Segunda-feira, 26 de Junho de 2017

Ao Acaso... Padre Manuel da Nóbrega

 

 

AO ACASO...

2016 - Sanfins do Douro - Padre António da Nóbrega 00

 

PADRE MANUEL DA NÓBREGA

O MISSIONÁRIO E UM DOS CONSTRUTORES DO BRASIL


Nas nossas frequentes deambulações pelo Douro que nos viu nascer, ao acaso, num dia parámos em Sanfins do Douro.

Eram horas de almoço.

 

E escolhemos o restaurante integrado no edifício dos Bombeiros Voluntários da localidade.

 

Mas não é sobre bombeiros, os quais, por má sorte ou dita, andam tanto nas bocas de todo o mundo; nem tão pouco sobre as belezas desta linda terra e das suas gentes, que hoje vamos falar.

 

Vamos falar simplesmente de uma pessoa que, diz-se, ser natural daqui - já lá vão muitos anos! -, e da sua importância para a construção do Brasil e na luta pelos Direitos Humanos, em especial a dos povos índios.

2016 - Sanfins do Douro - Padre António da Nóbrega 01

Deixemos os episódios sobre o seu sonho quanto a ser lente, mas preterido por outros, ou por influências mais poderosas, ou pela sua gaguez, que não ficava bem num catedrático, particularmente da recém-criada Universidade de Coimbra.

 

Podemos ler tudo em - Manuel da Nóbrega.

2016 - Sanfins do Douro - Padre António da Nóbrega 03

Debrucemo-nos apenas no gago, tornado exímio pregador; no jesuíta construtor de cidades brasileiras, em especial a de S. Paulo, uma das maiores do mundo e a maior da América Latina, que levou o nome do colégio que criou, no dia de São Paulo, deixando para trás o nome do rio que lhe estava próximo - Piratininga.

 

E falemos, essencialmente, num dos primeiros lutadores pelos Direitos Humanos, como dissemos, em especial dos direitos dos povos índios.

 

Vale a pena, desta feita, em tempo de férias, em período de descanso, e sem o frenesim do dia-a-dia que é hoje as nossas vidas, pararmos um pouco e, através do visionamento destes dois vídeos - duas perspetivas não de todo diferentes - a de um português e de dois brasileiros, vermos e informarmo-nos sobre a ação deste jesuíta, em plena época da Contra-Reforma, a forma como lutou por um Mundo melhor e mais livre.

 

A Alma e a Gente - Quem foi o Padre Manuel da Nóbrega

 

Padre Manuel da Nóbrega - História

 

Padre António da Nóbrega, cujo berço é apenas reivindicado pelas gentes de Sanfins do Douro, concelho de Alijó, nasceu a 16 de outubro de 1517 e faleceu, no rio de Janeiro, a 18 de outubro de 1570.

2016 - Sanfins do Douro - Padre António da Nóbrega 02


E não nos podemos despedir nesta crónica despretensiosa sem que abordemos aos nossos leitores todo o papel e toda ação que os Jesuítas tiveram pelas terras de Vera Cruz e na América do Sul.

 

Por isso, recomendamos vivamente, mesmo para aqueles que já viram o filme, reverem «A Missão», tão bem acompanhado pela banda sonora de Ennio Morricone.

 

E lembrar a especial vocação dos «parilheiros» ou «machos», tal como são apelidadas as gentes de Sanfins do Douro, como diz o falecido José Hermano Saraiva na peça que acima exibimos. E na especial propensão destas gentes para dar alcunha às pessoas.

 

Para terminar, uma especial homenagem a um homem nato nesta terra que, sendo embora nosso professor de inglês, foi o melhor professor de História que tivemos!

 

Em boa hora os seus muitos alunos o alcunharam de «O Teacher».


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publicado por andanhos às 16:59
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2017

GRANDE GUERRA (1914-1918) - ENQUADRAMENTO INTERNACIONAL - SESSÃO PÚBLICA DE LANÇAMENTO DA OBBRA

 

GRANDE GUERRA (1914-1918)

ENQUADRAMENTO INTERNACIONAL

 

- SESSÃO PUBLICA DE APRESENTAÇÃO DA OBRA -

 

PALAVRAS FINAIS DO AUTOR

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Em primeiro lugar, um muito obrigado pela vossa presença, que muito me honra.


É, por todos sabido, que a minha área de interesse, quanto à investigação, não é a História, muito menos a História Militar, embora seja um curioso da mesma.


Razão pela qual, quando, nos inícios de 2014, me foi feito um repto, pela Presidente do Grupo Cultural Aquae Flaviae, Dra. Isabel Viçoso, para elaborar umas escassas 50 ou 100 páginas sobre os Heróis de Chaves na Grande Guerra, tudo fiz para me esquivar a tal “empresa”.


Mas a insistência da Dra. Isabel Viçoso foi tal que, sendo membro do Grupo Cultural Aquae Flaviae, senti, então, por imperativo ético, ser meu dever contribuir, de uma forma mais efetiva, para a atividade do Grupo.


Durante alguns meses, outra coisa não fiz que, partindo de uma lista de obras que a Dra. Isabel Viçoso me facultou, ler o mais que pude sobre a Grande Guerra.


Literatura sobre os militares de Chaves e do Alto Tâmega e Barroso é que era manifestamente escassa.


Da leitura daquela lista de obras, surgiu a necessidade de alargar mais a perspetiva.


Não sendo, repito, especialista em História e, muito menos, em História Militar, contudo, cedo me foi apercebendo que a Grande Guerra teria de ser tratada à luz de um novo paradigma, que não o tradicional, e no qual outras áreas do saber estivessem presentes.


Isto, por um lado; por outro, entendi, à luz desse novo paradigma, não falar dos Heróis de Chaves, outrossim, dos nossos bravos militares que, do Alto Tâmega e Barroso e do RI 19, partiram para os diferentes campos de batalha da Grande Guerra, em especial na Europa, Flandres.

 

***

 

Para a realização deste intento, era necessário a participação de outros intervenientes para que esta “empresa”, que me foi “encomendada”, cumprisse, com sucesso, o seu objetivo.


Foi, neste sentido, que, em boa hora, acompanhado do meu amigo Fernando DC Ribeiro, recorri ao Comandante do RI 19.


Do Comando do RI 19 tive toda a disponibilidade para me ajudar, trabalhar comigo e abrir-me as portas necessárias no Arquivo Histórico Militar, em Lisboa, a fim de obter todas as Fichas do Corpo Expedicionário Português (CEP), dos militares do Alto Tâmega e Barroso, que partiram com e para as diferentes unidades militares para a França, Flandres.


Se a Revista nº 50 do Grupo Cultural Aquae Flaviae reflete a minha perspetiva (e dos diferentes autores a que recorri) sobre o Portugal da I República e toda a problemática da nossa beligerância, quer no Sul de Angola, quer no Norte de Moçambique, quer ainda, e principalmente, na Flandres, já os 7 Cadernos Anexos àquela Revista nº 50 é totalmente obra do Comando do RI 19, que obteve autorização para a publicação das Fichas Individuais do CEP de todos os militares do Alto Tâmega e Barroso e dos dois sargentos-ajudantes do RI 19 que, sob coordenação, as trataram. O arranjo final dos 7 Cadernos Anexos têm apenas uma modesta contribuição minha, pois todo ele é da responsabilidade da Presidente da Direção do Grupo Cultural Aquae Flaviae, Dra. Isabel Viçoso.

 

***

 

Chegado aqui, há uma pergunta que fica no ar: por que surge esta publicação que, agora, fazemos a sua apresentação pública?


Na elaboração do guia inicial do texto que se me pedia, considerei não fazer sentido abordar a Grande Guerra apenas à luz da nossa História e da nossa saga nos diferentes campos em que os militares portugueses tiveram de intervir.


Havia, pois, que, necessariamente, fazer o seu adequado Enquadramento Internacional.


Só que, das 50 ou 100 páginas pedidas, a obra estendeu-se e atingiu a soma de, aproximadamente 1 000 páginas, não compaginável para uma Revista com as características do Grupo Cultural Aquae Flaviae.


Teve, desta forma, de ficar de fora o Enquadramento Internacional, com cerca de 300 páginas.


Todavia, a leitura da Revista nº 50 do Grupo Cultural Aquae Flaviae, na minha modesta opinião, só tem sentido e se completa com este presente volume.


Em boa hora, a Gráfica Sinal - cedendo-lhe os direitos de autor -, tomou a seu cargo a tarefa de editar o presente volume, que hoje vos apresentamos.


Fica, aqui, pois, uma palavra de agradecimento e gratidão para com os senhores Manuel Ferreira e Nelso Sousa, sócios-gerentes da Gráfica Sinal, pelo arrojo em assumirem a tarefa de editarem esta modesta obra.

 

***

 

Tudo na vida é carregado de símbolos.


Se, aquando do texto para a Revista nº 50 do Grupo Cultural Aquae Flaviae, fiz questão de o depositar nas mãos da senhora Presidente do Grupo Cultural Aquae Flaviae precisamente no dia 31 de janeiro de 2015 - 100 anos depois do 3º Batalhão do RI 19 ter partido de Chaves para o sul de Angola, era minha intenção que esta obra fosse lançada também precisamente no dia em que a Alemanha declarou guerra a Portugal, por via do aprisionamento português dos barcos alemães e austríacos aportados nos portos portugueses, ou seja, 9 de março de 1916, 100 anos passados.


Todavia, tal apresentação não foi possível por, nessa altura, me encontrar hospitalizado.


Teve de a apresentação ser adiada e de se encontrar outra data.


E nada melhor do que o dia de hoje, em que há 100 anos, a partir da meia-noite, o nosso 1º Batalhão do RI 19 marcha, a pé, do quartel de Chaves, até à estação de caminho-de-ferro de Vidago, em direção a Lisboa e, depois, de navio para Calais e de comboio, outra vez, durante alguns dias, para a zona de operações do CEP, e distribuídos pelas diferentes unidades militares que já se encontravam em combate na Frente, na Flandres.

 

***

 

Da obra em si, já o meu querido amigo e colega, Dr. Alfredo Faustino, teve ocasião de refletir sobre as suas “virtudes”, obviamente exageradas, uma vez que não me reconheço merecedor de tais elogios.


Do seu conteúdo não vos vou falar. Esse fica para vossa leitura e análise crítica.


Uma certeza, contudo, tenho: nada na vida é definitivo; o que fiz é apenas um pequeníssimo contributo para o conhecimento de um fenómeno que tanto marcou não só a Europa daquele tempo - e não só - como moldou todo o Mundo que hoje conhecemos.


Não queria, todavia, acabar esta minha intervenção sem enfatizar o que julgo ser a grande valia e desiderato dos estudos de História - conhecer melhor o passado para preparar melhor o porvir.


E aqui estou com o nosso grande ensaísta Eduardo Lourenço, que hoje faz 94 anos, quando afirma que “perder a memória do passado é para o presente falhar o futuro”.


Como educador, que sempre me assumi, para finalizar, deixo-vos aqui as palavras que, em 2015, escrevia no Prefácio à obra que agora têm em mãos. Reza assim:


Quando nos debruçamos um pouco, e refletimos, sobre a Grande Guerra - o acontecimento mais marcante à entrada do século XX - vemo-la como um enorme terramoto, que abalou e transfigurou, de uma forma profunda e determinante, a Europa, continente dominante e hegemónico em todos os setores da atividade humana - social, cultural, científico, técnico, económico e financeiro.


Era uma Europa aristocrática, arrogante, imperialista, ciosa do seu poder, orgulhosa do Progresso, que julgava sempre incessante e ilimitado, e que dominaria tudo quanto à face da terra existisse.


