Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Caminho Primitivo de Santiago na Galiza - 9ª Etapa

 
 

CAMINHO PRIMITIVO DE SANTIAGO NA GALIZA

 

 

II Parte

 

9ª Etapa:- O Cádavo Baleira – Lugo

[25.Abril.2013]

 

 

Uma paisagem nunca vista é uma grande felicidade,

e em cada volta há sempre algo novo.

Bastam duas ou três horas de caminhada para me

encontrar em regiões desconhecidas que nunca esperaria ver.

Uma simples casa de campo com que ainda não me deparara

é por vezes tão notável como os domínios do rei de Daomé.

 

Henry David Thoreau - Caminhada

 

O pintor constrói,

O fotógrafo revela.

(…) Em fotografia, mostrar qualquer coisa

é mostrar o que está oculto.

 

Susan SontagEnsaios sobre fotografia

 

 
 
1.- Percurso da etapa
 

 

 
2.- Desníveis da etapa
 

 

 
 
3.- Descrição sucinta da etapa
 

Saímos de O Cádavo Baleira às 7.34.

 

O primeiro troço do Caminho foi agradável, embora, no início, a subir até ao Alto da Vacariza.

Vimos nascer o sol e,
 

 

 
pouco depois, após de passarmos por um pinhal, e após uma ligeira descida, fomos ao encontro da capela del Carmen,

 

 

rodeada de uma aprazível área de descanso e recreio. Estávamos já nas redondezas de Vilabade.

 

 
Logo à entrada da povoação demos com um velhote – tio Constantino,

 

 

assim se chamava o senhor, que nos fez dirigir para a sua “tienda” de artesanato em madeira.

 

 

Aqui se mostra um dos escaparates onde expõe a sua obra. Eu trouxe-lhe uma miniatura de par de botas; o Tino trouxe mais coisas e não resistiu em trazer um cajado. Como cada um trazia já o seu, de bom grado arrumei o meu monopé para, de vez em quando apoiar a máquina fotográfica, que o utilizava como cajado, na mochila, e, durante todo o percurso, utilizei este novo “palo”. O acordo foi o seguinte: eu trazia o cajado mas, o mesmo, seria oferecido como recordação do pai Tino aos filhos - Rodrigo e Martim.

 

Depois de efectuado o negócio com o tio Constantino, dirigimo-nos para a Igreja de Vilabade,

 

 

construída sobre os restos de um mosteiro franciscano, e considerada a Catedral de Castro Verde. Trata-se da igreja dedicada a Santa Maria, do século XV, em estilo gótico que conta, no seu interior, com um retábulo de Santiago Matamouros.

 

Ao lado da igreja de Santa Maria, o Pazo de Vilabade, convertido em Casa de Turismo Rural.

 

 

(Pormenor nº 1 do Pazo)

 

(Pormenor nº 2 do Pazo)

 

Juntámo-nos debaixo do alpendre da igreja (ou nártex?) os quatro portugueses, que entretanto chegaram, que estavam a fazer o Caminho, fazendo médias loucas de quilómetros por dia, e que pernoitaram connosco no albergue de Cádavo Baleira e com um casal – uma italiana e um alemão -, a descansar um pouco, beber água e tirar roupa, pois estava já a fazer bastante calor.

 

 

De Vilabade a Castroverde é um pulo, sempre pela estrada. Logo à entrada de Castro Verde, e à direita do Caminho, o albergue, construído em madeira.

 

 
Passámos em Castro Verde e, embora houvesse bares e comércio, não parámos muito tempo. Apenas o suficiente para tirarmos uma fotografia à Fonte dos Nenos (uma escultura em pedra com os nenos [meninos] resguardando-se debaixo de um guarda-chuva de metal), à Casa do Concello e,

 

 

ao longe, à Torre do antigo castelo feudal dos senhores de Lemos e depois dos senhores de Altamira.

 

 

À saída de Castro Verde ainda andámos um bocadinho por um caminho de bosque, de terra batida. Mas foi sol de pouca dura. A partir de certa altura o percurso é todo ele feito em asfalto. E com um calor intenso. Um verdadeiro degredo. Positivamente não gosto do asfalto. E, de um modo especial, com calor! O que nos ia distraindo era o ambiente envolvente, tipicamente rural e com uma arquitectura relativamente bem conservada.

 

 
Passámos por Souto de Torres, com o seu cruzeiro  

 

 

e a sua igreja, por Vilar de Cas e fomos lentamente subindo até Santa Maria de Gondar.

 

 

(Pormenor do interior de uma casa em ruínas)
 

Ao longo destas aldeias não há cafés, bares ou qualquer comércio. Existem, porém, máquina de bebidas e alimentos para o peregrino se munir. Numa delas parámos para tomar uma bebida fresca e um café e tirar as botas e as meias para descansar.

 

 

Continuando ainda no asfalto, e sempre a subir, passámos por uma pedreira em direcção a As Casas da Viña, quase sempre por estrada. Uma ou outra placa, ao longo da estrada vai-nos indicando de que se trata de um desvio provisório mas, pelo que consta, trata-se de um desvio com mais de cinco anos! Durante este percurso, vimos, a poucos metros dos nossos olhos, um corso e dois esquilos. A máquina fotográfica não foi suficiente ligeira para registar o momento. Paciência!

 

Em chegando a As Casas da Viña, o caminho começa a ser em terra batida, em direcção a Lugo, que já nos fica relativamente perto, depois de tantos quilómetros andados.

