente existiu aqui um claustro medieval e logo outro do século XVI, do qual procedem os medalhões, que são aproveitados como decoração do actual, que foi começado em 1760, construído em estilo barroco, com placas compostelanas, que estavam então na moda.

 

No final do século XVIII os seus arcos foram tapados para evitar correntes de ar. Em 1995 voltaram-se a abrir.

 

 

Os medalhões representam personagens tanto da Ordem como da vida civil, heróis da antiguidade com vestimentas militares. Denotam uma mão hábil que se esmerou em conseguir um conjunto notável.

 

 

No centro uma fonte, cópia da original do século XVI, que se encontra actualmente na Praça do Ferro, em Ourense. Esta réplica ou cópia foi executada pelo escultor Nicanor Carvallo, em 1997.

 

 

3.1.4.- Museu de Pedra

 

Está exposto numa larga sala abobadada, possivelmente destinada a adega.

 

 

Nela estão dispersos vários restos, de pedra lavrada, aparecidos aquando das obras de restauro do mosteiro.

 

Aqui podem-se ver artefactos da época medieval, renascença e do barroco. São restos de laudas sepulcrais, pináculos, restos de abóbadas e uma larga série de caleiras utilizadas para a condução de águas e saneamento.

 

 

3.1.5.- Escadaria dos Bispos

 

Num dos ângulos do Claustro dos Medalhões (Processional ou Regular) abre-se uma porta tardo-renascentista, decorada com cabeças de querubins, permitindo o acesso à chamada Escadaria dos Bispos.

 

 

Denomina-se dos Bispos pelas imagens dos santos bispos e outros da Ordem, que ocupavam nichos que se abrem na parte superior. A abóbada é octogonal sobre trompas.

 

 

É do século XVI. A reconstrução é do século XX.

 

3.1.6.- Porta do séc. XVI e Abóbada das Laudas

 

Dos primeiros anos do século XVI é a porta que liga o Claustro dos Medalhões com o Claustro dos Pináculos.

 

É constituída por um arco de meio ponto ao qual se sobrepõe um arco conopial dobrado que remata num florão ou ramalhete vegetal, como era hábito na arte do último gótico.

 

 

A Abóbada das Laudas, no plano canónico, corresponderia ao locutório, lugar de comunicação entre o Claustro Regular e dos Pináculos.

 

A singeleza da sua traça, em oito nervos, e a sua localização, convida-nos a situar a sua construção no século XVI.

 

A curiosidade está em terem sido utilizadas as laudas (com inscrições de nobres que se sepultaram no mosteiro) como paramentos para a sua construção.

 

3.1.7.- Claustro dos Pináculos

 

As obras deste grande claustro iniciaram-se nas últimas décadas do século XVI. Em 1629 ainda não estavam concluídas.

 

O Claustro dos Pináculos tem apenas três alas: a do oriente; a do meio-dia; a do norte. Carece da ala poente, porventura para não privar de luz a Sala Capitular.

 

 

É o mais esbelto dos claustros, dos três de Oseira.

 

As três alas, muito estreitas e elevadas, cobrem-se com abóbadas, que descansam sobre pilastras apoiadas em contrafortes lisos, sem decoração.

 

Em 1991 dotou-se o pátio com uma formosa fonte, obra do escultor Nicanor Carvallo, fonte esta que é cópia da que se supõe que existiu aqui, no mesmo sítio, e hoje na Alameda de Ourense (aliás como já atrás fizemos referência).

 

O Claustro dos Pináculos é o mais espaçoso dos três de Oseira e, na sua parte superior, localiza-se a Hospedaria, onde nos acomodámos (eu e a Ni) nos dois dias que ali permanecemos.

 

 

Na esquina sudoeste do claustro há uma porta, de meio ponto, que dá acesso a diversas dependências do mosteiro, quase desconhecidas, por estarem à margem do circuito turístico, por que pendentes ainda de restauro. Nessas dependências podemos supor estar a antiga portaria do mosteiro, o cárcere, diversos armazéns e, sobretudo, o antigo refeitório, com abóbadas de meio canhão, conservadas em perfeito estado.

 

3.1.8.- Antiga Sala Capitular

 

Muito importante e vistosa é a Antiga Sala Capitular. A planta e disposição desta singular sala, construída provavelmente nas últimas décadas do século XV ou primeiras do século XVI, são as mesmas que têm as salas capitulares dos mosteiros cistercienses medievais, ou seja, planta quadrada dividida em nove compartimentos por meio de quatro colunas centrais.

