Domingo, 22 de Janeiro de 2017

Memórias de um andarilho - Caminhadas pela vias férreas abandonadas:- Linha do Sabor - 1ª etapa

 

 

MEMÓRIAS DE UM ANDARILHO

 

CAMINHADAS NAS VIAS FÉRREAS PORTUGUESAS ABANDONADAS

 

LINHA (DE CAMINHO DE FERRO) DO SABOR

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 000

1ª etapa:- Pocinho - Torre de Moncorvo

(2.abril.2012)


Introdução

 

A nossa primeira aventura, em termos de caminhadas pelas linhas de caminho-de-ferro portuguesas abandonadas ao tráfego ferroviário começou pela Linha do Tua.

 

Sabíamos que uma futura barragem poderia soterrar a parte mais emblemática da Linha, em alguns quilómetros e, então, em junho de 2009, com o nosso velho amigo Neca, e com o apoio logístico do nosso cunhado, decidimos fazê-la.

 

Todavia, apenas fizemos os troços: ascendente, do Tua - Abreiro e, no dia seguinte, o descendente, de Mirandela - Cachão.

 

Ficou, assim, no meio, o troço de Abreiro - Cachão e, depois, todo o troço que vai de Mirandela até Bragança, ou seja, um total de 94. 276 quilómetros.

 

Pensamos, nesta primavera, «cumprirmos» toda a Linha. Vamos ver...

 

Apresentámos já todas as reportagens das caminhadas ao longo da Linha do Corgo, no sentido descendente, Chaves - Peso da Régua. Falta-nos agora as reportagens das seguintes caminhadas, feitas até ao presente, pelas seguintes linhas de caminho-de-ferro abandonadas:
Linha do Douro:- Pocinho - Barca d’Alba;
Linha de Salamanca:- Barca d’Alba - La Fregeneda;
Linha do Sabor:- Pocinho - Duas Igrejas (Miranda do Douro).


Quanto a esta última Linha, já em 2013, fizemos um vídeo por cada etapa, que se encontra no Youtube. Por lapso, não fizemos o vídeo da 4ª etapa, entre Lagoaça e Bruçó.

 

Falta-nos fazer, embora descrevendo muito sumariamente, a reportagem das oito etapas que fizemos nesta Linha.

 

É, agora, o nosso presente propósito.

 

Foi nosso companheiro de caminhada, durante as três primeiras etapas, ainda mais uma vez, o nosso velho amigo Neca. Foi com ele que já tínhamos feito a do Tua, em 2009, a do Pocinho - Barca d’Alba e Barca d’Alba - La Fregeneda (Linha de Salamanca) e as duas etapas finais da Linha do Corgo.

 

A 4ª e 5ª etapas da Linha, de Lagoaça a Bruçó e de Bruçó, - Vilar de Rei - Mogadouro, de 9. 444 Km e 11. 759 Km, respetivamente, foram feitas no sentido descendente, ou seja, Bruçó - Lagoaça e Mogadouro - Vilar de Rei - Bruçó, nos dias 27 e 28 de junho de 2012, acompanhando o percurso do meu sobrinho Florens, que vinha, com um amigo e colega de profissão, fazendo a Linha no sentido descendente, desde Duas Igrejas (Miranda do Douro). Foram as últimas da Linha a serem feitas.

 

A 6ª etapa (Mogadouro - Variz - Sanhoane); a 7ª etapa (Sanhoane - Urrós - Sendim); e a, e última, etapa (Sendim - Fonte de Aldeia - Duas Igrejas), com 8. 929 Km, 12. 466 Km e 11. 341 Km, respetivamente, fizemo-las sozinho, de 30 de abril a 2 de maio de 2012, com o apoio do Tópê que, naquela altura, se encontrava em Miranda do Douro, trabalhando para a EDP no reforço de potência da barragem do Picote.

 

O nosso sobrinho-neto Edu «cumpriu» a 1ª etapa desta Linha e 1/3 da 2ª etapa.

 

Tivemos como apoio logístico, fundamentalmente no abastecimento de comida e bebidas, como dissemos, o nosso cunhado Augusto.

 

Durante estas três etapas, ficámos alojados nas Moradias Do Douro internacional, na Congida, em Freixo de Espada-à-Cinta.

 

Na véspera da 1ª etapa, dia 1 de abril, domingo, fomos ficar a casa de nossa irmã, em Loureiro, Peso da Régua, onde estavam os nossos companheiros de jornada e o homem do nosso apoio logístico, o Augusto.

 

Deitámo-nos cedo, pois teríamos que nos levantar às 5 horas e 30 minutos da manhã.

 

1.- Pocinho - Apeadeiro (técnico) da Gricha

 

O tempo estava bom para caminhar, com algumas nuvens, mas sem chuva.

 

Saímos de Loureiro, Peso da Régua, eram 6 horas da manhã. Chegámos ao Pocinho às 7 horas e 30 minutos.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 004

 
Tomámos um café no Café da Estação, onde apreciámos os seus bonitos azulejos, dos quais aqui se mostra um e...

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 009


toca imediatamente a andar.

 

Nos primeiros passos, este aspeto degradante do material circulante da Linha. Verdadeira sucata!

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à frente dos nossos olhos, a ponte sobre o rio Douro, integrando já a extinta Linha do Sabor,

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e uma instalação fabril ligada à produção e derivados do azeite.

2012 - Linha Sabor (Pocinho-Moncorvo) 012a

 
Curvámos à esquerda,

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dando de caras com este aspeto.

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Apesar do Sinal de Perigo, Proibindo a Passagem, com cautela, atravessámos a ponte.

 

Do nosso lado esquerdo, a barragem do Pocinho, logo após o nascer do sol.

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E deixámos para trás o Pocinho.

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Confessamos que, no começo, ao andar por cima das travessas, sentimos alguma dificuldade. Custou-nos a habituar à passada de cada lanço de travessas.

 

Verdadeiramente cansativo, de um modo especial quando punhamos os pés sobre a brita grossa.

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Quando podíamos, e o solo era mais cómodo e regular, íamos pelas margens.

 

De qualquer das formas, a paisagem sobre o rio Douro e sua envolvente, bem assim da Quinta de Vale Meão, com as serras ao longe e a aldeia da Foz do Sabor à nossa frente, compensava o esforço.

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Ao largarmos a vista sobre a Quinta de Vale Meão, no alto do monte, esta bonita capela.

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A páginas tantas, vemos a Linha pejada de azedas.

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Neca, lembrando-se dos seus tempos de menino, debruça-se sobre elas, apanha um punhado delas e mete-as à boca.

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Só quando observámos bem o que estava fazendo, é que nos veio à lembrança que também, quando pequeno, assim fazíamos com os amigos, quando íamos e vínhamos da escola, apanhando-as dos muros.

 

Edu ficou estupefacto a olhar para o tio-avô. E, no andar, Neca lá que iam explicando o «pitéu» que as azedas eram, quando usadas em salada.

 

Mais à frente uma passadeira de rosmaninhos à nossa espera.

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E, a partir de certa altura, começa a nossa tormenta. Até aqui a Linha não nos parecia tão obstruída de vegetação como a do Pocinho - Barca d’Alba. Mas as derrocadas sobre a Linha obrigava-nos a ter de trepar sobre aquele entulho todo.

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Mas, como diz o ditado, «não há mal que sempre dure...». À nossa frente, uns metros mais adiante, este lindo panorama.

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E a presença sempre constante do rio Douro.

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Mas a Linha não nos dava descanso. Esta, entre outras, até era uma derrocada pequena,

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que, entretanto, Neca, mais entendido em questões de botânica, flora e vegetação autóctone, aproveitava para nos elucidar sobre os nomes das diferentes espécies de árvores e arbustos pelas quais íamos cruzando, ao longo do nosso percurso. Nomeadamente, esta planta - o zimbro - e a utilidade das suas vagas.

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Até que chegámos ao apeadeiro (técnico) da Gricha.

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Tínhamos andado, aproximadamente, 6 Km, sensivelmente metade da etapa programada para hoje.

 

2.- Apeadeiro (técnico) da Gricha - Torre de Moncorvo

 

E o rio Douro não nos abandonava, bem assim as enormes parcelas de olival que se estendiam ao longo das suas margens,

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com novos saibramentos,

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mostrando a verdadeira riqueza destas terras,

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denunciando a aproximação à aldeia da Foz do Sabor,

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e a foz do rio Sabor no Douro, com a aproximação do Vale da Vilariça.

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Continuámos a nossa caminhada. Mas, até ao apeadeiro (técnico) da Gricha, apesar das botas que levávamos, adequadas para aquele tipo de pavimento, custou-nos um bocado.

 

Do apeadeiro (técnico) da Gricha para a frente, o troço da Linha apresentava-se mais cómodo. Edu, contudo, já mostrava algum cansaço.

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Eis a primavera irrompendo com toda a sua força, vindo à frente a giesta branca (Cytisus multiflorus), bem adaptada a terrenos xistosos.

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Na aproximação ao Km 9, ao fundo, o casario da vila de Torre de Moncorvo.

