Quarta-feira, 20 de Março de 2013

Natureza - Lição nº 1 de Micologia

 
 

 

 

Lição nº 1 de Micologia

 

 

O amigo Hélder Alvar convidou-me ontem para uma sessão de "cata" de cogumelos. De micologia percebo pouco, diria mesmo, nada, embora possua um livrinho "Guia de Cogumelos do Alto Tâmega", de Juan Antonio Sánchez Rodrígues. A curiosidade levou-me a apenas passar uma vista de olhos cruzada sobre o Guia e, depois, não passou da prateleira da estante. Sempre tive a ideia que esta é uma área em que é preciso muito saber e experiência, sob pena de experiências estremamente desagradáveis, quiçá, algumas vezes, trágicas.

 

Obviamente que, com "experts" na matéria, já se fica com outra à-vontade. Foi o que sucedeu ontem.

 

Depois de ir ter a casa do meu amigo, local de encontro, seguimos pela estrada que liga Chaves a Montalegre, via Bustelo e Sanjurge. Ao chegarmos à propriedade, vulgarmente chamada por "João das Mentiras", virámos à esquerda por um estradão, entrando em plena mata que, suponho, ser do perímetro da freguesia de Sanjurge.

 

Eis, pois, o caminho de acesso [que, creio, ter sido por aqui que andei com o meu amigo Fábios em treino de caminhada de prepraração para o primeiro Caminho de Santiago que fiz - Via da Prata] ao nosso teatro de operações, (que, excepcionalmente, aqui vos mostro, porque, como diz o ditado, agora daqui para a frente, cada um que o  "esgadanhe"),

 

 
com o veículo todo-tereno. 
 
 
E, à nossa esquerda, a paisagem que rodeia o vale de Calvão.
 
 
A mata por onde andámos à "cata"  é, essencialmente, composta por epíceas.
 
 
(Epícea)
 
 
(Pormenor do ramo da epícea)
 
Aqui e ali pinus pinea, pinus alba, pseudotsuga e a tuia, que, em parte, se pode ver nesta foto abaixo e na seguinte. 
 
 
O professor, devidamente munido com os respetivos pertences para a tarefa, avança no terreno. Seu pupilo segue-o atentamente, de máquina fotográfica em punho. Estamos perante a primeira lição prática de micologia. E o aluno, atento, não quer perder nenhuma pitada de pormenor que seja!
 
Apesar do seu ar sério, o mestre mostrava boa disposição e uma grande vontade de ensinar. Adivinho como seriam suas aulas!...
 
 
Enquanto o mestre Alvar apanhava e tecia considerações sobre a espécie que colhia, o aluno ia registando: o seu esforço da apanha,
 
 
a contemplação da espécie apanhada e 
 
 
 
a satisfação de, em tão pouco tempo, a cesta ter ficado quase cheia.
 
 
Pena, de aqui e ali, a mata oferecer aspetos menos simpáticos...
 
 
 
Educação Ambiental, precisa-se!
 
 
Elenquemos as espécies encontradas, todas Basidiomycetas:
 
1.- Cantharellus tubaeformis
 
Positivamente a espécie mais abundante nesta mata, espalhada por todo o terreno. Comestível.
 
(Aspeto da distribuição da Cantharellus tubaeformis no terreno)
 
(Um belo "tufo" de Cantharellus tubaeformis)
 
(Linda Cantharellus tubaeformis!)
 
(O mestre exibindo uma linda Cantharellus tubaeformis)
 
(Cantharellus tubaeformis fazendo jus ao seu nome)
 
 
2.- Hydnum repandum
 
Desta espécie apareceu-nos umas três ou quatro. Comestível também. Após uma longa descrição da mesma, mestre Alvar diz ser uma espécie boa em termos gastronómicos. Acreditemos.
 
(Vista da parte inferior) 
 
(Vista da parte inferior e superior)
 

3.- Hydnum (ou Sarcodon) imbricatus
 
Uma verdadeira pena esta espécie estar já em fim de estação. Por isso está completamente queimada pelo frio e pelas geadas. Por tal facto, apresenta esta cor negra, desagradável, quando a sua cor normal é castanha, coberta de escamas mais escuras e concêntricas. É comestível e muito abundante tanbém por esta mata.
 
 
(Um triângulo de Sarcodon imbricatus)
 
 
Pormenor 1 da Hydnum - ou Sarcodon - imbricatus)
 
(Pormenor 2 da Hydnum - ou Sarcodon - imbricatus)
  

4.- Amanita phaloides
 
E, agora, o verdadeiro perigo. Jamais lhe tocar. E nem sequer comer! É morte certa, liquefazendo o fígado em três tempos. Palavras graves do mestre.
 
(Tomar cuidado!)

(Escondida. Traiçoeira)
 
Cesto cheio, regresso ao carro.
 
Mas, antes da partida, uma chamada das "europas" para o mestre Alvar. Embora seja pai todos os dias, depois que lhe nasceram os "rapazes", ontem foi sempre um dia especial.
 
 
 
Conversa longa. De filho para pai. Carinhosamente...
 
De volta a casa, o mestre continuou com a sua longa e sábia lição, alicerçada não só no terreno mas também nos muitos livros que possui sobre a matéria. Agora é que fiquei mesmo descansado!
 
Pelos vistos, na mata que ontem frequentámos, ao longo do ano, podem-se encontrar mais de vinte espécies ou sub-espécies de cogumelos. Uns comestíveis, outros... É mesmo preciso saber!
 
Manifestamente é importante conhecer-se este campo que, por via das mutações, há que tomar cautelas, e estar sempre atualizado.
 
Antes de regressar a casa - e para finalizar a lição do dia - mestre Alvar deu-me conselhos quanto ao modo de preparar e conservar os cogumelos, de cuja apanha, gentilmente nos deu. Bem como usá-los na cozinha.
 
Obrigado, Hélder, pela deliciosa omolete de Cantharellus tubaeformis que me propiciaste para o jantar.
 
Fico no aguardo da lição nº 2.
 
Assina seu discípulo,
 
António de Souza e Silva
 
 

publicado por andanhos às 12:10
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3 comentários:
De Lamartine Dias a 20 de Março de 2013 às 16:00
Deve ter sido um passeio interessante e lúdico!!!


De Helder a 20 de Março de 2013 às 21:22
Está bom no geral. Abraço.


De Ligia Rosa a 29 de Agosto de 2017 às 21:54
Preciso de conhecer esse esconderijo! Girolas, as minhas preferidas!!!!👏👏


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