 

A sua originalidade estás sobretudo nas colunas e nas abóbadas. As colunas, torcionadas e estriadas, de molduras retorcidas, decoradas com flores quadrifólias, assentam sobre bases cilíndricas lisas e apoiam as abóbadas directamente sobre o fuste, sem capitel.

 

 

Dos muros partem os nervos de mísulas situadas a meia altura, umas com sensíveis molduras, outras com decoração caprichosa de arquitos.

 

 

 As abóbadas possuem nervos curvos

 

 

que confluem em remates com decoração em relevo, policromada com ramagens e caricaturescos rostos, com intensão meramente decorativa.

 

 

É clara a relação desta arquitectura, com tão marcada vontade decorativa, com o estilo manuelino português.

 

 

3.1.9.- Biblioteca

 

No extremo noroeste do mosteiro, em 1766, construiu-se um grande salão, coberto com três vãos de abóbada de aresta sobre mísulas, que recebe iluminação de grandes janelas rectangulares.

 

 

É constituída por ricos móveis barroco-rococó, dos tempos de Frei Tadeo Lueña (1771-1775), construídos completamente na actualidade, já que após a desamortização desapareceu uma boa parte dos mesmos. O livro de obras dá-nos conta dos nomes dos mestres.

 

 

Para além dos escudos e pináculos nos remates têm também lavrados diversos temas como a lactação de S. Bernardo e, nas portas dos extremos, grandes e proporcionados relevos representando o Salvador e Nossa Senhora.

 

(Porta - Pormenores)

                  (Porta - Nossa Senhora)
 

Os fundos bibliográficos, todos adquiridos nos tempos recentes, confirmam uma rica colecção que alcança 30. 000 volumes, de uma ampla temática.

 

 

3.1.10.- Refeitório Monumental

 

O Refeitório Monumental está situado na parte alta do Claustro Regular ou dos Medalhões.

 

Enquadra-se dentro da mesma estética renascentista, não abandonando soluções porventura góticas como são as abóbadas.

 

Foi construído em 1572. Tem planta rectangular, paredes lisas e vãos de meio ponto com três tramos de abóbada, com remates decorados em gomos e cujos nervos partem de mísulas com o mesmo tipo de decoração.

 

 

Trata-se de uma das dependências do mosteiro mais arruinada após a desamortização, embora reconstruída inteligentemente sob a orientação do Padre Juan María Vázquez, que dedicou toda a sua vida à reconstrução arquitectónica de Oseira, em 1978, que aproveitou nervos e remates, substituindo a paramentaria pétrea por material aglomerado.

 

 

No muro do lado direito, no segundo tramo, abre-se o nicho do púlpito para a leitura durante a refeição. A base do mesmo é decorada com interessantes motivos renascentistas.

 

Preside a esta ampla sala um Cristo, do século XVI, que estava muito danificado, e que foi restaurado segundo a inspiração do Cristo de la Veja, de Toledo.

 

 

3.1.11.- Solarium e Calefactorium

 

Por detrás do Refeitório Monumental situa-se o Solário, construído nos finais do século XVI, resguardado dos ventos do norte e aberto ao sol do meio dia.

 

 

Possui capiteis e formas de sapata cuja frente é decorada com motivos vegetais e antropomorfos.

 

 

Foi restaurado até 1980. Dali se domina uma extensa e variada paisagem.

 

(Pormenor da chaminé da cozinha sita no lado direito do Solarium) 

  

Está contíguo ao calefactório, construído em 1747. Aqui, no calefactório, os monges aqueciam-se de inverno.

 

Destaca-se a sua chaminé exterior, rematada em tubo cilíndrico, com corpo prismático, que lhe dá uma originalidade indiscutível.

 

3.1.12.- Dormitório dos Anciãos

 

Ao lado está o que foi o dormitório dos anciãos (velhinhos), e que hoje alberga a comunidade de monges que aqui fixou residência.

 

Entre 1623 e 1635 foi construído este pavilhão que, em termos de planta, rompe as estruturas cerradas do mosteiro. Destinado aos enfermos e velhinhos, procurava uma melhor orientação para receber abundante luz e calor.

 

 

Tem três alturas e uma grande sobriedade construtiva. Atribui-se a autoria deste pavilhão ao mestre salamantino Alonso Sardiña.