À superfície, na placidez desse mundo, fervilhava uma sociedade que, cuidando de viver no melhor dos mundos, gozava a sua Belle Époque.


Tudo isto simplesmente se passava à superfície.


As principais «placas» em que aquele mundo assentava (império inglês, alemão, francês, austro húngaro e russo, e o moribundo otomano) começavam a movimentar-se. E seus movimentos pressagiavam um fin de siècle em que tudo poderia deixar de ser como dantes.


A era da Razão e do Progresso, científico e tecnológico, sem limites, iria dar lugar à ubris, à loucura e catástrofe.


Bastava agora apenas um simples movimento em qualquer ponto mais sensível de uma das «placas» para tudo começar a desmoronar-se.


E, inopinadamente, num remansoso verão em que as classes possidentes e dirigentes vão de férias, a banhos, um outro banho, de sangue, começa a acontecer!


Sarajevo foi o epicentro desse enorme terramoto que, em longas e profundas ondas de choque, se alastrou por toda a Europa e pelas áreas desse mundo por ela dominado.


Uma Europa ébria, incontida, cega às consequências das sucessivas decisões que se iam tomando, lançando, em massa, toda uma geração de uma juventude promissora, na fornalha de aço que a metralha, que veio com o Progresso, gerou.


Era o princípio do fim de uma civilização a quem faltou o bom senso e a lucidez para pugnar pela construção de uma sociedade outra, numa convivência pacífica de povos”. Fim de citação.

 

***

 

O Mundo e a Europa em que hoje vivemos foi moldado pela Grande Guerra (I e II Guerras Mundiais).


Cremos que as palavras por nós escritas há dois anos têm pleno cabimento nos tempos por que passamos, exigindo de todos nós, numa sociedade tão outra que criámos, com novos, mas com os mesmos velhos problemas, melhores mecanismos de controlo, muita mais clarividência e lucidez, não só para evitar as calamidades, que por várias áreas do Planeta proliferam, como para vivermos numa sociedade sem hegemonias e na aceitação igual e plena das diversas diferenças. Aceitação do outro, que embora diferente, é e tem os mesmos direitos e a mesma dignidade de todos nós.


Só assim é que o sacrifício e as vidas perdidas dos nossos antanhos, há 100 anos, terão algum sentido e valido a pena.


Reitero, uma vez mais, um muito obrigado a todos pela vossa presença e pelo carinho da vossa companhia nesta hora.

 

Disse.

 

REPORTAGEM DA SINAL TV

 

 


publicado por andanhos às 20:20
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Sábado, 29 de Abril de 2017

Por terras da Ibéria: Caminho de São Salvador - Mieres del Camino-Oviedo

 

 

DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANTA OVETENSIS

 

CAMINHO DE SÃO SALVADOR

 

8ª e última etapa:- Mieres del Camino (La Peña) - Oviedo

 

05.maio.2017

01.- Camino del Salvador-8ª etapa (452)

Introdução


Na nossa rubrica «Versejando com imagem», de 14 de maio de 2016, falávamos de Oviedo e da sua La Regenta.


Neste nosso último post sobre a reportagem do Caminho de São Salvador, não resistimos a coloca-la como figura de proa, de Oviedo, a escultura colocada defronte da Praça D. Afonso II, o Casto, com o seu rosto triste, sombrio, olhando, de soslaio, para a Catedral.


É com esta personagem e a sua história, magistralmente contada pelo escritor Leopoldo Alas «Clarin» que, nesta 8ª e última etapa, nos despedimos do Caminho de São Salvador e da cidade de Oviedo, objetivo último que nos propusemos a alcançar quando, partimos de León, província de Castela, percorrendo a Cordilheira Central Cantábrica, faz exatamente hoje um ano - 28 de abril de 2016.


Vamos, assim, hoje, deixar este Caminho.


No próximo dia 4 de maio, depois de prestarmos uma homenagem singela a uma Estrelinha que brilha no céu, sairemos a pé de nossa casa, percorrendo o Caminho Português Interior de Santiago.


Para quem está na cidade de Chaves, apenas cerca de meia etapa fazemos em território português. É que, ao chegarmos a Verin, a «rota» a seguir deste Caminho Português Interior de Santiago é a do Caminho Sanabrês, ou seja, a do Caminho da Via da Prata, para quem quer atravessar a Sanábria.


Em 2007, fizemos o Caminho Sanabrês, começando em Laza. Chegados a Verin, vamos seguir a variante que vai por Xinzo de Limia. Mas, mais pormenores, ficarão para a reportagem que faremos do Caminho Português Interior de Santiago que, como dissemos, no próximo dia 4 de maio, vamos iniciar.
Agora, vamos ao sucinto relato desta nossa 8ª e última etapa do Caminho de São Salvador.

 

1.- La Peña - El Padrún


Reproduzamos o que, a 5 de maio de 2016, dizíamos nas nossas «notas»/memórias do Caminho:
O albergue de La Peña ficou por conta de dois portugueses e de um checo, que diz que faz o Caminho só bebendo água, mas que, uma vez por outra, lá o vemos a comer fruta. E, sabe-se lá, se algo mais... Diz Florens que o «nosso» checo Buthan parece ser um semi-peregrino e um semi-turista. É que, levantando-se tão tarde, achamos que não faça o Caminho todo a pé! Who knows? Saímos os dois como sempre, entre as sete e as oito menos um quarto para darmos início à nossa jornada de hoje. Tomámos o pequeno-almoço no hotel onde ontem à noite petiscamos qualquer coisa e, de imediato, começámos a nossa «reta» final”.


Reta essa que não foi tão reta como isso: foi um caminhar constante pelo asfalto, numa estrada sem fim (As-242), sempre a subir,

02.- Camino del Salvador-8ª etapa (16)

 
passando por La Rebollá/La Rebollada, aos pés do pico Gua, pela Igreja de Santa Maria Madalena,

03.- Camino del Salvador-8ª etapa (13)


de fundação românica, mas demolida em 1921, e que guarda uma bonita imagem de São Lázaro.

04.- Camino del Salvador-8ª etapa (17)
(Um aspeto de La Rebollá/La Rebollada)


No cimo de La Rebollá/La Rebollada, e lá ao fundo, Mieres del Camino.

05.- Camino del Salvador-8ª etapa (34)


O Caminho continua a subir,

06.- Camino del Salvador-8ª etapa (52)


Entretanto, à nossa esquerda, a bacia mineira do rio Caudal, com a Central térmica La Peredo e o poço de San Nicolás.

07.- Camino del Salvador-8ª etapa (56)
(Um aspeto)

08.- Camino del Salvador-8ª etapa (65)
(Outro aspeto)


Seguem-se depois os bairros ou aldeias de La Rebollá/La Rebollada, como Repitaneo, El Rollu/Rollo, Copián (que teve uma albergaria), Santa Lucía e Aguilar.

09.- Camino del Salvador-8ª etapa (77)


Até que chegámos a El Padrún.

10.- Camino del Salvador-8ª etapa (86)

 

2.- El Padrún - Olloniego


Em El Padrún, fizemos um desvio à direita, em direção a Casares, observando a paisagem circundante,

11.- Camino del Salvador-8ª etapa (115)


e, aqui, descendo,

12.- Camino del Salvador-8ª etapa (124)


voltámos à AS-242 para, logo de seguida, entrarmos em Olloniego, deparando-nos com a sua estação de caminho-de-ferro, pormenores do seu casario,

13.- Camino del Salvador-8ª etapa (134)

 
e com a fonte barroca de Los Llocos.

14.- Camino del Salvador-8ª etapa (144)


Depois de passarmos por debaixo da A-66, voltámos a entrar na AS-242 para acedermos ao centro de Olloniego.


Olloniego encontra-se dividida a meio pelas vias de comunicação (estrada, autoestrada e caminho-de-ferro) e nela podemos encontrar, praticamente, todos os serviços que um peregrino necessita.


Terra de mineiros, não podia faltar o monumento àqueles que já morreram, mas que não deixam de perdurar na memória dos vivos.

15.- Camino del Salvador-8ª etapa (173)


Parámos num dos cafés para o reforço do nosso pequeno-almoço.


No centro, a sua Igreja Matriz.

16.- Camino del Salvador-8ª etapa (176)


Saímos,

17.- Camino del Salvador-8ª etapa (184)


observando o seu casario típico, onde pinturas, nele apostas, refletem o folclore asturiano.

18.- Camino del Salvador-8ª etapa (163)


Até que fomos ao encontro do Conjunto Histórico de Olloniego.


O conjunto é constituído pela capela,

19.- Camino del Salvador-8ª etapa (190)


pelas ruinas de um Palácio de Quirós e a Torre Muñíz

20.- Camino del Salvador-8ª etapa (212)


e, ainda, pela ruínas de uma ponte.

21.- Camino del Salvador-8ª etapa (214)


Este complexo de edificações é de origem medieval, reunindo uma obra religiosa, outra civil e uma obra de engenharia, ligadas a um caminho e a um manancial natural.


A ponte medieval foi destruída no século XVII. Na altura contava com 5 arcos, de diferentes alturas. Foi outrora um antigo caminho para a Meseta. Atualmente apenas vemos 3 arcos, sendo o do centro o mais alto. Foi, possivelmente, construída no século XV para ultrapassar o rio Nalón, o maior rio das Astúrias. Em 1676, devido a uma grande cheia, o leito do rio desviou e, por isso, deixou de, por ela, passar o rio.


Este conjunto de ruínas, em 1991, foi declarado Conjunto Monumento Histórico.

 

3.- Olloniego - Picullanza


Depois de passarmos pela Ponte, pela Torre Muñiz e Palácio de Quirós, deixámos Olloniego, e, ainda pela AS-242, com prados à nossa volta,

22.- Camino del Salvador-8ª etapa (220)


atravessámos o rio Nalón,

23.- Camino del Salvador-8ª etapa (231)


pela ponte por onde passa a Estrada de Castela, no final da qual se localiza o edifício que servia de portagem - a Real Portazgo -, sempre presente nas grandes vias de comunicação.

24.- Camino del Salvador-8ª etapa (241)


À saída da ponte sobre o rio Nalón, virámos à direita para, por uma vereda íngreme,

25.- Camino del Salvador-8ª etapa (242)


nos dirigirmos para Picullanza.


No começo desta vereda, aparece-nos um leguário, que nos indica a distância a que estamos de Oviedo: uma légua e meia.

26.- Camino del Salvador-8ª etapa (236)


No século XVI, a légua castelhana correspondia, sensivelmente, a 20 000 pés, ou seja, 5, 572 Km.


Para chegarmos a Picullanza, penetrámos na montanha, e, sempre a subir, alcançámos uma antiga calçada,

27.- Camino del Salvador-8ª etapa (261)


por entre campos verdejantes

28.- Camino del Salvador-8ª etapa (256)


e com este lindo panorama ao longe.

29.- Camino del Salvador-8ª etapa (277)


O espigueiro asturiano está sempre presente na paisagem.

30.- Camino del Salvador-8ª etapa (278)


Chegados a Picullanza, eis a paisagem próxima à nossa volta.

31.- Camino del Salvador-8ª etapa (286)


À saída de Picullanza, concelho de Ribeira de Arriba, na descida, começámos a vislumbrar Oviedo com o seu casario, distinguindo-se nele o Palácio de Exposições e Congressos, obra de Santiago Calatrava.

