Terça-feira, 23 de Janeiro de 2018

Reino Maravilhoso - Barroso:- S. Sebastião-Couto de Dornelas

 

 

REINO MARAVILHOSO – BARROSO

 

O S. SEBASTIÃO DA VILA GRANDE-COUTO DE DORNELAS

 

- CUMPRIMENTO A TRADIÇÃO -

 

 

Uma vez mais, no dia 20 de janeiro, fomos em «romagem» até à «Mesinha de S. Sebastião», na Vila Grande, freguesia de Couto de Dornelas, concelho de Boticas.

 

Se os leitores querem que lhes diga, nem sabemos bem porque, todos os anos desde há um tempo a esta parte, o fazemos.

 

Provavelmente estamos indo “na onda” de seguir e acompanhar uma tradição.

 

E, todos os anos, registamos, com a nossa máquina fotográfica, os mesmos gestos desta tradição secular, que, infelizmente, já não é o que era.

 

Esta tradição tinha muito significado para os barrosões destas paragens, mas hoje interrogamo-nos: que tradição esta gente do lugar cumpre e as que ocorrem à «Mesinha»?

 

E o que leva tanto carro e autocarro a entupir as ruelas desta singela e bonita aldeia barrosã?

 

Contudo, não são assim tantos, comparando com as que ocorrem a este lugar neste dia, os que frequentam e assistem à missa em honra do orago do lugar, dado o que vimos na igreja e no adro.

00.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (194)

Os elementos fundamentais da «Mesinha» estão presentes.

 

Desde a «Mesa» propriamente dita,

01.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (8)

até ao pão,

02.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (43)

aos potes,

03.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (23)

onde é cozida a carne e arroz.

 

Registámos todos estes elementos e, como não podia deixar de ser, das mãos desta simpática cozinheira,

04.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (25)

antes de partirmos para visitarmos duas aldeias próximas, não deixámos de comer o "nosso" caldo.

 

Não é que fizesse assim tanto frio para nos aquecer o corpo…

 

Trata-se já de um velho costume nosso.

 

Ultrapassada a enorme lareira da cozinha, para tirarmos uma foto às centenas de broas de pão empilhadas nas estantes, não fomos tentados pelo saboroso pão e vinho e o naco de carne cozida, que estava ao nosso dispor numa mesa. Na nossa idade há que fazer já um pouco de contenção…

 

Ainda assim assistimos às chegadas em levas dos «romeiros» que, com o seu farnel, iam ocupando os seus lugares na «Mesa».

 

E partimos para visitar as aldeias de Lousas e Casal.

 

Quando voltámos à Vila Grande, a missa ainda estava a meio.

 

Nas proximidades da igreja aproveitámos para tirar uma foto à senhora do capuz (capa) – que hoje, dizia, não trazia a de burel, pois o frio não era assim tanto -, junto do pelourinho.

05.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (206)

,Naturalmente não vamos relatar todos os passos do cerimonial deste dia, todos os anos repetido, logo que a missa é dita.

 

Sucinta e simplesmente referimos quatro apontamentos que, neste dia, nos ficaram na retina.

 

Em primeiro lugar, o cerimonial de estender a toalha de linho branco pela «Mesa»,

06.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (244)

as broas de pão que se põem na mesa, à distancia, cada uma, da vara do mordomo,

07.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (239a)

e a carne e o arroz, que vem logo a seguir, para os comensais.

08.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (276a)

Mas estes são os elementos da tradição; assim como o terceiro aspeto – o beijar do Santo.

09.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (257)

E veja-se o fervor com que alguns crentes o fazem!

 

E, como não podia deixar de ser, a passagem da cestinha da Esmola.

10.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (255a)

O quarto e último elemento tem a ver com a animação que, naturalmente, em «romarias» não pode faltar. Já, noutros anos, assistimos a desgarradas que, verdadeiramente, nos encantaram. Este ano faltaram!...

 

Os grupos e concertinas estiveram presente.

11.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (277)

Mas, para nós, não é a mesma coisa.

 

Não faltaram os cantares espontâneos dos populares que, com as suas vozes e seus diferentes instrumentos, dando asas às suas artes e habilidades, contagiavam os restantes «romeiros» de boa disposição.

12.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (298)

Não faltou também um “toque” de originalidade deste tocador de bombo!