 

Uma nota final para referir que tive pena de não ter visitado o Arquivo e a cela de Ochoa Espinosa, Abade Comendatário, assassinado “à estadulhada” pelo povo de Infesta, no século XVI bem assim dar conta da visita à Farmácia do mosteiro e dos seus ricos vasos de Sargadelos, do século XIX.

 


publicado por andanhos às 18:57
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Sábado, 21 de Julho de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.2.2)

 

Oseira nasceu de acordo com o espírito de Cister: isolado do mundo e sem povoação.

 

Viu, contudo, ao longo do tempo, aparecer uma série de edificações relacionadas com as actividades do próprio mosteiro e que hoje constituem um pequeno núcleo urbano, através do qual se chega ao mosteiro.

 

 

Estas casas, feitas de boa cantaria, possuem solenes varandas e escudos de Oseira, como a antiga Hospedaria de Peregrinos, já que o mosteiro foi um importante desvio do caminho meridional a Santiago.

 

Hoje este edifício é ocupado pelo Museu etnográfico Liste e por um conjunto de estabelecimentos comerciais.

 

 

As outras casas, do lado direito da rua, estavam destinadas a habitação de diversas pessoas ao serviço do mosteiro, como o escrivão, o médico, o veterinário, etc.

 

No Campo da Feira, recentemente remodelado e convertido em ameno lugar de recreio, conserva-se um interessante
cruzeiro renascentista.

 

Também circundando o espaço monástico há uma cerca, de pedra, em cantaria, que, de trecho a trecho, é reforçada e embelezada com cubos maciços rematados em corpo cónico.

 

 

O arco de acesso

 

Concebido a modos de um arco de triunfo clássico, possui um grande vão de meio ponto, emoldurado com pilastras toscanas, com cornijas e remates moldurados.

 

 

No eixo sobre o arco um escudo com coroa real e lambrequins muito barrocos.

 

Está rematado com três estátuas de pedra: no centro, a Assunção; dos lados, dois anjos músicos.

 

 

Esta obra é, provavelmente, dos finais do século XVII.

 

2.- As Fachadas da Igreja e do Mosteiro

 

2.1.- A Fachada da Igreja

 

 

Foi construída entre 1639 e 1647.

 

A sua traça é atribuída ao mestre salamantino Alonso Sardiña.

 

A fachada é um largo pano arquitectónico que cobre a frente da igreja medieval, composta por três corpos verticais, completamente almofadados.

 

 

O corpo central, com porta rectangular, é emoldurado por uma dupla ordem de colunas com nichos que acolhem as estátuas de S. Bento e S. Bernardo.

 

 

Sobre a porta, um nicho com a estátua de Senhora da Assunção, entre pilastras estriadas jónicas e um frontão curvo.

 

 

Dos lados, dois escudos:

 

 

um da congregação de Castilha e outro do Mosteiro com orlas de rica lavra, de gosto algo renascentista.

 

Remata a fachada um grande frontão curvo partido e, no centro, um edícula coroada por um frontão curvo; no centro tem um bem trabalhado escudo da monarquia espanhola que, em 1646, o escultor e arquitecto Francisco de Moure Filho, fez.

 

 

Os panos laterais, originalmente sem vãos, prolongam-se verticalmente com as torres, que se compõem por dois corpos cúbicos decrescentes e com remate de pirâmide octogonal.

 

Estilisticamente esta fachada, no dizer de Miguel Ángel González e Frei Damián Yáñez, in ob. cit., utiliza o reportório herreriano, provincializado, rompendo com o rigor e a frialdade classicista, optando-se por um barroco de perfis e contrastes bem aceites na Galiza.

 

A primitiva fachada, é justo conjecturar, manteria os esquemas de uma sensibilidade e singeleza estrutural, própria da época e da arquitectura de Cister, dando-se conta da diferença de alturas entre as três naves e a largura das mesmas.

 

2.2.- A Fachada do Mosteiro

 

 

A composição da fachada, elaborada com critérios de simetria, tem como eixo principal a porta de acesso, situada ao centro da mesma.

 

Tem um arco de meio ponto e comunica com o vestíbulo da entrada principal.

 

Dois pares de colunas salomónicas, com capitéis foliados, molduram duas cenas relacionadas com os grandes padres da vida monástica – S. Bento e S. Bernardo: a visão natalina de S. Bernardo e a penitência levada a cabo por S. Bento na gruta de Subiaco.

 

 

Sobre o arco, o escudo de Oseira

 

 

– os dois ursos a galgarem um pinheiro – entre duas figuras simbólicas da vida e da morte, unidas por uma cadeia de pedra, hoje desaparecida.