32.- Camino del Salvador-8ª etapa (283)


4.- Picullanza - Manjoya


Continauando a descer, no final, passámos pela venta del Aire e San Miguel e pelos arroios de La Ceprosa e Morente, rodeados pela paisagem verdejante asturiana, em tempos de primavera,

33.- Camino del Salvador-8ª etapa (296)


não nos largando de vista o espigueiro asturiano dentro das aldeias,

34.- Camino del Salvador-8ª etapa (307)


e, nos campos, as medas de palha, feitas à nossa moda.

35.- Camino del Salvador-8ª etapa (315)


Ainda na descida, e até aos arroios de La Ceprosa e Morente, o Caminho não para de nos surpreender, com as suas árvores

36.- Camino del Salvador-8ª etapa (325)


e o seu verde.

37.- Camino del Salvador-8ª etapa (320)


No começa da subida, que agora tínhamos pela frente até ao início da sede de Manjoya, mais um espigueiro asturiano ao longo do Caminho,

38.- Camino del Salvador-8ª etapa (339)


enquanto íamos percorrendo os lugares de Caxigal, Los Prietos, Los Barreros e El Caserón, todos da paróquia de Manjoya.


Num desses lugares, numa pequena área de descanso, junto a esta fonte,

39.- Camino del Salvador-8ª etapa (361)


parámos.


Um «maior» aproximou-se de nós e, os três sentados, fomos conversando. O tema da conversa foi a vida, difícil, de labuta, do nosso «maior»: a sua luta e, agora, as suas mazelas. No meio da conversa, uma olhadela para o nosso entorno que, de perto e ao longe, nos rodeava.

40.- Camino del Salvador-8ª etapa (359)


E pusemo-nos a caminho até à sede da paróquia de Manjoya.


À nossa frente, e já muito mais próxima, uma panorâmica de Oviedo.

41.- Camino del Salvador-8ª etapa (375)


Até que, chegados perto das ruínas da ermida de Santiago,

42.- Camino del Salvador-8ª etapa (379)


deparámos com o pináculo da torre da Catedral de Oviedo.

43.- Camino del Salvador-8ª etapa (383)


Diz-nos o Eroski Consumer, citando Juan Uría, que Manjoya deriva de Monxoi (Monte do Gozo), como expressão de júbilo que os peregrinos, chegados aqui, experimentavam quando se encontram próximos do final da sua viagem.

 

5.- Manjoya - Oviedo


Junto à moderna Igreja de Santiago,

44.- Camino del Salvador-8ª etapa (385)


passámos debaixo da A-66 para acedermos ao bairro de São Lázaro.

45.- Camino del Salvador-8ª etapa (395)


Pela rua Malatería, junto ao pequeno parque de inverno, fomos ter à rua Gil Blas para, depois, nos dirigirmos à de Aurélio del Llano, confluindo na de Muñoz Degrain, até chegarmos ao monumento ao peregrino.


Antes de entrarmos no Centro Histórico de Oviedo, há que passar pela rua Campomanes e observar o monumento/escultura erguida a este homem asturiano, que foi político, jurisconsulto e economista espanhol.

46.- Camino del Salvador-8ª etapa (410)


Entrámos no Centro Histórico de Oviedo pela rua Magdalena, em dia de feira,

47.- Camino del Salvador-8ª etapa (416)
(Perspetiva I)

48.- Camino del Salvador-8ª etapa (418)

(Perspetiva II)

49.- Camino del Salvador-8ª etapa (419)

(Perspetiva III)

50.- Camino del Salvador-8ª etapa (420)

(Perspetiva IV)


O mesmo Juan Uría diz-nos que os peregrinos, antigamente, entravam em Oviedo “às vezes em tropel, trazendo candeias de cera e cebo, acompanhados pelos albergueiros”.


E nós

51.- Camino del Salvador-8ª etapa (435)


passámos pelo Arco do Ayuntamiento, praça Fontán,

52.- Camino del Salvador-8ª etapa (427)


onde se encontra a bonita escultura (à nossa esquerda, na imagem acima) da Bella Lola, para, finalmente, pela rua Cimadevilla e La Rua entrarmos na praça Afonso II, o Casto, presidida pela Santa Ovetensis, e onde nos espera a não menos bela La Regenta.

53.- Camino del Salvador-8ª etapa (445)


Chegámos à praça Afonso II, o Casto, eram horas do almoço. No meio da etapa, tínhamos apenas comido uma peça de fruta. A fome, por isso, já apertava.


Numa das esplanadas de um restaurante situado na praça D. Afonso II, sentámo-nos para nos «deliciarmos» com as «iguarias» asturianas, onde não faltou o célebre queijo de Cabrales, tão apreciado pelo meu companheiro Florens, mas «pólvora» para a nossa dieta.


Pedimos aos simpáticos donos para nos guardarem as mochilas durante a tarde, enquanto visitávamos a Catedral de Oviedo, o Museu e a sua Câmara Santa.


Feito o percurso turístico cultural e religioso na Catedral, Museu e Câmara Santa, foi a hora de irmos, na Catedral, levantar a nossa Salvadorana, documento comprovativo de que fizemos o Caminho de São Salvador.


Decidimos ficar no albergue de peregrinos «El Salvador», de Oviedo e, durante o resto da tarde, descobrir, mais em pormenor, a cidade/capital das Astúrias.


Quando fizemos o Caminho Primitivo, partimos daqui desta cidade. Mas não tivemos grande tempo para uma visita mais demorada a esta cidade.


No albergue de peregrinos de Oviedo tivemos direito a um quarto só para os dois. Foi uma noite de sono repousante.


Quando, de manhã, nos levantámos para nos dirigirmos para a estação de caminho-de-ferro, que nos havia de levar de Oviedo a Ourense, o dia apresentava-se plúmbeo e chuvoso.


Gostaríamos, ainda antes de partir, de ir ver a Igreja pré-românica asturiana de Santa María del Naranco. Mas o tempo não convidava muito a esta deslocação para a visitarmos.


Ficou para outra oportunidade.


Tomámos o pequeno-almoço na cafetaria da estação de Oviedo e fomo-nos entretendo a ver o movimento, até que a hora da nossa partida chegasse.


Gostámos da viagem de comboio de Oviedo para León. A de León para Ourense já a tínhamos feito quando pretendemos iniciar o Caminho e ficámos em León para conhecer esta cidade castelhana.


Ao chegarmos a Ourense, esperámos um pouco até que o irmão mais velho do Florens chegasse de Chaves e nos devolvesse às terras tameganas de Aquae Flaviae, com o nosso objetivo atingido.


publicado por andanhos às 12:27
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Sexta-feira, 7 de Abril de 2017

Por terras da Ibéria:- Caminho de São Salvador - Pola de Lena-Mieres del Camino

 

DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANTA OVETENSIS

 

CAMINHO DE SÃO SALVADOR

001.- 7ª etapa CSS (323)

 

7ª etapa:- Pola de Lena - Mieres del Camino

 


Prólogo

 

Desde 22 de fevereiro que não entramos neste nosso blogue.


Às vezes faz-nos falta uma pequena pausa, estarmos um pouco afastados, de um modo especial das redes sociais, para não nos deixarmos viciar e, porque não dizê-lo, dar espaço mais à reflexão.


Na dita Galáxia de Gutenberg, costuma(va)-se dizer que uma imagem vale (ia) mais que mil palavras. Hoje, em plena Galáxia da Internet, a Era da Informação, da rede, propicia-nos estar praticamente em todos os cantos do mundo, ao toque de um simples clique, no mesmo instante em que escrevemos. É, positivamente, um novo paradigma e uma nova sociedade em que as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) nos moldam e, por sua vez, nós as moldamos.


Daí que refletir sobre o valor da imagem nos tempos que correm é uma tarefa importante e urgente. As imagens na rede «rolam» a uma velocidade estonteante. Provocam certamente, e momentaneamente, sensações e emoções. Mas será que serão duradouras? Será que suscitam a nossa reflexão? Das mil palavras eventualmente nela contidas, não resta espaço para qualquer reflexão. Tão depressa aparecem como tão depressa se esquecem! Será que contribuem para a construção de uma sociedade outra, de um outro Homem, mais ativo, consciente e responsável pelos problemas da sociedade em que vive? Ou tudo não passa de uma comédia (ou tragicomédia), num mundo onde reina a alienação, por via do virtual?


Se inevitavelmente não podemos fugir ao novo paradigma ou nova Galáxia que criámos, inevitavelmente também é forçoso refletir que sociedade queremos construir com os portentosos meios de comunicação que constantemente estamos a criar e a aperfeiçoar.


Fazer pausas, não nos deixarmos «ir na onda», distanciarmo-nos para melhor refletir, às vezes, é necessário.


Feito este pequeno prólogo, melhor apelidado de inquietação/reflexão, vamos ao que hoje aqui nos trouxe.

 

Introdução

 

A pouco mais de um mês de iniciarmos mais uma peregrinação rumo a Santiago de Compostela, não queríamos iniciar esta caminhada sem fazer a reportagem da que, no ano passado, fizemos pelos trilhos e veredas do Caminho de São Salvador.


Estamos a duas etapas da nossa chegada a Oviedo, término do nosso percurso. Esta, a sétima, é, portanto, a penúltima.


Vamos, então, pegando nas nossas memórias registadas no nosso moleskine, dar umas breves pinceladas sobre o itinerário desta etapa. Etapa de 15 Km e pico, aproximadamente, que, afinal de contas, não passou de um verdadeiro passeio fluvial.


Antes de partirmos de Pola de Lena, saídos do albergue, fomos tomar o pequeno-almoço ao Hotel via da Prata.


E aqui deixamos um pequeno aparte, constante das nossas notas/memórias deste dia. Rezam assim: “pensávamos que neste Caminho íamos emagrecer um pouco. Puro engano! O andar puxa o apetite e as comidas castelhanas e asturianas, grande parte delas à base de enchidos e queijos, muito «puxadas», não são propensas a favor da estética. Que saudades já temos das sopas lá de casa!


Quando nos dirigíamos para tomar o pequeno-almoço, demos com a presença da nossa companheira Justina na praça principal de Pola de Lena. A partir daqui nunca mais a vimos. Fez uma direta de Pola de Lena até Oviedo para, depois, continuar, pelo Caminho Primitivo, até Santiago de Compostela. Grande resistência a da miúda, vinda já de Madrid. Valente esimpática, esta jovem!


Tomado o pequeno-almoço, pusemo-nos a caminho.

 

1.- Pola de Lena - Villallana (Villayana)

 

Fomos, durante os dois primeiros quilómetros, acompanhados pelo rio Lena,

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caminhando ao lado de uma estrada asfaltada, praticamente sem nenhum trânsito, utilizada todos os dias pelos locais para fazerem as suas matinais caminhadas, apelidando-a, como tal, por «estrada do colesterol».

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Ao longo da mesma estrada, projeta-se o polígono industrial de Pola de Lena,

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tendo, à nossa esquerda, a margem do rio Lena, pejada de vegetação, em tempo primaveril, evocando-nos lugares bucólicos de outros tempos, e, do nosso lado direito, correndo paralela ao nosso Caminho, a Estrada AS-242,

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com o casario dependurado mais acima.

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O início do dia começou um pouco fresco, com neblina.


Em pouco tempo, estávamos na gasolineira.

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Nas suas traseiras, mais uma vez o rio Lena, com as suas águas límpidas, fugidias.

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Da gasolineira, uma vista parcial do casario de Villallana (Villayana).

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Não parámos no café da gasolineira. O pequeno-almoço, tomado no Hotel da via da Prata, ainda se impunha nos nossos estômagos. Continuámos caminho por entre o casario de Villallana (Villayana), destacando, na passagem, para além da sua igreja matriz, na Praça de Cristo, este típico espigueiro asturiano.