12.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (300)

Mas o que verdadeiramente nos emocionou nesta sui generis «romaria» não foram os cantares espontâneos das gentes do Minho que aqui ocorrem em grande número, principalmente os de Cabeceiras

 

O que nos emocionou foi, ao som de um gravador, ver estes “jovens” maiores dançarem.

13.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (176)

Veja-se a felicidade deles estampada nos seus rostos!

14.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (180)

É bem verdade que não há uma só idade para amar e ser feliz!!!

 

Não ficámos para o repasto. Apenas nos quisemos certificar que a tradição se cumpria uma vez mais, apesar da que hoje presenciamos não passar já de uma corruptela da verdadeira e genuína.

 

Mas que dizer quanto à cultura, as tradições e os costumes se transformarem em pura e verdadeira mercadoria no mercado turístico de uma sociedade que apenas reconhece o valor do dinheiro e mede tudo e todos pelo que têm e não pelo que são ou deveriam ser?!...

 

Sinal dos tempos…

 

Em que nós próprios, como centenas deles, diriamos, com máquinas fotográficas e de filmar e telemóveis em punho entramos em cena para sermos os novos atores, intervenientes de uma tradição que os antanhos do lugar, se cá estivessem, jamais entenderiam os caminhos por que seguimos.

 

Porém, que mais estas gentes podiam (ou podem) fazer, quando são a periferia da periferia, esquecidas positivamente pelos diferentes poderes públicos. Por calculismo, uns; por negligência, outros; e por falta de saber ou ignorância, ainda muitos outros!

 

O que aqui se faz, com esta gente entregue efetivamente a si própria, é um verdadeiro ato de coragem, de bravura. É autêntica resiliência de um povo que, a seu jeito, e como melhor sabe, procura manter o que de verdadeiramente genuíno têm – as suas tradições – num mundo com uma sociedade que a todos nos quer homogeneizar.

 

Há elementos espúrios, é ceto, mas Vila Grande, mesmo assim, quer estar no mapa do Barroso e do Mundo. E atuam, sem o saberem, emitindo-nos um apelo ingente para uma nova postura quanto a encarar o desenvolvimento das nossas comunidades rurais, do nosso Interior.

 

Deixámos esta linda aldeia de Vila Grande

15.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (289)

em direção a Vilarinho Seco, Alturas de Barroso e Atilhó.

 

E fazemos finca pé, tal como a vontade firme deste homem que,

16.- 2018.- S. Sebastião (Couto de Dornelas, Lousas, Casal e Atilhó) (58a)

apesar da idade, agarrado à sua bengala, fez questão de aqui marcar a sua presença, como querendo-nos dizer que outros dias hão de vir para estes territórios; que mais bailaricos vão haver; que mais caras sorridentes e felizes aqui hão de viver nestas terras e povos barrosões – um dos poucos redutos de paz, em contato puro com a Natureza numa sociedade e civilização que vive sem “alma”.


Não queremos ser o Velho do Restelo. Nem tão pouco ingénuos.

 

Mas jamais prescindiremos daquela dose de utopia consubstancial à raça humana.


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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

Versejando com imagem - Ser seu amigo, de Vinicius de Moraes

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

SER SEU AMIGO

 

A 12 de janeiro de 2012, data do aniversário do falecimento de um nosso familiar muito querido, um grande amigo, que, infelizmente, também já não pertence a este mundo dos vivos, mandava-nos este bonito poema de Vinicius de Moraes.

 

Fora as crenças de cada um, o que mais nele enfatizamos é o verdadeiro sentido da amizade.

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 Aqui fica à vossa partilha:


"Se eu morrer antes de você, faça-me um favor.
Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado.
Se não quiser chorar, não chore.
Se não conseguir chorar, não se preocupe.
Se tiver vontade de rir, ria.
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão.
Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me.
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.
Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles.
Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei.
Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver.
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:
'Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!'
Aí, então derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.
E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu.
Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus.
Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele.
E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele.
Você acredita nessas coisas?

Sim???
Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
Eu não vou estranhar o céu . . .
Sabe porque?
Porque...
Ser seu amigo já é um pedaço dele!"

