Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

Caminho Primitivo de Santiago na Galiza - 10ª Etapa

 

CAMINHO PRIMITIVO DE SANTIAGO NA GALIZA

 

II Parte

 

10ª Etapa:- Lugo – As Seixas

[26.Abril.2013]

 

 

Do cimo de muitas colinas, avisto ao longe a civilização e os domínios do homem.

Os camponeses e as suas plantações pouco mais se destacam do que as marmotas e as suas tocas. Agrada-me ver o espaço diminuto que os homens e os seus afazeres, a igreja, o estado e as escolas, o comércio e os negócios, os produtos artesanais e a agricultura, e até mesmo a política, de todos o mais alarmante, ocupam na paisagem. A política não passa de um campo minúsculo ao qual se acede por uma estrada ainda mais estreita. Por vezes, encaminho o viajante até lá. Se quereis ir para o mundo da política, segui a grande estrada – segui o comerciante, sem perder de vista a poeira que ele levanta, e lá chegareis rapidamente, pois o seu mundo tem também o seu lugar próprio e não ocupa todo o espaço. Afasto-me disso como quem, vindo de um faval, penetra na floresta, e logo o esqueço. E meia hora de caminho, alcanço lugares da superfície da terra onde nenhum homem permanece o ano inteiro, e onde, por consequência, não medra a política, que tanto se assemelha a fumo de charuto.

 

Henry David Thoreau - Caminhada

 

A visão fotográfica significa uma aptidão para descobrir beleza

 no que toda a gente vê mas menospreza por demasiado vulgar.

 

Susan Sontag – Ensaios sobre fotografia

 
 
 
1.- Percurso da etapa 
 
 
 
2.- Desníveis da etapa
 

 

 
 
3.- Descrição sucinta da etapa
 

Como referi no post anterior, estávamos para ficar um dia em Lugo, a meio do nosso percurso, não só para descansar um pouco mas, essencialmente, para melhor conhecer esta antiga cidade galega. Contudo, com a ameaça do tempo a arrefecer significativamente, e de chuva, achámos por bem, quando tomávamos o pequeno-almoço, continuar o nosso Caminho, deixando a visita pormenorizada da cidade, em particular das suas muralhas e monumentos, para outra altura.

 

Assim, depois de tomarmos o pequeno-almoço, já passava bem das oito horas locais, num café do centro histórico da cidade, em definitivo, optámos por continuar o Caminho.

 
(Café onde tomámos o pequeno-almoço)
 
(Pormenor do interior do café)

 

A etapa de hoje levávamo-nos até San Roman de Retorta. Sucede, porém, que, ao chegarmos a San Roman de Retorta, o albergue público encontrava-se fechado e o albergue privado, segundo nos foi dito, não prestava serviços de qualidade. Mesmo o bar, ao lado, encontrava-se fechado. E, assim, face a estas condições, decidimos continuar caminho até ao albergue de As Seixas. E optámos não ir pela via romana, como a maioria faz, por encurtar 1, 4 Km do Caminho, seguindo pelo velho e oficial traçado do Caminho Primitivo, todo ele quase sempre efectuado pela estrada LU-P-2901.

 

Deixámos Lugo descendo pela rua de Santiago e pela Porta com o mesmo nome.

 

(Aproximação a Porta de Santiago)

 

(Porta de Santiago)

 

Não passámos pela ponte romana ou Ponte Vella por se encontrar em obras,

 

 

seguindo paralelos ao rio Minho, por um vasto parque verde, com um enorme recinto de equipamentos,

 

 

até à ponte pedonal, junto à igreja de São Lázaro.

 

 
E, subindo, afastámo-nos da malha urbana lucense, entrando nos seus arredores com moradias interessantes,

 

 

lançando-nos, primeiro, na estrada nacional N-540 e, um quilómetro depois, na estrada LU-232 até desembocarmos na já referida LU-2901 que, em mais de vinte, quase trinta, quilómetros, tivemos que percorrer.