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E, entre o Km 9 e o Km 10, este típico pombal, a necessitar de arranjo.

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Mais à frente, mais uma explicação do tio Neca quanto a este arbusto - o sumagre - com a sua utilização para fins medicinais e para a alimentação.

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Por entre um pequeno olival, ao Km 11, o casario da Torre de Moncorvo, com a sua imponente Igreja Matriz,

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uma autêntica igreja/torre fortaleza.

 

E eis-nos chegados ao nosso términus da caminhada, início da ecopista e da nossa 2ª etapa (Torre de Moncorvo - Freixo de Espada-à-Cinta), a levar a cabo amanhã.

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Um quilómetro e meio antes da nossa chegada a Torre de Moncorvo, Augusto veio ter connosco, ao longo da linha, acompanhando-nos até ao Restaurante Jardim Aberto, onde almoçámos.

 

Depois do almoço, antes de irmos para as Moradias do Douro Internacional, na Congida, Freixo de Espada-à-Cinta, fomos dar uma volta pela vila.

 

Não fomos propriamente conhecer Torre de Moncorvo. O termo mais adequado seria revisitá-la e matar saudades. A esta vila liga-nos laços afetivos muito profundos. Tivemos aqui, no final da nossa adolescência e primeira juventude, um saudoso irmão que aqui fixou residência, por alguns anos. Uma filha e um filho nasceram-lhe aqui.

 

Pelos laços afetivos que a esta vila nos ligam, vamos, por isso mesmo, no próximo post da reportagem desta Linha, fazer-lhe um «Destaque».

 

Entretanto, deixo aos nossos leitores o visionamento do vídeo desta 1ª etapa que, em 2013 fizemos e publicámos no Youtube com a designação «Pelas Travessas da Linha do Sabor - 1ª etapa».

 


publicado por andanhos às 19:49
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Ao Acaso - Amadeo de Souza-Cardoso-A «arte de loucos, de manicómio» 100 anos depois

 

 

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

 

A «ARTE DE LOUCOS, DE MANICÓMIO» 100 ANOS DEPOIS

00. ASC


Não foi a primeira vez que entrámos em contacto com a arte de Amadeo de Souza-Cardoso.

 

Numa das nossas deslocações à «capital» do Baixo Tâmega, aproveitámos para entrar no Museu Municipal que leva o seu nome.

 

Amadeo de Souza-Cardoso nasceu em Manhufe, freguesia de Mancelos, concelho de Amarante, a 14 de novembro de 1887.

 

Foi um artista cuja vida não foi longa. Morreu, de pneumónica, em Espinho, a 25 de outubro de 1918.

 

Os entendidos dizem que pertence à primeira geração de pintores modernistas portugueses. E, como artista, «desenvolveu, entre Paris e Manhufe, a mais séria possibilidade de arte moderna em Portugal num diálogo internacional, intenso mas pouco conhecido, com artistas do seu tempo», articulando-se «de modo aberto com movimentos como o cubismo, o futurismo ou o expressionismo», atingindo em muitos momentos - e de modo sustentado na produção dos seus últimos anos - um nível em todo equiparável à produção da arte internacional sua contemporânea».

 

Todavia, foi preservando sempre uma certa autonomia artística, ao ponto de assumir que «não seguia uma escola ou um movimento específico, como o cubismo».

 

Amadeo de Souza-Cardoso expôs em França, na Alemanha, nos Estados Unidos e em Inglaterra, mas, sua obra inseria-se em «exposições coletivas», não tendo, por isso, um grande destaque, à exceção da de Londres, na qual a crítica foi muito positiva.

 

A única exposição individual que levou a cabo foi no Porto e, a seguir, em Lisboa, em 1916.

 

No Porto, no então Jardim do Salão Passos Manuel, hoje inexistente, e onde atualmente se localiza o Coliseu do Porto; em Lisboa, na Liga Naval Portuguesa.

 

Se a exposição do Porto, no Jardim do Salão Passos Manuel, apresentava uma grande visibilidade, por ser «dos mais populares da época, onde havia um cinematógrafo, e até se dizia que ir ao Porto e não ir a Passos Manuel era como ir a Paris e não ir à Torre Eiffel», na Liga Naval Portuguesa, em Lisboa, o espaço era mais elitista, «mais isolado, com uma carga política muito específica ligada à reação monárquica à primeira República».

 

A exposição de Amadeo de Souza-Cardos, em 1916, foi comissariada por ele próprio e teve a «proeza» de, em 12 dias, no Porto, ter 30 mil visitantes.

 

Mas não se pense que, à sua volta, reuniu um grande consenso de crítica positiva. Houve, positivamente, muitas apreciações, em jornais, negativas, por não compreenderem as linguagens novas e a estética vanguardista.

 

É de salientar, contudo, que houve alguns artigos de admiração e apreciação interessantes, «como os de Alfredo Pimenta, um homem da extrema-direita».

 

Para a opinião pública da época, cujo seu maior veiculador de opinião era o Primeiro de Janeiro, aquela exposição era uma «arte de loucos, uma arte de manicómio»; já, por sua vez, o Jornal de Notícias dizia que era uma proposta de arte extremamente interessante.

 

Foi uma exposição, acima de tudo, polémica, em que se debatiam campos opostos, chegando-se ao ponto de ter havido agressões físicas e até circular a hipótese de terem cuspido nos seus quadros expostos: é o que diz Marta Soares, uma das curadoras que, no espaço do Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto (de 1 de novembro a 31 de dezembro de 2016) e no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu Chiado (janeiro de 2017) nos procura(ra)m mostrar 81 das 114 obras que Amadeo expôs no Porto, na sua primeira exposição, volvidos que são 100 anos.

 

Em dezembro passado, estando no Porto, Ao Acaso,  e passando pelo antigo Palácio dos Carrancas (e antiga residência oficial dos soberanos portugueses, aquando das suas estadias no Porto, a partir de 1861),

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não resistimos em entrar neste edifico

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para ver a exposição da obra tão ostensivamente divulgada deste artista.

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Seguimos a sinalética aposta no Museu.

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Subimos. E, num corredor, sensivelmente a meio, entrámos.

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A partir deste recinto, «ornado» de várias esculturas famosas,

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não nos foi autorizado tirar mais fotografias.

 

Por tal circunstância, socorremo-nos de algumas fotos da imprensa, aquando da abertura, para mostrar 5 perspetivas da exposição:

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(PerspetivaI)

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(Perspetiva II)

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(Perspetiva III)

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(Perspetiva IV)

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(Perspetiva V)

E utilizámos o Catálogo da Exposição, que o comprámos para o efeito, das fotos de Susana Silva Oliveira e dos acervos fotográficos das obras, quer da Fundação Caloustre Gulbenkian, quer do Museu Municipal Amadeo de Soza-Cardoso (Amarante), quer do Museu Nacional Soares dos Reis para mostrar aquelas obras que, ao nosso olhar, foram mais impressivas.

 

Fica aqui, assim, um pequeno contributo na divulgação da arte dos nossos artistas por quem, a maioria de nós portugueses (quiçá por falta de uma verdadeira educação artística), muito pouco cuidamos de apreciar e admirar, com verdadeiro gosto estética.

11a.- Casa do Ribeiro, 1913. óleo sobre madeira, Coleção particular
(Casa do Ribeiro, 1913. Óleo sobre madeira, Coleção particular)

12.- A ascenção do quadrado verde e a mulher do violino, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo souza-Cardoso
(A ascensão do quadrado verde e a mulher do violino, 1915-1916. Col. particular em depósito no M.M. Amadeo de Souza-Cardoso)

13.- A casita clara paysagem, 1915. óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(A casita clara paysagem, 1915. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

14.- A máscara de olho verde cabeça, 1915-1916. óleo sobre tela, Coleção particular
(A máscara de olho verde cabeça, 1915-1916. Óleo sobre tela, Coleção particular)

15.- Arabescodynamico - REAL...
(Arabesco dynamico = REAL - ocre rouge café. 1915-1916. Óleo sobre tela, Coleção particular)

16.- Cabeça Oceano, 1915. Aguarela sobre papel, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(Cabeça Oceano, 1915. Aguarela sobre papel, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

17.- Paysagem Manhufe, 1912-1913. óleo sobre madeira. coleção particular
(Paysagem Manhufe, 1912-1913. Óleo sobre madeira, Coleção particular)18.- Instrumento de Música, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Nacional Soares dos Reis

 
(Instrumento de Música, 1915-1916. Coleção particular em depósito no Museu Nacional Soares dos Reis)

19.- Par Impar, 1915-1916.Coleção particular
(Par Impar, 1915-1916.Coleção particular)

20.- Máscara de aço, 1914-12915. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso
(Máscara de aço, 1914-12915. Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

21.- Mucha, 1915-1916.óleo sobre tela. Coleção Museu Caloustre gulbenkian
(Mucha, 1915-1916. Óleo sobre tela. Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

22.- Pintura (Abstração), óleo sobre tela, c. 1913, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Pintura [Abstração), 1913. Óeo sobre tela, Coleção Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

