Terça-feira, 21 de Agosto de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.3.4)

 

 

 

3.3.4.- Monterrei – Laza

 

Foi praticamente um dia inteiro de jornada. O que me dispensa um esforço de memória para o recordar é que, ao longo do caminho, nas três paragens que fiz, fui vertendo para o caderno de apontamentos “moleskine”, que levava no bolso, impressões ou breves notas que, de seguida, passo a transcrever:

 

(Castelo-Fortaleza de Monterrei)

 

3.3.4.1.- Véspera, à tarde - 26 de Março de 2012

 

Já estava para fazer este percurso há mais de quinze dias, todavia, uma constipação reteve-me em casa mais de dez dias. Assim, para além de não fazer esteve percurso na data que tinha planeado fazê-lo, também deixei de fazer a primeira parte da antiga Linha de Caminho de Ferro do Sabor – entre Pocinho e Duas Igrejas. Amanhã vou fazer, finalmente, este percurso entre Monterrei e Laza, para, assim, concluir o meu Caminho de Santiago.

 

Estou com um certo receio pois não sei se vou aguentar. A “mazela” que tenho não me permite grandes devaneios. Vou ver se consigo efetuar estes quase dezassete quilómetros sem me cansar muito por forma a medir forças para a primeira parte da Linha do Sabor que tenho combinado percorrer com o meu amigo Neca.

 

O meu estado de espírito é de grande vontade mas, simultaneamente, de alguma espectativa quanto à minha reação. Veremos…

 

Vou deixar o carro no Parador de Monterrei e, depois do percurso, a Ni e a Jeca vão-me buscar a Laza.

 

Vou levar duas mudas de roupa pois está bastante calor e ando a suar muito. Levo na mochila mais pequena um polo (agasalho) e toalhas para me enxugar. Levo também uma pequena merenda e 1,5 l de água. E mais a minha pesada Nikon D200 e o caderno de apontamentos “moleskine” para escrever as minhas impressões do percurso.

 

Gostaria de ser um bom fotógrafo e tirar belas fotografias. Se bem que uma coisa se possa conciliar com a outra, nestas coisas do andar, nem sempre dá. Assim, as fotos das minhas caminhadas devem ser entendidas mais como reportagem apressada de um percurso e menos como arte ou técnica fotográfica. Para mim, e nesta fase, é difícil conciliar arte e/ou técnica fotográfica com reportagem. O que não quer dizer que uma ou outra fotografia não me saia bem. Não é esse, contudo, o meus escopo final. As fotografias que aqui se apresentam não têm, praticamente, qualquer tratamento: apresentam-se tal como a objetiva as captou.

 

 

 (Placa indicativa das duas alternativas do Caminho: por Laza e Xinzo)

 

Cheguei a Monterrei às 8 horas.

 

A descida de Monterrei, e durante 3 Km, foi agradável.

 

Nos primeiros 3 quilómetros passei à direita por A Pousa

 

 (Panorâmica da descida de Monterrei para Mixós)

 e depois por Mixós.

 

Em Mixós há a registar a sua igreja. E destacar o seu portal sul. O portal ocidental está praticamente encoberto por uma parede que quase o aterra. A cabeceira está virada para o Caminho.

 

 (Igreja de Mixós)

 

 (Portada da Igreja de Mixós)

 

 (Mixós - Aspecto do seu casario)

 

 (Vences - Um dos aspectos da sua ruralidade)

 

 (Vences - O Caminho no asfalto)

 

(De Vences para Arcucelos - Um dos aspectos do Caminho) 

 

 (Um dos aspectos do Caminho - Arcucelos ao fundo)

 

 (Arcucelos - Casario)

 

 (Arcucelos - O milho a secar na varanda)

 

 (Arcucelos - Um pormenor do casario)

 

 (Arcucelos - Uma perspectiva do seu aglomerado)

 

3.3.4.2.- 09:57 – Arcucelos

 

Ao iniciar o percurso, a minha unha grande do pé direito começou-me a doer. Devia tê-la cortado mais um pouco bem assim me ter adaptado, pelo menos um dia, às botas. Ao fim de 9 Km a minha anca direita também está a começar a doer-me. Vamos ver como me aguento até Laza.

 

O percurso no concelho de Monterrei, depois da descida do Castelo (3 Km), é todo em asfalto. Se não fosse as duas povoações – Esteviños e Vences – seria uma “seca”.

 

 (Capela junto ao Cruzeiro onde fiz a primeira pausa)

 

Estou na saída de Arcucelos, nos degraus do cruzeiro, em frente a uma capela.

 

Andei já, sensivelmente, 9 km.

 

(Cruzeiro onde escrevi estas notas e me reabasteci) 

 

Ao longo do Caminho fui acompanhado por um constante chilrear de pássaros. Mesmo agora, enquanto escrevo, é a rola e o seu característico “rolhar” que me serve de música de fundo à minha escrita. A paisagem é de vinhedos, com as cerejeiras em plena floração.

 

Vou aproveitar para beber água e comer meia dúzia de frutos secos – amêndoas e avelãs.

São 10:15 horas. Vou começar a segunda parte do Caminho. Provavelmente farei uma pausa em Matamá.

 

 (Pormenor do Cruzeiro)

 

Mais um pouco à frente do local onde fiz a primeira pausa, em Arcucelos, aparece-nos um segundo cruzeiro

 

 (Segundo Cruzeiro de Arcucelos junto à Igreja)

 e a igreja de Arcucelos

 

 (Igreja de Arcucelos)

 

Uma das coisas que mais impressão me faz, na Galiza, são ainda os cemitérios à volta das igrejas. Seria bom que na Galiza este hábito se fosse perdendo, embora compreenda a razão das pessoas sepultarem os seus entes queridos mesmo junto das igrejas.

