Quinta-feira, 30 de Maio de 2013

Caminho de Santiago nas Galiza - 12ª Etapa

 
 
 

CAMINHO PRIMITIVO DE SANTIAGO NA GALIZA

 

II Parte

12ª Etapa:- Ribadiso da Baixo – Monte do Gozo

[28.Abril.2013]

 

 

A paisagem não pertence a ninguém, e o caminhante usufrui de uma relativa liberdade.

Mas virá talvez o dia em que a terra será dividida em partes de recreio,

nos quais alguns encontrarão apenas um prazer fugaz e exclusivo

- onde se hão-de multiplicar cercas, armadilhas e outros engenhos concebidos para confinar

o homem às estradas públicas, e, nesse dia, percorrer a superfície da terra do bom Deus

 será violar a propriedade de um qualquer cavalheiro.

Ser o único a deleitar-se com algo é privar-se do verdadeiro deleite.

Tiremos partido de todas as oportunidades, antes que cheguem tão ominosos dias.

 

Henry David Thoreau - Caminhada

 

De fato, as palavras falam mais alto que as imagens.

As legendas tendem a sobrepor-se à evidência do nosso olhar;

mas não há legenda que possa de modo permanente

restringir ou fixar o significado de uma imagem.

 

Susan Sontag – Ensaios sobre fotografia
 

 

 
 

1.- Percurso da etapa

 

 

 
 

2.- Desníveis da etapa

 

 

 
 

3.- Descrição sucinta da etapa

 

 

Choveu de noite. A manhã estava fresca. Levantámo-nos à hora do costume: 7 horas locais.

 

Como disse no post da etapa anterior, fomos ao Bar/Restaurante, ao lado do albergue, tomar o pequeno-almoço. Não havia pão fresco ainda. Comemos um “croissant” com café com leite e bebemos um sumo natural de laranja. Comprámos ainda umas barras de cereais com chocolate para comermos a meio da manhã.

 

Apesar de o ambiente se apresentar húmido, por ter chovido, contudo, o dia apresentava-se melhor do que no dia anterior. Prometia, pois, sol.

 

 
Em pouco mais de meia hora, decorridos 2, 8 Km,

 

 

estávamos a atravessar Arzua, local onde se junta o Caminho do Norte com o Francês.

 

 

Atravessámos toda a cidade de Arzua, através de uma enorme avenida até entrarmos no “casco velho”.

 

(Tino fotografando o casco velho)

 

(Pormenor de uma habitação)
 
Desde o albergue de Arzua, no núcleo antigo, onde também se situa a igreja da Madalena (século XIV), que teve também mosteiro e foi antiga hospedaria de peregrinos, hoje em ruínas,

 

 

e até Pedrouzo/Arca, ao longo deste troço do Caminho, foi um constante rodopiar de caminheiros-peregrinos e ciclistas.

 

Aqui demo-nos conta de uma excursão de ciclistas, BTT, que, creio, serem portugueses, a encetaram daqui o Caminho de bicicleta até Santiago.

 

Foi exactamente neste troço que, ao longo de todo o Caminho Primitivo, vimos não só a maior concentração de caminheiros-peregrinos como de ciclistas.

 

 

Saídos do perímetro urbano de Arzua, entrámos no ambiente rural. Passando pela Fonte “Os Franceses” e, cruzando o rio Vello, chegámos a As Barrosas, com a sua capela de São Lázaro e passámos pelo Raido.

 

Continuámos a baixar até ao rio Brandeso, afluente do rio Iso e,

 

 

em pouco tempo, estávamos em Preguntoño, com a sua ermida de são Paio, do século XVIII. Segue-se Peroxa. Os eucaliptos começam a povoar, cada vez mais, a paisagem galega e os prados particulares cultivados de milho.

 

Baixámos até ao riacho de Ladrón para, depois, alcançarmos Taberna Vella.

 

(Um casal de peregrinos fazendo uma pausa)
 

Logo imediatamente a seguir vem Calzada, da paróquia de Burres, último núcleo habitado do concelho de Arzua. A partir daqui entrámos no concelho de O Pino. E a primeira povoação que encontrámos é Calle, aldeia de São Breixo de Ferreiros.

 

Entretanto o Caminho apresenta algumas veredas de encanto.

 

 
Passámos por Boavista e Salceda, junto da estrada N-547.  Em Salceda parámos num café

 

 
para descansar e comermos uma apetitosa empada.