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Até que fomos ter à estrada asfaltada - a AS-242. Tínhamos percorrido 3,8 Km.

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2.- Villallana (Villayana) - Ujo (Uxo)

 

À saída de Villallana (Villayana), o traçado da As-242, sem praticamente berma nenhuma, é perigoso.

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Valeu a paisagem, ao longo das margens do rio Lena, verdejantes e com o seu casario.

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Percorrida a AS-242, o rio Lena junta-se ao rio Aller, dando origem ao rio Caudal, já muito próximo de Ujo (Uxo), pertencente à paróquia de Mieres del Camino.

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Tempo de pausa para o nosso companheiro tirar uma foto aos primeiros metros do recém-nascido rio Caudal.

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E, em Ujo (Uxo), começa verdadeiramente o nosso passeio fluvial.

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Esta etapa não nos indica qualquer desvio para o centro de Ujo (Uxo). Como hoje o nosso percurso era curto e fácil de percorrer, estando um dia lindo de sol, não resistimos e fomos dar uma espreitadela ao centro.


O que nos chamou mais a atenção foi a sua igreja românica, de Santa Eulália.

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A localização e posicionamento das suas respetivas fachadas não são as primitivas. As necessidades do progresso, nomeadamente a via-férrea que passa por estas bandas, obrigou a que a localização fosse ligeiramente alterada bem assim as respetivas fachadas.


Enquanto esperávamos para ver o seu interior,

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ao seu lado, um plantio de batatas.

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Parámos no adro, ou grande largo da Igreja, e, num café, agora sim, fizemos o reforço do nosso pequeno-almoço.

 

3.- Ujo (Uxo) - Mieres del Camino


Comidos, pusemo-nos novamente a caminho,

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indo ao encontro do nosso trajeto, um autêntico passeio fluvial,

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que nos levou, ao longo do rio Caudal

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até Mieres del Camino.


Deixamos aos leitores (as) pequenos recortes do nosso passeio fluvial, ora com o nosso companheiro Florens,

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ora com o Florens cruzando-se com os residentes do local, no seu passeio de fim manhã,

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ora, do outro lado do rio, de uma estação de caminho-de-ferro,

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bem assim, as instalações do Recinto Ferial de Meires,

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ou, ainda por fim, um dos aspetos da paisagem do rio Caudal.

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Saídos do passeio fluvial, atravessámos a A-66 por um túnel

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e por uma das vias do FEVE, através de um passadiço, observando a Estação.

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 Entrámos em Mieres del Camino por esta ponte/observatório.

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E daqui uma panorâmica sobre o casario ao redor de Mieres.

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Bonito, mesmo!

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E, finalmente, entrámos no Centro de Mieres del Camino, percorridos que estavam 14, 1 Km.

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E, atravessando Mieres del Camino, deixamos aqui aos leitores(as) uma vista do colégio local,

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um conjunto escultórico dedicado a Teodoro Cuesta,

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e, passando ao lado da Igreja Matriz,

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entrámos na Praça de São João, mais conhecida por do Requeixu.

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Nesta Sidraría, sentámo-nos na esplanada para almoçar.

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Enquanto aguardávamos pelo nosso repasto, nosso olhar se entretinha na observação do entorno da praça, que nos rodeava.

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(Pormenor I)

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(Pormenor II)

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(Pormenor III)


E, como não podíamos deixar passar, eis uma cena das «habilidades» de um dos empregados das sidrarías locais, servindo a sidra.

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Leiamos o relato do blogue O Viajante Comilão quanto a este ritual:
"A maneira de servir a sidra é bem peculiar:
1) Em uma das mãos, braço esticado acima da cabeça, fica a garrafa; na outra, fica o copo, o mais abaixo possível, normalmente com o braço colado ou à frente do corpo; possível, normalmente com o braço colado ou à frente do corpo;
2) Importante dizer que não se deve beber todo o conteúdo da garrafa – como a bebida normalmente não é 2) Importante dizer que não se deve beber todo o conteúdo da garrafa – como a bebida normalmente não é filtrada, no fundo da garrafa ficam depositados resíduos da bebida. Antes de abrir a garrafa, portanto, deve-se filtrada, no fundo da garrafa ficam depositados resíduos da bebida. Antes de abrir a garrafa, portanto, deve-se agitá-la brevemente, a fim de que os resíduos depositados no fundo da mesma misturem-se à bebida, o que agitá-la brevemente, a fim de que os resíduos depositados no fundo da mesma misturem-se à bebida, o que trará sabor à bebida; trará sabor à bebida;
3) Para servir a sidra, deve-se derramar o líquido da garrafa contra a lateral do copo, de forma que o contato 3) Para servir a sidra, deve-se derramar o líquido da garrafa contra a lateral do copo, de forma que o contato com o mesmo provoque a oxigenação (gaseificação) da bebida. Na Espanha, esta ação é chamada de com o mesmo provoque a oxigenação (gaseificação) da bebida. Na Espanha, esta ação é chamada de “escanciar”, “echar” ou “tirar”. Uma garrafa de sidra deve servir, normalmente, de quatro a seis doses; “escanciar”, “echar” ou “tirar”. Uma garrafa de sidra deve servir, normalmente, de quatro a seis doses;
4) É normal cair um pouco no chão – por isso normalmente a bebida é servida ao ar livre, e nos casos dos 4) É normal cair um pouco no chão – por isso normalmente a bebida é servida ao ar livre, e nos casos dos restaurantes/sidrerias é comum existir serragem no chão para absorver o que espirra, ou até mesmo um restaurantes/sidrerias é comum existir serragem no chão para absorver o que espirra, ou até mesmo um baldinho para evitar sujeira; baldinho para evitar sujeira;
5) Não se deve colocar mais do que 2 dedos de bebida no copo, a mesma deve ser consumida imediatamente, 5) Não se deve colocar mais do que 2 dedos de bebida no copo, a mesma deve ser consumida imediatamente, normalmente numa única golada; normalmente numa única golada;
6) Não se bebe todo o conteúdo do copo – deve-se deixar um restinho, que será jogado fora. Como é hábito 6) Não se bebe todo o conteúdo do copo – deve-se deixar um restinho, que será jogado fora. Como é hábito que numa sidreria várias pessoas partilhem o mesmo copo, o que sobra no copo normalmente esteve em que numa sidreria várias pessoas partilhem o mesmo copo, o que sobra no copo normalmente esteve em contato com a boca do último que bebeu. Joga-se fora e coloca-se uma nova dose para o próximo. Além do contato com a boca do último que bebeu. Joga-se fora e coloca-se uma nova dose para o próximo. Além do mais, a tradição asturiana diz que “deve-se devolver à terra um pouco daquilo que ela nos dá”;
7) Importante dizer que também não se deve beber todo o conteúdo da garrafa – os resíduos que sobrarem ao final não devem ser consumidos.
Quem tiver a chance de visitar a região das Astúrias, vale a pena conhecer uma sidreria".


Para quem deseje conhecer um pouco a história da sidra, aconselha-se a visita ao sítio da internet - https;//es.wikipedia.org./wiki/sidra.


Bem comidos e melhor bebidos, saímos desta típica Praça do Requeixu para completar o quilómetro e meio que nos separava do albergue onde iríamos pernoitar, situado nas redondezas de Mieres del Camino - em La Peña.


Ao longo deste 1,5Km, duas impressivas panorâmicas.

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(Casario)

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(Meio rural)


E entrámos em La Peña. Eram, aproximadamente, 3 horas da tarde.

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Ao chegarmos ao albergue, o nosso companheiro peregrino Buthan já estava à entrada da porta.

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Mas, infelizmente, o albergue só abre às 5 da tarde. Havia, pois, que esperar.


Pusemo-nos à vontade e, cada um a seu jeito, foi-se entretendo.


Florens pegou no nosso cajado e começou a trabalhar nele, acrescentando-lhe alguns pormenores «artísticos».

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Pela nossa parte, porque, mesmo ao lado ao albergue, se encontrava a igreja da localidade de La Peña,

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entrámos para lhe dar uma olhadela.

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Vinte minutos antes da 5 da tarde, a senhora Carmiña, que mora nas redondezas do albergue, vendo que já estávamos ali há já bastante tempo, tendo a chave do albergue, veio abri-lo para nós entrarmos.


Passado pouco tempo chega o albergueiro, de nome Paulino, pouco amante das caminhadas, mas apaixonado por um dedo de conversa. Passou connosco quase duas horas, ora falando de si, da sua vida e da sua terra. Tendo algumas responsabilidades na comunidade de La Peña, foi-nos mostrar, com orgulho, a Escola de Música. Tudo isto depois de tomarmos banho, lavado a roupa e posta e secar ao sol radiante daquela tarde.


antes de irmos jantar, ou melhor, de irmos comer um «bocadillos» com cerveja no hotel local, fomos ver o lavadouro El Batan.

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Aqui se limpa(va) o carvão, dado a zona ser essencialmente mineira. Tirámos fotos e observamos os viadutos das diferentes entradas que por aqui passam.

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E já que falamos em lavadouros, aqui fica o lavadouro público de La Peña.

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Ao nos dirigirmos para o hotel local para apaziguar o nosso apetite,

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eis três pormenores do que mais típico e peculiar da zona fomos encontrando pelo trajeto.

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(Pormenor I)

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(Pormenor II)

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(Pormenor III)


Enquanto comíamos, assistimos à primeira parte da partida de futebol entre o Real Madrid e o Manchester City (Champions). O Real Madrid ganhava, na 1ª parte, 1-0.


Ao intervalo saímos e fomos para o albergue. Pela internet, pelos vistos, o resultado deste jogo manteve-se até ao final.


Eram horas de dormir para, no dia a seguir, enfrentarmos a última etapa desta nossa aventura pelos trilhos e veredas do Caminho de São Salvador que, de Leon (Castela), nos levou até Oviedo (Astúrias).


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Domingo, 22 de Janeiro de 2017

Memórias de um andarilho - Caminhadas pela vias férreas abandonadas:- Linha do Sabor - 1ª etapa

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 000

1ª etapa:- Pocinho - Torre de Moncorvo

(2.abril.2012)


Introdução

 

A nossa primeira aventura, em termos de caminhadas pelas linhas de caminho-de-ferro portuguesas abandonadas ao tráfego ferroviário começou pela Linha do Tua.

 

Sabíamos que uma futura barragem poderia soterrar a parte mais emblemática da Linha, em alguns quilómetros e, então, em junho de 2009, com o nosso velho amigo Neca, e com o apoio logístico do nosso cunhado, decidimos fazê-la.

 

Todavia, apenas fizemos os troços: ascendente, do Tua - Abreiro e, no dia seguinte, o descendente, de Mirandela - Cachão.

 

Ficou, assim, no meio, o troço de Abreiro - Cachão e, depois, todo o troço que vai de Mirandela até Bragança, ou seja, um total de 94. 276 quilómetros.

 

Pensamos, nesta primavera, «cumprirmos» toda a Linha. Vamos ver...

 

Apresentámos já todas as reportagens das caminhadas ao longo da Linha do Corgo, no sentido descendente, Chaves - Peso da Régua. Falta-nos agora as reportagens das seguintes caminhadas, feitas até ao presente, pelas seguintes linhas de caminho-de-ferro abandonadas:
Linha do Douro:- Pocinho - Barca d’Alba;
Linha de Salamanca:- Barca d’Alba - La Fregeneda;
Linha do Sabor:- Pocinho - Duas Igrejas (Miranda do Douro).


