Terça-feira, 28 de Maio de 2013

Caminho Primitivo de Santiago na Galiza - 11ª Etapa

 
 
 

CAMINHO PRIMITIVO DE SANTIAGO NA GALIZA

 

II Parte

11ª Etapa:- As Seixas – Ribadiso da Baixo

[27.Abril.2013]

 

 

Ao passo que todos os homens sentem uma atração por algo que os impele para a sociedade,

Poucos se sentem atraídos pela Natureza.

Na sua relação com a Natureza, os homens parecem-me geralmente

Não obstante as suas artes, de condição inferior aos animais.

Quão pouca consideração temos pela beleza da paisagem.

 

Henry David Thoreau - Caminhada

 

A necessidade de tirar fotografias é um princípio indiscriminado,

pois a prática da fotografia identifica-se agora com a ideia de que

tudo no mundo pode adquirir interesse graças à câmara.

Mas esta qualidade de ser interessante, tal como a de manifestar humanidade, é vazia.

A captura do mundo pela fotografia, com a sua ilimitada produção de referências sobre a realidade,

 torna as coisas homólogas.

A fotografia não é menos redutora por ser informativa do que quando revela formas belas.

Desvendando a curiosidade dos seres humanos e a humanidade das coisas,

 a fotografia transforma a realidade numa tautologia.

 

Susan Sontag – Ensaios sobre fotografia

 

 

 

 

1.- Percurso da etapa

 

 

 

2.- Desníveis da etapa

 

 

 

 

3.- Descrição sucinta da etapa

 

Levantámo-nos à hora do costume e, depois de comermos um bolo seco, acompanhado de café com leite, na Casa Goriños, partimos de As Seixas às 7 horas e 30 minutos locais.

 

 
Subimos um monte, através de um caminho pedregoso,

 

 

até Casacarriño. Corria um vento frio, não tanto intenso como na noite anterior,

 

 

 

(Pormenor de uma porta de uma habitação)
 
contudo, as vistas que se observavam eram bonitas.

 

(Paisagem nº 1)

 

(Paisagem nº 2)

 

(Paisagem nº3)
 

Depois de Casacarriño descemos até a Hospital das Seixas, onde, à saída, há uma zona de descanso e uma fonte.

 

Por estrada de asfalto, subimos até ao cume da serra de Careón, a 710 metros de altitude. Aqui é a divisão das duas províncias – de Lugo e Coruña.

 

 
Em pouco tempo, e descendo, estávamos em Vilouriz.

 

 
Nesta hora do dia, entre as oito e as 9 horas, foi um encanto atravessarmos caminhos de bosque com toda a passarada a chilrear, nos seus habituais trinados e namoros de primavera.

 

 

Entre nós fez-se um profundo silêncio, deixando que a Natureza se ouvisse com mais clareza, no seu estado puro.

 

 
A maioria do entorno era constituído por prados de planalto. Em pouco tempo também, e guardando ainda o silêncio para deixar falar mais alto a Natureza, descendo, e continuando por meio prados,

 

 

estávamos em Vilamor, onde existe uma fonte por detrás da igreja.

 

Seguimos depois a estrada local por uma zona mais arborizada.

 
 
Passámos pelo rio Furelos e,

 

 

percorridos 3,5 km, entrámos em Melide, passando por Compostela, da paróquia de San Salvador, onde, resguardados por uma paragem de autocarro, tivemos que fazer uma pausa por via de uma enorme saraivada que entretanto caía. Enquanto esperávamos que a borrasca amainasse, apareceu-nos uma aldeã que, entabulando conversa connosco – e estranhando este nosso gosto por caminhar – nos relatou um pouco da sua via, em especial quando emigrante bem assim da enorme consideração que tem pelos portugueses com quem lidou na época da emigração e da ajuda que lhe prestaram…

 

 

Melide é constituída por 26 paróquias e está situada no centro da Galiza, na vertente ocidental da serra do Careón.

 

Foi um povoado pré-romano e, segundo consta, foi repovoado pelo arcebispo Gelmírez. A igreja românica de São Pedro foi trasladada para o Campo de são Roque, sendo agora conhecida como a capela de São Roque.

 

 
A capela, de românico, apenas conserva a portada.

 

 

Neste mesmo local pode-se encontrar o cruzeiro do século XIV, considerado o mais antigo da Galiza.

 

 

É aqui em Melide que acaba o traçado do Caminho Primitivo para se unir ao Francês.

 

 

O tempo estava de aguaceiros, com algumas abertas, e foi com um sol radiante que entrámos na Praça do Convento de Melide, onde se procedia a uma “juntança” de gaiteiros e grupos da zona.

 
 
No Convento do Sancti Spiritus observámos a fachada da sua igreja,

 

 
 bem assim um pormenor da sua fachada,

 

 
e entrámos no seu interior,

 

 

bem como observámos a fachada do Ayuntamiento (Casa do Concello), do século XVIII, e a capela de Santo António.

 

 

E não deixámos de nos misturar com tantos e tantas artistas da “gaita”, da viola, do bombo e da pandeireta, tirando aqui e ali uma ou outra fotografia de um ou outro grupo ou pormenor numa completa mistura de grupos e de peregrinos.

 

 

Num bar das proximidades do largo do Convento, entrámos para comer umas tapas do bom queijo da região, acompanhado de pão e café com leite.