23.- Trou de la Serrure (Parto da viola), 1916. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian (Coleção moderna)
(Trou de la Serrure (Parto da viola), 1916. Óleo sobre tela, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

24.- Vida dos Instrumentos, 1916 - Museu Soares dos Reis
(Vida dos Instrumentos, 1916 - Coleção do Museu Nacional Soares dos Reis)

25.- Retrato de Francisco Ferreira Cardoso, óleo sobre cartão, c. 1913, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Retrato de Francisco Ferreira Cardoso, 1913. Óleo sobre cartão, Coleção do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

26.- Retrato paisagem, 1913. Auto-retrato de Amadeo de Souza-Cardoso, pertencente à coleção Museu Caloustre Gulbenkian
(Retrato paisagem, 1913. Auto-retrato de Amadeo de Souza-Cardoso, Coleção Museu Caloustre Gulbenkian)

27.- A chalupa, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleçºao do Museu fundação Caloustre Goulbenkian (Coleção Moderna)
(A chalupa, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção do Museu Caloustre Gulbenkian)

28.- Antiga Inanharmonia,1913 - 1914. Óleo sobre tela, Xoleção particular em depósito no Museu Municipal amadeo Souza-Cardoso
(Antiga Inanharmonia, 1913 -1914. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

29.- Azenhas, 1915. óleo sobre tela, coleção particular em depósito no museu Municipal amadeo Souza-Cardoso
(Azenhas, 1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

30.- Bruxa louca - cabeça, 1914. óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso
(Bruxa louca - cabeça, 1914. Óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

31. Canção Popular e Pássaro do Brasil, óleo sobre tela, c. 1916, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante
(Canção Popular e Pássaro do Brasil, 1915. Óleo sobre tela, Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso)

32.- Cavaquinho, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito Museu Municipal amadeu Sousa-Cardoso
(Cavaquinho, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeu Sousa-Cardoso)

33.- Crime - abysmo azul, remorso physico, 1914-1915. óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu municipal de amadeo de Souza-
(Crime - abysmo azul, remorso physico, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no M.M. de Amadeo de Souza-Cardoso)

34.- Músuca surda, 1914-1915. óleo sobre tela. coleção particular em depósito no Museu Minicipal Amadeo Souza-Cardoso
(Músuca surda, 1914-1915. Óleo sobre tela, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

35.- O rata, 1914-1915,.Óleo sobre cartão, Coleção Museu municipal amadeo Souza-Cardoso
(O rata, 1914-1915. Óleo sobre cartão, Coleção Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

36.- Paysagem verde, 1914. óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amedeo Souza-Cardoso
(Paysagem verde, 1914. Óleo sobre cartão, Coleção particular em depósito no Museu Municipal Amadeo Souza-Cardoso)

37.- Caricatura da Senhora de Azul, 1907. Aguarela e grafite sobre papel, Coleção particular em depósito no Museu Municipal amadeo de Souza-
(Caricatura da Senhora de Azul, 1907. Aguarela e grafite sobre papel, Coleção particular em depósito no M.M. Amadeo de Souza-Cardoso)

38.- ASC

 


publicado por andanhos às 21:58
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2017

Por terras de Portugal:- Braga-Seminário Menor - Capela Imaculada-Uma ponte entre a Igreja e a Arte

 

 

BRAGA - SEMINÁRIO MENOR

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CAPELA IMACULADA - UMA PONTE ENTRE A IGREJA E A ARTE


Conhecemos, pela primeira vez, em 19 de maio de 2013, a Capela de Nossa Senhora da Conceição, no âmbito de uma Primeira Comunhão de uma nossa sobrinha.

 

A Capela de Nossa Senhora da Conceição está situada no centro do edifício do Seminário Menor da Arquidiocese de Braga.

 

A construção do edifício do Seminário Menor, chamado de Nossa Senhora da Conceição, decorreu entre 1923 e 1924, sob a vigência do Arcebispo de Braga, D. Manuel Vieira de Matos.

 

Este prelado adquiriu, em hasta pública, os edifícios dos extintos Recolhimento de S. Domingos da Tamanca e do Conservatório das Órfãs do Menino Deus, em avançado estado de ruína, para aqui instalar o Seminário Menor.

 

Neste Seminário Menor, com mais de 90 anos de existência, por aqui passaram mais de 8. 000 jovens, os quais se distinguiram nas mais diversas áreas de atividade, desde a cultura, o ensino, a política, a justiça, a ação social, o desporto, a arte, a economia e, naturalmente, na consagração ao serviço do Evangelho e à Igreja Católica.

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Mal sabíamos nós que, passado um ano, o espaço da Capela seria objeto de intervenção, face às debilidades estruturais que a mesma apresentava.

 

Quando, em 2013, entrámos na Capela de Nossa Senhora da Conceição, o seu aspeto era o de uma capela normal, com capacidade para 700 pessoas, mas, em muitos aspetos, idêntica a muitas outras já conhecidas, integradas dentro do espaço do edifício de um Seminário.

 

Aqui se mostra um aspeto parcelar da mesma, naquele ano de 2013:

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Na companhia de um nosso ex-aluno do Curso de Licenciatura em Recreação, Lazer e Turismo, especialista e doutorado em Turismo Religioso, e com responsabilidades na Confraria do Bom Jesus do Monte e na gestão dos Hotéis do Bom Jesus, fomos visitar, no verão passado, aquela Capela, objeto de intervenção em 2014, e consagrada, em 2015, pelo Arcebispo D. Jorge Ortiga, com o nome de Capela Imaculada. Estávamos no ano pastoral 2014/2015 e no 90º aniversário do Seminário de Nossa Senhora da Conceição.

 

Mal entrámos no Seminário, e no corredor que nos dá acesso ao local da Capela, as mesmas sinetas,

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e, no átrio de entrada, o mesmo ícone em azulejos.

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Aberta a sua porta de entrada, eis, a nossos olhos, a total «transubstanciação» do espaço!

 

Se é verdade, tal como afirma o Arcebispo D. Jorge Ortiga, na consagração e dedicação da Capela, que «a Igreja ofereceu à Humanidade as “mais belas obras de arte”», acrescentando, «desde a pintura à escultura, das capelas às catedrais, da literatura à música, o génio cristão inspirou uma plêiade de artistas e marcou indelevelmente o mundo (...)», contudo, não nos podemos esquecer do custo que tal «feito» teve não só nas comunidades dos crentes, nas outras comunidades crentes e também naqueles que, de uma forma laica, se lhe opunham, porque portadores de visões do mundo diferentes.

 

A História da Igreja Católica, infelizmente, não é feita, e foi construída, só com «glórias», aliás como todos os sistemas de valores fechados, por muito que se diga, ou queira, estarem abertos ao exterior!

 

Não é aqui nosso desiderato o aprofundamento desta pertinente questão.

 

Como conhecedores, minimamente atentos, como somos, dos valores fundamentais da comunidade dos crentes católicos e da sua liturgia, apraz-nos registar agradavelmente a impressão com que ficámos com este novo espaço, quando o visitámos.Tal como já tinha acontecido com a Capela Árvore da Vida, localizada no Seminário Maior, também em Braga.

 

Não é nosso intuito descrever, em pormenor, e explicar, cada um dos elementos que compõem e caracterizam esta Capela, apelidada de Imaculada, verdadeiramente singular no conjunto dos edifícios congéneres da Igreja Católica.

 

Vamos apenas destacar sete elementos que reputamos mais impressivos, deixando depois a respetiva explicação ao Professor de Liturgia da Faculdade de Teologia de Braga, Padre Joaquim Félix:

 

1.- O simbolismo do Portal da Entrada

05.- DSCF3836


2.- O pilar que sustenta o oratório (Confessionário), com os seus materiais, e o significado dos elementos constantes da sua base:

06.- DSCF3830


3.- A colocação do ambão no meio do espaço /ambiente, enfatizando a «centralidade promovida a partir da Palavra»:

07.- DSCF3849

 

4.- O altar, em pedra de granito tosca, apenas polido numa face,

10.- DSCF3841


assentando sobre o «dinamismo da vida da água»:

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5.- O efeito da luz que nela penetra,


quer se trate da que entra pela funa placa de mármor de Estremoz, no lugar onde antigamente estava o altar-mor, com o sacrário,

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agora localizado num lugar lateral do espaço da Capela;

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quer se trate da que entra pelas divisões da abóbada de betão armado suspenso; quer ainda a que entra pelas cortinas de pano, feitas pelas tecedeiras de Cabeceiras, nos seus teares tradicionais

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e a respetiva simbologia de cada um destes «rasgos» de luz.

 

6.- A Nossa Senhora da Humildade

 

E o que dizer da Nossa Senhora da Humildade, no meio do ambiente litúrgico, gerando «um ambiente de cenáculo»?

13.- DSCF3834

 
Mas, passemos a palavra mais avisada ao Padre Joaquim Félix, ínsita na reportagem da Ecclesia.

 

7.- Os seus quadros ou pinturas

 

Demos agora a palavra ao escultor responsável pela peça «Nossa Senhora da Humildade» e à pintora deste conjunto, que ora se mostra,

14.- DSCF3842

 
bem assim ao arquiteto, António Fontes:

 

Saímos deste espaço,

15.- DSCF3852

 
e, como dissemos, agradavelmente surpresos.

