Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

Caminho Primitivo de Santiago nas Astúrias - 6ª Etapa

 
 
 

CAMINHO PRIMITIVO DE SANTIAGO – NAS ASTÚRIAS

 

 

II Parte

 

6ª Etapa:- Berducedo - Castro

22.Abril.2013

 

 

 

 

 

Na viagem (o mesmo que dizer, numa caminhada),

o homem tem de levar consigo saber, se quer trazer saber.

 

Samuel Johnson, em James Boswell, Life of Johnson

 

Caminhar para aliviar a mente também é um objetivo do peregrino.

Também há uma dimensão espiritual:

a própria caminhada faz parte de um processo de purificação.

 Caminhar é a forma mais antiga de viajar, a mais fundamental, talvez a mais reveladora.

 

Paul Theroux, em A arte da viagem

 

 

É num local específico que se dá a união entre a paisagem natural

e a cultural, pois é aí que se sente a interdependência

entre o lugar e o homem, ambos se influenciando mutuamente.

 

Isabel Maria Fernandes Alves, em Fragmentos de memória e arte

 

 
1.- Traçado da etapa 

 

 

 
 
2.- Desníveis da etapa 

 

 

 

 

3.- Descrição sucinta da etapa

3.1.- De Berducedo a Grandas de Salime

 

Levantámo-nos às sete e pouco, horas locais.

 

Fizemos as nossas abluções matinais; tomámos o pequeno-almoço e saímos do albergue.

 

Ainda tive de voltar a trás pois deixei o meu cajado no albergue.

 

Logo à saída de Berducedo há uma subida jeitosa. No cimo da subida, Berducedo fica-nos ao fundo, com o sol nascente a despontar timidamente por entre as nuvens. Mas foi mesmo sol de pouca dura. Apareceu aqui e ali, timidamente, no intervalo da dança das nuvens a se movimentarem pelo céu.

 

Foi mais lá para o princípio da tarde que começou a brilhar com mais intensidade e fulgor. Mas também por pouco tempo.

 

Após a subida e após uma ligeira descida ao longo de lameiros e pinheiral, fomos dar à estrada.

 

 

 

E pela estrada seguimos até A Mesa rodeados, do lado esquerdo, por pinheiral, e do lado direito, por lameiros e monte. Em frente, o cimo do monte e o Parque Eólico.

 
 

Entretanto alguns peregrinos-caminheiros que ficaram no albergue da Xunta, em Berducedo, já iam bem mais adiante. Apenas um, que nos pareceu um pouco mal das pernas, é que se deixou ficar para trás, principalmente nas descidas.

 

Ao passarmos por A Mesa observamos a sua linda igreja, dedicada a Santa Maria Madalena.

 

 

No albergue de A Mesa estavam a preparar-se para saírem mais quatro peregrinos-caminheiros: três raparigas e um rapaz, que nos foram acompanhando na curta mas dura subida pelo asfalto até ao Parque Eólico.

 

E acompanharam-nos, mais ou menos, até à aldeia de Buspol. Ali, onde há uma pequenina capelinha, dedicada a Santa Marina de Buspol, tirámos umas fotos uns aos outros.

 

(Os caminheiros-peregrinos de Alicante. Da esquerda para a direita: Marilú, Alexandra, Abel e Belinda)

 

(Os caminheiros Tino e António)

 

E cada um seguiu com a sua dinâmica de grupo: eu e o Tino; os alicantinos Abel, Marilú, Alexandra e Belinda, na sua toada própria.

 

A partir de Buspol começa a descida para a barragem de Grandas de Salime. Uma descida sem fim que, embora não demasiado íngreme, sempre vai moendo as pernas. É considerada, à parte os Pirinéus, a descida mais longa de todos os Caminhos de Santiago.