 

Vejam agora a forma como Roland Baldrin o recita:


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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

Por terras da Gallaecia - IV Mascarada Ibérica - Orgulho leonês

 

POR TERRAS DA GALLAECIA

 

IV MASCARADA IBÉRICA - VIANA DO BOLO
(13.janeiro.2018)


ORGULHO LEONÊS

 

Sempre que nos é possível, levantamos âncora e vamos “navegando” pelas terras galegas.

 

A História, com as suas fronteiras jurídicas, separou-nos do pedaço de terra que chamamos GALLAECIA.

 

Mas os seus povos e as suas diferentes culturas estiveram sempre unidos, convivendo. Somos, e assumimo-nos, como diferentes, é certo, mas irmanados pela mesma terra que habitamos e que nos habituámos a amar. Vivendo fraternalmente uns com os outros.

 

Há mais de 50 anos que, vivendo por estas paragens mais a norte – nós, um homem nascido mais a sul da antiga GALLAECIA – vimos sentindo e apregoando, como verdadeira, esta frase – nós, portugueses, vivendo mais perto do Mondego e, mais propriamente, a norte do Douro, somos galegos do sul, enquanto os nossos irmãos galegos são os portugueses do norte!

 

Nos tempos por que passamos faz pouco sentido e apregoarmos demasiado a ideia de nacionalismo e de Estado que, no século passado, tantas vidas ceifou e duas Grandes Guerras fratricidas do seu humano! Se num meio de um mundo cada vez mais globalizado, e tendente para a homogeneização das culturas por parte de povos de Estados dominantes, faz, em contrapartida, todo o sentido que privilegiemos a cultura de que cada povo é portador, sem qualquer poder hegemónico.

 

Somos todos iguais, embora diferentes. É salvaguardando e realizando as nossas diferenças que respeitamos cada povo e todo e qualquer ser humano.

 

Reconhecemo-nos herdeiros dos antepassados daquela antiga GALLAECIA, que unia os povos e as gentes das modernas regiões do Norte de Portugal e da Galiza, das Astúrias e de Leão, conquistadas pelos romanos e integradas na província romana da Hispânia Tarraconense, posteriormente transformada na província independente, conhecida como Hispânia Galécia, território depois incorporado no Reino Suevo.


Mas hoje, estamos mais à frente. Somo adeptos daquela Ibéria que ume e respeita os seus diferentes povos, cultura e tradições, sem hegemonia(s) de qualquer espécie.

No sábado passado, acompanhámos o amigo Pablo e sua dona, Adélia, a Viana do Bolo para assistirmos ao desfile da IV Mascarada Ibérica.

 

E, mais uma vez, ali sentimos que, embora tão diferentes na maneira como manifestamos a nossa cultura e tradições, estamos todos irmanados do mesmo espírito, da mesma Ibéria, que nos viu nascer!

 

Convivendo em paz uns com os outros. Mas ciosos da cultura que nos foi transmitida pelos nossos ancestrais, os nossos maiores.

 

Ficámos verdadeiramente emocionado, no fim do desfile, já com a noite entrada, na Plaza Mayor, com a atitude desta jovem leonesa,

01.- 2018.- IV MASCARADA IBÉRICA (Viana do Bolo) (792)

 que integrava este pequeno grupo de jovens.

02.- 2018.- IV MASCARADA IBÉRICA (Viana do Bolo) (787)

 Sentindo dois curiosos por perto com as máquinas fotográficas em punho, depressa tira o xaile que a protegia do frio que fazia para exibir o seu traje de desfile.

03.- 20180113_175304_003

Garbosamente, de improviso, fez, perante nós, um verdadeiro desfile: de frente,

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de trás

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e de perfil.

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Sentia verdadeiro orgulho em exibir a vestimenta que foi de sua avó.

 

Quando alguém, elogiando-lhe o traje, o apelidava de bonito conjunto castelhano-leonês, ela, de pronto, retificou o seu interlocutor, dizendo – eu sou leonesa. De Carrizo de la Ribera!!!

 

Obviamente, não entendemos aqui qualquer sentido ou objetivo separatista!

 

É, como dizíamos, fazemos todos parte da mesma amada Ibéria. E esta jovem sentia-se bem e feliz cultivando as tradições e exibindo os trajes dos seus maiores tal como um bom galego e um bom português, quer seja transmontano ou duriense, ou de outra região qualquer, sente e vive os seus.

 

A política e os políticos têm aqui muito a aprender…


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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2018

Ao Acaso - Caminhar...