Quanto a esta última Linha, já em 2013, fizemos um vídeo por cada etapa, que se encontra no Youtube. Por lapso, não fizemos o vídeo da 4ª etapa, entre Lagoaça e Bruçó.

 

Falta-nos fazer, embora descrevendo muito sumariamente, a reportagem das oito etapas que fizemos nesta Linha.

 

É, agora, o nosso presente propósito.

 

Foi nosso companheiro de caminhada, durante as três primeiras etapas, ainda mais uma vez, o nosso velho amigo Neca. Foi com ele que já tínhamos feito a do Tua, em 2009, a do Pocinho - Barca d’Alba e Barca d’Alba - La Fregeneda (Linha de Salamanca) e as duas etapas finais da Linha do Corgo.

 

A 4ª e 5ª etapas da Linha, de Lagoaça a Bruçó e de Bruçó, - Vilar de Rei - Mogadouro, de 9. 444 Km e 11. 759 Km, respetivamente, foram feitas no sentido descendente, ou seja, Bruçó - Lagoaça e Mogadouro - Vilar de Rei - Bruçó, nos dias 27 e 28 de junho de 2012, acompanhando o percurso do meu sobrinho Florens, que vinha, com um amigo e colega de profissão, fazendo a Linha no sentido descendente, desde Duas Igrejas (Miranda do Douro). Foram as últimas da Linha a serem feitas.

 

A 6ª etapa (Mogadouro - Variz - Sanhoane); a 7ª etapa (Sanhoane - Urrós - Sendim); e a, e última, etapa (Sendim - Fonte de Aldeia - Duas Igrejas), com 8. 929 Km, 12. 466 Km e 11. 341 Km, respetivamente, fizemo-las sozinho, de 30 de abril a 2 de maio de 2012, com o apoio do Tópê que, naquela altura, se encontrava em Miranda do Douro, trabalhando para a EDP no reforço de potência da barragem do Picote.

 

O nosso sobrinho-neto Edu «cumpriu» a 1ª etapa desta Linha e 1/3 da 2ª etapa.

 

Tivemos como apoio logístico, fundamentalmente no abastecimento de comida e bebidas, como dissemos, o nosso cunhado Augusto.

 

Durante estas três etapas, ficámos alojados nas Moradias Do Douro internacional, na Congida, em Freixo de Espada-à-Cinta.

 

Na véspera da 1ª etapa, dia 1 de abril, domingo, fomos ficar a casa de nossa irmã, em Loureiro, Peso da Régua, onde estavam os nossos companheiros de jornada e o homem do nosso apoio logístico, o Augusto.

 

Deitámo-nos cedo, pois teríamos que nos levantar às 5 horas e 30 minutos da manhã.

 

1.- Pocinho - Apeadeiro (técnico) da Gricha

 

O tempo estava bom para caminhar, com algumas nuvens, mas sem chuva.

 

Saímos de Loureiro, Peso da Régua, eram 6 horas da manhã. Chegámos ao Pocinho às 7 horas e 30 minutos.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 004

 
Tomámos um café no Café da Estação, onde apreciámos os seus bonitos azulejos, dos quais aqui se mostra um e...

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toca imediatamente a andar.

 

Nos primeiros passos, este aspeto degradante do material circulante da Linha. Verdadeira sucata!

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à frente dos nossos olhos, a ponte sobre o rio Douro, integrando já a extinta Linha do Sabor,

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e uma instalação fabril ligada à produção e derivados do azeite.

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Curvámos à esquerda,

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dando de caras com este aspeto.

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Apesar do Sinal de Perigo, Proibindo a Passagem, com cautela, atravessámos a ponte.

 

Do nosso lado esquerdo, a barragem do Pocinho, logo após o nascer do sol.

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E deixámos para trás o Pocinho.

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Confessamos que, no começo, ao andar por cima das travessas, sentimos alguma dificuldade. Custou-nos a habituar à passada de cada lanço de travessas.

 

Verdadeiramente cansativo, de um modo especial quando punhamos os pés sobre a brita grossa.

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Quando podíamos, e o solo era mais cómodo e regular, íamos pelas margens.

 

De qualquer das formas, a paisagem sobre o rio Douro e sua envolvente, bem assim da Quinta de Vale Meão, com as serras ao longe e a aldeia da Foz do Sabor à nossa frente, compensava o esforço.

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Ao largarmos a vista sobre a Quinta de Vale Meão, no alto do monte, esta bonita capela.

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A páginas tantas, vemos a Linha pejada de azedas.

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Neca, lembrando-se dos seus tempos de menino, debruça-se sobre elas, apanha um punhado delas e mete-as à boca.

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Só quando observámos bem o que estava fazendo, é que nos veio à lembrança que também, quando pequeno, assim fazíamos com os amigos, quando íamos e vínhamos da escola, apanhando-as dos muros.

 

Edu ficou estupefacto a olhar para o tio-avô. E, no andar, Neca lá que iam explicando o «pitéu» que as azedas eram, quando usadas em salada.

 

Mais à frente uma passadeira de rosmaninhos à nossa espera.

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E, a partir de certa altura, começa a nossa tormenta. Até aqui a Linha não nos parecia tão obstruída de vegetação como a do Pocinho - Barca d’Alba. Mas as derrocadas sobre a Linha obrigava-nos a ter de trepar sobre aquele entulho todo.

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Mas, como diz o ditado, «não há mal que sempre dure...». À nossa frente, uns metros mais adiante, este lindo panorama.

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E a presença sempre constante do rio Douro.

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Mas a Linha não nos dava descanso. Esta, entre outras, até era uma derrocada pequena,

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que, entretanto, Neca, mais entendido em questões de botânica, flora e vegetação autóctone, aproveitava para nos elucidar sobre os nomes das diferentes espécies de árvores e arbustos pelas quais íamos cruzando, ao longo do nosso percurso. Nomeadamente, esta planta - o zimbro - e a utilidade das suas vagas.

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Até que chegámos ao apeadeiro (técnico) da Gricha.

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Tínhamos andado, aproximadamente, 6 Km, sensivelmente metade da etapa programada para hoje.

 

2.- Apeadeiro (técnico) da Gricha - Torre de Moncorvo

 

E o rio Douro não nos abandonava, bem assim as enormes parcelas de olival que se estendiam ao longo das suas margens,

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com novos saibramentos,

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mostrando a verdadeira riqueza destas terras,

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denunciando a aproximação à aldeia da Foz do Sabor,

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e a foz do rio Sabor no Douro, com a aproximação do Vale da Vilariça.

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Continuámos a nossa caminhada. Mas, até ao apeadeiro (técnico) da Gricha, apesar das botas que levávamos, adequadas para aquele tipo de pavimento, custou-nos um bocado.

 

Do apeadeiro (técnico) da Gricha para a frente, o troço da Linha apresentava-se mais cómodo. Edu, contudo, já mostrava algum cansaço.

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Eis a primavera irrompendo com toda a sua força, vindo à frente a giesta branca (Cytisus multiflorus), bem adaptada a terrenos xistosos.

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Na aproximação ao Km 9, ao fundo, o casario da vila de Torre de Moncorvo.

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E, entre o Km 9 e o Km 10, este típico pombal, a necessitar de arranjo.

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Mais à frente, mais uma explicação do tio Neca quanto a este arbusto - o sumagre - com a sua utilização para fins medicinais e para a alimentação.

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Por entre um pequeno olival, ao Km 11, o casario da Torre de Moncorvo, com a sua imponente Igreja Matriz,

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uma autêntica igreja/torre fortaleza.

 

E eis-nos chegados ao nosso términus da caminhada, início da ecopista e da nossa 2ª etapa (Torre de Moncorvo - Freixo de Espada-à-Cinta), a levar a cabo amanhã.

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Um quilómetro e meio antes da nossa chegada a Torre de Moncorvo, Augusto veio ter connosco, ao longo da linha, acompanhando-nos até ao Restaurante Jardim Aberto, onde almoçámos.

 

Depois do almoço, antes de irmos para as Moradias do Douro Internacional, na Congida, Freixo de Espada-à-Cinta, fomos dar uma volta pela vila.

 

Não fomos propriamente conhecer Torre de Moncorvo. O termo mais adequado seria revisitá-la e matar saudades. A esta vila liga-nos laços afetivos muito profundos. Tivemos aqui, no final da nossa adolescência e primeira juventude, um saudoso irmão que aqui fixou residência, por alguns anos. Uma filha e um filho nasceram-lhe aqui.

 

Pelos laços afetivos que a esta vila nos ligam, vamos, por isso mesmo, no próximo post da reportagem desta Linha, fazer-lhe um «Destaque».

 

Entretanto, deixo aos nossos leitores o visionamento do vídeo desta 1ª etapa que, em 2013 fizemos e publicámos no Youtube com a designação «Pelas Travessas da Linha do Sabor - 1ª etapa».

 


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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Ao Acaso - Amadeo de Souza-Cardoso-A «arte de loucos, de manicómio» 100 anos depois

 

 

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

 

A «ARTE DE LOUCOS, DE MANICÓMIO» 100 ANOS DEPOIS

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Não foi a primeira vez que entrámos em contacto com a arte de Amadeo de Souza-Cardoso.

 

Numa das nossas deslocações à «capital» do Baixo Tâmega, aproveitámos para entrar no Museu Municipal que leva o seu nome.

 

Amadeo de Souza-Cardoso nasceu em Manhufe, freguesia de Mancelos, concelho de Amarante, a 14 de novembro de 1887.

 

Foi um artista cuja vida não foi longa. Morreu, de pneumónica, em Espinho, a 25 de outubro de 1918.

 

Os entendidos dizem que pertence à primeira geração de pintores modernistas portugueses. E, como artista, «desenvolveu, entre Paris e Manhufe, a mais séria possibilidade de arte moderna em Portugal num diálogo internacional, intenso mas pouco conhecido, com artistas do seu tempo», articulando-se «de modo aberto com movimentos como o cubismo, o futurismo ou o expressionismo», atingindo em muitos momentos - e de modo sustentado na produção dos seus últimos anos - um nível em todo equiparável à produção da arte internacional sua contemporânea».

 

Todavia, foi preservando sempre uma certa autonomia artística, ao ponto de assumir que «não seguia uma escola ou um movimento específico, como o cubismo».

 

Amadeo de Souza-Cardoso expôs em França, na Alemanha, nos Estados Unidos e em Inglaterra, mas, sua obra inseria-se em «exposições coletivas», não tendo, por isso, um grande destaque, à exceção da de Londres, na qual a crítica foi muito positiva.

 

A única exposição individual que levou a cabo foi no Porto e, a seguir, em Lisboa, em 1916.

 

No Porto, no então Jardim do Salão Passos Manuel, hoje inexistente, e onde atualmente se localiza o Coliseu do Porto; em Lisboa, na Liga Naval Portuguesa.

 

Se a exposição do Porto, no Jardim do Salão Passos Manuel, apresentava uma grande visibilidade, por ser «dos mais populares da época, onde havia um cinematógrafo, e até se dizia que ir ao Porto e não ir a Passos Manuel era como ir a Paris e não ir à Torre Eiffel», na Liga Naval Portuguesa, em Lisboa, o espaço era mais elitista, «mais isolado, com uma carga política muito específica ligada à reação monárquica à primeira República».

 

A exposição de Amadeo de Souza-Cardos, em 1916, foi comissariada por ele próprio e teve a «proeza» de, em 12 dias, no Porto, ter 30 mil visitantes.

 

Mas não se pense que, à sua volta, reuniu um grande consenso de crítica positiva. Houve, positivamente, muitas apreciações, em jornais, negativas, por não compreenderem as linguagens novas e a estética vanguardista.