 

Logo no início da descida ultrapassámos o peregrino-caminheiro, em franca dificuldade com as suas pernas. Perguntámos-lhe se precisava de ajuda, mas disse-nos que iria no seu vagar e que, em Grandas de Salime, ficaria um dia para descansar. Deixámo-lo e continuámos a nossa descida.

 

Esta descida, genericamente, pode-se dividir em duas partes: numa primeira parte, anda-se por um caminho largo, ladeado essencialmente por pinus silvestris

 

 

numa segunda parte, o caminho é muito mais estreito, mais íngreme e sinuoso, rodeado por um lindo bosque de bétulas, até mesmo à estrada, que nos leva, aproximadamente em 500 metros até à barragem de Grandas de Salime.

 

 

Antes de atravessarmos a barragem, entrámos num lindo e peculiar miradouro com vistas para a barragem e o rio Navia.

 

(Tino a atravessar o pequeno túnel para o miradouro)

 

(O curioso miradouro visto da curva que leva à barragem)

 

Atravessámos a barragem. Tirámos umas fotos.

 

Esta barragem é uma gigantesca obra de engenharia, dos anos 50 do século passado. Cobre a bacia do rio Navia e, a sua construção, obrigou ao desaparecimento duas ponte e de catorze povoações, entre elas, a de Salime. Foi inaugurada em 1954 e, para a época, era a segunda maior da Europa, com uma capacidade de 266 hectómetros cúbicos e uma potência de gerar energia eléctrica – a sua única finalidade – de 128 MW.

 

 

Como tínhamos a informação que à segunda-feira o Horel Rural “Las Grandas”, a 800 metros da barragem, estaria fechado, já íamos mentalizados para ir descansar e comer só em Grandas.

 

Felizmente, pouco antes de ali chegarmos, demo-nos conta que, no terraço da Casa Rural havia movimento de pessoas. Ficámos contentes. É que daqui até Grandas de Salime ainda eram uns bons seis quilómetros e já estávamos a precisar de uma pequena pausa para descansar e comer qualquer coisa.

 

Entrámos no terraço do Hotel Rural e aí demos com os restantes caminheiros-peregrinos que vinham à nossa frente desde Berducedo: italianos e espanhóis.

 

Aqui, no terraço, descalcei as botas, tirei as meias e, ao sol, bem em frente à barragem bebi duas “cañas”, acompanhadas de um ”bocadillo” de chouriço e uns salgadinhos.

 

 

 Tino, enquanto comia e bebia, entretinha-se com um lindo cão do hotel, raçado de mastim com labrador.

 

 

Passado pouco tempo, os nossos caminheiros-peregrinos de Alicante davam também entrada no terraço do hotel para também descansarem, comerem e beberem.

 

Mas não usufruímos muito do agradável lugar. Ainda havia seis quilómetros para percorrer ate Grandas de Salime e eu queria ver o Museu Etnográfico, um dos mais importantes, e mais visitados, das Astúrias. Daí, toca a andar.

 

E trepar quase quatro quilómetros e meio pelo asfalto.

 

Num dos miradouros da estrada, a impressionante imagem da barragem e dos seus contafortes.

 

 

Ao quilómetro três de Grandas de Salime, cruzámo-nos com o nosso caminheiro-peregrino em dificuldades com as suas pernas. Não parou no “Las Grandas”, como a maioria de todos nós. Queria chegar o mais depressa a Grandas de Salime, e, agora, ia pedindo boleia a qualquer carro por que passasse. Mas ninguém parava! Até que o Tino, quando passava um jeep, solicitou a um casal de velhotes que nele ia, para que levasse o nosso caminheiro, pois estava em mau estado. E, assim, lá foi, e nunca mais soubemos dele. Que se tenha curado depressa e cumprido o seu objetivo, é o que, naquele momento, lhe desejávamos!

 

A quilómetro e meio antes de Grandas de Salime, deixámos a estrada e, por um caminho, inicialmente ingreme, dirigimo-nos a Grandas de Salime.