 

 

AO ACASO – CAMINHAR…

 

Arquivando os ficheiros do ano que passou, fomos dar com uma foto, acompanhada de uma citação, que mandávamos a um amigo, depois de termos efetuado o Caminho Português Interior de Santiago (CPIS), no mês de maio passado.

 

Simultaneamente, e, ao acaso, lançando os olhos sobre um blogue de poesia, deparámos com este poema, sob o título «Caminhar...», que casa bem com a foto que, na 4ª etapa do CPIS, no dia 7 de maio de 2017, tirámos, entre Xinzo de Limia e Allariz.

 

Aqui, ficam, pois, os dois documentos à visualização dos nossos leitores:

 

Ao Acaso - Caminhar...

 

Caminha! Caminha sem parar...
Depressa ou devagar, caminha!
Faz pequenas pausas para respirar,
Ouve a Alma, que em ti se aninha...

 

 

Observa! Vê com toda a atenção!
Verás que não existem horizontes
Que retenham a tua vocação,
Mesmo que altos sejam os montes...

 

 

Olha para a interminável lonjura
Onde se move todo o Universo,
Olha para dentro de ti, com ternura
E entende que és: verso e reverso!

 

 

Quando olhares para dentro de ti
Em altura e com profundidade,
Verás diante dos teus olhos, aqui,
Esta incomensurável verdade:

 

 

Tu és inteiro com toda a Vida,
És o imortal átomo permanente,
Que contém em si toda a energia
E se renova constantemente.

 

 

Isabel José António
In - http://flordojacaranda.blogspot.pt/
«Poesia Viva», de 04.04.2006


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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018

Palavras Soltas... Maria José e a lição das 4 Estações do Ano

 

 

PALAVRAS SOLTAS...

 

MARIA JOSÉ E A LIÇÃO DAS 4 ESTAÇÕES DO ANO

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Faz hoje exatamente 5 anos que uma amiga valenciana dos quatro costados, que em 2008 conhecemos quando faziamos o Caminho Francês de Santiago, acompanhada de seu filho, então adolescente, Adrien, mandava-nos uma apresentação (em power point) com o título «As 4 Estações do Ano».

 

Não vamos aqui agora reproduzir a aprersentação.

 

Resumamo-la apenas, assim:

 

 

Um homem tinha quatro filhos.


Querendo que todos aprendessem a não julgar as coisas tão rapidamente, e só pelas aparências, enviou, cada um deles, por turnos, observar, num pomar, uma pereira, que se encontrava a uma certa distância.


O primeiro filho foi no inverno; o segundo, na primavera; o terceiro, no verão e, o mais novo, no outono.


Depois do regresso de todos, chamou-os e pediu-lhes que descrevessem o que tinham visto.


Assim, o primeiro filho mencionou que a árvore era horrível, dobrada e retorcida.


O segundo afirmou que não, pois estava coberta com rebentos verdes, cheios de promessas.


O terceiro filho não esteve de acordo com os dois anteriores e disse que estava carregada de flores, que tinha um aroma muito doce e que a achava formosa, enfim, era a coisa mais cheia de graça que jamais tinha visto.


O último dos filhos, não estando de acordo com nenhum dos irmãos, disse que estava madura, pejada de frutos, cheia de vida e satisfação.


Então, após a versão de cada um de seus filhos, o pai explicou-lhes que todos os quatro tinham razão porquanto, cada um deles, apenas tinha visto apenas uma das estações da vida da árvore. E concluiu, dizendo a todos eles que não deveriam julgar nenhuma árvore, ou qualquer pessoa, simplesmente por uma temporada ou período da sua vida. A essência do que as pessoas são, o prazer, o regozijo e o amor que vem com a vida só pode ser medida no final, quando todas as estações tiverem passado. Se vos dais por vencidos no inverno, tereis perdido a promessa da primavera, a beleza do verão e a satisfação do outono.


Não deixeis que a dor de uma estação destrua as restantes. Não julgueis a vida somente por uma estação difícil.


Aguentai com bravura as dificuldades porque, logo, disfrutareis dos bons tempos.

Apenas o que preserva encontra uma manhã melhor, radiante.