 

 

Como começasse a chover aguaceiros intensamente, recolhemo-nos no Museu da Terra de Melide por um pouco. Ali pedimos à simpática recepcionista que nos selasse as Credenciais e, ajudando-nos a vestir o “poncho”, para nos resguardar da chuva, botámos caminho.

 

Não nos dirigimos à célebre “pulperia” Ezequiel. Na verdade, o polvo que comemos ao entrar na Galiza, por Fonsagrada, tinha-nos enchido, por completo, todas as medidas!

 

 
Passada a área urbana de Melide, atravessámos os seus arredores, baixando até à estrada N-547, que cruzámos de frente com a CP-4603 em direcção a São Martinho. Perto de um restaurante “parrillada”,

 

 
voltámos à direita e fomos visitar a igreja de Santa Maria de Melide. É um templo românico, dos finais do século XII, com uma só nave e abside semicircular que alberga a única “reja” (grade) românica da Galiza.

 

 
Tem por perto um bonito cruzeiro.
 
 

E seguimos em frente para Carballal, por um entorno rodeado de eucaliptos, árvores de folhas caducas e prados, até chegarmos ao rio Catasol, afluente do rio Furelos, que o atravessámos por meio de um empedrado, tipo poldra. Neste local encontrámos uma família a vender aos caminheiros-peregrinos “bugigangas”, essencialmente com temas do Caminho. Eu e o Tino comprámos-lhes umas pedrinhas com a seta amarela.

 

 

É bem verdade que estas paisagens, neste troço, são dignas de verdadeiros postais ilustrados!

 

 
Seguindo debaixo e ao longo de um eucaliptal, depois de ultrapassarmos o arroio de Valverde e Peroxa (Km 4,5), entrámos em Boente e ao lugar de Punta Brea. Ao quilómetro cinco depois de Melide, estávamos na aldeia de Boente de Arriba, onde, além de uma bela igreja dedicada a Santiago,

 

 
num dos seus anexos, selarmos as nossas Credenciais.

 

 

Existe nesta localidade a célebre fonte de “La Saleta” com suas águas frescas e cristalinas para os caminheiros-peregrinos se refrescarem, convidando a uma pausa.

 

 

Rodeados de prados, enfrentámos uma dura subida, passando por vários lugares das paróquias de Figueiroa e Castañeda. Neste lugar, encontravam-se os célebres fornos de cal: era aqui que os peregrinos, na idade média, depositavam as pedras que traziam de Triacastela.

 

Pelo asfalto descemos até ao arroio Ribeiral, localizado entre Pedrido e Rio e, continuando a descer, sempre no asfalto, e durante dois quilómetros, até ao rio Isso, chegámos a Ribadiso da Baixo, aldeia da paróquia de Rendal.

 

Foi aqui, do lado direito do rio, atravessando a ponte medieval que aqui se encontra,

 

 

que escolhemos o albergue, existente neste local, para pernoitarmos.

 

 

Este albergue, que outrora foi hospital de peregrinos, com a designação de San Antón, depois de restaurado, transformou-se num albergue público interessante, com uma envolvente – o rio Isso e a ponte medieval -, bucólica, convidando a um belo disfrute e descanso. Pena que o tempo estivesse demasiado plúmbeo, com alguma chuva de permeio.

 

Não gostámos da localização da zona de balneários e das casas de banho, todas elas fora do mesmo espaço onde se situa o dormitório. Quando está frio, vento ou chuva, como nos aconteceu, não é muito agradável – e até prejudicial para a saúde – ao atravessarmos, a céu aberto, um espaço, mesmo pequeno que seja.

 

Ao lado, e do outro lado da estrada, junto ao albergue público, existe um alojamento privado e, do outro lado, um bar/restaurante que servem muito bem, embora os preços sejam pouco módicos.

 

 

Foi ali que jantámos, opiparamente, uma grande costeleta de “ternera” bem assim, no dia seguinte, antes de iniciarmos a nossa etapa, aí tomámos o nosso pequeno-almoço.

 

 

Já estávamos devidamente acomodados nas nossas camaratas, prontos a dormir, iniciando os célebres e característicos “roncos”, próprio destas situações, quando se faz sentir um barulho.

 

Primeiro pensei que fosse o meu companheiro ao lado da camarata que estava com uma destas constipações mas, abrindo bem os olhos, e observando melhor, apercebi-me que eram os nossos amigos (as) de Alicante. Eram quase 10 horas da noite!

 

Só me apercebi que, mal chegou, a Marilu (a nossa Maria Preta), depois de acomodar as suas coisas na camarata, caiu sobre a cama e ali ficou até ao outro dia de manhã. Deveriam ter tido uma boa estafa naquele dia!

 

Aqui fica uma reportagem, em diaporama, da etapa de hoje.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue]. 

 

 


publicado por andanhos às 20:14
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.rádio

ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15

17
18
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. Por terras de Portugal - ...

. Por terras de Portugal - ...

. Por terras de Portugal - ...

. Versejando com imagem - A...

. Por terras da Ibéria:- Ca...

. Palavras soltas... Em dia...

. Ao Acaso... Com Torga, fa...

. Reino Maravilhoso - Barro...

. Por terras da Ibéria:- Ca...

. Versejando com imagem - L...

.arquivos

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Julho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Agosto 2011

. Novembro 2010

. Outubro 2010

.tags

. todas as tags

.A espreitar

online

.links

.StatCounter


View My Stats
blog-logo