 

E uma pergunta ficou pairando na nossa mente: será que esta obra representa uma verdadeira renovação e abertura de uma comunidade crente, consentida, querida, dando valor à Honestidade, Verdade, Exigência, Inovação, Simplicidade, convidativa ao silêncio e reflexão, aberta às diferentes visões do mundo e da arte? Ou não será simplesmente o «feito» de uma elite, quiçá bem afastada da maioria do sentir e do viver da fé dos crentes da comunidade onde se insere?

 

Pela nossa parte, e de qualquer das formas, estão de parabéns os responsáveis por esta(s) obra(s) de arte.

 

Que a mesma represente efetivamente uma verdadeira ponte... para os crentes desta comunidade, levando-os, no silêncio e diálogo com esta arte e a sua história, para muitas outras «margens».

 


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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017

Por terras da Ibéria:- Caminho de São Salvador - Pajares-Pola de Lena

 

 

 

DE LA PULCHRA LEONINA A LA SANTA OVETENSIS

 

CAMINHO DE SÃO SALVADOR

47.- CSS - 6ª etapa (503)

 

6 etapa:- Pajares (Payares) - Pola de Lena
(03.maio.2016)

 

 


Introdução

 

Ultrapassada que foi a zona mais montanhosa deste Caminho de São Salvador, a partir de Pajares (Payares), percorremos o extenso concelho de Lena.

 

Diz-nos o Eroski Consumer que esta etapa não nos dá tréguas, contudo, propicia-nos belas paisagens e interessantes veredas num itinerário que evita sempre a Estrada N-630, que serve, fundamentalmente, as populações rurais de Santa Marina, Llanos de Somerón, Fresnedo e Herías.

 

Na programação que tínhamos feito deste Caminho, esta etapa estava dividida em duas, ou seja, de Pajares (Payares) até Bendueños, com 15 Km de extensão, e de Bedueños até Pola de Lena, sensivelmente com 10 Km.

 

Foi com algum desalento que Marisa, a albergueira de Pajares (Payares) nos informou que o albergue Santuário de Bedueños, privado, estava encerrado, para obras.

 

Para quem, como nós, tínhamos passado um mau bocado com a descida para Pajares (Payares), que nos deixou completamente de rastos, ver pela frente uma etapa de 25 Km, e, ainda por cima, toda ela projetada num sobe e desce constante, com uma primeira descida forte logo no início, de Pajares (Payares) para San Miguel del Rio, e outra, de se lhe tirar o chapéu, de Herías para Campomanes, apesar da beleza da paisagem, ficámos deveras desalentados.

 

Ainda pensámos ficar em Capomanes, onde existe toda a espécie de serviços para um peregrino, contudo, a nossa decisão foi de tentar os 25 Km de uma assentada e, caso surgisse alguma dificuldade, então ficaríamos em Campomanes, a pouco mais de 7 Km de Pola de Lena.

 


1.- Pajares (Payares) - Llanos de Somerón

 

Deixámos Pajares (Payares) com o começo do raiar do sol,

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passando pela Fonte de la Pría e pelo Solar do Hospital de San Miguel, dos séculos XVIII e XIX, em completa ruína.

 

E logo à saída da povoação, começavam os nossos joelhos a ressentirem-se com a pronunciada descida até San Miguel del Rio.

 

Nosso companheiro de Caminho, apercebendo-se da nossa dificuldade, foi estugando o pé. Enquanto parávamos, aqui e ali, não resistíamos a observar o entorno por onde passávamos, captando uma ou outra imagem,

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até que nos aproximávamos de San Miguel del Rio, banhada pelo rio Pajares (Payares).

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Ultrapassámos San Miguel del Rio ainda de madrugada, não deixando, todavia, de registarmos a rústica igreja da localidade.

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A partir de San Miguel del Rio, começámos a subir (e a descer) até Puente de los Fierros, passando por Santa Marina, com a sua singela capela.

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E é verdadeiramente aqui que o nosso Caminho penetra em zona verdadeiramente rústica (rural e florestal): ora num abrir e fechar constante de cancelas,

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para manter acoitado o gado, ora por veredas de floresta autóctone, de caducifólias,

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em que, pelas suas vertentes, jorra água límpida, cristalina.

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Percorridos sensivelmente 5 Km, dávamos entrada em Llanos de Somerón.

 

Veja-se o espetáculo de paisagem que presenciámos!

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2.- Llanos de Somerón - Herías

 

Na passagem por Llanos de Somerón, este típico espigueiro asturiano.

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Ao chegarmos à Igreja de Llanos de Somerón, dedicada a Santiago, onde existe a seu lado um enorme teixo,

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deixámos, à porta da Igreja, o nosso antigo cajado, que já não cumpria cabalmente a sua função. Florens, perito em cajados, prometeu-nos fazer um que estivesse à nossa altura.

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E, logo de seguida, começámos a longa descida até Puente de los Fierros, por uma estrada local.

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Aqui, em Puente de los Fierros, antigamente, cobrava-se portagem.

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Não entrámos na localidade. Abandonada a estrada local, à esquerda da mesma, começámos a subir por um carreiro de pé posto.

 

Percorridos, aproximadamente, 10 Km, Florens, num alto verdejante, tira a mochila das costas, descalça-se e, sob o sol inclemente do meio-dia, convida-nos a descansar sobre este tapete verde.

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Ao fundo da ravina, onde nos sentámos, Puente de los Fierros com a sua estação de caminho-de-ferro.

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Após o descanso, bebidos e comidos, com o reforço do segundo pequeno-almoço, que levávamos no farnel, em poucos minutos estávamos a atravessar Fresnedo.

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De Fresnedo até Herías, o carrocel constante, de altos e baixos, no troço do Caminho. E cansativo. O que valia era a paisagem

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à nossa volta, que compensava todo o esforço despendido, por entre uma encosta densa de árvores,

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em que a água, escorrendo pela encosta abaixo, não faltava.

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A páginas tantas, Florens para. Encontrou uma galha ideal numa árvore para, dela, nos fazer o prometido cajado.

 

Aqui o vemos no seu esforço de artesão!

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Aqui e ali, ao longo da encosta, casas em ruínas, tomadas pelas heras. Esta, que aqui vemos, ainda se nos apresenta com alguma «frescura».

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E, desta casa até à Ermida de San Miguel, foram escassos metros para lá chegar.

23.- CSS - 6ª etapa (316)


Aqui, no espaço primaveril, envolvente a esta ermida, fizemos mais uma pequena pausa, sentados em dois toros de madeira, juntos a um palheiro.

 

E não nos cansávamos de admirar toda a beleza natural que se nos postava, naturalmente, aos nossos olhos.

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Mas o Caminho de hoje pedia-nos mais avanço. E começámos a descer até Herías.

 

Num pequeno caminho à nossa mão direita, a Fonte de San Miguel.

25.- CSS - 6ª etapa (330)


Ao dobrar de uma vereda, eis o casario de Herías com todo o seu entorno!

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Aqui, num cruzamento, viraríamos para o albergue de Bendueños e, em pouco tempo, a nossa etapa programada estaria concluída. Mas não! Havia que prosseguir, com mais 10 Km pela frente.

 

Em Herías, registámos este singular espigueiro - e pouco mais -,

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prosseguindo nosso Caminho, agora voltando a subir.

 

 

3.- Herías - Santa Cristina de Lena

 

No topo da subida, começámos a deixar de visualizar Herías, com o seu casario à volta da Igreja.

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Enquanto nos despedíamos de Herías, no fundo do vale, passava um comboio.

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Depois da subida, na saída de Herías, esperava-nos agora uma vertiginosa descida até Campomanes.

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Pese embora a almofada de folhas que o troço nos oferecia, entremeado com perigosos calhaus, muito a custo, lá conseguimos chegar a Campomanes.

 

Exaustos, e com fome, aqui parámos para descansar e abastecer, convenientemente, a «máquina» para os restantes 7,5 Km que ainda nos esperavam para chegarmos a Pola de Lena.

 

Suficientemente descansados, e bem comidos e bebidos, com outra alma e ardor, encarámos agora, com mais otimismo, o último troço que nos faltava fazer.

 

Saindo de Campomanes, o Caminho suaviza.

 

Percorrendo o passeio fluvial existente nesta localidade, não nos cansávamos de observar as águas límpidas do rio Pajares (Payares) e, ao fundo do cenário, os cumes da serra ainda, em plena primavera, cobertos de neve.

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A determinada altura do percurso fluvial, nasce um outro rio: aqui, o rio Pajares (Payares) recebe as águas do rio Huerna, dando origem ao rio Lena. Nesta foto, vemos, assim, três rios - a foz do rio Huerna, em frente; do nosso lado esquerdo, o rio Pajares (Payares) e, do lado direito, o recém-nascido rio Lena!

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Satisfeita nossa curiosidade, continuámos o nosso Caminho, continuando a percorrer o passeio fluvial.