 

Obrigado, Maria José Tronchoni pela lição de vida que quiseste partilhar comigo; pela companhia e pela tua amizade que, ao longo dos anos, tens mantido connosco, pese embora a distância que nos separa.

 

Bom Ano 2018

 

nona


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Sábado, 30 de Dezembro de 2017

Versejando com imagem - Fala do homem nascido, de António Gedeão

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

FALA DO HOMEM NASCIDO

StarStaX_2015 - Astrofotogtafia - Berrande (Galiza-Espanha)

 

Venho da terra assombrada

do ventre de minha mãe

não pretendo roubar nada

nem fazer mal a ninguém


Só quero o que me é devido

por me trazerem aqui

que eu nem sequer fui ouvido

no acto de que nasci

Trago boca pra comer

e olhos pra desejar

tenho pressa de viver

que a vida é água a correr


Venho do fundo do tempo

não tenho tempo a perder

minha barca aparelhada

solta rumo ao norte

meu desejo é passaporte

para a fronteira fechada


Não há ventos que não prestem

nem marés que não convenham

nem forças que me molestem

correntes que me detenham


Quero eu e a natureza

que a natureza sou eu

e as forças da natureza

nunca ninguém as venceu


Com licença com licença

que a barca se fez ao mar

não há poder que me vença

mesmo morto hei-de passar

com licença com licença

com rumo à estrela polar

 

In Teatro do Mundo, 1958
António Gedeão - (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho)
(24/11/1906 - 19/02/1997)


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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2017

Versejando com imagem - Fernão de Magalhães, de Miguel Torga

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

FERNÃO DE MAGALHÃES

“O Alma-Grande”, óleo sobre tela, 130 x 97 cm - Jorge Marinho - TM_blogue_02147

(“O Alma-Grande”, óleo sobre tela, do pintor sabrosense, Jorge Marinho)

 


Fernão de Magalhães da Ibéria toda,
Alma de tojo arnal sobre uma fraga
A namorar a terra em corpo inteiro,
Consciência do fim no fim da boda,
Fernão de Magalhães que andaste à roda
De quanto Portugal sonhou primeiro:

 

 

Ter um destino é não ter berço
Onde o corpo nasceu,
É transportar as fronteiras uma a uma
E morrer sem nenhuma,
Às lançadas à bruma,
A cuidar que a ilusão é que venceu.


Miguel Torga in Antologia Poética


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Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2017

Palavras Soltas... O mundo do fotojornalista Steve McCurry em exposição na Alfândega do Porto

 

 

PALAVRAS SOLTAS…

 

O MUNDO DO FOTOJORNALISTA STEVE McCURRY

EM EXPOSIÇÃO NA ALFÂNDEGA DO PORTO

 

Conhecíamos de nome este fotojornalista por uma famosa foto saída na revista «National Geographic».

 

Lemos, da autoria de Dora Mota, no sítio da internet  Evasões, a 13 de outubro de 2017, a seguinte notícia:


