Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

MEMÓRIAS DA MINHA INFÂNCIA (III)


 

O Património Edificado - Algumas singularidades

 

Falava, no último post, sobre o Rico Património Vinícola de Santa Maria.

De alguma forma, quando se discorria sobre as suas quintas, vieram à colação também as suas casas e o seu enquadramento paisagístico.

Hoje apenas queria referir três simples singularidades:

  • A sua Igreja Matriz;
  • A Casa da Quinta das Torres, com a sua singela capela anexa e a imagem do seu orago;
  • A Casa de Sant’Anna e o seu brasão.

 

A.- A Igreja Matriz de Santa Maria de Oliveira

 

(Fachada principal virada para o cemitério)
 
 
(Torre sineira e sacristia)
 
 
(Torre sineira)
 
Bernardino Vieira de Oliveira, na sua já referida obra “Breve Monografia do Concelho de Mesão-Frio (1152-2002)”, Edição Comemorativa dos 850 anos da outorgação da Carta Foral, a páginas 318 e 319, referindo-se à Igreja Matriz de Santa Maria de Oliveira, afirma que o património religioso de Santa Maria «tem na sua igreja seiscentista a maior referência cultural. Datada de 1649, [embora uma das inscrições numa das suas pedras aponte duas datas - 1694 e 1179 - levando-se a supor que, naquele lugar, e na data de 1179, foi erguida uma igreja e, em 1694, foi concluída - ou reconstruída - uma outra de novo. Tudo meras suposições, pois, de facto, não encontramos documentos que confirmam esta nossa tese. Contudo, segundo mais à frente diz Álvaro Maria de Fornelos, nas suas "Memórias..." pode, inclusive, dizemos nós, ser uma pedra trazida da anterior construção e à qual puseram uma nova data, para além da anterior]
 
 
e trabalhada arquitectonicamente num barroco singelo, a rica talha do altar-mor,
 
 

 

do púlpito, os caixotões do tecto,

 

 

 

e do arco cruzeiro

 

 

ou dos altares laterais, fazem da Igreja Matriz de Oliveira uma jóia impar de arte sacra em toda a diocese de Vila Real».

 

 

(Altar lateral direito virado para o altar-mor)
 
(Altar lateral esquerdo virado para o altar-mor)
 
Quanto a esta paróquia, Álvaro Maria de Fornelos, nas sua “Memórias…”, de 1886, a páginas 64, citado por B. Vieira de Oliveira, diz: «a egreja é antiquíssima e tem uma excelente obra de talha. Segundo é tradicional houve outra egreja em local afastado da actual e plano superior, comquanto não restem vestígios alguns d’ella. Em 1757, o cura de Oliveira tinha anualmente 60$000 réis de renda anual. Segundo informações fidedignas, tem actualmente a egreja d’esta freguesia as seguintes alfaias: 1 cruz, thuribulo, vaso de Sacrario, 5 calices, sendo 4 lisos e 1 com bastantes relevos, 1 custodia de 0,85 m de altura, cujo custo foi de 800$000 réis, chave do Sacrario e ambolas – tudo de prata. Possue, além d’isto, a mesma egreja 1 pequeno órgão, relogio de torre, 4 sinos, paramentos de damasco, gorgorão e veludo, de todas as cores, muito antigas e em bom estado de conservação. Todas estas alfaias foram doadas à egreja de Oliveira pelo Dr. José Barbosa de Albuquerque, que foi ali abbade: é esta afirmação comprovada pelo nome do mesmo Abbade que ainda hoje existe gravado nos referidos calices».
 
Na madrugada de 13 de Janeiro de 1998, também nesta antiga igreja “os amigos do alheio” furtaram, além de vários objectos de ouro, a imagem da padroeira, do Menino Jesus e a dos Quatro Evangelistas, deixando mais empobrecida não só a freguesia de Oliveira como todo o património de arte religiosa do concelho.
 
