Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Caminho Primitivo na Galiza - 8ª Etapa

 
 
 

CAMINHO PRIMITIVO DE SANTIAGO NA GALIZA

 

 

II Parte

 

8ª Etapa:- Padrón (Fonsagrada) - O Cádavo Baleira

 

[24.Abril.2013]

 

 

 

A sensibilidade para apreciar a paisagem, tal como se entende hoje,

é um dado relativamente novo na história do homem.

A palavra 'paisagem', surgiu na Europa da Renascença,

esteve primariamente associada à pintura, significando uma vista,

quase sempre agradável, de onde estavam arredados os aspetos

menos pitorescos da natureza (…) Importa salientar, no entanto,

que embora o seu significado se tenha alterado (…),

o termo ‘paisagem’ manteve-se como um pano de fundo para as ações do homem.

Assim, ‘paisagem’, é um espaço misto de natureza e cultura,

onde o homem projeta ideias, necessidades e valores,

numa relação de influência mútua.

 

 

Isabel Maria Fermandes Alves, in Fragmentos de memória e arte

 

 

 
 
 
1.- Percurso da etapa 
 
 
2.- Desníveis da etapa 
 
 
 

 

3.- Descrição sucinta da etapa

 

 

O sítio da internet Gronze bem nos tinha avisado: “é uma etapa durinha pelos contínuos desníveis. A subida a Montouto é progressiva, mas a subida a A Lastra, de pouco mais de um quilómetro, é mortal”.

 

Por isso, quando saímos do albergue de Padrón às 7, 30 horas, locais, iniciámos a etapa com algum receio.

 

Contudo, após a saída de Padrón, depois de passarmos a aldeia e a sua igreja,  

 

 

o troço do Caminho foi agradável e aprazível. Apesar de ser a subir, e de cruzarmos, aqui e ali, com a estrada. O percurso de Padrón até Vilardongo, mas especialmente para Montouto, convidava ao silêncio e contemplação. Depois de Vilardongo e num miradouro ao longo deste troço para Montouto não resistimos a parar e tirar algumas fotos desta espetacular paisagem, verdadeiramente bucólica.

 
(Panorama 01)
 
 
(Panorama 02)
 
(Panorama 03)
 

Depois foi a subida até Montouto. Aqui, no alto, observámos as ruínas de um antigo hospital para peregrinos, desativado no início do século XX, e mandado construir por D. Pedro I de Castela, no século XIV.

 
 

Ao lado, as ruínas, também, de um antigo dólmen neolítico.

 
 

E começámos a descer até Paradavella.

 

A primeira parte é uma longa e larga pista.
 
 

Na parte final, e também mais um pouco a descer, o caminho é mais estreito e com uma ou outra dificuldade.

 
 
 

A primeira construção de Paradavella, de quem vem do Caminho, é a “Casa Mesón”, do senhor António.

 

Aí já estava parado o caminheiro-peregrino Cristóbal, de Madrid, comendo tortilha e bebendo vinho. No final, tomou café com leite.

 

O Tino também pediu uma tortilha (que outra coisa não era senão ovos fritos com chouriço, metidos numa baguete de pão) e bebeu-lhe um ou dois “penalties” (de vinho).

 

Eu fiquei pelo café com leite e dois pedaços de pão torrado com azeite e tomate.

 

Tirei umas fotos à casa, ao dono, e ao amigo Cristóbal e, mochila às costas, lá fomos enfrentar as duras subidas de A Lastra.

 
 
 
Em boa verdade ele são três troços de subida: um primeiro, correndo quase paralelo à estrada, é relativamente agradável, com uma envolvente bem rural;
 
 
(Troço da 1ª subida)
 
(Vista nº 1 para Paradavella do percurso de subida)
 
 
(Vista nº 2 do percurso de subida)
 
a segunda, essa é que não fica mesmo nada a dever à última subida para o Puerto del Palo. Com uma diferença – mais pedregosa e escorregadia, dando a entender tratar-se de o leito de um ribeiro seco.
 
 
(Início do segundo troço de subida)
 

Quer eu quer o Tino, na parte final, estávamos "derredeadinhos".

 
 

Quando pensávamos que, ao chegar a A Lastra, iriamos encontrar um comércio aberto, tal como a informação que possuíamos, demos mas foi com o nariz na porta.

 

Segundo nos disse uma senhora, que estava a entrar para sua casa e, pela cor das suas vestimentas, deveria ser viúva, os senhores da “tienda”, àquelas horas do dia, perto do meio-dia, andavam no campo com as vacas, que lhes dava mais lucro.

 

Valeu-nos a bondade da dita senhora que nos deixou beber água de uma torneira do exterior de sua casa.
 
 
 
Depois de refrescados, matada a sede e enchidas as garrafas de água que levávamos, atacámos a terceira e última subida, antes de descermos para Fontaneira.

 

Atacado o cimo da subida, Tino mata a sede, pois o sol começa a aquecer mesmo!

 
 
 

Depois de chegarmos ao cimo, entrámos num largo caminho, rodeado de pinheiral, e que, como disse, nos conduziu até Fontaneira, na parte final, através da estrada.

 

Em Fontaneira parámos num bar. Tomámos um sumo e um café e… demos descanso às nossas mochilas.

 
 
 

Neste café, enquanto tomávamos o sumo, vi o meu sobrinho preocupado com a saúde de um seu primo. Ainda tentou telefonar para uma sua tia a saber novas, mas não atendeu, acabando por lhe mandar uma mensagem.

 

E seguimos até O Cádavo Baleira.

 

À saída de Fontaneira um linfo “hórreo” de colmo.

 
 
 

Tínhamos ainda, aproximadamente, cinco quilómetros de caminho pela frente para Chegar a O Cádavo Baleira, ora por estrada ora, essencialmente, por caminho de pinhal, mais a subir que a descer, exceto na parte final. Do alto do monte, todo ele colorido e com um céu azul, com uma ou outra nuvem, demos conta já do albergue. 

 
 

Chegados ao albergue da Xunta, Tino deixa-se posar para a foto da praxe.

 
 

Até aqui, nos albergues em que pernoitamos, tínhamos um compartimento só para os dois. No de hoje tivemos que o compartilhar com, salvo erro, seis italianos, que faziam três casais.

 

Quanto ao meu estado geral, uma novidade boa: até aqui ainda não fiz bolhas nos pés. Mas andava um pouco dorido dos pés e das pernas. E, como de costume, continuo a ter dificuldades nas subidas, embora recupere logo bem.

 

O Cádavo Baleira é uma terrinha pequena, que tem uma igrejinha simples, um Centro Social e um Centro de Saúde.

 

Depois de me conectar com a internet no bar do restaurante que nos recomendaram, fazendo horas para o jantar, bebendo um sumo, fomos para a sala de jantar comer: sopa de “berças”, pois já tinha saudades de verdura, embora com muita gordura, e “pollo” assado, caseiro, delicioso.

 

E dirigimo-nos para o albergue, com um céu coberto de nuvens refulgentes, emolduradas pelo seu casario,
 
 
 

para uma merecida noite de descanso e sono pois a etapa do dia seguinte era longa, 31 Km que, em termos de desnível, segundo parece, não é tão “danada” como foi a de hoje!

 

Aqui fica uma reportagem, em diaporama, da etapa de hoje.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue]. 

 

 

 


publicado por andanhos às 16:01
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