A Alfândega do Porto recebe, a partir de 14 de outubro, a exposição "The World of Steve McCurry", com mais de 200 fotografias da autoria do famoso fotógrafo norte-americano. Desvendamos alguns dos segredos.
Mais de 200 fotografias do fotógrafo norte-americano Steve McCurry vão estar em exposição na Alfândega do Porto a partir de amanhã e até ao último dia do ano, numa mostra retrospetiva inédita em Portugal. Nesta exposição “The World of Steve McCurry” pode-se ver imagens e vídeos da primeira reportagem no Afeganistão, há mais de 30 anos, até imagens das expedições e reportagens mais recentes do fotógrafo, com muitas imagens daquele país, da Índia e do Sudoeste Asiático, África e ainda Brasil e Estados Unidos.
Há fotos de conflitos marcantes como o do Afeganistão, da Guerra do Golfo, do 11 de setembro em Nova Iorque, do Japão a seguir ao tsunami e ainda retratos do quotidiano de diferentes lugares do mundo, que podem mostrar quão diferente pode ser cada lugar… ou tão igual, com crianças a brincar. Há, todavia, algumas imagens que podem enganar quem vive neste lado do mundo – pode parecer que uma criança que dá a mão a familiares está a fugir de uma tragédia quando, na verdade, é só um menino muito aborrecido numa festa (…).
Com curadoria da italiana Biba Giaccheti, que trabalha com o fotógrafo há vinte anos, sendo produtora de várias dos seus trabalhos, esta mostra terá, no Porto, uma configuração diferente dos outros lugares por onde já passou, nomeadamente Itália (onde teve mais de um milhão de visitantes no espaço de um ano) e Bruxelas. Em todas as paragens, a exposição é desenhada de acordo com a sala, mantendo o mesmo princípio: uma viagem intimista ao universo do fotógrafo que publicou mais de 30 livros de fotografia, com fotografias que convidam o visitante a criar o seu percurso de acordo com as suas emoções.
«O princípio é que toda a gente deva estar livre para caminhar dentro da exposição da maneira que quiser, não há uma tour específica. Por isso fizemos esta espécie de labirinto dentro do qual há duas exposições a decorrer», explicou Biba Giachetti, durante a montagem da mostra. As imagens vão estar colocadas em estruturas suspensas, de costas uma para as outras, de maneira que uma imagem enternecedora pode ter por trás dela uma imagem perturbadora.
Há ainda uma pequena secção dedicada à primeira reportagem de McCurry no Afeganistão, com uma coleção a preto e branco.
Mesmo assim, há uma organização formal mínima, com uma espécie de praça central a agregar o percurso – aí, encontram-se cinquenta das mais famosas fotografias de Steve McCurry, aquelas que deram capas de revista ou de livros, sendo possível utilizar um audioguia para escutar o autor falar de cada uma delas, no original inglês ou na tradução em português.
Em redor, pode-se circular por coleções de fotografias, uma delas mais dedicada a retratos, outra a fotos de guerras e desastres, outras de paisagens e espiritualidade (que inclui as séries sobre monges e templos budistas) ou ainda de retratos que evocam realidades sociais específicas, como a condição feminina e o drama doa refugiados.

Há ainda uma pequena secção dedicada à primeira reportagem de McCurry no Afeganistão, com uma coleção a preto e branco e ainda um vídeo, para ver numa zona mais confinada. O autor recebeu vários prémios de fotografia, incluindo a Medalha de Ouro Robert Capa, o «National Press Photographers Award» e quatro primeiros prémios no concurso «World Press Photo»”.

 

Não resistimos e fomos ver.

 

A não perder, mesmo. Até porque faltam já poucos dias.

 

Deixamos à vossa visualização, entre outras, as fotos/icons que achamos mais emblemáticas deste fotojornalista americano – Steve McCurry, e que constam do catálogo da exposição.

01.- Menina Afegã, Sharbat Gula, Peshwar, Pakistan, 1984

Claro está, exibe-se, em primeiro lugar, aquela que é provavelmente a fotografia mais famosa de McCurry – a da Menina Afegã, de olhos verdes - Sharbat Gula, que foi capa da revista «National Geographic», em junho de 1985.

 

Diz o autor, a propósito desta rapariga afegã, foto tirada em 1984: “Soube que seria um retrato importante. Vi-o na profundidade dos seus olhos. Eram olhos que traduziam a tristeza do povo afegão, as condições penosas a que estavam submetidos nestes campos de refugiados. Tive apenas uns breves segundos. Depois de um minuto ou dois fugiu a correr e desapareceu. Foi assim que tirei provavelmente a mais importante fotografia da minha vida”.

Passados 18 anos sobre a foto da Menina Afegã, Steve McCurry (em 2002) decide ir procurá-la. E encontrou-a.

 

Na edição de abril de 2002, da «National Geographic», Steve conta toda a sua história. Sharba Gula – a Menina Afegã – vivia numa aldeia e tinha três filhas. Teve ainda uma quarta filha, mas morreu ainda bébé.

 

Estas duas fotografias da Menina Afegã são as mais conhecidas de Sharba Gula, tiradas por Steve McCurry.

02.- A Menina Afegã - 1985 e 2002

Este membro da tribo Kochi, de Srinagar, Kashmir, é o rosto da capa do catálogo da exposição.

03.- Membro da tribo Kochi, Srinagar, Kashmir, 1995

Quanto à sua barba, diz Steve, em conversa com Biba Giacchetti, curadora da exposição: “É comum os homens mais velhos tingirem as suas barbas com henna – o que as torna laranja”. Esta foto foi tirada em 1995.