 

É de salientar, contudo, que houve alguns artigos de admiração e apreciação interessantes, «como os de Alfredo Pimenta, um homem da extrema-direita».

 

Para a opinião pública da época, cujo seu maior veiculador de opinião era o Primeiro de Janeiro, aquela exposição era uma «arte de loucos, uma arte de manicómio»; já, por sua vez, o Jornal de Notícias dizia que era uma proposta de arte extremamente interessante.

 

Foi uma exposição, acima de tudo, polémica, em que se debatiam campos opostos, chegando-se ao ponto de ter havido agressões físicas e até circular a hipótese de terem cuspido nos seus quadros expostos: é o que diz Marta Soares, uma das curadoras que, no espaço do Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto (de 1 de novembro a 31 de dezembro de 2016) e no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu Chiado (janeiro de 2017) nos procura(ra)m mostrar 81 das 114 obras que Amadeo expôs no Porto, na sua primeira exposição, volvidos que são 100 anos.

 

Em dezembro passado, estando no Porto, Ao Acaso,  e passando pelo antigo Palácio dos Carrancas (e antiga residência oficial dos soberanos portugueses, aquando das suas estadias no Porto, a partir de 1861),

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não resistimos em entrar neste edifico

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para ver a exposição da obra tão ostensivamente divulgada deste artista.

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Seguimos a sinalética aposta no Museu.

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Subimos. E, num corredor, sensivelmente a meio, entrámos.

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A partir deste recinto, «ornado» de várias esculturas famosas,

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não nos foi autorizado tirar mais fotografias.

 

Por tal circunstância, socorremo-nos de algumas fotos da imprensa, aquando da abertura, para mostrar 5 perspetivas da exposição:

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(PerspetivaI)

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(Perspetiva II)

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(Perspetiva III)

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(Perspetiva IV)

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(Perspetiva V)

E utilizámos o Catálogo da Exposição, que o comprámos para o efeito, das fotos de Susana Silva Oliveira e dos acervos fotográficos das obras, quer da Fundação Caloustre Gulbenkian, quer do Museu Municipal Amadeo de Soza-Cardoso (Amarante), quer do Museu Nacional Soares dos Reis para mostrar aquelas obras que, ao nosso olhar, foram mais impressivas.

 

Fica aqui, assim, um pequeno contributo na divulgação da arte dos nossos artistas por quem, a maioria de nós portugueses (quiçá por falta de uma verdadeira educação artística), muito pouco cuidamos de apreciar e admirar, com verdadeiro gosto estética.

11a.- Casa do Ribeiro, 1913. óleo sobre madeira, Coleção particular
(Casa do Ribeiro, 1913. Óleo sobre madeira, Coleção particular)

12.- A ascenção do quadrado verde e a mulher do violino, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo souza-Cardoso
(A ascensão do quadrado verde e a mulher do violino, 1915-1916. Col. particular em depósito no M.M. Amadeo de Souza-Cardoso)

13.- A casita clara paysagem, 1915. óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(A casita clara paysagem, 1915. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

14.- A máscara de olho verde cabeça, 1915-1916. óleo sobre tela, Coleção particular
(A máscara de olho verde cabeça, 1915-1916. Óleo sobre tela, Coleção particular)

15.- Arabescodynamico - REAL...
(Arabesco dynamico = REAL - ocre rouge café. 1915-1916. Óleo sobre tela, Coleção particular)

16.- Cabeça Oceano, 1915. Aguarela sobre papel, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(Cabeça Oceano, 1915. Aguarela sobre papel, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

17.- Paysagem Manhufe, 1912-1913. óleo sobre madeira. coleção particular
(Paysagem Manhufe, 1912-1913. Óleo sobre madeira, Coleção particular)18.- Instrumento de Música, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Nacional Soares dos Reis

 
(Instrumento de Música, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Nacional Soares dos Reis)

19.- Par Impar, 1915-1916.Coleção particular
(Par Impar, 1915-1916.Coleção particular)

20.- Máscara de aço, 1914-12915. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso
(Máscara de aço, 1914-12915. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

21.- Mucha, 1915-1916.óleo sobre tela. Coleção Museu Caloustre gulbenkian
(Mucha, 1915-1916. Óleo sobre tela. Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

22.- Pintura (Abstração), óleo sobre tela, c. 1913, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Pintura [Abstração), 1913. Óeo sobre tela, Coleção Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

23.- Trou de la Serrure (Parto da viola), 1916. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian (Coleção moderna)
(Trou de la Serrure (Parto da viola), 1916. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

24.- Vida dos Instrumentos, 1916 - Museu Soares dos Reis
(Vida dos Instrumentos, 1916 - Coleção do Museu Nacional Soares dos Reis)

25.- Retrato de Francisco Ferreira Cardoso, óleo sobre cartão, c. 1913, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Retrato de Francisco Ferreira Cardoso, 1913. Óleo sobre cartão, Coleção do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

26.- Retrato paisagem, 1913. Auto-retrato de Amadeo de Souza-Cardoso, pertencente à coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(Retrato paisagem, 1913. Auto-retrato de Amadeo de Souza-Cardoso, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

27.- A chalupa, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleçºao do Museu fundação Caloustre Goulbenkian (Coleção Moderna)
(A chalupa, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção do Museu Caloustre Gulbenkian)

28.- Antiga Inanharmonia,1913 - 1914. Óleo sobre tela, Xoleção particular em depósito no Museu Municipal amadeo Souza-Cardoso
(Antiga Inanharmonia, 1913 -1914. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

29.- Azenhas, 1915. óleo sobre tela, coleção particular em depósito no museu Municipal amadeo Souza-Cardoso
(Azenhas, 1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

30.- Bruxa louca - cabeça, 1914. óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso
(Bruxa louca - cabeça, 1914. Óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

31. Canção Popular e Pássaro do Brasil, óleo sobre tela, c. 1916, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Canção Popular e Pássaro do Brasil, 1915. Óleo sobre tela, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

32.- Cavaquinho, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito Museu Municipal amadeu Sousa-Cardoso
(Cavaquinho, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeu Sousa-Cardoso)

33.- Crime - abysmo azul, remorso physico, 1914-1915. óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu municipal de amadeo de Souza-
(Crime - abysmo azul, remorso physico, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no M.M. de Amadeo de Souza-Cardoso)

34.- Músuca surda, 1914-1915. óleo sobre tela. coleção particular em depósito no Museu Minicipal Amadeo Souza-Cardoso
(Músuca surda, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

35.- O rata, 1914-1915,.Óleo sobre cartão, Coleção Museu municipal amadeo Souza-Cardoso
(O rata, 1914-1915. Óleo sobre cartão, Coleção Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

36.- Paysagem verde, 1914. óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amedeo Souza-Cardoso
(Paysagem verde, 1914. Óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

37.- Caricatura da Senhora de Azul, 1907. Aguarela e grafite sobre papel, Coleção particular em depósito no Museu Municipal amadeo de Souza-
(Caricatura da Senhora de Azul, 1907. Aguarela e grafite sobre papel, Coleção particular em depósito no M.M. Amadeo de Souza-Cardoso)

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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2017

Por terras de Portugal:- Braga-Seminário Menor - Capela Imaculada-Uma ponte entre a Igreja e a Arte

 

 

BRAGA - SEMINÁRIO MENOR

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CAPELA IMACULADA - UMA PONTE ENTRE A IGREJA E A ARTE


Conhecemos, pela primeira vez, em 19 de maio de 2013, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, no âmbito de uma Primeira Comunhão de uma nossa sobrinha.

 

A Capela de Nossa Senhora da Conceição está situada no centro do edifício do Seminário Menor da Arquidiocese de Braga.

 

A construção do edifício do Seminário Menor, chamado de Nossa Senhora da Conceição, decorreu entre 1923 e 1924, sob a vigência do Arcebispo de Braga, D. Manuel Vieira de Matos.

 

Este prelado adquiriu, em hasta pública, os edifícios dos extintos Recolhimento de S. Domingos da Tamanca e do Conservatório das Órfãs do Menino Deus, em avançado estado de ruína, para aqui instalar o Seminário Menor.

 

Neste Seminário Menor, com mais de 90 anos de existência, por aqui passaram mais de 8. 000 jovens, os quais se distinguiram nas mais diversas áreas de atividade, desde a cultura, o ensino, a política, a justiça, a ação social, o desporto, a arte, a economia e, naturalmente, na consagração ao serviço do Evangelho e à Igreja Católica.

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Mal sabíamos nós que, passado um ano, o espaço da Capela seria objeto de intervenção, face às debilidades estruturais que a mesma apresentava.

 

Quando, em 2013, entrámos na Capela de Nossa Senhora da Conceição, o seu aspeto era o de uma capela normal, com capacidade para 700 pessoas, mas, em muitos aspetos, idêntica a muitas outras já conhecidas, integradas dentro do espaço do edifício de um Seminário.

 

Aqui se mostra um aspeto parcelar da mesma, naquele ano de 2013:

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Na companhia de um nosso ex-aluno do Curso de Licenciatura em Recreação, Lazer e Turismo, especialista e doutorado em Turismo Religioso, e com responsabilidades na Confraria do Bom Jesus do Monte e na gestão dos Hotéis do Bom Jesus, fomos visitar, no verão passado, aquela Capela, objeto de intervenção em 2014, e consagrada, em 2015, pelo Arcebispo D. Jorge Ortiga, com o nome de Capela Imaculada. Estávamos no ano pastoral 2014/2015 e no 90º aniversário do Seminário de Nossa Senhora da Conceição.

 

Mal entrámos no Seminário, e no corredor que nos dá acesso ao local da Capela, as mesmas sinetas,

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e, no átrio de entrada, o mesmo ícone em azulejos.

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Aberta a sua porta de entrada, eis, a nossos olhos, a total «transubstanciação» do espaço!

 

Se é verdade, tal como afirma o Arcebispo D. Jorge Ortiga, na consagração e dedicação da Capela, que «a Igreja ofereceu à Humanidade as “mais belas obras de arte”», acrescentando, «desde a pintura à escultura, das capelas às catedrais, da literatura à música, o génio cristão inspirou uma plêiade de artistas e marcou indelevelmente o mundo (...)», contudo, não nos podemos esquecer do custo que tal «feito» teve não só nas comunidades dos crentes, nas outras comunidades crentes e também naqueles que, de uma forma laica, se lhe opunham, porque portadores de visões do mundo diferentes.

 

A História da Igreja Católica, infelizmente, não é feita, e foi construída, só com «glórias», aliás como todos os sistemas de valores fechados, por muito que se diga, ou queira, estarem abertos ao exterior!

 

Não é aqui nosso desiderato o aprofundamento desta pertinente questão.

 

Como conhecedores, minimamente atentos, como somos, dos valores fundamentais da comunidade dos crentes católicos e da sua liturgia, apraz-nos registar agradavelmente a impressão com que ficámos com este novo espaço, quando o visitámos.Tal como já tinha acontecido com a Capela Árvore da Vida, localizada no Seminário Maior, também em Braga.

 

Não é nosso intuito descrever, em pormenor, e explicar, cada um dos elementos que compõem e caracterizam esta Capela, apelidada de Imaculada, verdadeiramente singular no conjunto dos edifícios congéneres da Igreja Católica.