 

(Pormenor de uma marco "mojón" do Caminho)
 
Até atravessarmos a ponte sobre a A6 - Autovia do Noroeste – o ambiente continua a ser tipicamente rural, essencialmente lameiros com vacas a pastar.A partir daqui, e ultrapassada aldeia de Castelo, Lugo já nos fica em frente.

 

 
Em pouco tempo estávamos atravessando o bairro A Chanca, cruzando um rio que leva o seu nome, por uma ponte de origem romana. Subimos a rua Chanca, as escadas de Fontiñas, cruzámos a ronda das Fontiñas, prosseguimos pelo carril de Flores

 

 
Flores e logo nos encontrámos no recinto amuralhado de Lugo.

 

 

Entrámos no Centro Histórico de Lugo pela Porta dita de São Pedro

 

 

e virámos na segunda rua à direita, com a designação de Nória, para nos dirigirmos ao acolhedor albergue da Xunta. Estávamos estafados, sob um sol abrasador, depois de percorridos 34,5 Km.

 

 

Apesar de cansados, foi agradável receber as boas vindas do albergueiro, ao ficar radiante por encontrar um peregrino que tinha exactamente o seu nome próprio, e nascido também no mesmo ano que ele – o meu companheiro, e sobrinho, Florentino.

Que dizer de Lugo? Não vamos aqui falar, porque se tornaria demasiado fastidioso, do passado histórico que esta cidade tem em comum com Chaves. Basta apenas nos lembrar da Sétima Legião Gemina.

 

Destacaremos aqui apenas a sua construção mais importante: a muralha romana, que, no ano 2000, foi declarada Património da Humanidade pela UNESCO. A sua construção data dos finais do século III e inícios do século IV, rodeando completamente a cidade romana Lucus Augusti, pilar fundamental da sua defesa.

 

Como se pode verificar, está excelentemente conservada e, as suas dimensões, são impressionantes: tem um perímetro superior a dois quilómetros, uma altura que oscila entre os 8 e os 12 metros e uma grossura média de 4 metros. Conserva ainda a maior parte das suas 86 torres defensivas e, por motivos logísticos, ligados à modernidade, abriram-se novas novas às cinco originais.

 

Estávamos para ficar em Lugo um dia, conhecendo melhor a cidade. Contudo, de acordo com os dados da meteorologia que nos chegava, estávamos perante a ameaça de uma frente fria e de chuva, o que acabou por ditar a nossa decisão de continuar no dia seguinte o Caminho; caso contrário, teríamos percorrido a adarve toda desta linda muralha! Seria uma experiência inolvidável e inesquecível. Ficará para outra altura!

 

Depois de nos acomodarmos no albergue; tomado banho; lavado a roupa e descansado um bocadinho, a par de dois dedos de conversa com alguns dos nossos peregrinos-caminheiros que, ao longo destas três últimas etapas, temos encontrado, no final de etapa, nos albergues, fomos conhecer um pouco do seu Centro Histórico. Como tinha já cheios os cartões de memória da máquina fotográfica, há que comprar mais para que desse para fazer a reportagem até Santiago. Por indicação do albergueiro Tino, dirigimo-nos a uma casa da Rua Nova para o efeito. Feita a compra, atravessámos toda a rua até à Porta com o mesmo nome na respectiva muralha, e voltámos para trás para irmos ver a Catedral e o Museu, bem assim a sua Praza Maior, enquadrada pelo edifício dos Paços do Concelho de Lugo.

 

 

(Muralha romana de Lugo à noite)

 

Na verdade, o segundo monumento da capital lucense é a Catedral de Santa Maria.

 

 

 

Dentro das muralhas, é um templo de construção de base românica, iniciado no século XII. São, contudo, os seus elementos barrocos que lhe dão um “colorido” especial, particularmente no seu interior, destacando-se a capela conhecida pelo nome da “Virgem dos Olhos Grandes”.

 

 

Sentámo-nos numa esplanada da Praza Maior, bebendo umas cañas, acompanhadas de uns salgadinhos, observando uma manifestação de pensionistas e reformados. Lá, tal como cá, os mesmos problemas… Triste Europa!

 

 

Demos uma vista de olhos pela Casa do Concello de Lugo bem assim 

 

 
ao edifício onde se aloja o Museu Provincial.

 

 

Como não nos apetecesse muito comer de faca e garfo, à noite fomos para a “Rual del Vino” e suas transversais, comer umas tapas. Petiscos verdadeiramente deliciosos, embora, para o Tino, a “tortilla” é o máximo. E lá veio uma com todos os “matadores”…

 

 

Fiquei encantado com aquela “movida”, com aquele ambiente… apesar de o Wi Fi do meu HTC não funcionar, debalde os esforços do simpático empregado da casa para o pôr a funcionar. Tino fartou-se de gozar o caminheiro-peregrino tecnológico.

 

 

Há dois povos que aprecio pela alegria de viver e encarar a vida: os nuestros hermanos ibéricos e os nossos irmãos brasileiros. Somos demasiados taciturnos, fatalistas, “pesados”, quando a vida é tão curta!... Admiro-lhes toda aquela sua “leveza”! E positivismo.

 

Satisfeitos no corpo e na alma, fomos para a cama do albergue, que já se fazia tarde e há horas para fechar.

 

Quando nos preparávamos para dormir, demo-nos conta que os nossos amigos (as) de Alicante tinham acabado de chegar. Positivamente, para eles (elas), o Caminho é para se ir fazendo. Sem pressas… convivendo.

 

Dormimos como anjos, de uma assentada até à madrugada do dia seguinte!...

 

Aqui fica uma reportagem, em diaporama, da etapa de hoje.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue]. 


 

 


publicado por andanhos às 21:09
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