 

A Guerra do Golfo não escapou a Steve McCurry. E este não ficou imune ao desastre ambiental, dos céus queimados por fogueiras de petróleo, enquanto os animais, os camelos, desesperados, procuram alguma coisa para comer, alguma coisa para beber.

04.- 605772

É uma das imagens preferidas de Steve, tirada no Rajastão, Índia, durante a estação das monções, em 1983. Apesar do primeiro instinto de Steve tenha sido proteger a câmara por causa das poeiras, percebeu que captar aquele grupo de mulheres era um momento que não se iria repetir.

05.- Rajasthan, India, 1983

Trata-se de uma fotografia clandestina, captada numa rua de Kabul, Afghanistan, tirada em 1992. O contraste do cenário e das mulheres afegãs não passou despercebido ao fotógrafo americano.

06.- Kabul, Afghanistan, 1992

 Herat, Afeganistão, 1992. Um bairro bombardeado 12 anos consecutivos pelas forças aéreas afegã e soviética. Aquela família, aquela fogueira, naquele cenário de destruição, foram como um sinal de que a reconstrução era possível.

07.- Herat, Afghanistan, 1992

Huan Province, China, 2004. Esta cena de jovens budistas foi tirada num mosteiro Shaolin. É um exercício do Oriente. Estes moços têm capacidades atléticas e acrobáticas incríveis.. Steve McCurry passou vários dias num mosteiro chinês e captou os exercícios dos jovens que conseguem caminhar nas paredes.

 

Diz Steve McCurry: “Fiquei fascinado com a leveza da sua performance, não me surpreenderia vê-lo num fime, na senda de Jackie Chan ou Bruce Lee!”

08.- Hunan Province, China, 2004

Diz Biba, no catálogo da exposição: “Esta fotografia tornou-se um fenómeno mundial logo após a sua publicação. Esteve na capa do «The Unguarded Moment» e é amada por colecionadores de todo o mundo”. Responde-lhe Steve: “Estive muito tempo neste sítio para capturar este momento preciso (…) Achei o ângulo visualmente interessante e esperei durante horas até que a pessoa certa me preenchesse o enquadramento. A corrida enérgica desta criança durou apenas uma fração de segundo. Tirei a foto e soube logo naquele momento que era por isso que tinha esperado”.

09.- Jodhpur, India, 2007

Esta mulher foi fotografada no Mali, perto de Timbuktu. É uma Tuareg, uma nómada. Trata-se de uma tribo peculiar, diz Steve, na medida em que as mulheres usam a face descoberta e os homens andam tapados, para se protegerem dos espíritos. Um caso único. São os célebres homens e mulheres azuis. Usam corantes naturais nos seus turbantes que são depois absorvidos pela pele dando reflexos azulados às faces, diz Steve.

10.- Mulher tuareg, nómada, Gao, Mali,1996

Esta imagem, de Weligma, Sri Lanka, foi tirada em 1995. Foi mostrada por todo o mundo e tornou estes pescadores famosos.

11.- Weligama, Sri Lanka, 1995

Sobre esta foto, tirada em Porbandar, India, em 1983, conta-nos Steve McCurry: “É uma história muito bonita e divertida. Estava em Porbandar, durante as monções, uma pequena vila indiana cidade-natal de Mahatma Ghandi. O rio transbordava e estava tudo alagado. Fotografei durante dias com água pelo peito. A situação era deveras dramática mas os indianos têm uma atitude incrível perante a vida. Reagem com ironia e raramente perdem a fé.

Este pobre alfaiate salvou o seu único bem: uma velha e ferrugenta máquina de coser. Alguém o avisou de que eu o estava a fotografar e, então, ele sorriu. Quando a foto apareceu na «National Geographic», surgiu a oportunidade de reencontrar o homem e oferecer-lhe uma máquina de coser novinha em folha. Foi, para mim, um enorme privilégio”.

12.- Porbandar, India, 1983

Como privilégio foi para nós apreciarmos a obra desta fotojornalista!

 

E, com muito gosto, em reportagem vídeo, aqui deixamos o nosso «olhar» sobre esta exposição.

 

A menina que dá cara ao vídeo chama-se Shakti. Diz Steve, que tirou a foto em Rajasthan, India, em 2009, e que Shaktirevela claramente o orgulho na independência que sentem os nómadas”.