 

 
De realçar no teto deste café um cachecol do Grupo Desportivo de Chaves, aquando da final da Taça de Portugal, m jogo com o Porto.

 

 

E, logo a seguir, o “memorial” do peregrino Guillermo Watt, falecido enquanto fazia o Caminho.

 

 

Segue-se Oxén, da paróquia de São Miguel de Cerceda, Ras, A Brea e a A Rabiña.

 

Desde estas últimas localidades que vimos referindo fomos acompanhados por um enorme grupo de alunos do Colégio La Salle, de Valência,

 

 

que, de Sarria, como me informou uma das professoras que devidamente os acompanhava, estavam a fazer o Caminho Francês.

 

(A professora vai à frente do Tino)
 
Houve locais, por onde estes jovens passaram, que me fizeram lembrar a Maria José e seu filho Adrian quando, também em Dezembro de 2008, passávamos por aqui fazendo o Caminho Francês.

 

 

No meio desta multidão de peregrinos-caminheiros, por esta área, percorria o Caminho uma caminheira-peregrina, que o Tino não hesitou em identifica-la como escocesa. Parecia uma “speed gonzález”, tal a forma como se movimentava, apoiada em dois cajados. Suas pernas eram bem musculadas para uma senhora!... Em poucos minutos saiu do nosso ângulo de visão.

 

 
Subimos até O Empalme, da paróquia de São Lourenzo de Pastor. Depois passámos por um túnel, debaixo da estrada N-547 e, em poucos minutos, chegámos à ermida de Santa Irene
 
 
 

e à sua fonte barroca. A ermida de Santa Irene é dedicada a uma santa mártir portuguesa. Foi construída graças aos donativos dos nobres que viviam na aldeia próxima - a povoação de Dos Casas.

 
 

Antes de chegarmos ao albergue público de Santa Irene, passámos por um albergue privado. Achámos um lugar interessante, com preços acessíveis quer para o alojamento, quer para o jantar, quer ainda para o pequeno-almoço.

 
 
 
A poucos metros mais abaixo da estrada, um lugar de descanso aprazível, mesmo junto ao albergue público de Santa Irene.
 
 
 Era meio-dia e um quarto. Estava ainda fechado. Era ainda bastante cedo. Depois de descansarmos um bocadinho num dos bancos encostados à frente do albergue, nós, que tínhamos decidido hoje ficar por aqui alojados, decidimos continuar a caminhada até Pedrouzo. Estava um dia lindo. E não resistimos em continuar.
 
 
 
 Passámos por um outro “memorial”, mais modesto, a um outro peregrino falecido no Caminho (peregrina).
 
 
 

Antes de chegarmos a A Rua, refrescámo-nos numa fonte.

 
 
 
 E não esqueço de a A Rua e do seu restaurante o “Acivro” onde, quando fiz o Caminho Francês, ali almocei com o Emídio e a Mónica.
 
 
 

Quando chegámos a Pedrouzo/Arca, sempre subindo ficámos dececionados. O albergue estava completamente cheio com os alunos do Colégio de La Salle, de Valência, amontoados cá fora, à espera da abertura do albergue.

 

Julgávamos que havia ainda mais um outro albergue público, mas não… só privados!

 

Parámos num café para comer uns “bocadillos”, beber una “caña” e tomar um café e, munidos de metade da ração que nos serviram e de água, olhando um para o outro, definitivamente, decidimos continuar e ir ficar a Monte do Gozo.

 

À saída de Pedrouzo/Arca encontrámo-nos com o peregrino espanhol e o seu amigo francês que estavam a fazer o caminho juntos e com os quais já tínhamos ficado em alguns albergues. Tinham decidido ficar aqui em Pedrouzo/Arca num albergue privado. E informaram-nos que, depois de San Roman de Retorta, foram pela via romana e que se perderam um pouco. Mas, disseram-nos, que o percurso era bonito e que tinham comido bem.

 
 

Comunicámos-lhes que tínhamos decidido ficar a Monte do Gozo. E, a partir daqui, até às imediações do aeroporto de Santiago de Compostela, praticamente sempre a subir, “ligámos o turbo” e toca a andar para não se fazer tarde.

 

O percurso que tínhamos pela frente era de mais de 15 Km, depois de termos feito já 20! Aventureiros, metemo-nos a caminho.

 

O caminho inicial, a partir de Arca, é bonito. Um bonito eucaliptal a cheirar bem a eucalipto. Mas o que custou mesmo foi a subida até às imediações do aeroporto de Santiago, chamado de Lavacolla, passando por San Antón, Amenal, pelo rio Brandelos e Cimodevila.

