Segunda-feira, 23 de Julho de 2012

Pelos Caminhos de Santiago - Na Galiza (Via da Prata 3.2.3)

 

Junta-se planta, retirada do livro Santa María La Real de Oseira, de Miguel Ángel e Frei Damián Yáñez, para melhor se entender o circuito turístico da visita:

 


 

3.- Visitando o Mosteiro e a Igreja

 

3.1.- Mosteiro

 

3.1.1.- Claustro dos Cavaleiros

 

Atravessando o vestíbulo e uma grande porta de arco de meio ponto, encontramo-nos no Claustro denominado dos Cavaleiros ou da Hospedaria, assim denominado por nele estar as cavalariças e, por nele, se apearem todos os que chegavam ao mosteiro de cavalo.

 

 

Está situado por detrás da fachada principal do mosteiro. É composto por arcos de meio ponto e janelas rectas entre pilastras com ricas molduras.

 

Possui sete arcos, nas alas norte e sul, o central é o mais largo. E com varanda no segundo corpo. Nas outras duas alas tem nove arcos.

 

 

As galerias superiores estão cobertas com tectos rasos.

 

Neste claustro existem também três salas, com tectos simples, abobadados, com nervos que arrancam directamente dos ângulos e unem-se no centro em remate circular, sem decoração. São do século XIII e constituem os únicos restos que se conservam do mosteiro medieval. Tudo o resto deste claustro remonta a 1713 a 1759.

 

3.1.2.- Escadaria de Honra

 

Foi construída segundo a concepção herreriana.

 

 

Os vinte e quatro degraus são decorados à frente com pontas de diamante, dando-lhe elegância.

 

A partir de 1727-1730, aquando da sua reedificação, aparecem cinco nichos adornados com pilastras e cornijas dóricas com imagens dos santos da Ordem, em madeira policromada, em bom estilo barroco.

 

Preside a estes cincos nichos a figura de S. Bento, tendo à sua direita S. Bernardo e o beato Eugénio III e à sua esquerda aparecem Santo Estêvão Harding e S. Martinho de Finoja, fundador do Mosteiro de Huerta.

 

 

Ao cimo das escadas está a efígie de S. Famiano – monge do mosteiro – em traje de peregrino.

 

 

A Escadaria de Honra, uma das peças mais destacadas do mosteiro, encontra-se entre o Claustro dos Cavaleiros e o Claustro dos Medalhões.

 

3.1.3.- Claustro Regular (ou dos Medalhões ou ainda Processional)

 

Está contíguo à igreja.

 

 

Denomina-se Regular ou Processional por ser o itinerário das muitas procissões da liturgia monástica. É também designado Claustro dos Medalhões pelo facto  de existirem vários medalhões a adorná-lo.

 

 

Inicialmente existiu aqui um claustro medieval e logo outro do século XVI, do qual procedem os medalhões, que são aproveitados como decoração do actual, que foi começado em 1760, construído em estilo barroco, com placas compostelanas, que estavam então na moda.

 

No final do século XVIII os seus arcos foram tapados para evitar correntes de ar. Em 1995 voltaram-se a abrir.

 

 

Os medalhões representam personagens tanto da Ordem como da vida civil, heróis da antiguidade com vestimentas militares. Denotam uma mão hábil que se esmerou em conseguir um conjunto notável.

 

 

No centro uma fonte, cópia da original do século XVI, que se encontra actualmente na Praça do Ferro, em Ourense. Esta réplica ou cópia foi executada pelo escultor Nicanor Carvallo, em 1997.

 

 

3.1.4.- Museu de Pedra

 

Está exposto numa larga sala abobadada, possivelmente destinada a adega.

 

 

Nela estão dispersos vários restos, de pedra lavrada, aparecidos aquando das obras de restauro do mosteiro.

 

Aqui podem-se ver artefactos da época medieval, renascença e do barroco. São restos de laudas sepulcrais, pináculos, restos de abóbadas e uma larga série de caleiras utilizadas para a condução de águas e saneamento.