  

Sobre a varanda principal, o escudo da Casa dos Bourbón,

 

 

com coroa saliente, sobre o qual se abre um nicho que abriga as imagens da Virgem e S. Bernardo a seus pés, quase do tamanho natural, na cena da lactação.

 

 

Janelas molduram outras tantas varandas (balcões), suspensas por mísulas ornamentadas, representando anjos, figuras grotescas e frutos decorativos.

 

 

Dois escudos das ordens militares portuguesas e espanholas, de origem cisterciense.

 

Coroa todo o conjunto um artístico frontispício, sobre o qual se ergue a estátua da Esperança, empunhando uma âncora, enquanto a barbacã é adornada com pináculos e estátuas de S. Bento, S. Roberto, S. Alberico e Santo Estêvão, em pedra.

 

 


publicado por andanhos às 23:54
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Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.2.1)

 

O segundo tema deste “Destaque(s)”, tal como dizia na Introdução desta secção, é o Convento e Igreja de Santa María La Real de Oseira.

 
 

Osera era tierra de verdes fragas, floresta silvestre, orda selvaje de xestas y tojos;

lugar de osos, de viejos robles regados por las fescas aguas del Ursaria;

aislada del mundo y vecina del paraiso;

una remansada oración de la naturaleza a su Señor”.

 

David Ferrer Garrido,

Apresentação do livro “El Monasterio de Oseira”,

Caixa Ourense, 1996

 

 
 
 

Como dizia no relato da 3ª etapa (Ourense-Cea) [Pelos Caminhos de Santiago – Na Galiza (Via da Prata 2.3)], quando, em 2007, fiz este Caminho, fiquei com imensa pena por não o ter ido visitar, pois, na etapa nº 4 (Cea-Laxe), optámos pelo percurso mais curto, evitando, assim, aquele desvio.

 

Mas fiquei com aquele “bicho” por lá não ter ido.

 

Volvidos 5 anos, acabei por ir lá.

 

A primeira vez foi uma visita turística, realizada em 21 de Janeiro do corrente ano, acompanhado da minha Ni e da Bina. Ficámos com uma panorâmica geral das dependências do Mosteiro e da Igreja. A segunda foi apenas com a Ni, nos dias 29 de Fevereiro a 1 de Março do corrente ano. Optámos por permanecer dois dias na Hospedaria do Mosteiro, por forma a conhecer melhor a vida conventual e dos seus residentes.

 

Se bem que já conhecesse um pouco o modo de vida destes solitários residentes, uma coisa é ter uma visão, diria, exterior, outra é vivê-la – quase vivê-la – in situ.

 

Vejamos o dia-a-dia destes eremitas, no horário das actividades diárias, bem visível numa mesa de apoio no quarto onde nos acomodámos:

  • 04:30 h - Vigilias (Oração Angelus)
  • 07:15 h - Laudes-Eucaristia (Pequeno almoço 10 minutos depois da eucaristia)
  • 10:30 h - Oficio da Tercia
  • 13:00 h - Oficio de Sexta (Examen-angelus)
  • 13:45 h – Comida
  • 15:00 h – Oficio de Nona
  • 18:30 h – Oficio de Vesperas (Oração)
  • 19:45 h – Cena
  • 20:30 h – Oficio de Completas (Salve-angelus)
  • 21:00 h – Descanso (Grande silêncio)

 

Como se pode depreender, uma vida toda dedicada à oração. E à qual, nós os dois, também, durante aqueles dois dias, diligentemente, e por que não dizê-lo, por uma questão de boa educação e cortesia, participámos.

 

Cumprimos tudo à risca, excepto levantarmo-nos para Vigilias, às 04:30 h!...

 

Estou em crer que, positivamente, não fui talhado para aquela vida.

 

Gosto do afastamento, do silêncio, do meu encontro e do envolvimento com a natureza, mas feita de uma forma, diria, “mais selvagem”.

 

 
 
 
 

Tivemos como companheiros, por razões bem diferentes das nossas, cujo recato e discrição a minha curiosidade não foi mais a fundo, as seguintes pessoas:

  • Padre Nuno – Oliveira de Azeméis;
  • Padre Pepe – Tui (a viver numa Casa pertença das Irmãzinhas que têm a Casa de Santa Marta, Chaves);
  • Padre Sito Xavier – Pároco de uma paróquia de Vigo;
  •  Quico – Leigo de Xinzo de Limia;
  •  Carlos – Leigo de Ourense.