 
 
 Um pormenor depois de Amenal:
 
 
 
Alcançada a subida que nos levou até às imediações do perímetro do aeroporto de Santiago, entre a A-54 e a N-634, logo a seguir, e numa descida, um monólito, com um bordão, a cabaça e a vieira, a indicar-nos que acabámos de entrar no município de Santiago de Compostela.
 
 
 

 E a sinalização é outra, modifica-se.

 
 

Nas imediações da vedação, cravada de cruzes, que limita o perímetro do aeroporto, parámos um bocadinho para descansar, tirando as botas e as meias dos pés.

 

Enquanto descansávamos, apareceu-nos um australiano e um brasileiro, na casa dos vinte anos. Tal como nós, pararam para descansar. O brasileiro chamava-se Marco e vinha, fazendo o Caminho Francês, de Pamplona; o australiano iniciou o Caminho já desde França.

 
 
 
Após um ligeiro descanso, seguimos caminho e, imediatamente logo à direita, o bar Casa Porta de Santiago onde, quando fiz o Caminho Francês, em 2008, eu, o Emídio e a Mónica parámos para refrescar, bebendo uma “caña”.
 
 

Logo a seguir a este estabelecimento, uma igreja.

 
 
 

Descendo, passámos por São Paio, a A Esquina e Lavacolla. E, logo a seguir, a paróquia de São Pelayo com a sua igreja, do ano de 1840.

 
 

Atravessámos o rio Sionlla e, a partir daqui, iniciámos uma cómoda subida que praticamente acabou no Monte do Gozo, depois de passarmos por Vila Maior, onde fomos ultrapassados pelos jovens australiano e brasileiro.

 

Eis alguns trechos do Caminho:

 
(Trecho nº 1)
 
 
(Trecho nº 2)
 

Passámos pelo centro da TVG e, rodando noventa graus à esquerda, passámos pelo centro territorial da RTVE até chegarmos à urbanização de São Marcos, ante sala do Monte do Gozo.

 

No Monte do Gozo encontra-se erigido um monumento, do ano de 1993, por ocasião do ano jacobeu, comemorando a vinda do Papa João Paulo II.

 

Aqui também se construiu um albergue de peregrinos – um enorme complexo com todos os serviços – o maior de todos o s Caminhos, com capacidade para 300 pessoas, em ano normal, mas que, em anos jacobeus, pode albergar até 800.

 
 
 

Parámos na pequena capela de São Marcos. De um bar ambulante, ali existente, tomámos uma bebida e descansámos um pouco. Logo de seguida tirámos uma série de fotografias ao monumento e à capelinha de São Marcos.

 
 
(Capela vista do exterior, de frente)
 
(Pormenor esterior da capela)
 
 
 
(Pormenor interior da capela)
 

Procurámos descortinar as torres da catedral de Santiago… mas não vimos nada! Foi necessário uma explicação suplementar da albergueira para, saindo do albergue, ir procurar o melhor sítio para obter uma fotografia das torres. Creio que, se não estivesse tanto vento e frio, teria procurado melhor localização para o efeito. Foi o que saiu. Mas não me deu assim tanto gozo!...

 
 
 

Enfim, foi, positivamente, uma etapa com uma reta final penosa, em particular depois de Vila Maior. Os meus pés e as minhas pernas já acusavam um sério cansaço e fadiga. Mas, aqui no Monte do Gozo, estávamos já a menos de cinco quilómetros de Santiago de Compostela!

 

Tratadas as questões burocráticas, fomos para as nossas camaratas. Tomámos banho. Descansámos e, passada uma hora, descemos até ao restaurante-cafetaria do complexo para comermos qualquer coisa. Entretanto a metade dos “bocadillos” que trouxemos de Pedrouzo/Arca já tinham ido!

 

Na cafetaria do complexo do albergue de Monte do Gozo tirei uma foto ao Tino, em plena descontracção. Postei-a na minha página do Facebook e, de seguida, fomo-nos deitar pois estávamos verdadeiramente cansados, “feitos num oito”.

 
 
(Pormenor do recinto contíguo à cafetaria/bar/restaurante do complexo do albergue de Monte do Gozo)
 

Aqui fica uma reportagem, em diaporama, da etapa de hoje.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue]. 

 


publicado por andanhos às 12:12
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