 

ALFÂNDEGA DO PORTO – UM OLHAR SOBRE A EXPOSIÇÃO DO FOTOJORNALISTA STEVE McCURRY

 

 

nona


publicado por andanhos às 16:52
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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

Reino Maravilhoso - Douro:- Eis o altar (Barqueiros)

 

 

REINO MARAVILHOSO - DOURO

 

EIS O ALTAR (BARQUEIROS)

 


É bem certo que Natal é (deve ser) todos os dias.

 

Mas nada impede que, nesta ocasião, se celebre. Questões históricas e de natureza cultural assim o ditaram.

E, cada um a seu jeito, vai na “onda”.

 

A nossa – e ainda dizem que a idade não conta! – vai na das recordações e memórias. Vêm mais insistentemente as lembranças: dos que partiram e fizeram parte das nossas vidas; dos que ainda cá andam, mas, cujas vidas, se encarregou de os moldar de tal forma que, às vezes, até temos dificuldade em nos reconhecer, desde quando éramos crianças…

 

E, a propósito de crianças, recorrentemente vem-nos à mente o torrão onde nascemos.

 

Sim, é certo que amamos a terra que há mais de 50 anos nos acolheu. Mas, de paixão, o Douro, o “nosso” Douro não nos larga. Ali nascemos; ali passámos a nossa meninice; ali se quedaram a maioria dos nossos familiares e amigos de infância; ali tivemos o nosso primeiro amor; ali aprendemos a amar; e a sentir a dor da despedida…

 

Já há um bom par de anos que lemos a obra de um grande sociólogo italiano – Alberto Alberoni - «Enamoramento e Amor». Embora o livro se reporte às relações humanas, nada impede que transportemos o seu conteúdo para outros ambientes e contextos: o da relação do Homem com o seu “terrunho”.

 

Na verdade, é bem certo que amamos, no nosso Reino Maravilhoso do Alto Tâmega e Barroso, a cidade de Chaves, onde, no final de contas, acabámos por fazer vida. Mas, de paixão, de enamoramento, é o “nosso” Douro que nos transporta para outros mundos, nunca aqui vividos e onde, recorrentemente vamos carregar baterias para prosseguir nas sendas do caminho da vida. É como a terra e a nossa pele fossem feitas do mesmo material!...


E pronto, aqui fica, por hoje o nosso desabafo, suscitado pelo poema que abaixo transcrevemos e que explicitamente se refere a Barqueiros, do nosso concelho de nascença – Mesão-Frio – e onde o Alto Douro Vinhateiro, hoje Património da Humanidade, começa.

 

Aqui fica também a foto ali tirada e a promessa de que um dia ainda havemos de aqui postar o 1º marco de Feitoria que delimitou o início do reino do nosso país vinhateiro – o do Vinho Generoso ou Fino – que, do Porto, saiu para as quatro partidas do mundo, principalmente para a nossa “querida aliada”, a Inglaterra.

 

E quanto suor e lágrimas os durienses verteram ao construírem este maravilhoso jardim suspenso!

 

E quão poucos retiram os devidos proventos deste precioso néctar!

 

2017.- Pelo Douro no outono II (119)

 

EIS O ALTAR

 

- “Barqueiros à vista” – grita o Arrais.
homogéneas margens
interrompem ruídos, e,
silêncios escutam
repetidas orações
gravadas na pedra,
os olhares curvam-se
e a Senhora da Guia sorri,
a voz serena reflecte-se
no ondular
de onde vem a mensagem:
Eis a Ara – Alto Douro é o templo
a eucaristia vai começar
Oremos.

óleo eis o altar

[Poema de j. braga-amaral
Óleo, manipulado pelo autor,
de odete marítia, da obra
na pele do rio – óleos sobre poesia]


publicado por andanhos às 19:33
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Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Versejando com imagem - A João de Araújo Correia

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

A JOÃO DE ARAÚJO CORREIA

 

2017.- Régua (Julho) (4)

Neste chão, feito barco,
Aqui sentado,
Nas ondas destes vinhedos,
Sonhavas, descansado.

 

Aqui,
Diante desta paisagem,
Vieste buscar inspiração.
E, neste mar calmo,de mansidão,
Encontraste os fios do tecido
Com que cerziste, entertecido,

A alma das gentes durienses.

2017.- Régua (Julho) (9)


publicado por andanhos às 18:30
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