 

Vamos apenas destacar sete elementos que reputamos mais impressivos, deixando depois a respetiva explicação ao Professor de Liturgia da Faculdade de Teologia de Braga, Padre Joaquim Félix:

 

1.- O simbolismo do Portal da Entrada

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2.- O pilar que sustenta o oratório (Confessionário), com os seus materiais, e o significado dos elementos constantes da sua base:

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3.- A colocação do ambão no meio do espaço /ambiente, enfatizando a «centralidade promovida a partir da Palavra»:

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4.- O altar, em pedra de granito tosca, apenas polido numa face,

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assentando sobre o «dinamismo da vida da água»:

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5.- O efeito da luz que nela penetra,


quer se trate da que entra pela funa placa de mármor de Estremoz, no lugar onde antigamente estava o altar-mor, com o sacrário,

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agora localizado num lugar lateral do espaço da Capela;

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quer se trate da que entra pelas divisões da abóbada de betão armado suspenso; quer ainda a que entra pelas cortinas de pano, feitas pelas tecedeiras de Cabeceiras, nos seus teares tradicionais

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e a respetiva simbologia de cada um destes «rasgos» de luz.

 

6.- A Nossa Senhora da Humildade

 

E o que dizer da Nossa Senhora da Humildade, no meio do ambiente litúrgico, gerando «um ambiente de cenáculo»?

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Mas, passemos a palavra mais avisada ao Padre Joaquim Félix, ínsita na reportagem da Ecclesia.

 

7.- Os seus quadros ou pinturas

 

Demos agora a palavra ao escultor responsável pela peça «Nossa Senhora da Humildade» e à pintora deste conjunto, que ora se mostra,

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bem assim ao arquiteto, António Fontes:

 

Saímos deste espaço,

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e, como dissemos, agradavelmente surpresos.

 

E uma pergunta ficou pairando na nossa mente: será que esta obra representa uma verdadeira renovação e abertura de uma comunidade crente, consentida, querida, dando valor à Honestidade, Verdade, Exigência, Inovação, Simplicidade, convidativa ao silêncio e reflexão, aberta às diferentes visões do mundo e da arte? Ou não será simplesmente o «feito» de uma elite, quiçá bem afastada da maioria do sentir e do viver da fé dos crentes da comunidade onde se insere?

 

Pela nossa parte, e de qualquer das formas, estão de parabéns os responsáveis por esta(s) obra(s) de arte.

 

Que a mesma represente efetivamente uma verdadeira ponte... para os crentes desta comunidade, levando-os, no silêncio e diálogo com esta arte e a sua história, para muitas outras «margens».

 


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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017

Por terras da Ibéria:- Caminho de São Salvador - Pajares-Pola de Lena

 

 

 

DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANTA OVETENSIS

 

CAMINHO DE SÃO SALVADOR

47.- CSS - 6ª etapa (503)

 

6 etapa:- Pajares (Payares) - Pola de Lena
(03.maio.2016)

 

 


Introdução

 

Ultrapassada que foi a zona mais montanhosa deste Caminho de São Salvador, a partir de Pajares (Payares), percorremos o extenso concelho de Lena.

 

Diz-nos o Eroski Consumer que esta etapa não nos dá tréguas, contudo, propicia-nos belas paisagens e interessantes veredas num itinerário que evita sempre a Estrada N-630, que serve, fundamentalmente, as populações rurais de Santa Marina, Llanos de Somerón, Fresnedo e Herías.

 

Na programação que tínhamos feito deste Caminho, esta etapa estava dividida em duas, ou seja, de Pajares (Payares) até Bendueños, com 15 Km de extensão, e de Bedueños até Pola de Lena, sensivelmente com 10 Km.

 

Foi com algum desalento que Marisa, a albergueira de Pajares (Payares) nos informou que o albergue Santuário de Bedueños, privado, estava encerrado, para obras.

 

Para quem, como nós, tínhamos passado um mau bocado com a descida para Pajares (Payares), que nos deixou completamente de rastos, ver pela frente uma etapa de 25 Km, e, ainda por cima, toda ela projetada num sobe e desce constante, com uma primeira descida forte logo no início, de Pajares (Payares) para San Miguel del Rio, e outra, de se lhe tirar o chapéu, de Herías para Campomanes, apesar da beleza da paisagem, ficámos deveras desalentados.

 

Ainda pensámos ficar em Capomanes, onde existe toda a espécie de serviços para um peregrino, contudo, a nossa decisão foi de tentar os 25 Km de uma assentada e, caso surgisse alguma dificuldade, então ficaríamos em Campomanes, a pouco mais de 7 Km de Pola de Lena.

 


1.- Pajares (Payares) - Llanos de Somerón

 

Deixámos Pajares (Payares) com o começo do raiar do sol,

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passando pela Fonte de la Pría e pelo Solar do Hospital de San Miguel, dos séculos XVIII e XIX, em completa ruína.

 

E logo à saída da povoação, começavam os nossos joelhos a ressentirem-se com a pronunciada descida até San Miguel del Rio.

 

Nosso companheiro de Caminho, apercebendo-se da nossa dificuldade, foi estugando o pé. Enquanto parávamos, aqui e ali, não resistíamos a observar o entorno por onde passávamos, captando uma ou outra imagem,

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até que nos aproximávamos de San Miguel del Rio, banhada pelo rio Pajares (Payares).

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Ultrapassámos San Miguel del Rio ainda de madrugada, não deixando, todavia, de registarmos a rústica igreja da localidade.

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A partir de San Miguel del Rio, começámos a subir (e a descer) até Puente de los Fierros, passando por Santa Marina, com a sua singela capela.

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E é verdadeiramente aqui que o nosso Caminho penetra em zona verdadeiramente rústica (rural e florestal): ora num abrir e fechar constante de cancelas,

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para manter acoitado o gado, ora por veredas de floresta autóctone, de caducifólias,

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em que, pelas suas vertentes, jorra água límpida, cristalina.

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Percorridos sensivelmente 5 Km, dávamos entrada em Llanos de Somerón.

 

Veja-se o espetáculo de paisagem que presenciámos!

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2.- Llanos de Somerón - Herías

 

Na passagem por Llanos de Somerón, este típico espigueiro asturiano.

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Ao chegarmos à Igreja de Llanos de Somerón, dedicada a Santiago, onde existe a seu lado um enorme teixo,

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deixámos, à porta da Igreja, o nosso antigo cajado, que já não cumpria cabalmente a sua função. Florens, perito em cajados, prometeu-nos fazer um que estivesse à nossa altura.

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E, logo de seguida, começámos a longa descida até Puente de los Fierros, por uma estrada local.

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Aqui, em Puente de los Fierros, antigamente, cobrava-se portagem.

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Não entrámos na localidade. Abandonada a estrada local, à esquerda da mesma, começámos a subir por um carreiro de pé posto.

 

Percorridos, aproximadamente, 10 Km, Florens, num alto verdejante, tira a mochila das costas, descalça-se e, sob o sol inclemente do meio-dia, convida-nos a descansar sobre este tapete verde.

15.- CSS - 6ª etapa (217)


Ao fundo da ravina, onde nos sentámos, Puente de los Fierros com a sua estação de caminho-de-ferro.

16.- CSS - 6ª etapa (227)


Após o descanso, bebidos e comidos, com o reforço do segundo pequeno-almoço, que levávamos no farnel, em poucos minutos estávamos a atravessar Fresnedo.

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De Fresnedo até Herías, o carrocel constante, de altos e baixos, no troço do Caminho. E cansativo. O que valia era a paisagem

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à nossa volta, que compensava todo o esforço despendido, por entre uma encosta densa de árvores,

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em que a água, escorrendo pela encosta abaixo, não faltava.

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A páginas tantas, Florens para. Encontrou uma galha ideal numa árvore para, dela, nos fazer o prometido cajado.

 

Aqui o vemos no seu esforço de artesão!

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Aqui e ali, ao longo da encosta, casas em ruínas, tomadas pelas heras. Esta, que aqui vemos, ainda se nos apresenta com alguma «frescura».

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E, desta casa até à Ermida de San Miguel, foram escassos metros para lá chegar.

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Aqui, no espaço primaveril, envolvente a esta ermida, fizemos mais uma pequena pausa, sentados em dois toros de madeira, juntos a um palheiro.

 

E não nos cansávamos de admirar toda a beleza natural que se nos postava, naturalmente, aos nossos olhos.

24.- CSS - 6ª etapa (318)


Mas o Caminho de hoje pedia-nos mais avanço. E começámos a descer até Herías.

 

Num pequeno caminho à nossa mão direita, a Fonte de San Miguel.

25.- CSS - 6ª etapa (330)


Ao dobrar de uma vereda, eis o casario de Herías com todo o seu entorno!

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Aqui, num cruzamento, viraríamos para o albergue de Bendueños e, em pouco tempo, a nossa etapa programada estaria concluída. Mas não! Havia que prosseguir, com mais 10 Km pela frente.

 

Em Herías, registámos este singular espigueiro - e pouco mais -,

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prosseguindo nosso Caminho, agora voltando a subir.

 

 

3.- Herías - Santa Cristina de Lena

 

No topo da subida, começámos a deixar de visualizar Herías, com o seu casario à volta da Igreja.

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Enquanto nos despedíamos de Herías, no fundo do vale, passava um comboio.

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Depois da subida, na saída de Herías, esperava-nos agora uma vertiginosa descida até Campomanes.

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Pese embora a almofada de folhas que o troço nos oferecia, entremeado com perigosos calhaus, muito a custo, lá conseguimos chegar a Campomanes.

 

Exaustos, e com fome, aqui parámos para descansar e abastecer, convenientemente, a «máquina» para os restantes 7,5 Km que ainda nos esperavam para chegarmos a Pola de Lena.

 

Suficientemente descansados, e bem comidos e bebidos, com outra alma e ardor, encarámos agora, com mais otimismo, o último troço que nos faltava fazer.

 

Saindo de Campomanes, o Caminho suaviza.

 

Percorrendo o passeio fluvial existente nesta localidade, não nos cansávamos de observar as águas límpidas do rio Pajares (Payares) e, ao fundo do cenário, os cumes da serra ainda, em plena primavera, cobertos de neve.

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A determinada altura do percurso fluvial, nasce um outro rio: aqui, o rio Pajares (Payares) recebe as águas do rio Huerna, dando origem ao rio Lena. Nesta foto, vemos, assim, três rios - a foz do rio Huerna, em frente; do nosso lado esquerdo, o rio Pajares (Payares) e, do lado direito, o recém-nascido rio Lena!

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Satisfeita nossa curiosidade, continuámos o nosso Caminho, continuando a percorrer o passeio fluvial.

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Saídos do passeio fluvial, ao fundo do horizonte, a mais de meio da encosta, apresenta-se-nos, de bandeja, a silhueta da Igreja pré-românica de Santa Cristina de Lena.

34.- CSS - 6ª etapa (430)

 


4.- Santa Cristina de Lena - Pola de Lena

 

Aqui chegados, seria imperdoável se não visitássemos esta maravilha do pré-românico, pese embora a íngreme subida que teríamos de ultrapassar.

35.- CSS - 6ª etapa (435)


Florens toma a dianteira.

36.- CSS - 6ª etapa (438)


Nós seguimo-lo e, na subida, à nossa direita, a pura visualização da arte pré-românica asturiana, vista por um dos seus alçados laterais!

37.- CSS - 6ª etapa (446)


O que se nos apresenta ao nosso olhar é uma igreja, de estilo ramirense, por ter sido construída no reinado de Ramiro I, no século IX, que está considerada como Património da Humanidade.

 

Este é o seu alçado frontal.

38.- CSS - 6ª etapa (448)


Vejamos agora as suas traseiras.