 

(Colmeias - um pormenor do caminho que, na reta final, nos levou a Grandas de Salime)

 

Em pouco tempo estávamos já em Grandas de Salime.

 

Mas fiquei dececionado: eu queria ver o Museu Etnográfico de Grandas de Salime e este estava fechado! Não me lembrei que lá, tal como cá, às segundas os museus estão fechados. Fiquei com uma senhora “cachola”!...

 

Demos umas voltas pela vila, vendo particularmente a sede do Concelllo, só por fora, e, como não podia deixar de ser, a sua igreja, dedicada a São Salvador, uma construção sólida e robusta do século XVIII. Descansámos e tomámos uma águas num café. Ainda nos encontrámos com caminheiros-peregrinos e Alicante e… de táxi até Castro!

 

 

 

3.2.- De Grandas de Salime a Castro (11 de Dezembro de 2012)

 

Não é que estivesse demasiado cansado para ir a pé até Castro. O que se passa, salvo raras exceções, é que gosto pouco de repetir o mesmo caminho, a menos que haja uma razão muito especial. Ora, no passado dia 11 de Dezembro de 2012, já tinha feito este troço com o meu amigo Fábio, debaixo de um intenso nevoeiro e com uma destas senhoras geadas, conforme as fotos que se seguem mostram. Por isso, propus ao meu companheiro de jornada que, não fizéssemos o caminho a pé, convencendo-o que seríamos compensados com a visita ao Museu e ao castro de Chao Chamartín, em Castro, na saída da povoação.

 

(Pormenor nº 1 do percurso de 11 de Dezembro de 2012)

 

(Pormenor nº 2 do percurso de 11 de Dezembro de 2012)

 

(Pormenor nº 3 do percurso de 11 de Dezembro de 2012)

 

(Pormenor nº 4 do percurso de 11 de Dezembro de 2012)

 

Entre Grandas de Salime e Castro passa-se pelas pequenas aldeias de La Farrapa e Cereijeira e pela capelinha da Esperança de Malneira, anterior ao século XVIII.

 

(Exterior da capela)

 

(Interior da capela)

 

3.3.- Castro (22 de Abril de 2013)

 

 

 

 

(Albergue Juvenil de Castro)

 

Quando chegámos a Castro, onde se localizam as ruínas do castro de Chao Chamartín, que remonta ao ano 800 a. C. (Idade do Bronze), e que se prolongou até ao século II d. C., quando um terramoto o destruiu, o panorama foi o mesmo como quanto ao Museu Etnográfico de Grandas de Salime. As visitas ao castro fazem-se a partir do Museu de Chao Chamartín e, como museu que é, às segundas está “cerrado”!

 

Desta feita, tomámos banho, descansámos um pouco, mandámos lavar e secar a nossa roupa neste excelente albergue privado e, até que nos servissem o jantar que mandámos fazer, fomos dar uma volta pela aldeia, indo até ao fundo da povoação ver por fora o Museu e, ao longe, as ruínas do castro, enquanto tirávamos umas fotos ao ambiente geral de Castro e,

 

 
como não podia deixar de ser, ao seu albergue e à capela que lhe fica ao lado.

 

 

 Capela esta com uns singelos interiores.

 

 

Regressámos ao albergue. Tive ainda tempo de tirar umas notas sobre a caminhada do dia de hoje antes de jantar e de nos deitarmos.

 

Fica, por fim, aqui uma foto minha tirada em 11 de Dezembro de 2012 pelo meu amigo Fábio quando, aqui, por razões imponderáveis, demos os dois por finda a nossa jornada do Caminho Primitivo (I Parte).

 

 

Aqui fica uma reportagem, em diaporama, da etapa de hoje.

 

[Nota:- Para ouvir o diaporama, aconselha-se a tirar o som ao rádio, no canto superior esquerdo do blogue]. 

 

 


publicado por andanhos às 23:40
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