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Saídos do passeio fluvial, ao fundo do horizonte, a mais de meio da encosta, apresenta-se-nos, de bandeja, a silhueta da Igreja pré-românica de Santa Cristina de Lena.

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4.- Santa Cristina de Lena - Pola de Lena

 

Aqui chegados, seria imperdoável se não visitássemos esta maravilha do pré-românico, pese embora a íngreme subida que teríamos de ultrapassar.

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Florens toma a dianteira.

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Nós seguimo-lo e, na subida, à nossa direita, a pura visualização da arte pré-românica asturiana, vista por um dos seus alçados laterais!

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O que se nos apresenta ao nosso olhar é uma igreja, de estilo ramirense, por ter sido construída no reinado de Ramiro I, no século IX, que está considerada como Património da Humanidade.

 

Este é o seu alçado frontal.

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Vejamos agora as suas traseiras.

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Entremos dentro, guiados pela senhora María Inês, a responsável pela guarda da chave do monumento, em amena e cordial conversa com o nosso companheiro peregrino, Florens.

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Reparemos nos pormenores do seu interior.

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Satisfeita a nossa curiosidade, e apreciada esta linda pérola, era hora de fazer mais uma pequena pausa no apetecível recinto da Igreja, com vista para a aldeia de Palacios.

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Florens não hesitou em fazer uma pequena soneca,

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sob o olhar atento deste lindo fiel amigo.

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Enquanto Florens passava um pouco pelas brasas, nós entretínhamo-nos a observar todo este lindo entorno.

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E, como diz o velho ditado que «não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe», mochilas às costas, preparámo-nos para sair deste sagrado e edílico lugar, descendo pelo lado oposto ao que tínhamos chegado, pisando um caminho empedrado (medieval?),

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despedindo-nos daquela maravilhosa Igreja ramirense.


Enquanto atravessávamos o bairro Peridiello, à nossa esquerda, deixávamos a estação de caminho-de-ferro de La Cobertoria.

 

No rés-do-chão deste edifício, está localizada uma sala de aulas que nos elucida sobre esta linda pérola pré-românica, acabada de visitar.

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E continuámos o nosso Caminho, agora acompanhados pelo curso de água do rio Lena, encravado neste pequeno vale verdejante, e acompanhados por casario, que se arrasta até ao seu leito.

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De Santa Cristina de Lena até Pola de Lena são, mais ou menos, 5 Km, num sem fim a andar sobre o asfalto!

 

Até que, já positivamente cansados, mas ainda com uma réstia de folgo, chegámos a Pola de Lena,

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passando pela Casa do Concello;

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(Vista de lado)

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(Vista de frente)


pelo Mercado Municipal;

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pelo centro da cidade, com a sua Igreja Paroquial,

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tendo, à sua frente, o Jardim Público.

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E não levou muito tempo até que chegássemos ao albergue.

 

Quando chegámos ao albergue, a «nossa» peregrina Justyna Bartkowiak já tinha chegado há bastante tempo. É uma jovem e com boas pernas para andar. Não admira não lhe termos visto o rasto durante toda a etapa!

 

Encontrava-se no albergue mais um outro peregrino. Não soubemos donde vinha. Era de poucas palavras.

 

Tomámos banho. Descansámos um pouco. E, depois, saímos para comer e dar uma pequena volta por Pola de Lena.

 

Tirámos algumas fotos. Deixamos apenas aqui esta pitoresca moradia, pois a reportagem já vai longa.

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Entrámos em duas siderarias para beber e petiscar. Havia jogo de futebol pela televisão. Não fixámos os clubes que jogavam. Mas tinha a ver com um campeonato europeu em que jogava uma equipa espanhola.

 

Prestámos mais atenção não só ao que comíamos e bebíamos como à reação da assistência. Por todo o lado, o futebol produz o mesmo fenómeno no contágio entusiasta dos adeptos, gerando as mesmas reações, a mesma «loucura» de massas!

 

Bem compostos, regressámos ao albergue, dando uma vista de olhos a uma das ruas de Pola de Lena.

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Quando chegámos ao albergue, fomos encontrar o nosso amigo checo Bohdan Dochanic. Disse-nos que gostaria de fazer, no dia seguinte, a etapa connosco.

 

Quando nos deitámos na cama, demo-nos conta que, positivamente, estávamos todo roto das pernas.

 

E a noite foi calma e reconfortante, trazendo-nos novas energias para o dia seguinte...


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Sábado, 31 de Dezembro de 2016

Versejando com imagem - Meu amor não deixes de sonhar comigo

 

 

VERSEJANDO COM IMAGEM

 

MEU AMOR NÃO DEIXES DE SONHAR COMIGO

 

 

 

Meu amor não deixes de sonhar comigo
Finge que sou cor
E tinge-me, meu amor
E atinge o meu calor.

Meu amor deixa-me ser musa,
Deixa-me ser harpa e som.
E ser o tom e o dom, da tonalidade que se usa
Para pintar a doçura que se entrevê no decote da minha blusa.

Vem beber mestre, nos lábios da musa,
Dócil e agreste, submissa e que te recusa.

Sonha comigo amor!
Também é bom ser o teu sonho,
O que não se toca, o que não se tem.
Preciso partir para me quereres
Preciso subir ao meu recanto celestial
Reenquadrar-me na minha perspetiva do ideal.
Na projeção do meu real,
No âmago, essência essencial do meu ser.

Preciso tocar de novo a minha pedra filosofal.
Desprender-me das amarras
E voar, escalar com as doces garras
A métrica do irreal.

Sombras, secas e surdas
Sobem sobre as pálpebras mudas
O cansaço consome, absorve sob penas duras.

Vou dormir e descansar e fugir,
Para um lugar de onde penso partir.
Há-de nascer a fonte,
Verdejar o monte,
Há-de sorrir a gueixa,
Há-de desaparecer a queixa,
Hás-de sonhar comigo de novo…

Meu amor, meu triste, pacato e contido…
…Povo.

 

Lúcia Cunha
03-06-2013

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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016

Palavras soltas... Travassos do Rio (e o Barroso) pela pena de Miguel Torga

 

 

PALAVRAS SOLTAS...

 

TRAVASSOS DO RIO (E O BARROSO) PELA PENA DE MIGUEL TORGA

 

01.- NOC9137


De regresso a Chaves, vindos de Braga, pela Nacional 103, demo-nos conta que A. Tâmara Júnior se encontrava por terras de Montalegre.

 

Combinámos um encontro, ou em Sezelhe ou em Travassos do Rio, onde, juntamente com um seu amigo fotógrafo, andavam captando o que resta da «alma» barrosã.

 

Porque, nesta altura, os dias são pequenos, a visita a Sezelhe foi rápida.

 

Ficámo-nos de encontrar, assim, em Travassos do Rio, última aldeia a visitarem nesse dia.

 

Já não nos lembrávamos de ter estado nesta terra. É rica em lameiros,

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a julgar pelo gado bovino que vimos.

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Todavia, o que nos chamou mais a atenção, à entrada da aldeia, foi uma tabuleta indicando «Torre do Boi».

 

Dirigimo-nos ao Largo do Cruzeiro, onde, no Cruzeiro, impera um singelo relógio de sol.

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De pronto, demos de caras com esta torre.

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Na sua base, uma placa com a citação da parte do diário de Miguel Torga, escrita a 29 de Agosto de 1991, no seu último Diário.

 

Transcrevemos as palavras do nosso poeta maior transmontano:


Travassos do Rio, Montalegre, 29 de Agosto de 1991 - Notabiliza este lugar um baixo-relevo na torre sineira a figurar a cabeça dum toiro, que foi campeão invencível nas turras do seu tempo e os habitantes, ufanos de tanta valentia, quiseram perpetuar.
Vou rememorando: Cornos das Alturas, Cornos da Fonte Fria, Tourém, Toural, Pitões.
Era assim antanho. Por todo o lado a mesma obsessão a tutelar as consciências. O mal é que o povo, em meia dúzia de anos, deixou apagar nos olhos a imagem viril, e perdeu a identidade. O Barroso de hoje é uma caricatura. Sem força testicular, fala francês, bebe Coca-Cola, deixou de comer o pão centeio do forno comunitário, assiste a chegas comerciais, em campos de futebol, com bilhetes pagos e animais alugados. É um nédio boi capado”.

 

Lidas estas palavras, podem-nos parecer uma espécie de insulto ao barrosão de hoje.

 

Não cremos, sinceramente, que tenha sido este o intento do nosso poeta maior, transmontano (alto-duriense). São palavras que fazem apelo à nossa consciência crítica quanto ao tipo de desenvolvimento que implementámos nos dias que correm.

 

Obviamente que não queremos voltar à extrema pobreza que nos arrancou dos braços da nossa querida terra barrosã, a mourejar pelos países da diáspora portuguesa, à procura de melhor qualidade de vida.

 

Não é a vida pobre e miserável, que este velho moinho simboliza, que devemos preservar. Mas ele faz parte da nossa história, da nossa memória. Devemos mantê-lo para nos lembrar donde viemos. A luta que tivemos de travar para aqui chegar.