 

A Igreja de Arcucelos perde a sua imponência exatamente pela existência do cemitério à sua volta e, pelo seu lado ocidental, ter o muro de uma casa. Não fora isto, esta igreja, por si deslumbrante, teria uma vista fantástica.

 

 (Igreja de Arcucelos - Portada norte)

 

Deve ser tardo-românica, gótica. O portal do lado sul tem, no seu arco, pérolas góticas. Os capitéis têm figuras humanas e temas vegetalistas, assim como o portal ocidental, praticamente sem vistas.

 

 (Igreja de Arcucelos - Pormenores dos capitéis das colunas exteriores)

Possui contrafortes. Só vendo…

 

 (Igreja de Arcucelos - Mais uma perspectiva da Igreja)

 

 (Igreja de Arcucleos - Pormenor de uma janela do alçado norte)

 

 (Igreja de Arcucelos - Perspectiva geral vista do Caminho em direcção a Retorta)

 

 (Um pormenor do Caminho entre Arcucelos e Retorta)

 

Anda-se um pouquinho e já estamos em Retorta.

 

 (Retorta - Casario do seu aglomerado)

 

 (Retorta - utensílio agrícola em desuso debaixo de uma varanda da casa)

 

 (Retorta - Mais um aspecto do seu casario)

 

 (Retorta - Milho a secar na varanda)

 

Em Retorta encontramo-nos com o rio Tâmega e viramos para o lado ou margem esquerda do mesmo rio.

 

 (Retorta - Zona de Lazer junto ao rio Tâmega)

 

Retorta possui uma zona de lazer interessante, junto ao rio. Tem grelhadores e aparelhos para exercícios físicos.

 

 (O rio Tâmega em Retorta)

 

 ( O açudesco rio Tâmega em Retorta)

 

De Retorta a Matamá o Caminho corre paralelo ao rio e pelo meio do vale por este cavado.

 

 (Pequeno vale do Tâmega entre Retorta e Matamá)

 

 (Pormenor do Caminho à chegada a Matamá - ao fundo a sua ponte sobre o Tâmega)

 

3.3.4.3.- 11:25 horas – Matamá

 

Parei aqui em Matamá para tomar um café.

 

 (Matamá - Pormenor de uma janela)

 

Matamá possui um cruzeiro, um alpendre com duas mesas e bancos para as pessoas descansarem. Ao lado passa um regato.

 

 (Matamá - Cruzeiro)

 

 (Matamá - Ponte sobre o rio Tâmega)

 

 (Matamá - Escultura alusiva ao Intróido)

  

 (Matamá - Pormenor da escultura)

 

 (O rio Tâmega a juzante da ponte de Matamá)

 

Pelo que me disse um dos poucos residentes que encontrei em Retorta, de Matamá a Laza, são 4 Km.

 

(Um dos aspectos da vasta veiga cavada pelo Tâmega na confluência de Laza) 

 

Após uma pequena reta, vira-se à direita e entra-se na estrada OU 112. Tem uma ligeira subida. Depois voltamos a atravessar o rio Tâmega e, mais adiante, uma outra vez mais. Vamos ziguezagueando o rio Tâmega, subindo ligeiramente, sempre em asfalto. Pouco simpático este asfalto para os pés em dias de calor. Só aproximadamente 1 Km antes de Laza é que se faz um desvio para a esquerda e saímos do asfalto. Este pequeno desvio leva-nos mais perto do rio Tâmega. Ao sairmos deste desvio já se avista Laza, num pontão sobre o rio Camba, que ali perto desagua no Tâmega.

 

(Afluente do Tâmega nas proximidades de Laza)

 

3.3.4.4.- 13:15 horas – Laza

 

 

Subi Laza pela rua central.

 

 (Laza - Pormenor do casario do aglomerado)

 

 (Laza - Rua direta ao Bar da Picota)

 

 Tirei algumas fotos, em especial ao edifício do concelho e à igreja.

 

 (Laza - Igreja de Laza)

 

A igreja tem uma vetusta torre mas, quanto ao resto, nada de especial. Igual a todas as da Galiza, com o cemitério a rodeá-la, o que, como já disse, parece-me de mau gosto nos tempos que correm. Mas vai bem com a religiosidade desta gente. A destacar na igreja uma imagem na torre

 

 (Laza - Igreja/Pormenor da Torre)

 

e a porta do portal ocidental, de 1760.

 

 (Laza - Porta da portada ocidental da Igreja)

 

 (Laza - Pormenor da porta da portada ocidental da Igreja)

 

Subi um pouco mais e fui até ao albergue matar saudades, tirando duas ou três fotografias.

 

Desci e fui comer um “bocadillo”, de queijo e presunto, ao bar A Picota.

 

 (Laza - Um dos aspectos da Plaza da Picota)

 

 (Laza - Cruzeiro)

 

Telefonei à Ni para me vir buscar. Estou aqui esperando com o pé direito descalço. Tenho este pé num “molho”.

 

 (Laza - Aspecto de uma das suas ruas vista desde o Bar da Picota)

 

(Escultura representando "O Peliqueiro", do Carnaval de Laza) 

 

Enquanto aguardo, dou-me conta de um enorme incêndio que está a lavrar para os lados de Vilardevós. Já andam helicópteros sobrevoando a zona. É medonho!

 

Dou aqui por finda a já longa reportagem sobre o meu Caminho de Santiago – Português Interior, Via da Prata ou Sanabrês: da porta de minha casa até Monterrei o Caminho tem a designação de Caminho Português Interior de Santiago; de Monterrei, Laza, Ourense e até Santiago, estamos no Caminho Sanabrês, variante da Via da Prata que, vindo de Sevilha, vai até Tábara, na direcção da Sanábria.

 


publicado por andanhos às 22:55
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