 

 

3.1.5.- Escadaria dos Bispos

 

Num dos ângulos do Claustro dos Medalhões (Processional ou Regular) abre-se uma porta tardo-renascentista, decorada com cabeças de querubins, permitindo o acesso à chamada Escadaria dos Bispos.

 

 

Denomina-se dos Bispos pelas imagens dos santos bispos e outros da Ordem, que ocupavam nichos que se abrem na parte superior. A abóbada é octogonal sobre trompas.

 

 

É do século XVI. A reconstrução é do século XX.

 

3.1.6.- Porta do séc. XVI e Abóbada das Laudas

 

Dos primeiros anos do século XVI é a porta que liga o Claustro dos Medalhões com o Claustro dos Pináculos.

 

É constituída por um arco de meio ponto ao qual se sobrepõe um arco conopial dobrado que remata num florão ou ramalhete vegetal, como era hábito na arte do último gótico.

 

 

A Abóbada das Laudas, no plano canónico, corresponderia ao locutório, lugar de comunicação entre o Claustro Regular e dos Pináculos.

 

A singeleza da sua traça, em oito nervos, e a sua localização, convida-nos a situar a sua construção no século XVI.

 

A curiosidade está em terem sido utilizadas as laudas (com inscrições de nobres que se sepultaram no mosteiro) como paramentos para a sua construção.

 

3.1.7.- Claustro dos Pináculos

 

As obras deste grande claustro iniciaram-se nas últimas décadas do século XVI. Em 1629 ainda não estavam concluídas.

 

O Claustro dos Pináculos tem apenas três alas: a do oriente; a do meio-dia; a do norte. Carece da ala poente, porventura para não privar de luz a Sala Capitular.

 

 

É o mais esbelto dos claustros, dos três de Oseira.

 

As três alas, muito estreitas e elevadas, cobrem-se com abóbadas, que descansam sobre pilastras apoiadas em contrafortes lisos, sem decoração.

 

Em 1991 dotou-se o pátio com uma formosa fonte, obra do escultor Nicanor Carvallo, fonte esta que é cópia da que se supõe que existiu aqui, no mesmo sítio, e hoje na Alameda de Ourense (aliás como já atrás fizemos referência).

 

O Claustro dos Pináculos é o mais espaçoso dos três de Oseira e, na sua parte superior, localiza-se a Hospedaria, onde nos acomodámos (eu e a Ni) nos dois dias que ali permanecemos.

 

 

Na esquina sudoeste do claustro há uma porta, de meio ponto, que dá acesso a diversas dependências do mosteiro, quase desconhecidas, por estarem à margem do circuito turístico, por que pendentes ainda de restauro. Nessas dependências podemos supor estar a antiga portaria do mosteiro, o cárcere, diversos armazéns e, sobretudo, o antigo refeitório, com abóbadas de meio canhão, conservadas em perfeito estado.

 

3.1.8.- Antiga Sala Capitular

 

Muito importante e vistosa é a Antiga Sala Capitular. A planta e disposição desta singular sala, construída provavelmente nas últimas décadas do século XV ou primeiras do século XVI, são as mesmas que têm as salas capitulares dos mosteiros cistercienses medievais, ou seja, planta quadrada dividida em nove compartimentos por meio de quatro colunas centrais.

 

A sua originalidade estás sobretudo nas colunas e nas abóbadas. As colunas, torcionadas e estriadas, de molduras retorcidas, decoradas com flores quadrifólias, assentam sobre bases cilíndricas lisas e apoiam as abóbadas directamente sobre o fuste, sem capitel.

 

 

Dos muros partem os nervos de mísulas situadas a meia altura, umas com sensíveis molduras, outras com decoração caprichosa de arquitos.

 

 

 As abóbadas possuem nervos curvos

 

 

que confluem em remates com decoração em relevo, policromada com ramagens e caricaturescos rostos, com intensão meramente decorativa.

 

 

É clara a relação desta arquitectura, com tão marcada vontade decorativa, com o estilo manuelino português.