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Não é a substituição do colmo pelas telhas nas casas que servem de nosso ninho; nem, tão pouco, na nova e renovada igreja,

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que hoje, a nossos olhos, se apresenta bem vestida e de cara lavada, que nos indica que mudámos, e no sentido do progresso.

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Não. Não é nada disto que contestamos e pretendemos, e, a exemplo de Miguel Torga, por em crise.

 

O que constrange e entristece Miguel Torga, e a nós também, é a total perda de identidade da nossa qualidade de ser barrosão.

 

O termos sido - e alguns infelizmente ainda o são - pobres não deve ser motivo de nos levar a rejeitar os valores fundamentais das nossas próprias raízes, como os nosso modestos casebres.

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O que nos entristece é, positivamente, deixarmo-nos totalmente acultural pelos modos de vida dos novos senhores do Mundo - dos que, é certo, nos deram a vida a ganhar - deixando, contudo, para trás, com uma espécie de vergonha, aquilo que mais nos distinguia como portugueses e, especificadamente, barrosões.

 

Adotámos do «outro» o trivial da sociedade de consumo, desprezando, ou esquecendo, aquilo que outrora nos distinguia, que era motivo do nosso orgulho, que tornava nobre as nossas gentes.

 

Eramos pobres (e ainda alguns são), sim, mas, na essência, eramos, mulheres e homens, de um só costado, solidários, genuinamente comunitários, sabendo construir, com as agruras e a rudeza de um território, uma alma nobre, altiva, orgulhosa do seu terrunho, dos usos e tradições das suas gentes.

 

Hoje o Barroso é um completo contraste e uma verdadeira sombra do que era, pese, repete-se, embora certo «progresso» que patenteamos.

 

A raça, a força, a valentia e a galhardia, personificada no boi do povo de cada terra, verdadeiramente, já não existe mais.

 

Supomos que, quando Torga diz que somos «um nédio boi capado», outra coisa não quer significar senão a nossa total impotência para revertermos a situação em que nos encontramos e dotar o Barroso das qualidades que o distinguiam de todos os outros genuínos territórios portugueses.

 

E é pena!

 

Fica-nos esta memória, este símbolo - a Torre do Boi - para nos lembrar que, algures, em território português, existiu um povo que, para além de muitos outros valores e qualidades, tinha uma que as distinguia de todas as demais - a valentia do «antes quebrar que torcer», do seu modo de vida genuíno, diferente, que, constantemente, lhe persegue a consciência!!!...


nona


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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016

Reino Maravilhoso - Crónica de uma reportagem falhada

 

 

REINO MARAVILHOSO - ALTO TÂMEGA E BARROSO


CRÓNICA DE UMA REPORTAGEM FALHADA


Devíamo-nos levantar à 7 da manhã para sairmos da cidade de Névoa, às 7 horas e 30 minutos, e embrenharmo-nos nas aldeias solarengas do nosso Barroso com os nossos habituais três mosqueteiros.

 

Não os acompanhámos aquela hora, dizendo que tínhamos compromissos inadiáveis que nos preencheriam toda a manhã. Mas sempre fomos perguntando onde era a janta porque, resolvidos esses compromissos, nós lá aparecíamos. Em boa verdade, foram simples desculpas. Com dois ou três telefonemas, os assuntos/compromissos resolver-se-iam.

 

O que nos reteve em Névoa foi o medo ao frio e o saboroso quentinho da cama de manhã.

 

Névoa é assim: quando a «névoa» vem para ficar, fica mesmo. E, muitos de nós, desesperamos pela falta de sol quando, lá mais para o alto, o sol irradia.

 

Mas, pesando-nos a consciência, tomámos a nossa viatura e fomos ao encontro dos três valentes mosqueteiros (guerrilheiros) que, já pelas 11 horas e 30 minutos, tinham calcorreado as aldeias de Penedos de Cima, Penedos do Meio e Penedos de Baixo.

 

Ao sairmos de Névoa, não resistimos em registar, ao longo da EN nº 103, este cenário que se presenteava a nossos olhos.

 

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Ultrapassada Sapiãos, o sol de inverno radiava, enchendo-nos a alma com outro ardor.

 

Durante uma hora vagueámos pelas terras barrosãs de Montalegre em direção à barragem de Paradela. Parámos em Paradela do Rio. Em Paradela do Rio, recebemos mensagem para nos dirigirmos ao nosso já habitual Restaurante Albufeira, uma vez mais, para comermos o cozido barrosão. Pessoas simpáticas, os proprietários, mãe e filho, naturais de Vila da Ponte.

 

Bem comidos e bebidos, os nossos mosqueteiros «encartaram» as máquinas fotográficas. Para eles o dia já estava «ganho». Nós, porém, praticamente ainda não nos tínhamos «estreado».

 

Numa zona contígua ao restaurante, em Lama da Missa, o nosso D’Artagnan faz-nos um desafio: cada um tira uma fotografia ao cenário que tínhamos à frente - um lameiro -; depois, comparávamos, nesse cenário, ou que cada um mais enfatizava ou relevava. Aceite o desafio, aqui fica a nossa foto:

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E, como estávamos em maré de descontração, mais outro desafio: tirar uma foto das nossas próprias sombras (se fossemos ingleses, diríamos, uma «selfie»). Aqui fica com os nossos leitores um estranho pormenor da sombra de um dos nossos mosqueteiros.

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E, daqui, «remámos» em direção a Vilarinho de Negrões.

 

A barragem do Alto Rabagão apresenta-se quase vazia

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e Vilarinho de Negrões oferece-nos este aspeto:

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(Pormenor I)

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(Pormenor II)

Saídos do perímetro de Vilarinho de Negrões, eis, ao longe, a silhueta do seu casario.

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Em poucos minutos demos entrada na Vila e, de pronto, o condutor D’Artagnan dirige-se para o Miradouro da Corujeira.

 

Athos, exibindo orgulhosamente um pouco da sua (pressuposta) costela barrosã, apontando para o lado direito do cenário, que estava à nossa frente, dizia: ali, onde vedes aqueles três blocos de apartamentos, logo a seguir, foi onde vivi na minha infância; agora, está tudo diferente!

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Por seu turno, D’Artagnan, não deixando por mãos alheias os seus conhecimentos sobre Barroso - até porque traz com ele meia costela barrosã -, apontando para o pico do grande panorama à nossa frente, afirmava: aquela aldeia, logo mais abaixo daquele pico, é Sendim, a mais alta de Portugal!

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Saindo do Miradouro da Corujeira, andámos às voltas pelo bosque circundante, acabando por descermos até à Vila e, aí, andarmos pelos lugares mais escaninhos de Montalegre, não sabemos com que objetivo. Até que acabámos por entrar num bar do centro para dar de beber à sede.

 

Despedimo-nos uns dos outros, desejando Boas Entradas para 2017, enquanto no Ecomuseu do Barroso, Espaço Padre Lourenço Fontes, a Mãe Bruxa não nos deixava esquecer que, no próximo dia 13 de janeiro, é Sexta.

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Então, Mãe Bruxa, até lá!!!...


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Sábado, 24 de Dezembro de 2016

Ao Acaso... - Uma ideia «brilhante» num «chão» pejado de incongruências

 

 

AO ACASO...

 

UMA IDEIA «BRILHANTE» NUM «CHÃO» PEJADO DE INCONGRUÊNCIAS


Não pensem as leitoras e os leitores que estamos sempre no «contra» ou somos movidos por qualquer ideia persecutória seja para quem for ou de qualquer outra cor que seja. Muito pelo contrário. O que nos move é o desejarmos um concelho e uma cidade à altura dos pergaminhos da sua história. Porque é nossa. Porque a escolhemos para nela vivermos. Porque verdadeiramente a amamos.

 

Foi, por isso, com verdadeiro espanto, que vimos uma série de imagens da nossa cidade, engalanada de colorido, em época natalícia, nas redes sociais.

 

Sentimos que, quer nas imagens, quer nos escritos postados, havia renascido, finalmente, o verdadeiro orgulho de ser transmontano e flaviense. Afinal de contas - que diabo! -, não é só o futebol que levanta a nossa moral e o nosso «ego».

 

Foi, positivamente, uma ideia brilhante e inovadora, nesta quadra natalícia, decorar e iluminar os nossos monumentos e edifícios públicos.

 

Por isso, também como tantos flavienses, apesar do frio à noite, em dias de inverno soalheiro, saímos do conforto do nosso sofá e, máquina em punho, Ao acaso, deambulámos pela cidade à cata do que nesta época em Chaves brilhava.

 

Começámos pela Torre de Menagem.

01.- NOC9264

 
E gostámos da sua iluminação simples e minimalista.

 

Torneámos as traseiras do Museu da Região Flaviense e, de caras para a «Casa do Povo», sede do poder de todos nós, o que vimos também nos encheu a vista.

02.- NOC9266

 


Aqui ficámos apenas com um uma pequenina areia no sapato e um pouco pensativos, olhando para a estátua fronteiriça ao edifício, sede do Poder Municipal. Parece-nos que o «nosso» conde aparentava certa tristeza. Porventura gostaria de partilhar tanto brilho, não ficando tanto na sombra...