39.- CSS - 6ª etapa (448a)


Entremos dentro, guiados pela senhora María Inês, a responsável pela guarda da chave do monumento, em amena e cordial conversa com o nosso companheiro peregrino, Florens.

40.- CSS - 6ª etapa (448b)


Reparemos nos pormenores do seu interior.

41.- CSS - 6ª etapa (448c)


Satisfeita a nossa curiosidade, e apreciada esta linda pérola, era hora de fazer mais uma pequena pausa no apetecível recinto da Igreja, com vista para a aldeia de Palacios.

42.- CSS - 6ª etapa (454)


Florens não hesitou em fazer uma pequena soneca,

43.- CSS - 6ª etapa (456)


sob o olhar atento deste lindo fiel amigo.

44.- CSS - 6ª etapa (456a


Enquanto Florens passava um pouco pelas brasas, nós entretínhamo-nos a observar todo este lindo entorno.

45.- CSS - 6ª etapa (458)


E, como diz o velho ditado que «não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe», mochilas às costas, preparámo-nos para sair deste sagrado e edílico lugar, descendo pelo lado oposto ao que tínhamos chegado, pisando um caminho empedrado (medieval?),

46.- CSS - 6ª etapa (501)


despedindo-nos daquela maravilhosa Igreja ramirense.


Enquanto atravessávamos o bairro Peridiello, à nossa esquerda, deixávamos a estação de caminho-de-ferro de La Cobertoria.

 

No rés-do-chão deste edifício, está localizada uma sala de aulas que nos elucida sobre esta linda pérola pré-românica, acabada de visitar.

48.- CSS - 6ª etapa (504)


E continuámos o nosso Caminho, agora acompanhados pelo curso de água do rio Lena, encravado neste pequeno vale verdejante, e acompanhados por casario, que se arrasta até ao seu leito.

49.- CSS - 6ª etapa (526)


De Santa Cristina de Lena até Pola de Lena são, mais ou menos, 5 Km, num sem fim a andar sobre o asfalto!

 

Até que, já positivamente cansados, mas ainda com uma réstia de folgo, chegámos a Pola de Lena,

50.- CSS - 6ª etapa (533)


passando pela Casa do Concello;

51.- CSS - 6ª etapa (536)
(Vista de lado)

52.- CSS - 6ª etapa (536a)

(Vista de frente)


pelo Mercado Municipal;

53.- CSS - 6ª etapa (539)


pelo centro da cidade, com a sua Igreja Paroquial,

54.- CSS - 6ª etapa (544)


tendo, à sua frente, o Jardim Público.

55.- CSS - 6ª etapa (548)


E não levou muito tempo até que chegássemos ao albergue.

 

Quando chegámos ao albergue, a «nossa» peregrina Justyna Bartkowiak já tinha chegado há bastante tempo. É uma jovem e com boas pernas para andar. Não admira não lhe termos visto o rasto durante toda a etapa!

 

Encontrava-se no albergue mais um outro peregrino. Não soubemos donde vinha. Era de poucas palavras.

 

Tomámos banho. Descansámos um pouco. E, depois, saímos para comer e dar uma pequena volta por Pola de Lena.

 

Tirámos algumas fotos. Deixamos apenas aqui esta pitoresca moradia, pois a reportagem já vai longa.

56.- CSS - 6ª etapa (579)


Entrámos em duas siderarias para beber e petiscar. Havia jogo de futebol pela televisão. Não fixámos os clubes que jogavam. Mas tinha a ver com um campeonato europeu em que jogava uma equipa espanhola.

 

Prestámos mais atenção não só ao que comíamos e bebíamos como à reação da assistência. Por todo o lado, o futebol produz o mesmo fenómeno no contágio entusiasta dos adeptos, gerando as mesmas reações, a mesma «loucura» de massas!

 

Bem compostos, regressámos ao albergue, dando uma vista de olhos a uma das ruas de Pola de Lena.

57.- CSS - 6ª etapa (587)


Quando chegámos ao albergue, fomos encontrar o nosso amigo checo Bohdan Dochanic. Disse-nos que gostaria de fazer, no dia seguinte, a etapa connosco.

 

Quando nos deitámos na cama, demo-nos conta que, positivamente, estávamos todo roto das pernas.

 

E a noite foi calma e reconfortante, trazendo-nos novas energias para o dia seguinte...


publicado por andanhos às 15:54
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Sábado, 31 de Dezembro de 2016

Versejando com imagem - Meu amor não deixes de sonhar comigo

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

MEU AMOR NÃO DEIXES DE SONHAR COMIGO

 

 

 

Meu amor não deixes de sonhar comigo
Finge que sou cor
E tinge-me, meu amor
E atinge o meu calor.

Meu amor deixa-me ser musa,
Deixa-me ser harpa e som.
E ser o tom e o dom, da tonalidade que se usa
Para pintar a doçura que se entrevê no decote da minha blusa.

Vem beber mestre, nos lábios da musa,
Dócil e agreste, submissa e que te recusa.

Sonha comigo amor!
Também é bom ser o teu sonho,
O que não se toca, o que não se tem.
Preciso partir para me quereres
Preciso subir ao meu recanto celestial
Reenquadrar-me na minha perspetiva do ideal.
Na projeção do meu real,
No âmago, essência essencial do meu ser.

Preciso tocar de novo a minha pedra filosofal.
Desprender-me das amarras
E voar, escalar com as doces garras
A métrica do irreal.

Sombras, secas e surdas
Sobem sobre as pálpebras mudas
O cansaço consome, absorve sob penas duras.

Vou dormir e descansar e fugir,
Para um lugar de onde penso partir.
Há-de nascer a fonte,
Verdejar o monte,
Há-de sorrir a gueixa,
Há-de desaparecer a queixa,
Hás-de sonhar comigo de novo…

Meu amor, meu triste, pacato e contido…
…Povo.

 

Lúcia Cunha
03-06-2013

FB_IMG_1453060683896


publicado por andanhos às 15:19
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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016

Palavras soltas... Travassos do Rio (e o Barroso) pela pena de Miguel Torga

 

 

PALAVRAS SOLTAS...

 

TRAVASSOS DO RIO (E O BARROSO) PELA PENA DE MIGUEL TORGA

 

01.- NOC9137


De regresso a Chaves, vindos de Braga, pela Nacional 103, demo-nos conta que A. Tâmara Júnior se encontrava por terras de Montalegre.

 

Combinámos um encontro, ou em Sezelhe ou em Travassos do Rio, onde, juntamente com um seu amigo fotógrafo, andavam captando o que resta da «alma» barrosã.

 

Porque, nesta altura, os dias são pequenos, a visita a Sezelhe foi rápida.

 

Ficámo-nos de encontrar, assim, em Travassos do Rio, última aldeia a visitarem nesse dia.

 

Já não nos lembrávamos de ter estado nesta terra. É rica em lameiros,

02.- NOC9164


a julgar pelo gado bovino que vimos.

03.- NOC9122


Todavia, o que nos chamou mais a atenção, à entrada da aldeia, foi uma tabuleta indicando «Torre do Boi».

 

Dirigimo-nos ao Largo do Cruzeiro, onde, no Cruzeiro, impera um singelo relógio de sol.

04.- NOC9132

 
De pronto, demos de caras com esta torre.

05.- NOC9139


Na sua base, uma placa com a citação da parte do diário de Miguel Torga, escrita a 29 de Agosto de 1991, no seu último Diário.

 

Transcrevemos as palavras do nosso poeta maior transmontano:


Travassos do Rio, Montalegre, 29 de Agosto de 1991 - Notabiliza este lugar um baixo-relevo na torre sineira a figurar a cabeça dum toiro, que foi campeão invencível nas turras do seu tempo e os habitantes, ufanos de tanta valentia, quiseram perpetuar.
Vou rememorando: Cornos das Alturas, Cornos da Fonte Fria, Tourém, Toural, Pitões.
Era assim antanho. Por todo o lado a mesma obsessão a tutelar as consciências. O mal é que o povo, em meia dúzia de anos, deixou apagar nos olhos a imagem viril, e perdeu a identidade. O Barroso de hoje é uma caricatura. Sem força testicular, fala francês, bebe Coca-Cola, deixou de comer o pão centeio do forno comunitário, assiste a chegas comerciais, em campos de futebol, com bilhetes pagos e animais alugados. É um nédio boi capado”.

 

Lidas estas palavras, podem-nos parecer uma espécie de insulto ao barrosão de hoje.

 

Não cremos, sinceramente, que tenha sido este o intento do nosso poeta maior, transmontano (alto-duriense). São palavras que fazem apelo à nossa consciência crítica quanto ao tipo de desenvolvimento que implementámos nos dias que correm.

 

Obviamente que não queremos voltar à extrema pobreza que nos arrancou dos braços da nossa querida terra barrosã, a mourejar pelos países da diáspora portuguesa, à procura de melhor qualidade de vida.

 

Não é a vida pobre e miserável, que este velho moinho simboliza, que devemos preservar. Mas ele faz parte da nossa história, da nossa memória. Devemos mantê-lo para nos lembrar donde viemos. A luta que tivemos de travar para aqui chegar.

06.- OC9174


Não é a substituição do colmo pelas telhas nas casas que servem de nosso ninho; nem, tão pouco, na nova e renovada igreja,

07.- NOC9169


que hoje, a nossos olhos, se apresenta bem vestida e de cara lavada, que nos indica que mudámos, e no sentido do progresso.

08.- NOC9168

Não. Não é nada disto que contestamos e pretendemos, e, a exemplo de Miguel Torga, por em crise.

 

O que constrange e entristece Miguel Torga, e a nós também, é a total perda de identidade da nossa qualidade de ser barrosão.

 

O termos sido - e alguns infelizmente ainda o são - pobres não deve ser motivo de nos levar a rejeitar os valores fundamentais das nossas próprias raízes, como os nosso modestos casebres.

09.- NOC9154-2

 
O que nos entristece é, positivamente, deixarmo-nos totalmente acultural pelos modos de vida dos novos senhores do Mundo - dos que, é certo, nos deram a vida a ganhar - deixando, contudo, para trás, com uma espécie de vergonha, aquilo que mais nos distinguia como portugueses e, especificadamente, barrosões.

 

Adotámos do «outro» o trivial da sociedade de consumo, desprezando, ou esquecendo, aquilo que outrora nos distinguia, que era motivo do nosso orgulho, que tornava nobre as nossas gentes.

 

Eramos pobres (e ainda alguns são), sim, mas, na essência, eramos, mulheres e homens, de um só costado, solidários, genuinamente comunitários, sabendo construir, com as agruras e a rudeza de um território, uma alma nobre, altiva, orgulhosa do seu terrunho, dos usos e tradições das suas gentes.

 

Hoje o Barroso é um completo contraste e uma verdadeira sombra do que era, pese, repete-se, embora certo «progresso» que patenteamos.

 

A raça, a força, a valentia e a galhardia, personificada no boi do povo de cada terra, verdadeiramente, já não existe mais.

 

Supomos que, quando Torga diz que somos «um nédio boi capado», outra coisa não quer significar senão a nossa total impotência para revertermos a situação em que nos encontramos e dotar o Barroso das qualidades que o distinguiam de todos os outros genuínos territórios portugueses.

 

E é pena!

 

Fica-nos esta memória, este símbolo - a Torre do Boi - para nos lembrar que, algures, em território português, existiu um povo que, para além de muitos outros valores e qualidades, tinha uma que as distinguia de todas as demais - a valentia do «antes quebrar que torcer», do seu modo de vida genuíno, diferente, que, constantemente, lhe persegue a consciência!!!...


nona


publicado por andanhos às 22:53
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