Guardo na memória da minha infância, quando saía da escola e me dirigia para a minha casa, na Portela, o de passar grande parte das tardes na companhia do senhor Manuel Pereira, observando-o na reconstrução de lambris e caixotões do tecto. Fascinava-me aquela minúcia e habilidade daquele artesão da madeira.

Creio ter sido a última mão que passou por toda aquela madeira para lhe dar mais brilho e esplendor. Já lá vão mais de cinquenta anos!...

 

B.- A Casa da Quinta das Torres

 

 

A nobre Casa da Quinta das Torres, um dos mais impressivos edifícios brasonados do concelho de Mesão-Frio, é a “sala de visitas” da pequena freguesia de Oliveira. A sua espectacular entrada bastaria para que esta mansão armoriada fosse considerada uma das mais deslumbrantes da região.

 

 
Possui duas Pedras de Armas, a testemunhar a sua fidalguia.
No sítio “Solares de Portugal” diz-se, a seu propósito: «A Casa das Torres, pelo equilíbrio das suas formas e pela riqueza da sua cantaria em granito, constitui um magnífico solar do início do século XVIII, na Região Demarcada do Douro. O lugar da sua construção resultou de uma rigorosa escolha, que permitiu não somente encabeçar uma vasta propriedade agrícola, como disfrutar de uma bela paisagem, ao fundo da qual se pode ver o Rio Douro serpentear rumo ao mar.
 
 
Os seus vinhedos produzem não só vinho do porto, como estupendos vinhos de mesa, brancos e tintos, que comercializa sob a designação de Sedinhas, esta designação algo carinhosa era aliás o petit nom do 6º avô do actual proprietário, que foi Cavaleiro da Ordem de Cristo e do Desembargo de Sua Majestade El - Rei Dom João V e, bem ao modo do século XVIII, usava de trajes de seda, nesse tempo abundantemente produzida em Trás-os-Montes e Alto Douro. Foi de resto este mesmo avô quem construiu a Casa das Torres.
 
 
A Casa, com a sua capela privada, está situada em pleno Vale do Douro, próxima da Vila de Mesão Frio, uma das mais preservadas da região».

 
Numa das últimas visitas que fiz à Casa, o que mais me chamou a atenção foi, na sua modesta capela, dedicada a Santo António, a respectiva imagem do Santo.

 

Pela sua singularidade a qui a vertemos.

 

Creio nunca ter visto, em lado algum, o Menino Jesus em cima do livro com um saco de esmolas daquela forma! Imagem bem adequada e enquadrada no contexto do coração de uma das mais emblemáticas casas do Douro!
 

 

C.- Casa de Sant’Anna

 

 
No sítio da Câmara Municipal de Mesão-Frio pode ler-se, quanto a esta Casa: «(…) apresenta na fachada virada a norte, o mais sumptuoso Brasão de todo o concelho de Mesão Frio, em cujo escudo esquartelado se esculpiram as "armas" dos Borges, Carvalhos, Alpoins - armas antigas - e Botelhos. O ano de 1724, que se encontra gravado na frontaria da fachada meridional, comemora muito possivelmente a data do acabamento da primeira edificação por Luís Pereira de Carvalho Borges, fidalgo que reunia dois dos apelidos mais nobres da região. José Borges de Carvalho Sousa de Vasconcelos foi o último fidalgo da Casa de Sant'Anna e morreu em data desconhecida».
 
 
Em 2009, a Direcção Regional de Cultura do Norte propôs a Casa de Santa’Anna para ser classificada como bem imóvel de interesse cultural no distrito de Vila Real.

 

No Guia de Portugal V (2º Tomo) – Trás-os-Montes e Alto Douro II.- Lamego, Bragança e Miranda, da Fundação Calouste Gulbenkian, coordenado por Santana Dionísio, entre a página 576 e 577, vem este esboço,

 

 
acompanhado com estes dizeres: «Nas cercanias da Régua, uma das mais nobres, setecentistas, mais notáveis da região: a Casa brasonada de Sant’Anna».
 

publicado por andanhos às 15:32
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