 

Mais em baixo, o conjunto das duas igrejas, quer a da Matriz,

03.- NOC9273

 
quer a da Santa Casa da Misericórdia, em ano de Comemoração dos 500 anos de existência da sua instituição, ajudam a criar um excelente conjunto, numa das praças mais emblemáticas da nossa cidade.

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Mas, caras leitoras e leitores, se da iluminação deste conjunto da Praça de Camões (vulgo, do Município) gostamos da novidade com que este ano nos presentearam, em boa verdade, não podemos calar o choque que sentimos com a total incongruência no tratamento final de todo este espaço.

 

Expliquemo-nos.

 

Uma iluminação natalícia é, por natureza, feita para encanto e contemplação dos espaços públicos, monumentos e edifícios de uma cidade. Contemplação e encanto que atraem, não só os seus residentes como quem nos visita e aqui vem fazer estadia ou fazer compras. Se, repete-se, por natureza assim é, como é que se explica aquela monstruosa estrutura «gelada» ali postada, ocupando praticamente toda a Praça? Que prazer e contemplação aqui se pode usufruir do conjunto com aquele mastodonte ali colocado? Não estaria melhor situado em cima da estrutura do Balneário Romano, no Largo do Arrabalde? Ao menos, ali, as crianças, e os seus paizinhos, podiam-se divertir também, usufruindo de animados banhos turcos, nesta época fria, com os vapores das águas termais, a custo zero...

 

Ao dobrar a Praça de Camões, lágrimas de tristeza, vindas da Torre de Menagem do antigo Castelo, caem sobre as antigas dependências do Paço dos Duques de Bragança - o atual Museu da Região Flaviense - chorando por ninguém se lembrar dele. É pena, pois bem o merecia!...

05.- NOC9278

 
Quanto ao resto, ficou tudo às escuras. A Capela da Santa Cabeça, parece, já deixou de ter cabeça para pensar que existe e o típico casario, que emoldura a Praça, a julgar pela «iniciativa», pensamos encontrar-se já despovoado, porquanto não entrou nesta «partilha», nesta «festa».

 

Entrámos na Praça da República. E vimos tudo quase às escuras, negro. Também não admira. Preside-a o Pelourinho que a «engalana» e, entre outras coisas, o mesmo simboliza a morte. E o Dia de Fiéis Defuntos já faz tempo que passou.

 

Descemos a rua da Trindade. De frente, ao fundo, aparece-nos, graciosamente iluminada, a Biblioteca Municipal.

06.- NOC9294

 
À sua frente, o espaço do histórico e emblemático Jardim das Freiras - um dos maiores centros de convívio dos flavienses -, por artes mágicas, nesta época do ano, desapareceu.

 

Não admira, pois, que o antigo Liceu Fernão de Magalhães, os edifícios dos Correios e a agência da Caixa Geral de Depósitos, bem como o comércio confinante, não quisesse partilhar nas «despesas» desta encenação inútil, sem sentido e sem o mínimo de encanto.

 

Descemos, tristes, sob a simples e intensa, mas equilibrada iluminação, a rua de Santo António até ao Largo do Arrabalde.

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É aqui que reside também um verdadeiro coração de Chaves. Não podia, assim, faltar iluminação natalícia.

 

Antes, impunha-se, neste conjunto, o edifício do Palácio da Justiça - obra do Estado Novo, dirigido por mentalidades velhas, ditatoriais, governando-nos com punhos de ferro, pondo a vida de muitos portugueses a ferro e fogo. Mas lá se ia impondo... Hoje o representante da Justiça apresenta-se envergonhado, mal se mostra já, ofuscado pelo poder imperial da Praça de Camões que, a todo o custo, e a qualquer preço, nos querem impor o «poder romano». Não fora a iluminação natalícia, à noite, pouco se impõe o símbolo da Justiça em Chaves.

 

Mas, da estilização da Árvore de Natal, gostamos.

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Bem podia estar noutro sítio, que nós bem cá sabemos! Mas, não querendo sermos bota-abaixo, nem tão pouco má-língua, vá lá, ali até nem fica mal.

 

Do Presépio, aqui colocado, independentemente do gosto de cada um, uma coisa foi acertada: não consta a vaquinha e o burrinho, que todos nós sabemos que até são incómodos quanto a cheiros. E esteve bem avisado quem assim decidiu tirar estas imagens míticas deste Presépio. É que o Bom Menino Jesus aqui não precisa destes úteis animais, nem tão pouco das palhinhas, para nada: os simples vapores das águas das termas romanas, que Lhe estão por debaixo, são por si suficientes para O manterem sempre quentinho!...

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Não percebemos é por que não entraram nesta «festa», e neste conjunto, o célebre edifício das «Escadas do Largo dos Pasmados», antiga e outrora prestigiada instituição bancária da nossa praça e os edifícios que lhe estão confinantes, ou nas proximidades, como a antiga Casa de Saúde do Dr. Alcino, bem assim o Café Geraldes. Falta de lembrança ou de sensibilidade dos seus atuais proprietários? Talvez seja a crise. Que não toca a todos da mesma maneira!...


Entrámos na Ponte Romana, o nosso ex-libris ou, como alguns escrevinhadores do nosso sítio gostam de lhe chamar - «a nossa top model».

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Não apresenta uma iluminação de autêntica «passerelle». Mas a que tem fica-lhe bem. Pena que as suas zonas adjacentes não participem com brio para lhe dar mais brilho! Quanto a este assunto já repisámos o suficiente noutra ocasião e, em dias de festa, não devemos ser mais chatos. Festa é festa!

 

Atravessamos a Ponte e entrámos na Madalena.

 

A única rua da Madalena que entra verdadeira e dignamente nesta «festa» tem uma cor que nos agrada. Para um antigo residente desta zona, a cor não lhe fica mal, pese embora saber que nem todos estão de acordo connosco. Compreendemos e aceitamos. É a vida...

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Sabemos que a Igreja Matriz da Madalena, embora uma excelente obra de arte, está muito confinada, com uma posição muito acanhada, que lhe tira toda a visão do seu esplendor. Torna-se difícil dar-lhe mais visibilidade e brilho. Paciência. Em boa hora se lembraram dela e muito bem.

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Cremos que a nossa conversa já vai longa.

 

Nosso desejo, para o ano que vem, é que haja mais novas e inovadoras ideias para abrilhantar esta tão linda e histórica cidade. Com novas mentalidades. Que saibam dar valor ao «chão» que pisamos. Sabendo bem planear e cuidar do espaço público, que é de todos nós. Com verdadeiro espírito democrático. E no uso de uma gestão verdadeiramente culta e participada.

 

São estes os nossos Votos, nesta Quadra, para todos os flavienses.

13.- Boas Festas 2017

 
Bom Natal e um Feliz Ano 2017


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Terça-feira, 20 de Dezembro de 2016

Reino Maravilhoso - Alto Tâmega e Barroso - Meixide/Crónica à volta do nosso mundo rural

 

 

REINO MARAVILHOSO - ALTO TÂMEGA E BARROSO

 

MEIXIDE

 

PEQUENA CRÓNICA À VOLTA DO NOSSO MUNDO RURAL


Nem sempre nossa vida se propicia para sairmos no fim-de-semana até às terras do Barroso com o proprietário do blogue CHAVES e autor da rubrica «O Barroso aqui tão perto».

 

No passado dia 10 (sexta-feira), acompanhamo-lo para darmos mais uma volta pelas aldeias do seu itinerário pré-estabelecido.

 

Pretende fazer a reportagem de todas as aldeias do Barroso, começando pelo concelho de Montalegre. E, lentamente, nos vamos apercebendo dos aspetos que nosso companheiro mais pretende captar.

 

Se, porventura, algumas histórias de vida podem vir à baila, o que, essencialmente, julgamos, está na sua intenção é o dar-nos a conhecer os aspetos particulares e específicos de cada uma das aldeias que compõem o Barroso, em especial o da já sua velha e arruinada arquitetura tradicional e popular.

 

Conhecer a alma barrosã, em toda a sua pureza, para além de cada vez mais se tornar mais difícil, por falta de gente para a assimilar, exige, por outro lado, muito mais tempo de paragem, verdadeiro convívio, ou seja, mais disponibilidade e uma planificação mais apurada. Que não se compadece com aparecimentos inesperados, aqui e ali, sem que alguém saiba ou dê conta da nossa presença.

 

Mas, em função do ritmo e da vida apressada que a sociedade de hoje em dia nos impõe, cada um faz o que pode, com o seu melhor saber. E muitos fazem certos trabalhos, porque não dizê-lo, com verdadeiro amor e carinho por estas gentes e estas terras.

 

Por isso, nosso desiderato, nesta espécie de crónica, não é competir com o nosso companheiro de muitas jornadas, fazendo reportagem das aldeias por onde passamos: umas vezes, pretendemos, tão somente, enfatizar uma ou outra imagem que mais nos ficou na retina; outras, pretendemos refletir um pouco sobre aquilo que vimos.