Uma palavra de apreço e gratidão para o Irmão hospedeiro Alfonso (natural de Valência): um encanto de pessoa.

 

Das conversas havidas entre este Irmão e o Padre Nuno constatei a sua obstinação pelo purismo inicial da vida da Ordem. Mesmo a nível da arquitectura. Para ele o românico está mais de acordo com aquele espírito. Daí o seu desdém pelo barroco, personificado na figura do órgão da Igreja.

 

Um apreço ainda muito especial para este Irmão quando nos mostrou a actual Biblioteca do Convento e nos explicou a forma como foram feitas as obras de recuperação do Refeitório Monumental que, mais à frente, mostrarei.

 

Fomos servidos frugalmente, com comida e acomodações de acordo com as normas do serviço que uma instituição deste cariz deve prestar.

 

Foi simplesmente uma experiência enriquecedora e interessante de viver.

 

 
 
 

1.- Localização e um pouco de história

 

 

O Mosteiro de Oseira está situado numa zona montanhosa, num vale anemo, a 28 quilómetros a norte da capital da província de Ourense, no município de Cea, vila afamada pelo seu pão, como já referimos.

 

De acordo com o opúsculo “Santa María La Real de Oseira – Guia del Monasterio”, de Miguel Ángel González e Frei Damián Yáñez, as primeiras notícias documentais assinalam já vida monástica em Oseira em 1137. E conhecem-se os nomes dos 4 pioneiros iniciais da fundação – os monges García, Diego, Juan e Pedro – que se crê não foram cistercienses num primeiro momento e que, num período incerto de anos, viveram segundo o ideal monástico da regra beneditina.

 

O lugar escolhido, na margem direita do rio Ursaria – Oseira – topónimo derivado de ursus, oso em latim, será o nome que tomará o mosteiro e adoptará a heráldica como escudo parlante.

 

Em 1141 Oseira foi integrada na Ordem de Cister, sob a dependência de Claraval, constituindo-se uma comunidade numerosa, cheia de vitalidade espiritual. Como se evidencia pela presença de São Famiano, peregrino alemão (cuja estátua está acima da Escadaria de Honra), que, em 1142, aqui se fez monge.

 
 
 
 
Oseira conheceu grandes momentos de esplendor e épocas também de decadência.

 

Entre seus abades mais proeminentes, cabe destacar:

  • D. Lorenzo (1205-1223), que subiu à sede de Claraval, único espanhol a alcançar tal honra;
  • D. Fernando Pérez (1223-1232), antigo deão de Santiago e Conselheiro-Mor do Reino;
  • D. Fernando Yáñez, eleito para dar vida à grande abadia portuguesa de Alcobaça, em 1195;
  • D. Suero de Oca (1485-1512), arcebispo de Tarso.

No século XV Oseira sentiu a crise geral da Igreja, e mais particularmente com a chegada dos Abades comendatários.

 

Em 1552 Oseira sofreu um grande e grave incêndio. Por tal facto, e por outras estratégias de poder também, naquela época, pensou-se aqui acabar com a vida monástica, deslocando todos os seus residentes para a Casa de Valladolid.

Valeu o Oseira a argumentação pertinaz do seu abade Frei Marcos del Barrio para que tal intento não fosse prosseguido.

 

A própria arquitectura do mosteiro está aí como barómetro para deixar bem claro o que foi a vida regular e generosa vivida secularmente nesta Casa, a
quem lhe chamam o “Escorial Galego”.

 

Todo este sereno e intenso viver o século XIX o deitou por terra com a exclausura, em 1820, e depois, em 1835, com a desamortização.

 

Depois de um século de abandono, que levou Oseira a um estado de ruína lamentável, com o bispo D. Florencio Cerviño González, em 1929, mais concretamente a 15 de Outubro, os monges regressaram aquele lugar com a tarefa de consolidarem primeiro aquelas ruínas e depois o seu modesto restauro.

 

Foi mais concretamente a partir de 1966, sob a direcção dos próprios monges, que se logrou o milagre da efectiva reconstrução do Mosteiro, motivo pelo qual, em 1990, recebeu o Prémio Europa Nossa e, em 1997, o prémio Otero Pedrayo, concedido pelas quatro deputações galegas (Corunha, Pontevedra, Lugo e Ourense).

 
 
 
 
 

publicado por andanhos às 01:35
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