 

 

3.1.9.- Biblioteca

 

No extremo noroeste do mosteiro, em 1766, construiu-se um grande salão, coberto com três vãos de abóbada de aresta sobre mísulas, que recebe iluminação de grandes janelas rectangulares.

 

 

É constituída por ricos móveis barroco-rococó, dos tempos de Frei Tadeo Lueña (1771-1775), construídos completamente na actualidade, já que após a desamortização desapareceu uma boa parte dos mesmos. O livro de obras dá-nos conta dos nomes dos mestres.

 

 

Para além dos escudos e pináculos nos remates têm também lavrados diversos temas como a lactação de S. Bernardo e, nas portas dos extremos, grandes e proporcionados relevos representando o Salvador e Nossa Senhora.

 

(Porta - Pormenores)

                  (Porta - Nossa Senhora)
 

Os fundos bibliográficos, todos adquiridos nos tempos recentes, confirmam uma rica colecção que alcança 30. 000 volumes, de uma ampla temática.

 

 

3.1.10.- Refeitório Monumental

 

O Refeitório Monumental está situado na parte alta do Claustro Regular ou dos Medalhões.

 

Enquadra-se dentro da mesma estética renascentista, não abandonando soluções porventura góticas como são as abóbadas.

 

Foi construído em 1572. Tem planta rectangular, paredes lisas e vãos de meio ponto com três tramos de abóbada, com remates decorados em gomos e cujos nervos partem de mísulas com o mesmo tipo de decoração.

 

 

Trata-se de uma das dependências do mosteiro mais arruinada após a desamortização, embora reconstruída inteligentemente sob a orientação do Padre Juan María Vázquez, que dedicou toda a sua vida à reconstrução arquitectónica de Oseira, em 1978, que aproveitou nervos e remates, substituindo a paramentaria pétrea por material aglomerado.

 

 

No muro do lado direito, no segundo tramo, abre-se o nicho do púlpito para a leitura durante a refeição. A base do mesmo é decorada com interessantes motivos renascentistas.

 

Preside a esta ampla sala um Cristo, do século XVI, que estava muito danificado, e que foi restaurado segundo a inspiração do Cristo de la Veja, de Toledo.

 

 

3.1.11.- Solarium e Calefactorium

 

Por detrás do Refeitório Monumental situa-se o Solário, construído nos finais do século XVI, resguardado dos ventos do norte e aberto ao sol do meio dia.

 

 

Possui capiteis e formas de sapata cuja frente é decorada com motivos vegetais e antropomorfos.

 

 

Foi restaurado até 1980. Dali se domina uma extensa e variada paisagem.

 

(Pormenor da chaminé da cozinha sita no lado direito do Solarium) 

  

Está contíguo ao calefactório, construído em 1747. Aqui, no calefactório, os monges aqueciam-se de inverno.

 

Destaca-se a sua chaminé exterior, rematada em tubo cilíndrico, com corpo prismático, que lhe dá uma originalidade indiscutível.

 

3.1.12.- Dormitório dos Anciãos

 

Ao lado está o que foi o dormitório dos anciãos (velhinhos), e que hoje alberga a comunidade de monges que aqui fixou residência.

 

Entre 1623 e 1635 foi construído este pavilhão que, em termos de planta, rompe as estruturas cerradas do mosteiro. Destinado aos enfermos e velhinhos, procurava uma melhor orientação para receber abundante luz e calor.

 

 

Tem três alturas e uma grande sobriedade construtiva. Atribui-se a autoria deste pavilhão ao mestre salamantino Alonso Sardiña.

 

Uma nota final para referir que tive pena de não ter visitado o Arquivo e a cela de Ochoa Espinosa, Abade Comendatário, assassinado “à estadulhada” pelo povo de Infesta, no século XVI bem assim dar conta da visita à Farmácia do mosteiro e dos seus ricos vasos de Sargadelos, do século XIX.

 


publicado por andanhos às 18:57
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