 

Neste post, pretendemos, embora ao de leve, refletir um pouco sobre os nossos territórios do interior, que estão na periferia das periferias. O ensejo foi-nos proporcionado por uma boa meia hora que estivemos parados no Largo do Cruzeiro da aldeia de Meixide. Ou seja, Meixide apenas aqui serve de mote, de uma espécie de sobressalto, para as nossas reflexões e interrogações.

 

Não seriam ainda 11 horas da manhã, de um dia de outono, que, lentamente, se foi apresentando soalheiro, quando entrámos no dito Largo do Cruzeiro, completamente deserto.

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Inopinadamente, aparece-nos, de um dos lados do Largo, estas duas senhoras: uma, com a burra, dando-lhe de beber no tanque público da aldeia; outra, derreada pelos anos, possivelmente nada fáceis da vida, arrastando-se com uma bengala na mão, enquanto, na outra, trazia um saco plástico,

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dirigindo-se, de imediato, depois de uma breve troca de conversa com a sua vizinha, para o banco de pedra encostado ao forno do povo - forno este que, pelos vistos, há muito tempo se encontra inativo -, enquanto o sol a ia embalando em ligeira sonolência.

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Do outro lado do Largo, uma outra senhora, vinda talvez do campo, esperava, acompanhada do seu fiel amigo,

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enquanto ia respondendo a uma ou outra pergunta que lhe íamos fazendo.

 

De um momento para o outro, entrando na aldeia, «claxonando» com grande alarido, dá entrada na povoação o vendedor ambulante de víveres.

 

Junta-se às personagens, já apresentadas, mais estas duas,

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que aproveitam para por em dia o relatório do que se passava na aldeia. Pouca coisa, no final de contas, pois, nada mais se viu se não estas cinco criaturas que, compras aviadas, depressa regressam aos seus «cortiços».

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De um momento para o outro, de uma das esquinas de uma rua, aparece o pastor.

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Depois de se ter dirigido a dois currais, lá leva as «suas crias» para o pasto.

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Uma aldeia vazia de gente. Em que predomina o preto das «maiores» viúvas. Sem o sorriso ou traquinice de uma criança. Apenas o espanto e o aconchego da mãe cabrita para com a sua cria ternurenta!

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Enquanto nosso companheiro se entretinha na tarefa de completar a sua reportagem sobre o casario da aldeia, dirigimo-nos a uma das «portas» da aldeia.

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Um canto aprazível de velhas árvores autóctones, brilhando o sol por entre a sua, já pouca, folhagem.

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E aqui, neste solarengo canto,

11.- NOC8681

congeminávamos quanto ao futuro destas terras, outrora possivelmente ainda mais pobres, mas pululando de gente, de vida.

 

Vida pobre e, muitas vezes, triste, que os levou à aventura de outras paragens, à procura de melhor vida, enquanto os mais velhos e os menos aventureiros por aqui ficavam.

 

Houve um período em que as saudades da terra e o amor ao terrunho os levou a comprar terras e aqui fazerem o seu «ninho», mais confortável e mais condizente com os novos usos e costumes das terras que os acolheram e que lhes deram mais dignidade de vida.

 

Hoje tudo é diferente!

 

As gerações mais novas perderam as raízes, embaladas nos hábitos de uma sociedade construída quase exclusivamente sobre o modo de vida urbana das médias e grandes cidades.

 

E o nosso mundo rural entrou em crise. Crise que, bem podemos dizer, profunda, porventura irreversível e irreparável, perdendo-se a própria identidade na «neblina dos tempos» que passam!

 

Entretanto, todos os nossos decisores políticos, com obrigações de atenderem às projeções da demografia e aos dados da sociologia, se esqueceram de implementar novas e criativas políticas de desenvolvimento para estes territórios em grave queda. Ou porque não lhes davam votos ou, por incúria, e tal como a avestruz, meteram, (e metemos todos), a cabeça debaixo da areia, enquanto, pura e simplesmente, deixávamos passar o tempo.

 

Pouco ou nada fizemos, a não ser de cuidar e implementar, ao improviso, políticas sociais de emergência para o remanescente das gentes que aqui, a todo o custo, teimavam em ficar!

 

E, durante estas últimas dezenas de anos, lenta e inexoravelmente, tudo se foi deteriorando, não se cuidando de implementar políticas pró-ativas para a dinamização destes territórios, hoje tão deprimidos e, muito provavelmente, irremediavelmente, perdidos!

 

O pano de situação do desenvolvimento do território português pode-se resumir simplesmente nisto: temos uma área urbana e urbanizável, em função dos Planos Diretores Municipais que temos em vigor, para mais de 40 milhões de pessoas, quando é sabido que, todos os anos, para além de uma população demasiado envelhecida, que nos vai «deixando», temos, por outro lado, cada vez menos gente a nascer e cada vez mais novos emigrantes que, mercê do esforço que o país faz para os educar, daqui saem para desenvolverem outros países! E cada vez ficamos mais pobres!

 

Áreas urbanas e urbanizáveis, umas, à franca especulação imobiliária; outras, acarretando com cada vez mais encargos, quer na implementação de novas infra estruturas, quer na sua manutenção.

 

Entretanto, os nossos núcleos urbanos tradicionais ficam ao abandono. Deteriorados, por um lado, por falta de gente para deles cuidar; por outro, sem qualquer esperança, porque somos incapazes de ter uma política outra de desenvolvimento que os leve à sua conservação, reabilitação e revitalização.

 

Os aglomerados típicos em «cacho», concentrados, estão em ruínas, em vias de extinção. Em puro contrassenso com a nossa típica arquitetura tradicional e popular, deparamos com o crescimento dos nossos aglomerados em «serpente», ao longo das estradas e das vias de acesso às localidades, ao arrepio da nossa tradição comunitária, com casas isoladas, fechadas praticamente em toda a época do ano, porque nem estes novos «ninhos», feitos com tanto trabalho e carinho de outrora, são incentivo à permanente fixação dos seus proprietários!

 

Foi sentados num muro de pedra, sob a proteção de um velho castanheiro, e com o bafo dum bonito sol outonal, que interiormente divagávamos sobre esta triste e dura realidade. Enquanto isso, nosso companheiro de jornada, lá ia registando algumas histórias, poucas, que foi ouvindo, e contruindo o seu arquivo de imagens de um acervo arquitetónico tradicional e popular que lhe dá pena ver tão mal maltratado!

 

E nós, à saída deste recanto aprazível, dávamo-nos connosco a interrogar: que futuro para estes territórios, quando estes poucos, mas bravos resistentes, nos deixarem. Que vamos fazer da matriz básica, do «berço» donde Portugal nasceu? Temos algumas respostas? Cuidamos de as encontrar?

 

É necessário, é urgente que saiamos desta posição, tão nossa característica, de deixarmos as coisas e as decisões para a última, sempre com o pensamento do «depois logo se vê», da pura improvisação, não compaginável com os tempos que correm, e começarmos, seriamente, a pensar o futuro de um Portugal uno, de norte a sul, do litoral ao interior, com uma visão verdadeiramente solidária. Caso contrário, daqui por algumas gerações - poucas - a assim continuarmos, vilas e cidades tão importantes na nossa História, e que construíram, deixarão de constar do Mapa de Portugal.

 

Para se saber da sua existência, só procurando em velhos arquivos da... História!


publicado por andanhos às 18:29
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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2016

Palavras soltas... O Cruzeiro do Senhor dos Perdões

 

 

PALAVRAS SOLTAS...

 

O CRUZEIRO DO SENHOR DOS PERDÕES

 

 

 

Cruzeiro.
Que pecados, ou promessa,
Homem benemérito, tinhas para o erguer?
Que ações ou pensamentos
Querias que te fossem perdoados,

Para os esquecer?


Cruzeiro do Senhor dos Perdões,
Quantos subiram as tuas escadas

E, perante ti, ajoelharam?
Com um amigo companheiro,
Fomos até à imponência do teu posto.
E nossos olhos se deslumbraram.


Se, o chegar até ti,

Foi uma verdadeira via crucis,
Porque levaria um «impenitente»

Ir até ao teu calvário?


Captar a nudez crua das terras
De um Barroso que lhe anda agarrado,
Quase até à medula,

Desde a sua nascença,
e durante criança?


Ou simplesmente contemplar,


Ou ajoelhar e rezar?


Do que tenha acontecido,
Nada vimos para,

Com verdadeira ciência,
Afirmar

E darmo-nos como vencido.


Vimos muito neste mundo,
E já muito pouco nos espanta!
Reconhecemos que há fenómenos
Para os quais não temos explicação.
O que se passou hoje

Está na mesma condição.


Teria sido um apagão de memória,
Que momentaneamente tivemos,
E que, puxando pela cachimónia,

Não nos possamos lembrar
O que lá no cimo se passou

E relatemos?


O nosso «impenitente» companheiro ajoelhou?
Rezou?


Certo, certo, desceu,
E, na descida, do Senhor dos Perdões,

Até o sol o iluminou!!!

 

nona

 

Cruzeiro do Barracão/Montalegre, 10 de dezembro de 2016

 

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publicado por andanhos às 22:18
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