 

A primeira localidade mais importante, ao longo desta estrada, foi Seoane; a segunda, San Vicente do Burgo, com a sua característica fonte

 

 
e a sua igreja, 

 

 
bem assim um seu peculiar forno. 

 

 

Como disse, foi uma etapa toda ela sob o asfalto, com um ou outro desvio com caminhos e veredas interessantes para quebrar a monotonia desta enorme etapa.

 

 A envolvente, contudo, autenticamente rural, é interessante.

 

(Pormenor ao Km 90, 777)

 

(Cena da vida agrícola)
 
(Pormenor de um caminho)

 

De interesse, para além da paisagem envolvente, são as suas igrejas. Principalmente a de Bacurin.

 

(Vista geral da igreja de Bacurin)

 

(Abside tipicamente romana)

 

(Portada principal da igreja de Bacurin, também românica)
 
Em San Roman de Retorta é de destacar a eremita, de origem românica, do século XII.
 
 

Nesta localidade encontra-se uma réplica de um marco miliário e aqui começa a variante romana do Caminho Primitivo que se vai encontrar com o oficial, ou traçado original, em (Ponte) Ferreira.

 

 
Mais à frente encontra-se a igreja de Santa Cruz de Retorta, também românica e do mesmo século XII.
 
 

De San Roman de Retorta até Ponte Ferreira, quase sempre pelo asfalto, passámos por um território tipicamente rural, atravessando pequenas aldeias e paróquias sem qualquer bar, café ou comércio, entre elas, Vilamaior, Xende e Senande, embora com alguns trechos de paisagens rurais bem bucólicas.

 

 
Só em Ponte Ferreira é que encontrámos uma casa rural – a Casa da Ponte -.

 

 

Aqui parámos para descansar um pouco e comer e beber qualquer coisa. O presunto e o queijo, tão afamado, da comarca de Ulloa, estavam verdadeiramente saborosos, no ponto. E o seu proprietário, pessoa delicada, foi de uma grande afabilidade.

 

 
Passada a pequena ponte romana, de um só e simples arco, mesmo ali junto à Casa da Ponte,

 

 
e um albergue privado,

 

 
em subida, rumámos até As Seixas. Cinco longos quilómetros!... Pelo caminho passámos por Laboreira; pela estrada que se dirige a Palas de Rei e pelas localidades de San Xorxe e Merlan (San Salvador).

 

(Pormenor de uma janela pelo Caminho)

 

Destaca-se aqui a fonte de Aguas Santas.

 

 

O albergue de As Seixas, da Xunta, aberto em 2010, fica à direita do Caminho. É uma construção em pedra com um interior aprazível: um lugar de conforto no meio de um mundo rural profundo. Desde a sua simpática e simples albergueira até às suas instalações, cinco estrelas.

 

 

Fomos encontrar nele apenas um casal que, supomos, serem alemães. Pernoitámos aqui apenas os quatro. Todos os outros peregrinos-caminheiros, que nos acompanharam nas etapas anteriores nos albergues, eclipsaram-se.

 

Para comer bastou descer uns poucos metros e, à direita, fomos dar à recente inaugurada (algumas partes ainda em obras, pois também tem alojamento privado) Casa Goriños.

 

Aqui, ao jantar, a comida era tipicamente galega. E, daqui, telefonei para o meu Pê, em trânsito para o Brasil, à Ni e mandei uma mensagem de parabéns à minha sobrinha Dulce que neste dia faz anos. E tive ainda tempo de postar, na minha página pessoal do Facebook, o reclame, em lousa, da casa onde jantámos.

 

Fazia um frio de cortar à faca, desconfortável. Por isso, apressámo-nos para ir para o albergue, deixando de dar uma volta pela aldeia.

A roupa que tínhamos levada já estava praticamente seca.

 

Confortáveis no albergue, em pouco tempo, ficámos a dormir, depois de um dia passado, na sua maior parte, sobre o asfalto.

 

 

 

(Tino escrevendo as suas notas)

 

Aqui fica uma reportagem, em diaporama, da etapa de hoje.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue]. 

 


publicado por andanhos às 21:39
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